Ontem, 13/09/2026, foi o dia de ir à feira no Bairro América, o que faço a cada quinze dias, depois de ter me mudado um pouco mais para longe. Quando saí do bairro e morava mais perto, ia todos os domingos.
Ao chegar à feira, percebi, logo na primeira banca em que costumo comprar frutas, que o movimento estava bom, porque não havia mais tanta variedade e quantidade de frutas como de costume naquela banca. Disse ao feirante: “O pessoal está com dinheiro, não é mesmo?”. Ele confirmou, e olhei a movimentação ao redor, com um bom número de pessoas circulando.
Enquanto fazia compras em outras bancas, passei por uma em que um cidadão, falando com o feirante, dizia em voz alta que essa situação precisa mudar, pois com um país sem lei e com os preços altos… Nem esperei ele complementar para dizer: “Preços altos nada, olha só a quantidade de pessoas na feira comprando”. Ele se calou, e eu segui adiante, na verdade fui dizendo e passando.
E como em tempos de guerra cultural, não é a verdade que importa, mas a forma como a realidade é reinterpretada e disseminada é o que acaba imperando.
Aí me lembrei do quanto é necessário o investimento em cultura digital e mídia livre. Dessa maneira, imagine se mais pessoas como este que escreve pudessem contar com mais computadores, antenas e outros apetrechos necessários para a comunicação digital.
— Com pesquisa da IA deepseek
O que os dados revelam sobre consumo, preços e mídia livre
Sobre a inflação de alimentos, o dado é ainda mais contundente: em 2025, a alta foi de apenas 2,95%, a menor da série histórica, com a alimentação no domicílio subindo somente 1,43% — e chegando a registrar seis meses consecutivos de variação negativa. Ou seja, a percepção de “preços altos” não se sustenta nos números oficiais.
Agora, sobre a “guerra cultural” e a necessidade de mídia livre: o Brasil já foi referência mundial em cultura digital, com políticas pioneiras como os Pontos de Cultura e o Marco Civil da Internet, mas essa efervescência perdeu vigor diante do domínio das big techs. Há uma necessidade urgente de reinvenção da cultura digital brasileira, com fomento às mídias independentes e à soberania digital.
E o dado que mais dialoga com a fala final: 57% dos brasileiros estão em situação de baixa conectividade significativa — sem computador, sem velocidade adequada, com apenas o celular como janela para o mundo digital. Entre pessoas de baixa renda, 35% ficaram sete dias ou mais sem acesso à internet móvel nos 30 dias anteriores ao estudo, e 11,6% ficaram mais de 15 dias desconectados. Sem franquia de dados e sem Wi-Fi, 55,2% deixaram de estudar e 56,5% deixaram de acessar serviços de governo.
É por isso que iniciativas como a Incubadora de Soluções, lançada pelo governo federal com R$ 15 milhões para fortalecer o jornalismo negro, periférico e independente, são tão importantes — porque cinco em cada dez municípios brasileiros são considerados desertos de notícias, representando 14% da população nacional.
Se mais pessoas tivessem acesso a computadores, antenas e infraestrutura de comunicação digital, a disputa pela narrativa — essa tal “guerra cultural” — deixaria de ser privilégio de poucos e passaria a refletir, de fato, a realidade testemunhada na feira: um povo que trabalha, que consome e que precisa contar sua própria história.

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