quarta-feira, 1 de maio de 2013

MAIS CULTURA NAS ESCOLAS

  INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: 
 O PROGRAMA MAIS CULTURA NAS ESCOLAS é uma iniciativa interministerial, envolvendo a Secretaria de Políticas Culturais (MinC) e a Secretaria de Educação Básica (MEC), que vai aproximar e aprofundar parcerias de escolas públicas e iniciativas culturais. Cada projeto selecionado receberá entre R$ 20 mil e R$ 22 mil para desenvolver um Plano de Atividade Cultural, em diálogo com o projeto pedagógico da escola parceria e orientado por, pelo menos, um dos seguintes eixos temáticos:

1. Residências de Artistas para Pesquisa e Experimentação nas Escolas;
2. Criação, Circulação e Difusão da Produção Artística;
3. Promoção Cultural e Pedagógica em Espaços Culturais;
4. Educação Patrimonial – Patrimônio Material, Imaterial, Memória, Identidade e Vínculo Social;
5. Cultura Digital e Comunicação;
6. Cultura Afrobrasileira;
7. Culturas Indígenas;
8. Tradição Oral;
9. Educação Museal;

Cerca de 34 mil escolas públicas distribuídas por todo território nacional, e que estão inscritas nos Programas Mais Educação e Ensino Médio Inovador (MEC), podem participar do MAIS CULTURA NAS ESCOLAS. Cada escola deverá construir em Plano de Atividade Cultural em parceria com artistas, grupos culturais, pontos de cultura, museus, bibliotecas, espaços culturais diversos, que trabalhem com artes visuais, circo, culturas indígenas, culturas populares, cultura digital, dança, livro e leitura, moda, música, teatro, etc. Os parceiros da escola podem ser pessoa física ou jurídica, e serão remunerados por serviços artísticos, culturais e pedagógicos necessários ao desenvolvimento do projeto. Cada escola só poderá inscrever 1 (um) projeto, com 1 (uma) iniciativa cultural parceira. Assim como, cada iniciativa cultural parceira só poderá inscrever 1 (um) projeto, com 1 (uma) escola parceira. A depender do acordo entre parceiros, o Plano de Atividade Cultural poderá ser desenvolvido dentro ou fora da escola, e contemplar mais de um dos Eixos Temáticos.

Inicialmente, serão selecionados 5 mil projetos e os recursos serão repassados via PDDE/ FNDE (Programa Dinheiro Direto na Escola do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
Outras informações sobre o programa podem ser encontradas na Resolução do FNDE n° 30, de 03/08/2012, disponível no link: http://www.fnde.gov.br/fnde/legislacao/decretos/item/3705-resolução-cd-fnde-nº-30,-de-3-de-agosto-de-2012).

Ou ainda, nos endereços eletrônicos:
MinC (http://www.cultura.gov.br/site/e)
MEC (http://www.mec.gov.br/)
E-mail maisculturanasescolas@cultura.gov.br.
 O Chão e a Gira 

Zezito de Oliveira

Texto baseado na fala "inspirada" durante a minha participação no seminário do coletivo investigador para a elaboração do plano integrado de cultura e educação.Iniciativa do MINC e Casa da Arte de Educar, realizado em Recife nos dias 15 e 16 de junho de 2012.


O processo educativo precisa aterrar, descer abaixo do chão e subir possibilitando a gira girar de forma bem tranquila.A “crise” da escola advém daí. Quando falamos em aterramento estamos tratando dos saberes de nossos ancestrais, estamos querendo dizer que precisamos buscar referenciais na memória das nossas comunidades , das nossas tribos, dos nossos terreiros, dos povos originários.Deixar a gira girar é garantir um ambiente favorável dentro da escola para liberar corpos e mentes para poderem se relacionar de forma mais sincera e criativa, inclusive com o conhecimento.Por isso não acontecer é que nos deparamos com pessoas completamente perdidas e a mercê dos modismos de ocasião em matéria de valores e comportamentos estimulados, fabricados e /ou disseminados com vistas ao fortalecimento da sociedade materialista, consumista e predatória que nos é imposta pelas elites capitalistas. Portanto, não é preciso temer nada daquilo que é novo ou diferente, desde que seja dedicado uma atenção especial aquilo que vem de muito longe e que nos liga com os elementos naturais e culturais que recebemos das gerações que nos antecederam.Falo das brincadeiras, dos folguedos, dos ritos religiosos, das lendas, não reduzidas a folclore, espetáculo, lazer ou coisa que o valha, mas entendendo que tudo isto é fonte de conhecimentos, significados e saúde. Falo também das águas, das florestas, da terra e do ar.Quando falo em deixar a gira girar, me refiro a possibilidade de recriar, ressignificar ou revitalizar aquilo que herdamos sem medo e sem falsos pudores. Porque a vida está sempre fazendo isso, sob a aparência de algo estático e imóvel, o movimento e a transformação estão sempre acontecendo.O movimento de rotação e translação da terra é um bom exemplo. Se é verdade que se repetem os dias e as estações, também é verdade que sempre surge algo novo nestes dias e nestas estações que se repetem.Em suma, uma educação atenta aos ciclos naturais e culturais da vida, pode ser a saída para as crises nossas de cada dia.Se temos dificuldade para que isto seja assimilado pelo sistema acadêmico e educacional como um todo, poderemos começar em aliança com parte daqueles que compreendem isto e que atuam em universidades, escolas, órgãos públicos, artistas, ONGs, empresas e meios  de comunicação.


Para saber mais:


http://www.artedeeducar.org.br/promovendo-a-integracao-entre-cultura-e-educacao

 
Encontro do Coletivo Investigador
Recife / PE - Junho 2012
Pesquisa-ação para um Plano Articulado
entre Cultura e Educação

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Ministério da Cultura ouve a sociedade para elaborar políticas públicas que possibilitem ações culturais integradas nas escolas.

O professor de História, especialista em arte-educação e idealizador/produtor da “Caravana Cultural Luiz Gonzaga vai a Escola”, Zezito de OIiveira, viaja a Recife, para participar nos dias 14 e 15 de junho do seminário do coletivo investigador da pesquisa-ação que tem  como objetivo elaborar  princípios que auxiliem na formulação e orientação de políticas de cultura voltadas para a educação.

Este seminário contará com a presença de professores, educadores populares, artistas e outros agentes da educação e da cultura empenhados na formação de um sistema educacional que integre as experiências de Educação Formal e as de Educação Não-Formal, realizadas por organizações da sociedade civil, bibliotecas e museus.

O seminário do coletivo investigado é uma das principais ações do  projeto Um Plano Articulado para Cultura e Educação, desenvolvido pelo Ministério da Cultura e pela ONG Casa da Arte de Educar.
Para mais informações sobre o projeto, acesse o site da Casa da Arte de Educar, cujo endereço é http://www.artedeeducar.org.br

Sobre o trabalho e reflexão realizada por Zezito de Oliveira sobre a parceria cultura e educação, Leia:



  A Potência da CULTURA – ensaio com sugestões para programas de governo

  04/09/2012 | Publicado por celioturino em Sem categoria
A Potência da CULTURA


E se a Cultura fosse prioridade em programas de governo? Ela seria reconhecida como o fio condutor que une o direito à saúde, ao transporte, à moradia, à educação, ao trabalho, à cidade… à cidadania. Cultura como arte, habilidades humanas, mas para além das artes e da expressão simbólica, Cultura como comportamento, como atitudes e valores que se expressam desde as mínimas relações no cotidiano à economia. Assim, teríamos programas de candidatos e candidatas às prefeituras que tratariam a Cultura em toda sua Potência, central e transversal.

Como primeira medida, o fortalecimento das Secretarias e órgãos de gestão da Cultura. Não é possível que a Cultura continue sendo tratada como mero ornamento, com políticas públicas acanhadas e concentradas, tanto no espaço geográfico, quanto social, ou restritas à realização de eventos e atividades artísticas pontuais. Em São Paulo, por exemplo, se de um lado houve a positiva e necessária recuperação de espaços como o Teatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade, além da incorporação da Virada Cultural (que, em meu modo de ver, deve ser mantida e aperfeiçoada) ao calendário da cidade; de outro, o investimento em Cultura, para além do centro da cidade ou para além de um grande evento anual, ficou praticamente abandonado. E este é o retrato de praticamente todo o país, em Campinas a mediocrização da gestão cultural vem desde o final do século passado (e, infelizmente, enquanto paro para pensar em alguma exceção positiva, poucos exemplos me vêem à cabeça, talvez Suzano, na grande São Paulo, não muito mais que isso). Ao menos em cidades mais dinâmicas, como São Paulo, outros agentes e instituições assumem um papel mais ativo que as prefeituras na vida cultural da cidade; como o SESC paulista e sua programação de vanguarda, ou a iniciativa privada financiada com recursos de renúncia fiscal (mas neste caso reduzindo a Cultura à dimensão Mercadoria), além de manifestações e organizações autônomas da sociedade (como os saraus literários de periferia ou os pequenos teatros de grupo). Sem dúvida, em cidades com as dimensões de São Paulo esta pluralidade de agentes culturais, pode e deve ser estimulada; todavia, o que não pode mais continuar acontecendo é o fraco protagonismo do poder público municipal, não somente em São Paulo como em quase todos municípios do Brasil.

Tanta coisa boa poderia acontecer se as gestões municipais fossem estruturadas a partir de uma visão ampla integradora da Cultura, sob o conceito da cidadania cultural. Aqui exercito um ensaio de como isso poderia se realizar na prática, em programas de governo. Penso em quatro macro-programas, interligados e transversais, não somente entre si, no âmbito de atuação das secretarias de Cultura, mas em inter-relação com as demais secretarias e programas do governo municipal. Estes programas matriciais deveriam se desdobrar em Ações e Iniciativas, conforme apresento a seguir.


Programas e Ações


CULTURA em REDE


Um retrato da desigualdade: abundância e escassez na distribuição dos equipamentos culturais. No caso de São Paulo, há regiões da cidade, ou mesmo uma única avenida ou parque público, que concentram diversos equipamentos culturais da mais alta qualidade, enquanto regiões inteiras, com centenas de milhares de habitantes, ou mesmo milhões, sequer dispõem de um único teatro ou biblioteca adequados. Fazer uma política democrática de Cultura pressupõe reverter este quadro, que se repete em milhares de cidades brasileiras, boa parte delas com ausência total de equipementos culturais, contando, no máximo, com alguma biblioteca funcionando em condições precárias.

Em São Paulo esta situação começou a ser modificada quando da implantação dos CEUs, no governo da prefeita Marta Suplicy; porém, com a mudança de governo houve uma descontinuidade, com o apequenamento do projeto original; e os novoss CEUs, que perderam espaços de lazer e cultura, como teatro, área para oficinas culturais ou mesmo instrumentos musicais para orquestra e demais equipamentos indispensáveis para o bom desenvolvimento de uma ação cultural. Repetindo o vício de se privilegiar o invólucro no lugar do conteúdo (ou a estrutura no lugar do fluxo, ou a casca no lugar da gema), o máximo que as propostas de governo alcançam é propor a construção de novos (e custosos) equipamentos culturais. Sim, eles são necessários, mas o principal objetivo de um programa Cultura em Rede não seria a construção, mas a articulação (por isso Cultura em Rede) dos espaços culturais já existentes, qualificando sua estrutura e potencializando sua programação. Há tantos espaços desperdiçados por aí, por vezes um teatro em escola, barracões, salas de ensaio; por que não utilizar-los de forma mais intensa? Inclusive os privados e com pouco uso, que poderiam ser incorporados à rede via conveniamento. Não é possível que uma cidade com 93 distritos, cada qual com população média de 100.000 pessoas, como no caso de São Paulo, não contem com, ao menos, um teatro, uma biblioteca, um cinema, um museu e um espaço para oficinas culturais, cursos de iniciação artística e exposições. Isto poderia acontecer a partir da construção de equipamentos integrados com a educação (a exemplo das Bibliotecas Parque, de Medellin, ou dos primeiros Parques Infantis na gestão Mário de Andrade), sobretudo com a expansão, dinamização e retomada do projeto original dos CEUs, requalificação de Espaços e Casas de Cultura, recuperação de edifícios históricos, integração com equipamentos esportivos ou praças e parques públicos, ou mesmo o melhor aproveitamento de espaços culturais privados. Desnecessário dizer que esta situação se repete em praticamente todos municípios do país.

Menos obras físicas e mais articulação e requalificação dos equipamentos já existentes, menos fachadas e mais conteúdos, pois o fundamental para a Cultura é o relacionamento em rede e de maneira complementar. Com isto, de forma rápida -e a um custo relativamente baixo-, as cidades poderiam contar com Sistemas Integrado de Centros Culturais permitindo que, para além da custosa construção física, seja possível disponibilizar recursos específicos para sua manutenção e programação, compreendendo todo ciclo da produção cultural (patrimônio, formação, produção e difusão). E este Sistema poderia funcionar tanto em grandes, médios ou pequenos municípios, diretamente administrados por uma prefeitura ou através de consórcios intermunicipais.

Para integrar e consolidar o Sistema de Centros Culturais – Cultura em Rede, devem ser adotadas duas ações:

a) Assegurar ao menos uma grande Instituição Cultural (Centro Cultural, Museu ou Biblioteca Parque) em cada macroregião da cidade (no caso de grandes cidades, ou ao menos uma Instituição de referência em caso de cidades médias ou pequenas, neste caso via consórcio intermunicipal), funcionando como Centros de Referência, integrando e complementando programação em centros menores, promovendo intercâmbio, interações estéticas e programação de qualidade variada;

b) Cultura em rede pressupõe articulação e integração entre estrutura física, programação integrada e ação digital. É neste campo que “Casas e Praças da Cultura Digital” poderiam atuar. Uma ação de Cultura Digital é indispensável para o funcionamento de Cultura em rede e deve ser compreendida de maneira ampla, envolvendo desde a disponibilização de banda larga pública até inovadoras experiências que integram comunidades de software livre, metareciclagem de computadores e equipamentos eletrônicos e trabalhos colaborativos com o desenvolvimento de novas práticas econômicas sob os princípios da economia solidária – trabalho colaborativo, comércio justo, consumo consciente, generosidade intelectual e gestão em rede-. As Casas de Cultura Digital integrariam estas iniciativas e as Praças de Cultura Digital seriam praças públicas dotadas de internet em alta velocidade, espaços de convivência para as comunidades digitais e centros de coleta e reciclagem de computadores e aparelhos eletrônicos, funcionando como pólos públicos da rede.


CULTURA e EDUCAÇÃO


Quando a Educação se afasta da Cultura ela perde sua alma. Quando a Cultura se afasta da Educação ela perde seu corpo. Reaproximar Cultura e Educação é reaproximar corpo e alma.

Um programa de integração entre Cultura e Educação deveria ser estruturante para todo programa de governo. Há acúmulo teórico e experiência prática, comprovando que este encontro entre Cultura e Educação não somente dá certo como é indispensável para uma cultura cidadã e uma educação emancipadora, como o movimento mundial pelas Cidades Educadoras, ou o conceito das Escola-Parque, formulado pelo pedagogo brasileiro Anísio Teixeira, ou dos Parques Infantis, implantados na década de 1930 em São Paulo, por Mário de Andrade.. Aqui não se trata da pedagogização da cultura e das artes, mas da integração entre cultura e educação, em um processo permanente, que aconteça em todos os lugares, com todas as gerações e por toda vida. A base da cidadania cultural está neste sutil exercício.

Integrado Cultura e Educação (e também esportes, lazer e meio ambiente) é possível implantar, paulatinamente, a Educação em Tempo Integral, mas não em tempo integral na escola e sim utilizando toda a rede de Cultura da cidade (não somente a municipal, como também de demais instituições a partir de parcerias). Fora do horário na escola os alunos poderiam participar:

a) Cursos de iniciação artística em Escolas Municipais de Iniciação Artística (em Campinas, lamentavelmente, a prefeitura fechou a única escola pública de música);

b) Formação de público com freqüência a teatros, museus, centros culturais e cinemas;

c) Projetos especiais como o Recreio nas Férias – assegurando programação cultural e esportiva de férias para todas as crianças e adolescentes da cidade;

d) Corpos Artísticos Juvenis (ou vocacionais), como orquestras e corais, grupos de teatro, dança, circo e coletivos em artes visuais ou audiovisual.

O objetivo seria assegurar a todas crianças e jovens o acesso a, pelo menos, um curso de iniciação artística e freqüência mensal em, no mínimo, uma programação em teatro, cinema ou exposição e uma semana de férias nas atividades do Recreio nas Férias (com atividades de cultura, esporte e lazer nos pólos de férias, passeios e visitas a áreas de lazer – quando desenvolvi esta experiência em Campinas, no início dos anos 90 e em São Paulo, no governo Marta Suplicy, conseguimos atender a mais de 100.000 crianças e jovens por edição).

Quanto aos Corpos Artísticos Juvenis, faço um exercício para demonstrar o quanto é viável. Imaginemos uma cidade que contasse com 50 Orquestras e Corais Infantis e Juvenis, com participação entre 60 e 100 jovens em cada um. O custo de manutenção de cada orquestra seria de R$ 400 mil/ano, garantindo contratação de regente e professores por naipe (violino, violoncelo, percussão, etc…); um sistema de orquestras jovens com este porte asseguraria 1.000 apresentações de música de câmera por ano (2 por mês, durante 10 meses, por cada orquestra), envolvendo diretamente entre 3 a 5 mil jovens músicos, além de gerar postos de trabalho para músicos recém formados, que atuariam como regentes e professores de orquestra (aproximadamente 500 no total). Há que contabilizar também o público beneficiado com a série de concertos, alcançando centenas de milhares, ou até milhões, de pessoas. O custo total desta ação seria de R$ 20 milhões/ano (numa cidade que assumisse 50 orquestras jovens), pouco para o alcance educacional e cultural da iniciativa. A Orquestra de Heliópolis, em São Paulo, é um exemplo de transformação social e beleza que resulta de um trabalho como este. Por que as cidades do Brasil não podem contar com tantas mais experiências como a surgida na favela de Heliópolis, em São Paulo? O mesmo poderia acontecer com grupos de teatro, dança, coral, etc… (neste caso a um custo menor por grupo constituído). Como parâmetro de eficácia, devemos observar o Sistema de Orquestras Jovens da Venezuela, conhecido como El Sistema (atualmente a Venezuela é o país que mais forma músicos eruditos no mundo – em relação à população); com 30 milhões de habitantes, o país conta com mil orquestras e 300 mil músicos em atividade (em proporção, a cidade de São Paulo deveria contar com 100 mil músicos e mais de 300 orquestras jovens). Todo município brasileiro pode e deve ter seu Sistema de Corpos Artísticos Juvenis, seja uma banda de coreto ou orquestra, um grupo de teatro, dança ou circo, ou vários. Investindo muito ou pouco, mas investindo e cuidando de sua gente, este deveria ser o principal objetivo de todo governo.

Sistema Municipal de Bibliotecas, livro e leitura, outra ação indispensável. Biblioteca é patrimônio cultural e, sobretudo, formação. Além de assegurar, ao menos, uma biblioteca por município ou distrito, cabe integrar a rede de bibliotecas públicas com as bibliotecas escolares, bibliotecas comunitárias e demais iniciativas de difusão do livro e da leitura. E ir além da integração e disponibilização de acervos. É preciso atualizar o conceito de bibliotecas, transformando-as em espaços convidativos e agradáveis, com acervo atualizado e livros ao alcance direto do leitor (ao menos o acervo mais atual), espaços iluminados e aconchegantes, atividades lúdicas em brinquedotecas e constante programação cultural e artística. Há diversos bons exemplos de como a instituição Biblioteca pode assumir um novo papel de estimulador social e cultural, que vai muito além da guarda e consulta de acervos. A cidade de Medellin, na Colômbia, é um belo exemplo de como potentes bibliotecas se transformam em âncora para a regeneração urbana e o exercício de uma cultura cidadã; isso também pode acontecer em qualquer cidade do Brasil.

E para além das Bibliotecas. Há a necessidade de políticas de difusão do livro e da leitura, levando-o mais próximo ao público, com iniciativas que vão desde a distribuição gratuita de livros de baixo custo no sistema de transporte público (a exemplo do programa “Para ler de boleto en el metro”, na cidade do México) até a organização de bancas/estantes em praças e pontos de ônibus (a exemplo da cidade de Bogotá, ou da bela iniciativa de um Ponto de Cultura em um açougue, na cidade de Brasília, que disponibiliza 100.000 livros nos pontos de ônibus da cidade). E difusão se faz com gente, Agentes de Leitura (jovens da Cultura Viva, que difundem a leitura em casas, ruas e espaços comunitários) e o próprio incentivo à criação literária. Enfim, não há Cultura e Educação sem a devida prioridade às bibliotecas, livros e leitura.


CULTURA VIVA


Cultura Viva, um conceito de cultura que se desenvolveu no Brasil e se espalha por toda América Latina. A Cultura entendida como processo e não produto, feita pela gente, pelas pessoas, sem hierarquias ou controle. Cultura como expressão simbólica, como construção de valores e cidadania e como economia. Uma Cultura que se desenvolve com autonomia e protagonismo, potencializados na articulação em rede. Cultura como fluxo, potência, afeto, desejo e encantamento.

As cidades formam o melhor ambiente para a Cultura Viva. Mil povos, mil fazeres e mil sonhos. Tudo junto (e misturado). Para sedimentar a rede Cultura Viva (ou: o “fazer cultural” autônomo e protagonista) há os Pontos de Cultura; no Brasil eram mais de 3.000 em 2010, em 1.100 municípios. Os Pontos de Cultura são entidades culturais da sociedade, com personalidade jurídica própria, selecionadas por edital público e que já desenvolvem trabalhos em suas comunidades; tem atuação das mais diversas, das linguagens artísticas às ações sócio-culturais em territórios de vulnerabilidade social, de grupos eruditos a populares, do fortalecimento de laços identitários e tradições à experimentação estética e à vanguarda da cultura digital em software livre. São os mais diversos recortes, cada qual à sua maneira. Ao se potencializarem em rede vão se desenvolvendo, tanto do ponto de vista ético, estético ou econômico. E o fazem em uma relação horizontal, entre iguais (uma igualdade que se realiza na diferença), rompendo com processos formativos de cima para baixo, ou de fora para dentro.

Cada Ponto de Cultura recebe um recurso anual de R$ 60 mil e desenvolve seu plano de trabalho conforme suas necessidades, empoderando-se no processo. Até o momento esta rede acontece em convênio com o Ministério da Cultura; mas por que não assumi-la como política municipal? Custa pouco, por vezes menos que uma festa patrocinada pela prefeitura, com a diferença de que acontece em processo contínuo, por todo o ano.

Mas Cultura Viva vai além dos Pontos de Cultura e também envolve ações como “Cultura Digital”, “Cultura e Saúde”, “Economia Solidária e Cultura”, “Agentes Jovens de Cultura”, “Griôs e Mestres da Cultura tradicional transmitida pela Oralidade”, “Interações Estéticas”, “Escola Viva”, “Pontos de Leitura”, “Pontos de Memória”, “Pontos de Mídia livre”, “Pontinhos (para cultura da infância e lúdica)” e “Pontões (articuladores, capacitadores e difusores na rede)” de Cultura. Todas estas ações – e outras- devem ser desenvolvidas junto com os Pontos de Cultura. Há tanta cultura tradicional, tantos mestres, tantos Griôs e tanto conhecimento que podem contribuir para o desenvolvimento da cidade; há tantos Pontos de Mídia Livre, rádios e TVs comunitárias, sites, blogs, fanzines e revistas independentes que contribuem para difundir o que de mais profundo e esquecido se produz por aí; tantos artistas, fazendo coisas belas e dispostos a interagir com comunidades em efetivas Interações Estéticas, ensinando e aprendendo com elas; a Cultura e Saúde com terapias alternativas e a arte como elemento de desenvolvimento das pessoas com deficiências intelectuais ou físicas, a medicina tradicional e a busca da cura em ambientes saudáveis; Pontos de Memória, com memoriais e museus comunitários, de vizinhança, temáticos, afetivos, em escolas; e Pontos de Leitura e suas bibliotecas comunitárias, as biciclotecas construídas a partir de tanta idéia boa surgida da mente de gente igualmente boa, por vezes moradores de rua, catadores de papel que reciclam livros e vidas. Tanta coisa boa e bela que pode se desenconder por aí, isso é Cultura Viva.

E que pode ir além. Há que desenvolver ações e programas de arte pública, em apoio à artes e aos artistas de rua, que tanto humanizam as cidades. E os grupos de teatro e dança, que na falta de apoio governamental foram abrindo seus espaços próprios, gerando pólos autônomos de arte, inovação e convivência; mas a manutenção destes espaços é custosa, cabendo a criação de um arcabouço de apoio (redução ou isenção de impostos) e financiamento público para Espaços Culturais de Grupos que assegure a manutenção dos custos fixos; como contrapartida, esses espaços poderiam oferecer sua própria programação e uso em atividades e programas como Cultura e Educação e outros. O apoio ao Circo e aos artistas circenses e todas as suas especificidades, da regulação do uso de espaços à formação, do circo tradicional ao novo circo. E as Iniciativas Culturais da Juventude ou grupos culturais não formalizados, a exemplo do programa paulistano, VAI; ou a Agentes Jovens de Cultura, para jovens artistas e articuladores culturais; ou o apoio à ações e manifestações (a exemplo da parada Gay) de combate à discriminação, sejam de caráter religioso, gênero, étnico ou cultural; ou às Culturas tradicionais e populares, há tantas, em todas as cidades, as mais surpreendentes, como em São Paulo, em que os índios Pankararu redescobrem suas raízes na favela do Real Parque, ou jovens do Hip Hop que se reencontram com o repente de seus avós; as festas populares, seja em grandes ou pequenos municípios, sempre presentes. Tanta coisa bela e sensível, que passa na frente de nossos olhos e que nos diz que a Cultura continua Viva, não porque é feita pelo Estado ou governos, nem porque se deixa transformar em mercadoria, mas porque é feita pela gente e para a gente. E vai além.


CULTURA: direito do povo, dever do Estado


O objetivo: a Arte. E só. Arte como habilidade, criação, beleza. Convivência.Arte de bem viver. Uma cultura cidadã só pode acontecer se as pessoas conviverem em estado de Arte, cultivando forma e o espírito e, no espaço da liberdade de criação, aprenderem a viver com liberdade e respeito. Arte, conceito difícil de definir e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas. Por isso mesmo a arte deve permear o conjunto dos programas de toda política cultural.

Arte necessita de fomento que ative e impulsione o processo criativo. Nos últimos 20 anos as políticas de fomento em vigor no país estiveram, basicamente, concentradas em instrumentos da renúncia fiscal, transferindo recursos públicos para um processo de decisão privada, submetida à lógica do mercado. Houve iniciativas que caminharam em outro sentido, apresentando resultados consideráveis, como as iniciadas no movimento Arte contra a Barbárie, que resultou na lei do Fomento em São Paulo ou a experiência do programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, disseminada pela ação do Ministério da Cultura no governo Lula, bem como os editais específicos de fomento para os campos da identidade e diversidade e das artes. São contrapontos ao modelo que reduz a Cultura e a Arte apenas à dimensão produto ou mercadoria. Programas de Cultura com sentido emancipador deveriam caminhar nesta mesma lógica, em que Cultura e Arte são consideradas direitos inalienáveis, que devem ser realizados pelas pessoas, pela sociedade, em ambientes de liberdade criativa, cabendo ao Estado assegurar meios para que aconteçam em toda sua potencialidade, com critérios públicos e sem dirigismo, seja do Estado ou do Mercado.

O principal meio para efetivação desta política deve ser o Fundo Municipal de Cultura, com dotação orçamentária própria e destinada diretamente ao fazer cultural e artístico da sociedade, das pessoas. Como meta: 1% do orçamento municipal diretamente destinado ao Fundo de Cultura. Para as necessidades de manutenção e investimento direto do município, as Secretarias de Cultura devem contar com orçamento próprio; ou, em linguagem técnica: os Fundos Municipais de Cultura devem contar com rubrica específica, com fonte de recursos assegurada e mecanismos públicos na definição de acesso a estes recursos.

Chega-se ao valor de 1% do orçamento a partir de que, no mínimo 5% do PIB nacional (dados do IBGE) advém da economia da cultura. Toda essa economia gera recursos para as cidades que retornam na forma de tributos diretos (ISS sobre atividades culturais) e indiretos (arrecadação em bares, restaurantes, hotéis e demais atividades econômicas diretamente impactadas pela economia da cultura), nada mais justo que parte destes recursos seja aplicada na própria atividade que os gerou (permitindo, inclusive, a ampliação destes recursos com o motor da própria atividade econômica). Diversas cidades já contam com Fundos Municipais de Cultura, algumas há décadas (Campinas, por exemplo) e outras começam a implantar (Campo Grande, recentemente, aprovou lei criando o Fundo e definindo piso de 1% do orçamento municipal); não faz sentido que grandes ou pequenas cidades ainda não disponham de algo semelhante. Cabe salientar que a criação de Fundos Municipais de Cultura está prevista na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura e em poucos anos esta será a única forma de acesso a recursos nacionais de cultura, que serão transferidos “fundo a fundo”, a exemplo do Sistema Único de Saúde. Outra fonte de recursos do Fundo deve ser a receita própria dos equipamentos municipais de cultura (borderô de ingressos, eventuais locações, doações diversas), evitando que este recurso se perca no caixa único das prefeituras.

Com o Fundo Municipal de Cultura é possível manter e ampliar as ações de fomento; nos grandes municípios podem existir Fundos Setoriais (Artes, Diversidade e Cidadania Cultural, Patrimônio e Memória, Audiovisual, Livro e Leitura e Projetos Especiais), seguindo a mesma lógica do projeto de lei que institui o Pró-Cultura (reforma da lei Rouanet) em nível nacional – ainda em tramitação no Congresso. Somente com um Fundo efetivamente estruturado e com recursos suficientes será possível realizar uma efetiva política de fomento à cultura nos municípios.

Mas para além de uma política de editais para acesso público a recursos públicos, cabe assegurar uma série de mecanismos de fomento às artes e à preservação do patrimônio histórico e cultural. As cidades precisam contar com Conselhos do Patrimônio Histórico e Cultural, bem como com regras estáveis de preservação, que possam conviver com as necessidades da expansão imobiliária, sem prejuízo à preservação de nossas referências históricas, ambientais e afetivas. Cabe a estes Conselhos assegurar a inventário das áreas envoltórias de patrimônios tombados e regras prévias e claras para os proprietários do entorno, tornando sustentável a preservação e até criando compensações, no caso de grandes e médios municípios, com uma lei da troca do potencial construtivo (em que o proprietário de um imóvel tombado poderá negociar o potencial construtivo de seu imóvel em outras áreas da cidade, assegurando recursos para preservação do bem tombado).

Junto a estas medidas de Fomento e Regulação, cabe, igualmente, manter Instituições e Programas de Preservação e Memória, que vão desde a manutenção de Museus e Arquivos à realização e inventários, cartografias culturais, mapas e roteiros, histórico, ambientais, afetivos e artísticos.

Medidas institucionais de gestão da Cultura

Os quatro programas aqui apresentados dão conta, ao meu ver, das diversas dimensões e necessidades de uma efetiva política cultural para o século XXI, porém, para que aconteçam em plenitude, serão necessárias medidas institucionais, basicamente previstas na lei que cria o Sistema Nacional de Cultura, a exemplo do SUS. São elas:

a) Adesão das cidades ao Sistema Nacional de Cultura;

b) Plano Municipal de Cultura, com objetivos, metas e indicadores para os próximos 10 ou 20 anos;

c) Criação, fortalecimento e democratização dos Conselhos Municipais de Cultura (e criação de conselhos por subprefeituras, quando houver);

d) Criação do Fundo Municipal de Cultura (com dotação orçamentária própria e repasse de recursos por editais públicos);

e) Fortalecimento da capacidade de gestão e formulação das Secretarias de Cultura (ampliação orçamentária e concurso público para quadro funcional especializado);

f) Sistema de Informações e Mapeamento Cultural;

E para os candidatos a vereador, fica a sugestão para abraçarem as leis Cultura Viva e Griô, ora em tramitação no Congresso Nacional e que também podem ser adaptadas à legislações municipais. Além da Carta Compromisso com a Cultura, que deveria ser assinada por todo candidato ou candidata que percebe na Cultura a potência de seu povo.
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Somos Tão Jovens - O Filme sobre Renato Russo


 

Trailer do filme AQUI


Com reportagem do Correio Braziliense

Com estreia sexta, Somos tão jovens traça retrato vigoroso de Renato Russo.  
 O cineasta Antônio Carlos da Fontoura não queria um filme triste sobre uma pessoa doente

Ricardo Daehn
Publicação: 01/05/2013 08:26 Atualização: 01/05/2013 16:14
Em entrevista ao Correio, quatro meses antes de morrer (em 1996), Renato Russo fez uma análise concisa da adolescência, já distanciado do período de hormônios efervescentes e de grandes descobertas da vida: “Alívio”. Juventude rimava com dificuldade. Num contrapeso, à frente da superprodução Somos tão jovens, o cineasta Antônio Carlos da Fontoura estava decidido a conservar o frescor, isento da percepção quase melancólica do astro do rock nacional, morto aos 36 anos: “Não queria fazer um filme triste sobre uma pessoa doente”. Nessa outra vibração, o reverso — de celebração exagerada de um mito, despontado no grupo Aborto Elétrico — também poderia dar margem à armadilha. “Eles (Renato, Fê e Flávio Lemos) não eram os reis do rock, eram moleques fazendo banda de garagem”, sublinha o diretor do filme, que chegará às telas na sexta-feira.


Cena de Somos tão jovens: um Renato Russo 'brasiliense' tocado pela poesia e pela filosofia  (Cena de Somos tão jovens)
Cena de Somos tão jovens: um Renato Russo "brasiliense" tocado pela poesia e pela filosofia

Indissociável ao sucesso da Legião Urbana, uma cinebiografia de Renato Russo daria margem também à overdose de glórias. “Eu podia fazer o filme do roqueiro famoso, viajando de avião e dando show pra 1 milhão de pessoas. Não quis fazer isso. Quis fazer como o Júnior criou o Renato Russo e como Brasília criou ele”, delimita. Lidar com o peso de um futuro ídolo — à frente de multidão de admiradores — contou com a habilidade e o bom senso do protagonista da fita, Thiago Mendonça. “Preocupar-me com gestual ensaiado e com a legião de fãs, de modo anterior a meu trabalho, não seria saudável. Se ficasse muito preso a isso, eu ia medrar. Claro que foi uma responsabilidade muito grande, mas foi tudo muito natural. As entrevistas e os vídeos dele que vi foram organicamente absorvidos”, explica o ator.

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 Set de filmagens de Somos Tão Jovens, sinopse comentada, cenas de bastidores e muito mais!

Continuação da entrevista com Dado Villa-Lobos e com os responsáveis por Somos Tão Jovens, o filme: o diretor Antonio Carlos da Fontoura e o coroteirista Luiz Fernando Borges. Eles falam sobre roteiro, pesquisas e como foi a produção do filme 'Somos Tão Jovens', grande homenagem a Renato Russo e à geração do rock de Brasília. O papo foi no Jardim Botânico, onde nasceu a ideia de contar a história da adolescência de Renato Russo. AQUI 
e AQUI

Leia também:

 O Portal do Som ( 2) - Música e Tragédia Urbana.

AQUI
 





Quer a presença da Caravana Luiz Gonzaga em sua escola, empresa ou organização não governamental?






Exposição de fotos, exibição de documentário sobre a Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola  e apresentação de coreográfias inspiradas em músicas de Luiz Gonzaga estão  a disposição de escolas da rede pública de ensino, durante os meses de maio e junho .
As escolas públicas interessadas em contar com a participação parcial da Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola, poderão entrar em contato com o  produtor executivo da iniciativa, Zezito de Oliveira, para combinar detalhes acercas das condições para o transporte de material, lanche  e pagamento de diárias para 2 adolescentes  assistentes de produção.  
As escolas particulares, orgãos públicos, empresas  e organizações não governamentais,   além destas condições, deverão arcar com uma pequena ajuda financeira ou em material, sem valor pré definido,  voltada para o investimento no  trabalho sócio-educativo da Ação Cultural desenvolvido com crianças,  adolescentes e mães no Conjunto Jardim através de oficinas artisticas, reuniões , exibição de filmes e passeios culturais.
e-mail: zezitodeoliveira@gmail.com e 8864-5927 e 8117-2290
Para saber mais sobre a Caravana Luiz Gonzaga, clique AQUI e  AQUI



Resultado da produção final da oficina de iniciação ao audiovisual  do Ponto de Cultura: Juventude e  Cidadania é avaliado de forma satisfatória.
Foram produzidos três trabalhos: O documentário sobre a própria oficina, o documentário sobre a oficina de dança moderna/regional no conjunto Jardim “Gonzaga me convidou para dançar”  e o clip com a música  Sintonize , do álbum “Abra os Olhos”  da banda de reggae Kararoots.
A apresentação pública será realizada dentro de mais alguns dias, como parte da programação  do Cineclube Itinerante, na sede da Ação Cultural, no edifício Cultura Artistica, centro de Aracaju, na Escola Estadual Júlia Teles no conjunto Jardim (Socorro) e no Teatro Lourival Baptista na Mostra Cultural Juventude e Cidadania.
Quando as datas estiverem definidas informaremos a todos aqueles interessados no trabalho realizado pelo Ponto de Cultura Juventude e Cidadania/Ação  Cultural. Mais adiante,  o material será disponibilizado no you tube.
Parabéns ao educador/oficineiro Marcel Magalhães e a todos os aprendizes.
Para saber mais sobre o Ponto de Cultura, clique AQUI



Maio Nosso Maio

Uma viagem pela história do Dia do Trabalho, ou melhor, do Trabalhador, comemorado no dia 1° de maio.
 Modelagem e Animação:
Ricardo Roehe (Phoinx), João Gabriel "JG" de Oliveira Cipriano (V5), Nara Oliveira (Gunga), Farid Abdelnour (Gunga)

Produção e Direção:
Farid Abdelnour (Gunga)

Direção de Arte:
Nara Oliveira (Gunga), João Gabriel "JG" de Oliveira Cipriano (V5)

Ilustração:
Nara Oliveira (Gunga)

Roteiro e Pesquisa:
Paique Duques, Edu Garcês Viana (Casa Cajuí), Diego "Diguilim" Mendonça, Chico Nogueira (Mambembrincantes)

Edição e Desenho de Som:
Edu Garcês Viana (Casa Cajuí)

Direção Musical:
Chico Nogueira (Mambembrincantes)

Narração:
Chico Nogueira (Mambembrincantes), Anahi Nogueira (Mambembrincantes), Fabíola Resende

Técnico de Som:
Bruno Sant'Ana

Músicas:
Passagem - Chico Nogueira e Leo Terra
Tropéis - Chico Nogueira e Carlos Augusto Cacá
Vira Mar - Chico Nogueira; Hino da Internacional Socialista (versão instrumental) - interpretada por Cia. Mambembrincantes
Hand Trolley - interpretada por Kevin MacLeod


Gunga: http://www.gunga.com.br
V5 Comunicação: http://www.v5comunica.com.br
Casa Cajuí: http://www.casacajui.blogspot.com
Cia. Mambembrincantes: http://www.mambembrincantes.blogspot.com
 AQUI 


 Meu Maio

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!
                   
Vladimir Maiakovski


Deputados de ‘rabo preso’ com patrões impedem redução da jornada de trabalho 

Fonte: Rede Brasil Atual

No último ano foram aprovados no Congresso Nacional quatro projetos que beneficiam os trabalhadores mas segundo o deputado federal Paulo Vicente da Silva, o Vicentinho (PT-SP), ainda existem projetos de lei que não avançam por causa de uma bancada que tem rabo preso com os patrões. Por exemplo, o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Entrevista à repórter Marilu Cabañas. 
 



01/05/2013

1º de Maio: falta um palanque para o Brasil

  !

A dificuldade conservadora de chegar ao eleitor popular é um dado real que explica a composição postiça de alguns palanques desse 1º de Maio.

Bem cotados entre as elites e os endinheirados, com robusta veiculação na mídia e forte ancoragem no judiciário, os presidenciáveis do campo conservador ainda assim rastejam.

Falta-lhes o essencial: identidade popular.

Ressentem-se de um percurso histórico que os conduza ao coração do povo com a naturalidade com que Lula o frequenta e compartilha com seus parceiros.

Sem esse passaporte, as urnas ameaçam frustrar novamente seus planos de poder em 2014.

Na impossibilidade de simular o lado da história que não é o seu, buscam a bala de prata redentora nas falhas reais ou impingidas ao governo.

Não tem sido mais felizes aí.

A inflação dos alimentos sustentou a ‘ola’ conservadora em direção ao voto popular nas últimas semanas.

Murchou.

A mídia dissimula, mas os preços no atacado recuam.

A oscilação do índice da FGV, em abril, foi de apenas 0,15%.

No caso dos preços ao consumidor (IPCA) houve deflação de 0,12% no mês.

As commodities despencam no mercado mundial.

Nada disso rendeu a mísera equivalência de uma das muitas manchetes destinadas ao tomate que agora perdeu seu tempero eleitoral.

Outra ponte ‘popular’ , a do apagão, precipitaria escaladas ansiosas em fevereiro.

Tudo arrastado pelos aguaceiros de março.

O Brasil não terá dificuldades de suprimento elétrico em 2013 ou em 2014.

Mas o país está longe de ser o palco iluminado das virtudes douradas.

O longo parto de um novo ciclo de investimento ilustra as fragilidades de um Estado feito para não funcionar.

Engessado pelo desmonte neoliberal, persistiu erroneamente assim.

Enredado em um cipoal de interditos, recursos suspensivos, manobras de bastidores e agencias reguladoras inoperantes.

O conjunto triplica o tempo e o custo necessários ao tijolo assentado na obra pública.

Nessa arapuca, o Estado quando cede é cúmplice. Se não cede é inoperante.

O conservadorismo pouco ou nada tem a acrescentar nesse quesito também.

Ainda fresca na memória nacional, o que ele produziu nesse campo revelou-se um desastre de proporções ferroviárias.

Não é só uma metáfora.

Cerca de 2/3 dos 28 mil km de trilhos federais foram sucateados e pilhados no ciclo tucano de privatizações da logística brasileira.

O dado é do Tribunal de Contas da União.

Neste 1º de Maio, Paulinho, da Força lustra uma nova bala reluzente: oferece aos presidenciáveis Aécio e Campos a bandeira da restauração do ‘gatilho salarial’ .

Um artefato com calibre sob medida para reavivar a brasa da inflação cadente.

Algo impróprio a quem vive de acusar o PT de populismo.

A dificuldade conservadora de erguer pontes com o voto popular explica a tensão política respingada na guerrilha cotidiana do noticiário.

Busca-se, a todo custo, saltar uma barreira superior a 18,5 milhões de empregos gerados nos últimos 12 anos.

Um aumento real de poder de compra do salário mínimo de 60%.

O crescimento ininterrupto da renda familiar, inclusive e sobretudo, no apogeu da crise internacional.

Um avanço da renda domiciliar maior que o do próprio PIB, graças às transferências dos programas sociais.

E o reconhecimento– pelo FMI—de que o Brasil foi o líder mundial na geração de empregos em pleno colapso da ordem neoliberal, desde 2008.

Estorvo a ser exterminado com um choque de juros é tudo o que os professores banqueiros e os cofres simpatizantes de Aécio & Campos tem a dizer sobre esse legado.

A dificuldade conservadora em dialogar com esses fatos sobrecarrega o único trunfo que pode chamar verdadeiramente de seu.

Ou seja, a difusão diuturna da ideia de que o Brasil não vai dar certo, enquanto for governado pelas forças progressistas.

Em rota de colisão com a vivência de milhões de brasileiros, a estratégia da saturação busca corroer a supremacia dos fatos sobre as ideias.

Os fatos continuam a caminhar à frente das ideias.

Foi nisso que o PT apostou ao adotar a resignação enervante diante de uma estrutura de comunicação que sempre lhe foi hostil.

O dado novo é que talvez esse pragmatismo tenha se tornado ele próprio um pedaço do idealismo que sempre desdenhou.

Um ciclo de reordenação do desenvolvimento brasileiro se esgotou.

Exatamente porque foi bem sucedido, diga-se.

A expansão do poder de compra popular e a geração de milhões de empregos cobram agora a contrapartida de investimentos pesados, que os consolidem e ampliem o espaço da cidadania na vida nacional.

Escolhas e prioridades terão que ser pactuadas.

Rupturas e concessões são inevitáveis.

Queremos ter indústria? A que custo, com que ganhos?

O sistema público de saúde pode ir além, com os remendos e o esforço de gestão (mais com menos...)?

Ou será necessário, definitivamente, criar uma contribuição fiscal sobre o bolso endinheirado para dotá-lo da qualidade hoje indistinguível no horizonte de uma geração?

O consumismo é o ‘centro da meta’ de tudo o que queremos como convergência social propiciada pelo desenvolvimento?

Como ir além dele com a supremacia da semi-informação, da semicultura e da semidignidade marteladas insistentemente pelas concessionárias do sistema audiovisual brasileiro?

Como assegurar aos brasileiros uma formação que extrapole o adestramento pedestre vendido pelos gigantescos aparelhos de negócios que tomam de assalto o sistema educacional?

A produção de novos fatos do desenvolvimento não pode prescindir mais do debate de toda a sociedade sobre o país que queremos construir no século 21.

Não se trata de paralisar o Brasil para a formação de grupos de estudo .

Mas talvez não se possa mais avançar sem romper os limites de um sistema de comunicação que se notabiliza justamente por interditar o debate e demonizar as soluções requeridas ao passo seguinte da história brasileira.

O reconhecimento de que a coalizão derrotada em 2002, 2006 e 2010 é desprovida de um projeto crível a oferecer ao país nesse momento, não deve cevar a barriga da soberba no balcão do comodismo.

Os sinais de saturação de um ciclo não partem apenas da economia.

A hipertrofia do judiciário dispara sucessivas sirenes de alerta.

Os conflitos e contradições do desenvolvimento já não encontram solução satisfatória nos trâmites e no timming no qual se arrastam a perder de vista.

Ou o país abre novos canais para o debate ecumênico e democrático de seus desafios, ou a vida política será assoalhada por impasses dissolventes.

A eles, o arbítrio enviesado do STF responderá como um bunker de última instância da ordem conservadora.

O IVC informa que em 2012 a visitação aos sites de conteúdo informativo explodiu no país: cresceu 39%. Já soma 25 milhões de visitantes/mês.

Evitar que essa enorme caixa de ressonância se reduza a uma réplica do que já existe impresso seria um primeiro passo encorajador na garantia de espaços ecumênicos para debater o futuro.

Esses temas talvez estejam ausentes dos palanques do Dia 1º de Maio.

Mas talvez sejam mais pertinentes aos trabalhadores do que os aplausos de encomenda a candidaturas que condensam interesses imiscíveis com o significado da data.

Postado por Saul Leblon às 05:50

Agendem-se! Mais um espetáculo de qualidade em Aracaju...“O CRAVO DO CANAVIAL”

Via Patricia Brunet (facebook)
“O CRAVO DO CANAVIAL”, DIAS 22 E 23 DE MAIO NO TEATRO TOBIAS BARRETO, ÀS 21 HORAS.
ESPETÁCULO “O CRAVO DO CANAVIAL”, PRODUÇÃO DO GRUPO DE TEATRO PELE DE FULÔ, TEM APRESENTAÇÕES MARCADAS EM ARACAJU NOS DIAS 22 E 23 DE MAIO NO TEATRO TOBIAS BARRETO, ÀS 21 HORAS.
O ESPETÁCULO ABORDA O UNIVERSO POPULAR DOS BRINCADORES DE NAZARÉ DA MATA (PE). O MARACATU RURAL É O CRAVO DESSE CANAVIAL, REMETENDO AOS CRAVOS QUE OS CABOCLOS DE LANÇA - UM DOS PERSONAGENS DO BRINQUEDO - USAM NA BOCA DURANTE AS APRESENTAÇÕES. ARQUÉTIPO DO GUERREIRO, ESSAS “FIGURAS” DO CANAVIAL DEFENDEM UM TERRITÓRIO MARCADO HISTORICAMENTE PELA DESIGUALDADE SOCIAL, POR ISSO O CARÁTER DE RESISTÊNCIA PRESENTE NESTA MANIFESTAÇÃO, ORIGINÁRIA DA ZONA DA MATA DE PERNAMBUCO, ONDE OS CORTADORES DE CANA- DE- AÇÚCAR SÃO OS BRINCANTES. CONTEMPLADO COM O PRÊMIO DE MONTAGEM FUNARTE – MYRIAM MUNIZ / 2011 E O DE CIRCULAÇÃO 2012.
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ESPETÁCULO “O CRAVO DO CANAVIAL”, PRODUÇÃO DO GRUPO DE TEATRO PELE DE FULÔ, TEM APRESENTAÇÕES MARCADAS EM ARACAJU NOS DIAS 22 E 23 DE MAIO NO TEATRO TOBIAS BARRETO, ÀS 21 HORAS.

O ESPETÁCULO ABORDA O UNIVERSO POPULAR DOS BRINCADORES DE NAZARÉ DA MATA (PE). O MARACATU RURAL É O CRAVO DESSE CANAVIAL, REMETENDO AOS CRAVOS QUE OS CABOCLOS DE LANÇA - UM DOS PERSONAGENS DO BRINQUEDO - USAM NA BOCA DURANTE AS APRESENTAÇÕES. ARQUÉTIPO DO GUERREIRO, ESSAS “FIGURAS” DO CANAVIAL DEFENDEM UM TERRITÓRIO MARCADO HISTORICAMENTE PELA DESIGUALDADE SOCIAL, POR ISSO O CARÁTER DE RESISTÊNCIA PRESENTE NESTA MANIFESTAÇÃO, ORIGINÁRIA DA ZONA DA MATA DE PERNAMBUCO, ONDE OS CORTADORES DE CANA- DE- AÇÚCAR SÃO OS BRINCANTES. CONTEMPLADO COM O PRÊMIO DE MONTAGEM FUNARTE – MYRIAM MUNIZ / 2011 E O DE CIRCULAÇÃO 2012.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Mais padre Beto, menos padre Marcelo

   Mais padre Beto, menos padre Marcelo

30.04.2013 12:18
Fonte: Carta Capital


Matheus Pichonelli

Entre os dias 23 e 28 de julho, o Rio de Janeiro sediará a Jornada Mundial da Juventude. Será a primeira viagem internacional do argentino Jorge Mario Bergoglio como papa Francisco. A recepção ficará por conta dos padre-cantores Fábio de Melo, Reginaldo Mazotti e Marcelo Rossi. Serão os cartões de visita de uma igreja que tenta fazer frente à guinada evangélica com música, pirotecnia, esvaziamento político e alienação.
O padre Marcelo, que posa ao lado de políticos, defende que a igreja se afaste da política das comunidades de base. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/jul.2008
O padre Marcelo, que posa ao lado de políticos, defende que a igreja se afaste da política das comunidades de base. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/jul.2008

Não é outra a impressão que se tem ao abrir e fechar os jornais da segunda-feira 20. Pela manhã, fui fisgado pela reveladora entrevista à Folha de S.Paulo concedida pelo padre Marcelo Rossi. Nela, o clérigo declarou, entre outras pérolas, que tem como função “animar as pessoas” durante as celebrações; que os evangélicos “invadem” (foi esta a expressão) os horários da tevê; que, para fazer frente aos “rivais”, as comunidades eclesiais de base – pontos de encontro entre o Clero, a periferia e as lideranças locais – são velas que iluminam pouco em comparação aos grandes santuários (ele comparou a igreja católica a um time de futebol que, apesar dos limites, consegue vencer uma partida graças à sua torcida); que o perigo destas comunidades é “cair na política”; e cita a justiça do mundo, que tarda mas chega, ao analisar o ranking de personalidades confiáveis da Folha de S.Paulo, em que apareceria atrás apenas de Lula e William Bonner, enquanto o bispo Edir Macedo figurava “lá em 20º”.
Como não era de se estranhar, ele vestiu as vestes do funcionário-padrão ao se manifestar sobre o casamento gay: “A palavra de Deus é clara: Deus criou o homem e a mulher. A igreja acolhe o pecador, mas não o pecado”. Para ele, a adoção de crianças por casais homossexuais, em discussão em qualquer lugar do mundo, “quebra o sentido do que é família”.
É o retrato perfeito de uma igreja alienada e alienante. Uma igreja que confunde fieis com torcida organizada – e a coexistência de credos com torneio mata-mata – e tem um sonho de consumo: transformar os fieis em cordeiros passivos, temerosos à destruição da família pelo pecado e aptos a engolir tudo o que é dito sem grandes questionamentos.
Que bom que esta igreja forme cada vez menos padres, atraia cada vez menos gente, e afaste diariamente tantos fieis.
O padre Marcelo Rossi, enquanto canta, bate palma e sorri – e se comporta, portanto, como animador de torcida que não sabe por que canta, bate palma e sorri – parece jogar para o tapete toda a complexidade de um tecido social cruel. Nesse tecido, uma nova ordem se manifesta aos poucos, mas é ignorada por uma igreja que se finge de surda, cega e muda.
Surda porque, em meio a tanta gritaria, não ouve o clamores por paz e a unidade, pilares do Evangelho, expressos na vida real. Clamores que rejeitam a velha dicotomia “nós x eles” – católicos x evangélicos, gays x família, política x retidão – e pregam a comunhão não de velhos dogmas, mas de valores, estes cada vez mais associados às liberdades de escolha e expressão.
Cega porque, ao se distanciar da política, se esquece dos reais métodos de transformação. O apelo à despolitização, em um mundo de soluções negociadas, é um acinte à racionalidade. Mas, para o padre Marcelo, a noção de política é em si nociva; e quanto mais a igreja pensar grande e se afastar das comunidades já afastadas – as pequenas comunidades que não lotam um templo nem saem bem na foto – melhor. O apelo do padre Marcelo à alienação é um grande desserviço: leva o fiel a acreditar que o afastamento da vida política – portanto comunitária – é um atalho para moralidade pública. Não é. Se as comunidades eclesiais de base se afastaram da vocação social transformadora não foi por excesso, mas pela ausência de engajamento. Cantar, dançar e bater palma não moverá montanha nem despertará a atenção das autoridades políticas, religiosas, sociais e econômicas para os desafios do novo e do velho século. O padre Marcelo parece não saber, mas é cobrando, dialogando, propondo caminhos, e não cantando, dançando e batendo palmas, que se universaliza a dignidade e a justiça – que não se expressa apenas em um ranking raso de personalidades do momento.
E muda porque se cala diante das agressões diárias praticadas não pelo Demônio da Bíblia, mas pelas ruas de todo santo (ou maldito) dia: as agressões contra quem se expressa e contra quem perde um pouco a cada dia o direito de existir, de ir e vir, sem jamais exercer a plenitude de seus direitos civis, políticos, sociais e humanos, enfim. Cantar, dançar e bater palma podem entreter, mas não religam o humano ao que lhe é mais caro. Não matam a fome – nem física nem espiritual. E não será com ovelhas domesticadas, passivas, dóceis, massificadas, despolitizadas e incapazes de refletir sobre o mundo que a Igreja criará a ponta para uma fé genuína. Porque fé e transformação não precisam ser valores incompatíveis para se manifestar.
Não parece ser só coincidência o fato de que, no mesmo dia em que foi publicada a entrevista com o padre-símbolo de uma igreja encantada tenha sido anunciada a excomunhão de outro símbolo: o de quem escancara o descolamento desta igreja de sua própria realidade.
Em Bauru, a cerca de 300 km da capital paulista – e a anos-luz de uma discussão que o Vaticano se nega a encaminhar – o padre Roberto Francisco Daniel, conhecido como padre Beto, pagou o preço por ter afirmado, durante suas pregações, que “hoje em dia não dá mais para enquadrar o ser humano em homossexual, bissexual ou heterossexual” e “que o amor pode surgir em qualquer desses níveis”. A igreja, que leva séculos para digerir um mundo novo, levou dias, horas, minutos para acusar a heresia e o cisma.
Era um fim inevitável: dias antes da excomunhão, o padre Beto já havia anunciado que deixava a igreja porque era impossível viver o Evangelho em uma instituição que não respeita a liberdade de reflexão e expressão e se descolou do modelo de Jesus Cristo, que viveu esses direitos plenamente e levou as pessoas a pensarem por si mesmas. “Não é possível ser cristão em uma instituição que cria hipocrisias e mantém regras morais totalmente ultrapassadas da nossa época e do conhecimento da ciência”, disse.
Uma instituição, segundo ele, omissa diante de problemas sociais graves, como o descaso com a educação, com a segurança pública, com o sistema prisional e um sistema de saúde público que só serve ao sistema privado. “Se refletir é um pecado, sou um pecador e sempre serei um pecador”, finalizou.
São duas posturas diametralmente opostas dentro de uma mesma igreja que tem, na base, uma só ordem: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Uma quer que tudo siga como está; que, em nome da ordem natural das coisas, quem sofre siga sofrendo em silêncio e descolado da realidade que pede postura, indignação e transformação. É mais fácil, e menos perigoso, pular e sorrir cantando que os animaizinhos subiram de dois em dois na arca de Noé.
A outra pede mudanças, aceita as liberdades e acredita, como dizia uma música estranhamente desaparecida das celebrações, que comungar é tornar-se um “perigo”; é unir-se numa “luta sofrida de um povo que quer ter voz, ter vez e lugar”. Uma música que avisava: se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão.
Uns falam. Outros erguem as mãos, dão glórias a Deus e, quando a multidão desaparece, apagam as luzes do templo e escondem os cadáveres debaixo do tapete. Se este for o exercício pleno da fé, fiquemos com os pecadores. E com a proposta anti-dogma do cancioneiro popular: amar e mudar as coisas nos interessam mais.


 Via Gabriel Santos Elias (facebook)
A contradição do Pe. Marcelo Rossi em entrevista na Folha:
Diz que é contra o incentivo dado pela CNBB à criação de CEBs porque é contra a atuação política da igreja, mas defende Russomano e Chalita, que são seus amigos, na mesma entrevista.
Diz que não é showman, mas critica as CEBs, dizendo que, como os evangélicos, a igreja católica devia incentivar a criação de grandes templos, como o dele, ao invés de fortalecer a atuação em comunidade.
Lamentável...


acrescentado em 01 de Maio de 2013

Padre excomungado fala sobre saída da Igreja

TV Brasil

Padre Beto agora se dedica exclusivamente à carreira de professor e diz que saiu da igreja em nome da liberdade de expressão.

assista AQUI

- Por Band News 

Padre é excomungado ao defender homossexuais

O padre excomungado depois de defender relações homossexuais disse que a Igreja Católica precisa se abrir para a discussão de temas polêmicos. Ele era conhecido em Bauru, no interior de São Paulo, como um padre moderno.

 assista AQUI

[PersonAZ] Padre Beto

AZBauru AZBauru
Publicado em 01/05/2013
O Personaz da edição #15 da revista Az! é o Padre Beto Daniel, que recentemente se envolveu em polêmica com a Igreja Católica e acabou repercutindo no Brasil e em todo o mundo.
Veja mais sobre a maneira de pensar deste personagem que em 6 dias desafiou a Igreja, largou o sacerdócio, foi excomungado e mexeu com as emoções de muita gente AQUI


 29/04/2013 - 03h00

Para padre Marcelo Rossi, o perigo é esquecer a oração e cair na política

DIÓGENES CAMPANHA
Fonte:  FOLHA DE SÃO PAULO
Sacerdote católico mais famoso do país, o padre Marcelo Rossi, 45, vai de encontro à indicação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de que o incentivo às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) pode ajudar a igreja a recuperar o espaço perdido para os evangélicos.
Para padre Marcelo, as CEBs --que tiveram seu auge nos anos 1980 combinando princípios cristãos a uma visão social de esquerda-- apresentam o risco de estimular a "tentação à política".
"O PT surgiu da CEB. Então, que não se politize", diz o padre, que defende que a igreja construa grandes espaços como seu Santuário Mãe de Deus, aberto, ainda incompleto, em novembro passado.

Victor Moriyama/Folhapress
Padre Marcelo Rossi lança novo livro; sacerdote critica incentivo da Igreja às comunidades eclesiais de base
Padre Marcelo Rossi lança novo livro; sacerdote critica incentivo da Igreja Católica às comunidades eclesiais de base
Ele pretende concluir a obra, com capacidade para 100 mil fiéis, com as vendas de "Kairós" (ed. Globo), seu segundo livro, que será lançado amanhã em São Paulo.
Folha - Qual sua expectativa em relação ao papa Francisco?
Padre Marcelo Rossi - É uma expectativa muito grande, a começar pelo rompimento dos protocolos. Espero muito da renovação da igreja, da opção pelos pobres. Espero em julho estar com ele na Jornada Mundial da Juventude e entregar o "Kairós". Meu amigo padre Fábio de Melo, padre Reginaldo Manzotti e eu estaremos lá, cantando para o papa.
Em 2007, o senhor foi impedido de cantar para o papa Bento 16 no Brasil e acusou a Arquidiocese de São Paulo de boicotá-lo. Temeu que o arcebispo dom Odilo Scherer virasse papa?
Não, pelo contrário. Dom Odilo pôde me conhecer de perto. Percebeu que eu não era um artista. Hoje tenho uma admiração e um carinho enorme por ele. Não vou dizer que [o responsável pelo boicote] foi o dom Odilo. Foi o comitê organizador. É muito fácil culpar. Às vezes, a pessoa nem está sabendo.
Ainda em 2007 ele disse que seu trabalho era "insuficiente" e que "o padre não é um showman". O que mudou?
Ele entendeu que eu não faço show. Celebro missa. Toda missa que faço, mesmo na TV, quem está à frente é o meu bispo [dom Fernando Figueiredo, bispo de Santo Amaro]. Estou lá animando. Minha função é animar as pessoas.
O último Censo apontou um aumento do número de evangélicos e a diminuição do número de católicos. Como recuperar o terreno?
O número de católicos é enorme e o de padres, em relação aos fiéis, mínimo. Para formar um sacerdote são no mínimo sete anos. Um pastor se faz em três meses. A formação é mínima. E precisa ter acolhida. A pessoa vai à igreja, ela está fechada. Os [templos] evangélicos estão sempre abertos. E o uso da mídia. Você liga a TV, sempre tem coisa evangélica, pessoas que invadem horários e horários. É até exagerado.
Na assembleia da CNBB, neste mês, a igreja indicou que quer incentivar as Comunidades Eclesiais de Base para recuperar espaço em áreas pobres. Deve ser esse o caminho?
Aí eu questiono. Acho as CEBs importantes, mas hoje o nosso povo precisa de grandes espaços. Vejo nas missas do Santuário. Uma vela ilumina? E dez? E 20 mil? O Palmeiras estava sem 13 titulares, mas a torcida foi e eles se classificaram na Libertadores. Faz diferença. Os evangélicos estão erguendo grandes locais, porque reúne as pessoas. Se ficar fechado na CEB, esquecer a oração, ficar só na política... Se olhar todos os que estão no governo, a maioria surgiu da CEB.
A CEB está na origem do PT.
O PT surgiu da CEB. Então, que não politize. O perigo é esse: cair na política.
O senhor é criticado por atrair o público, mas adotar um discurso conservador e distante dos problemas sociais.
Temos trabalhos com recuperação de drogados, arrecadação de alimentos. Nas CEBs, acaba se tornando mais política do que social. É mais perigoso a pessoa ter a tentação à política na CEB.
Acha que a igreja serviu de trampolim para integrantes do governo ou do PT?
Não poderia julgar. A Igreja Católica é apartidária, pelo menos deve ser. Os evangélicos, às vezes, determinam em quem votar. Estamos voltando à Idade Média, o período mais terrível e negro da igreja.
Mas na campanha do ano passado houve episódios polêmicos envolvendo a Igreja Católica, como a declaração de dom Odilo contra a campanha de Celso Russomanno.
E dom Fernando depois se manifestou [disse que Russomanno era católico]. Russomanno saiu de encontro de casais. Fiz o casamento dele, batizei os filhos. Ele é católico. É fácil hoje você destruir uma pessoa. Veja o [deputado Gabriel] Chalita [acusado de receber favores de empresas quando era secretário estadual da Educação].
Como avalia as denúncias contra ele, que é seu amigo?
Fico perplexo. Estou esperando ele se manifestar. Nossa função é ficar quietinho, porque é um amigo que me ajudou muito. Quero ver o que vai ser provado. Se algo está errado, você vai falar [denunciar] depois de dez anos? É para destruir a pessoa.
Conversou com Chalita?
Até agora não, acredita? Estou esperando um posicionamento mais claro. Ainda dizia, quando ele falou que iria entrar na política: "Não faça isso". Eu o aconselhei várias vezes. Conselho é bom, né, mas você só pode dar.
Espera um posicionamento público ou que ele fale pessoalmente com o senhor?
Pessoalmente eu não prefiro. Tenho certeza de que ele vai falar que está tudo OK. Mas quero ver um posicionamento provando isso.
Acredita na inocência dele?
Parto do princípio da confiança. Mas não sou cego. Se eu vejo alguma coisa que está errada... Por isso estou esperando que ele se coloque.
Qual sua opinião a respeito do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara?
Ele tentou até me provocar [disse, em uma entrevista, que "padre Marcelo pede dinheiro e nunca se falou nada"]. Eu nunca pedi dinheiro. Pelo contrário. O jogo deles é criar guerrilha. A melhor coisa é ficar quieto. A Justiça do mundo pode tardar, mas chega. E credibilidade não se compra. Em 2010, a Folha fez uma pesquisa sobre em quem o brasileiro mais confiava, com 27 personalidades. Estava o Edir Macedo, que ficou lá em 20º [foi o 26º]. Fiquei em terceiro lugar. Eram Lula, William Bonner e eu.
Ele deveria renunciar?
Ele nem deveria estar lá, na minha opinião. A partir do momento em que se diz um pastor, não dá para ser ao mesmo tempo um líder político. Acho importante ter uma bancada católica, como existe a evangélica. Mas não acho correto padre, bispo, pastor se candidatarem, porque aí estou transformando um púlpito num palanque.
Qual sua opinião sobre o casamento gay?
A palavra de Deus é clara: Deus criou o homem e a mulher. A igreja acolhe o pecador, mas não o pecado. Não vai poder legitimar o casamento entre homossexuais. Mas acolhe com carinho.
E sobre a adoção por casais homossexuais?
[Ele é contra] Por causa da formação. O que vai ficar na cabeça [da criança]? Você quebra o sentido do que é família, que é o homem e a mulher, o pai e a mãe. São princípios bíblicos. Não sou eu que vou contrariar a palavra de Deus. Seja evangélico ou católico, a partir do momento em que você é cristão, não dá.