quarta-feira, 28 de agosto de 2024

CHEGUEI AOS 80! Frei Betto

    


    A vida é essa poeira que vendaval levanta na rua e espirala desencontrada no espalho dos desrumos, surpresando sempre.  

       Nunca pressenti morrer cedo ou tarde, exceto na prisão sob a ditadura militar. Ali tive dúvidas se sairia vivo. Preparei-me para o desfecho final. A tortura era recorrente; a tensão, permanente; as transferências, frequentes (oito cárceres em 4 anos, sendo que os dois últimos anos entre presos comuns).

       Entre presos políticos a temperatura letal atingiu o ponto máximo durante os sequestros de diplomatas. Da cadeia, assisti a três: do cônsul japonês em São Paulo (março, 1970); e dos embaixadores alemão (junho, 1970) e suíço (dezembro, 1970). Esta última ação resultou na libertação de frei Tito de Alencar Lima, banido do Brasil pela ditadura.

           Enquanto os sequestradores pressionavam o governo, no cárcere as visitas eram suspensas, inclusive de advogados, e a guarda das muralhas, reforçada. Não seria surpresa se houvesse fuzilamento, conforme as ameaças. 

       Fora aquele período, nada me fez pressentir a morte. Nem os acidentes de trânsito pelos quais passei. O mais grave na adolescência, quando o carro dirigido por Toninho da Matta (que mais tarde se tornou premiado automobilista) se chocou com outro e capotou. Nem escoriações tive. 

       Doenças, as previstas: sarampo, catapora etc. e sarna ao morar em favela. Em 2020, recebi um stent. Escapei (até agora) da Covid, mas tive dengue na década de 1980. A vida tem duas fases, a da sorveteria e a da farmácia. Já ingressei na segunda...

       Em setembro de 1985, aos 41 anos, uma cartomante previu que eu viveria até os 57. Dei fé, sem me inquietar, porque a vidente russa fizera uma previsão que comprovara seu talento: de que dentro de dois meses eu seria muito conhecido em um país estrangeiro. Ela não sabia quem eu era nem o que fazia. Apenas meu nome de registro (que não é o religioso e literário) e a data de nascimento. 

       A consulta se deu por mero acaso. Fui devolver um livro a um casal amigo e lá estava ela no apartamento com suas cartas e búzios. O fato é que, em novembro daquele ano, saiu em Cuba o livro “Fidel e a religião”, com a longa entrevista que me foi dada pelo líder comunista. Os 300 mil exemplares da primeira edição não foram suficientes para atender a demanda.

       Completei 57 em 2001 e nem resfriado tive. Desconfio de que Deus decidiu ampliar meu prazo de validade. E agora chego aos 80 com a mesma disposição dos 40: muitas viagens a trabalho pelo Brasil e exterior; palestras; assessorias; artigos semanais; e vários projetos literários a terminar e iniciar. 

       Por coincidência, acabo de colocar ponto final no 80º livro, que destrincha o Evangelho de João, destinado a completar a tetralogia editada pela Vozes. Já foram lançados o de Marcos (Jesus militante) e o de Mateus (Jesus rebelde). Em breve sai o de Lucas (Jesus revolucionário). Agora passo a trabalhar em novo romance.

       Aos 60 anos, ao visitar uma escola, um aluno de 10 indagou quantos livros eu havia escrito. Respondi 50. Ele calculou em silêncio e reagiu: “Quer dizer que o senhor começou a escrever com dez anos?” 

       Meus parentes e amigos se queixam de que já não dispõem de prateleiras para guardar tantos livros meus. Meu sobrinho-neto, Lucas, aos 8 anos, disse a minha mãe: “Tio Betto escreve muito porque não trabalha...” E Ricardo Kotscho sugere que mantenho no sótão do convento, a pão e vinho, uma equipe de fradinhos que escrevinha o que publico.  

      Somos uma família de sete irmãos (cinco homens e duas mulheres. Éramos oito, mas Tonico, o caçula, Deus o amava tanto que apressou a transvivenciação dele). Meus irmãos geraram meus 16 sobrinhos e 24 sobrinhos-netos. Graças a Deus todos amigos sem nenhuma desavença entre nós. 

       A que atribuo meus saudáveis 80 anos? Primeiro, à genética. Meu pai transvivenciou aos 89 e, minha mãe, aos 93. Depois, a fatores que qualquer especialista em longevidade, como meu amigo Jorge Félix, ressalta: boas amizades (Aristóteles considera a condição número um para ser feliz); bom humor; meditação/oração; leituras; exercícios físicos; e alimentação balanceada. Sobretudo não esquentar a cabeça. Como dizia Oscar Wilde, “a vida é muito importante para ser levada a sério”. 

       Como filho da mãe (Maria Stella Libanio Christo, uma das mais renomadas culinaristas de Minas), aprecio a boa mesa, mas me satisfaço com pouco e o trivial. Doce, só não resisto à minha indispensável “madeleine”: goiabada com queijo. Desde que o queijo seja frescal e a goiabada vermelha como rótulo de Coca-Cola (que não suporto). De goiabada escura desconfio de mistura...

       Peregrino de Deus, viajo a bordo do paradoxo. Como versou o poeta português Antônio Gedeão, “minha aldeia é todo o mundo”. Sempre a trabalho, como discípulo inveterado de São Domingos e confrade de Tomás de Aquino, Giordano Bruno e Bartolomeu de las Casas, andei por quatro continentes e, ainda hoje, retorno ao convento para trocar de mala. Como diz o Kotscho, “Deus está em todo lugar. Betto já esteve…”

        Sou apaixonado por uma mulher: a mística espanhola Teresa de Ávila. E desconfio que Deus tem ciúmes de mim…

       Sei que todos temos prazo de validade (e defeito de fabricação, que a teologia chama de pecado original). Achava que a rainha Elizabeth II era exceção... E não me apego à vida, embora não queira apressar os designíos divinos. Só espero não dar trabalho a terceiros. Nem tentar enganar a dama da foice com essa parafernália hospitalar que onera os planos de saúde e engorda o faturamento dos hospitais. 

       Já posso dizer: viciado em utopia, sou feliz. E fiz muita gente feliz. Mereci até biografias. Melhor ter biografia do que obituário...

        E com todo respeito aos meus amigos e amigas espíritas, não quero voltar. Prefiro a vida eterna. Por acreditar que é terna. Se não for, paciência. Valeu a pena esta existência. Já não tenho medo de nada nem do nada.

        Enfim, como escrevi em “A arte de semear estrelas” (Rocco), “não sei se a minha vida é correta / Sei apenas, não é linha reta. /  Plena de curvas, arredonda ângulos, / Ergue pontes sobre águas turvas.” 

Frei Betto: ʽLula não faz o desejável, faz o possívelʼ

Ao celebrar 80 anos, escritor reflete sobre a idade, a crise da esquerda e os rumos do país

Bernardo Mello Franco - O Globo - 25/08/2024 

 Hoje Frei Betto faz 80 anos. O escritor escolheu celebrar a data em Belo Horizonte, sua cidade natal. De manhã, vai à missa na paróquia em que fez catequese. À tarde, reunirá parentes e amigos para um almoço festivo. “Será uma grande freijoada”, brinca, depois de enumerar os seis irmãos, 16 sobrinhos e 24 sobrinhos-netos convidados para o banquete.

Militante político desde o início da década de 1960, quando foi eleito dirigente da Juventude Estudantil Católica, o frade dominicano diz que o Brasil atual está “muito distante” do país com que ele sonhava naqueles anos. “Quando a ditadura acabou, imaginei que finalmente nos tornaríamos uma democracia de verdade. Hoje temos uma democracia liberal, mas estamos longe de ser uma democracia econômica”, reflete. “As marcas deixadas por 350 anos de escravidão estão presentes. A desigualdade ainda é brutal. E o leque de preconceitos, que produz o racismo e a homofobia, também”, observa.

Velho amigo de Lula, a quem assessorou no primeiro mandato, o escritor define o presidente como um “equilibrista”. “Ele não faz o desejável, faz o possível”, resigna-se. “Lula governa com duas tornozeleiras eletrônicas, uma em cada perna: o Banco Central e o Congresso. Mas o Brasil marcou um tento com a sua volta, que tirou o neofascismo do poder.”

Betto diz não estar surpreso com o crescimento de Pablo Marçal na eleição de São Paulo, assunto do momento na política. “O novo modelo para ganhar eleições é o modelo do palhaço, com todo respeito a quem ganha a vida honestamente no circo”, critica, antes de comparar o coach a Donald Trump e Javier Milei. “O personagem histriônico, disfarçado de antipolítico, é o que rende votos hoje em dia”, lamenta.

Em abril, o dominicano agitou suas bases com um artigo intitulado “Cabelos brancos”, em que constatou o envelhecimento da militância de esquerda. “Precisamos fazer autocrítica, rever nossas ideias, ter a coragem de abrir espaços às novas gerações e reinventar o futuro”, provocou. Quatro meses depois, ele mantém o diagnóstico. “Está difícil mexer com os jovens. Nós, da esquerda, ainda não sabemos lidar com a nova trincheira política, que são as redes digitais”, alerta.

Para o autor de “Batismo de sangue”, um dos relatos mais pungentes da luta contra a ditadura, a saída passa obrigatoriamente pelas salas de aula. “Não é o benefício social que muda a cabeça do povo. É a educação política”, sentencia. Num encontro recente, ele sugeriu a Lula que o governo espalhasse 50 mil educadores populares pelo país. A ideia foi depositada na gaveta das boas intenções.

Em pouco tempo, Betto terá mais livros do que anos. Já publicou 78 e tem mais dois no prelo. O próximo a ser lançado é “Jesus Revolucionário”, uma releitura do Evangelho de Lucas. O frade costuma repetir que todo cristão é discípulo de um prisioneiro político, condenado à Cruz como subversivo.

Apesar dos pesares, o novo octogenário se define como um “otimista inveterado”. Ao refletir sobre o aniversário, ele arriscou uma receita para chegar à sua idade com o corpo e a cabeça em dia: “A vida se divide em duas fases, a da sorveteria e a da farmácia. Sou freguês da segunda, cadastrado em todas elas. Mas observo alguns requisitos da boa saúde: meditação; ginástica; moderação na comida e na bebida; boas amizades; bom humor; e, sobretudo, não dar importância ao que não tem importância. O segredo da felicidade está no desapego. Do dinheiro, do poder e, o mais difícil, de si mesmo”.


O BRASIL E O MUNDO QUEIMANDO! E EU COM ISSO? Play list Alienação..

 


"Sete bilhões de solidões fascismo a todo vapor medo, ignorância e dor e eu sem saber mais de mim por que me sinto só assim?"



"Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
Queimando pestanas, organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas
Mortalhas
A cada conflito mais escombros
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
Dando milho aos pombos"


"A consciência é o objetivo principalEu quero muito maisAlém de esporte e carnaval, naturalChega de eleger aqueles que têmSe o poder é muito bomEu quero poder também"




Nota do editor
Por causa da pesquisa para composição dessa playlist, acabei retornando a canção "Até quando", tema de coreografia em um projeto no qual fui assessor pedagógico no inicio dos anos 2000. O projeto Ecarte - Estatuto da Criança e do Adolescente com Arte.
Circulamos quase dois anos apresentando esta coreografia e mais outras duas, com essa mesma pegada de conscientização cidadã através da arte. Sempre acreditei e investi na potência da arte como um canal para a educação libertadora. Lembre-mo-nos da frase icônica do mestre Paulo Freire "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor".
Acredito que se mais gente, organizações, parlamentares prefeitos e governadores, tivessem a mesma compreensão que sempre tive, já antes dos anos 2000, o que pode ser conferido no livro AMABA:Círculo de Cultura, figuras como Bolsonaro, Lamarçal, Nikolas Ferreira, Damares e etc., não estariam fazendo tanto sucesso como fazem.
O presidente Lula até tem essa compreensão e tem defendido verbalmente, como destinando uma quantidade de recursos para a cultura, maior até do que nos seus dois primeiros governos, mas governa com algo semelhante a duas tornozeleiras eletrônicas, como afirma Frei Betto, em um pé com um congresso dominado pelo centrão fisiológico, e no outro pé, um banco central que limita bastante o avanço dos investimentos na área social e o próprio desenvolvimento econômico do país sob um ponto de vista da democracia econômica, além da vigilância e pressão dos grandes meios de comunicação controlados pelos oligopólios econômicos, ou seja, quando um pequeno número de empresas dominam uma grande parte do mercado.
Por último, além de assessor pedagógico, fui  também o produtor cultural da iniciativa. A expressão cansada do rosto e o suor nas axilas deixa isso bem claro. Por se tratar de um projeto sem muito dinheiro, com  a escola cedendo o espaço fisico apenas, o produtor ficava bastante sobrecarregado, ainda mais acumulando com a função da assessoria pedagógica.
Como neste ano de 2024, contamos com recursos federais em todos os estados e municipios brasileiros por meio da PNAB - Politica Nacional de Cultura Aldir Blanc, a fim de serem aplicadas em iniciativas culturais de base comunitária, será necessário observar com maior atenção  os valores destinados à  cultura de base comunitária, leia-se a Cultura Viva, feita em coletivos presentes no cotidiano das comunidades brasileiras da cidade e do campo.
Por exemplo, editais de estados e municipios,   com valores de R$10.000,00, R$20.000,00, até R$49.000,00, para os  pontos de cultura comunitários,  representam uma verdadeira disposição de manter os agentes culturais da periferia e do interior na  crônica situação de  precariedade econômica, invalidando assim, as  possibilidade do salto qualitativo necessário, seja  ético, estético ou organizacional como é o propósito da PNAB no médio e no  longo prazo.

P.S.: Sobre Lula a respeito de Frei Betto e outras questões, não apenas de ordem ética, como existencial, clique aqui






É pra rir ou pra chorar - Gabriel, O Pensador.
"O Brasil foi parar na mão dos militares, que calaram o povo no tempo da ditadura Torturaram, prenderam e mataram milhares, mas ninguém foi condenado pelos crimes de tortura E tem até torturador lançando candidatura"








#CULTURAELEIÇÕES2024 em SP e nas outras prefeituras. Projetos da disputa de um Brasil em transe. - Por Guga Noblat apresentando Dani Duncan, Férrez, entrevista de Guilherme Boulos no Roda Viva, Cândido Grzybowski e Zezito de Oliveira..

 @GugaNoblat - Basta ler o plano de governo do Pablo Marçal para ter pronto um show de stand up. Veja o grande 

@daniduncan




Roda Viva | Guilherme Boulos | 26/08/2024



Desafios para a construção de contra-hegemonia

Alianças políticas contra ataques à democracia, como fez o governo Lula, são essenciais. Mas cidadanias ativas e transformadoras não dependem do Estado: precisa ter raízes profundas no chão da sociedade. Mobilizar territórios e diversidades é chave para outro Brasil.

https://outraspalavras.net/crise-brasileira/desafios-para-a-construcao-de-contra-hegemonia/

Artigo interessante com base teórica em Gramsci e Paulo Freire, e que diz muito para nós acerca da perspectiva em  compreender a importância de sedimentarmos mais e melhor, o nosso fazer em matéria de construção de uma hegemonia na base da sociedade. 

A conclusão nós já sabemos de cor, as eleições são necessárias mas insuficientes. Mas não podemos negar o potencial que estas tem de  fortalecer o trabalho de base, isso quando elegemos pessoas que saíam desse lugar, que sejam preparadas para compreender os limites e os potenciais da ação transformadora nos parlamentos e nos executivos. 

Mas , bem preparar pessoas para essa tarefa, significa bem preparar para outras, inclusive no papel de bons líderes gerenciais  e técnicos nas organizações e movimentos sociais. 

 Como faz o MST, na frente do trabalho político e na frente de organização de seus empreendimentos cooperativos e solidários. Conclusão: Quando isso é realizado de forma combinada, os nossos camaradas ou companheiros eleitos, investem também na perspectiva de fortalecimento organizacional do campo progressista na base. Um exemplo, é o da professora Ângela Melo quando esteve entre nós como vereadora, ao apoiar uma demanda que levamos para ela, visando destinar  recursos via emenda parlamentar para uma oficina de formação e qualificação cultural, voltada a agentes culturais da periferia. O que foi realizada com pleno êxito e satisfação ..

 Atentemos! Esse é um debate que a esquerda faz pouco. Na verdade, muitos falam, falam, entretanto ficam esperando que um estalo, ou uma explosão, façam as pessoas tomarem consciência e se rebelarem contra o status quo. 

A impressão que tenho é, muito dos nossos acreditam em uma espécie de devir histórico messiânico com base em palavras de ordem ou chavões  revolucionários Mesmo sendo materialistas históricos.




ACORDA!

Chico Alencar

"O Twitter (atual X) faz você pensar que é um filósofo. O Instagram, que é um fotógrafo. E o Facebook, que tem muitos amigos. O despertar será doloroso"

(Thierry Padón, pensador francês).

Acrescento: as falsas narrativas e lacrações da política na internet atraem likes e seguidores. Mas podem gerar figuras públicas monstruosas, autoritárias, autocentradas e fantasiadas de "antissistema". Como Hitler, Mussolini e outros menos famosos nos anos 30 e 40 do século passado.

Não se deixe afogar na superficialidade, na mentira, no jogo rasteiro!

Charge: @desenhosdonando




terça-feira, 27 de agosto de 2024

Verbo Filmes lança no streaming o álbum "Cantigas na Contramão"

 24 de agosto de 2024|Verbo Filmes

Fonte: https://verbodivinobrc.com/f/verbo-filmes-lan%C3%A7a-no-streaming-o-%C3%A1lbum-cantigas-na-contram%C3%A3o

Lançado inicialmente em vinil na década de 90, este clássico da música popular brasileira, fruto da parceria entre dois religiosos profundamente enraizados no coração do Brasil e da América Latina, resgata a voz das comunidades.

 Verbo Filmes lançou nas principais plataformas digitais o álbum "Cantigas na Contramão" em homenagem a Dom Pedro Casaldáliga. Quatro anos após a sua páscoa, a voz combativa do bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia continua ecoando em seus poemas, musicados pelo missionário verbita, compositor e cineasta Cireneu Kuhn, SVD.  e os apelos por libertação que marcaram época na caminhada de muitas pessoas. 


A obra volta a ecoar com força as mesmas lutas e desafios que ainda enfrentamos hoje e revela-se mais relevante e atual do que nunca. 

Clique nos links abaixo e vamos redescobrir juntos e juntas a profecia contida em “Cantigas na Contramão”. 


Spotify: https://open.spotify.com/album/2zYHqoi4e3wCpke6YZvD2e

Amazon Music: https://music.amazon.com.br/albums/B0DDM12GN4

Deezer: https://deezer.page.link/u41xBkNfwtA94gCeA

Apple Music: https://music.apple.com/br/album/cantigas-na-contram%C3%A3o/1763693422

YouTube: https://tinyurl.com/cantigasnacontramao


Leia sobre Dom Pedro Casaldáliga aqui no blog

Como escapar dos picaretas e das mentiras nas eleições


 Por Ângela Carrato* 

A julgar pela primeira semana de campanha, as eleições municipais deste ano serão marcadas pela presença de uma infinidade de candidatos sem qualquer compromisso com os reais interesses da população e, sobretudo, com a verdade dos fatos.

São extremistas de direita, propagadores de mentiras e de discursos de ódio, seguidores ou não de Jair Bolsonaro.

No passado, era mais fácil identificar tais figuras. A maioria acabava recebendo a pecha de “oportunista” ou “picareta” e não ia muito longe.

O que não significa que alguns não tenham conseguido se eleger e seguirem carreira na política.

A entrada em cena das fake news e da guerra cultural redundou em uma desinformação de tamanha magnitude, que a maioria da população se mostra preocupada com o assunto.

Mais ainda: a maioria acredita que a integridade eleitoral depende de medidas eficazes que possam ser tomadas contra a desinformação.

Isso fica patente quando se observa os resultados da pesquisa DataSenado, divulgados na última semana.

Realizada com a finalidade de subsidiar o parlamento brasileiro, o estudo faz um raio X dos usuários de redes sociais, especialmente dos que se identificam como tendo tido acesso a notícias falsas nos últimos seis meses.

O objetivo era avaliar a dimensão das notícias falsas no Brasil e descobrir como a opinião pública percebe os seus impactos e compreende o papel das plataformas de redes sociais para lidar com a questão.

A pesquisa teve como população-alvo cidadãos de 16 anos ou mais, residentes em todos os estados.

A amostra total foi composta por 21.870 entrevistas telefônicas, que seguiram questionário previamente estruturado.

A duração média das entrevistas foi de 13 minutos e o nível de confiança nos resultados é de 95%.

Esta pesquisa revelou que 67% da população já foi exposta à desinformação e que essa desinformação foi compartilhada nas redes sociais.

As razões apontadas para esse compartilhamento são diversas: 31% acreditam que as pessoas o fazem para mudar a opinião dos outros, enquanto 30% acham que isso acontece porque não se sabe que a notícia é falsa.

Uma ampla maioria (81%) acredita que as plataformas devem ser responsabilizadas pela divulgação de notícias falsas. Essa opinião é praticamente unânime em todos os estados, com exceção de Santa Catarina, onde a concordância é um pouco menor (73%).

O impacto da desinformação em eleições também é uma preocupação central. Para 81% dos entrevistados, a disseminação de notícias falsas pode afetar “muito” os resultados eleitorais.

Neste sentido, quase oito em cada 10 brasileiros avaliam como “muito importante” o controle de notícias falsas nas redes sociais para garantir uma disputa justa nas eleições.

A partir desses dados é possível se fazer uma série de reflexões.

Não resta dúvida de que as notícias falsas circulam com grande intensidade pelas plataformas e por suas redes sociais.

Não resta dúvida, por outro lado, que essas plataformas precisam ser responsabilizadas pelo impacto que os conteúdos falsos podem ter e tem tido na democracia brasileira.

A título de exemplo, das 10 principais redes sociais em atuação no país, a mais acessada é o WhatsApp (93%), o que indica uma preferência por mensagens curtas e instantâneas.

Preferência que pode ser explicada também pelo fato de a maioria dos smarth phones vendidos aqui contar com essa rede social instalada e o seu uso não impactar no custo do pacote de dados dos usuários.

O número dos que se informam pelo WhastApp é 20% superior ao dos que se informam pela TV aberta, onde a Globo predomina, com a TV Record, do bispo-empresário Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, ocupando o segundo lugar.

Continue a leitura aqui  



#acaocultural Eram os anos de 2004 a 2024 - 20 anos da Ação Cultural e do Programa/Lei Cultura Viva. Memória ano a ano (em construção)


 

MEMÓRIA PARA USO DIÁRIO

Este trabalho de revisitação do arquivo digital e analógico da Ação Cultural tem a participação de Alan de Oliveira e Zezito de Oliveira, este último encarregado da edição final.

A Ação Cultural também é pioneira na formação de um arquivo digital de suas ações, com textos, sons e imagens e este representa cerca de 85% do acervo de informações que estão sendo disponibilizada de forma sistematizada nesse momento.

A maioria ou quase totalidade,  se encontrava disponível neste blog e nas outras plataformas utilizadas pela Ação Cultural, porém sem a organização que estamos fazendo neste momento.

A organização das informações inicialmente está sendo realizada de forma cronológica e mais a frente será organizada por temas ou ações.

Por ora é um trabalho voluntário, e é uma iniciativa que merece ser realizada por outros coletivos e organizações sociais e/ou culturais de base comunitária.

Quem participou das ações elencadas e quem não participou vai se surpreender com muita coisa, tanto positiva, como negativa. Neste último caso destacamos a repetição do padrão negativo de uma ordem politica, econômica, social e cultural bastante injusta em nosso país, em especial para pretos, pobres e periféricos. Já no primeiro como forma positiva, alguns avanços e conquistas, apesar do jogo duro da luta de classes...

Até o final do ano o trabalho será finalizado, com ou sem fomento público. 

Os anos eram 2003, 2004 e 2005 (Anos de Fundação da Ação Cultural de Sergipe -  Programa/Lei Cultura Viva 20 anos)

Os anos eram 2021 e 2022 - (20 anos de fundação da Ação Cultural - Cultura Viva 20 anos)

 2021

Pandemia



2022

01. Grande Roda de Conversa sobre Fraternidade e Educação


A) Descrição resumida da atividade:

Na próxima sexta-feira (01), em Aracaju (SE), começa um grande momento de mergulho na  Campanha da Fraternidade de 2022 que este ano traz como tema Fraternidade e Educação, uma sequência de quatro rodas de conversa, com inicio na sexta-feira a noite . 

B) Programação:

Sexta - 01 de abril:

18:30 - Jantar

19:30 - Oração (Pastoral da Juventude)

19:45- Análise de Conjuntura  da Educação em Sergipe. (Hildebrando Maia)

20:30 - Questionamentos e debates

21:00 - Encerramento

 Sábado - 02 de abril:

7:00 - Café da manhã

7:45 - Oração (Edna)

8:00 - Análise das Campanhas de 1982 e 1998 (Zezito de Oliveira)

10:15 - Lanche

10:30 - Retorno

12:00 - Almoço

14:00 - Retorno e animação

14:15 - Análise do texto da Campanha da Fraternidade (Cláudio Caducha)

15:15 - Lanche

17:00 - Finalização

19:00 - Janta

 Domingo - 03 de abril:

7:00 - Café da Manhã

7:45 - Oração (Edjane e Davison)

8:00 - Fechamento (início dos debates em ponto) e exposição dos temas.

9h - Projeção do Filme: Padre Josimo.

10:00 - Debate e avaliação geral do encontro (p. Soares).

12:00 – Almoço.

C) Tempo, período, duração: 01 a 03 de abril de 2022.

D) Local: Comunidade Bom Pastor.

E) Público atingido: 25 pessoas.

F) Apoios, parcerias, patrocínio: Ação Cultural, Comunidade Bom Pastor, CEBs, CEBI e Pastoral da Juventude.

 https://acaoculturalse.blogspot.com/2022/04/a-barca-segue-o-seu-rumo-lento-mas-segue.html

https://acaoculturalse.blogspot.com/2022/03/tira-duvidas-sobre-grande-roda-de.html

 02. LIVE com o tema: Balanço e rumo das politicas culturais no Nordeste e no Brasil daqui pra frente...

A) Descrição resumida da atividade:

A LIVE mostrou como objetivo o desmonte contra as políticas culturais humanistas e inclusivas, assim também contra artistas e estruturas estatais e da sociedade civil do campo da arte e da cultura, a retirada e a volta do Ministério da Cultura, bem como um pouco da história desse importante órgão público e também demais assuntos relevantes sobre a questão cultural no Brasil.

B) Programação:

* LIVE com Romero Venâncio (Sergipe), Zezito de Oliveira (Sergipe), Cris Alves (Bahia), Mediação de Carlos Nunes (Bahia) e Jamesson Florentino (Pernambuco).

C) Tempo, período, duração: 13 de dezembro de 2022 às 19h30.

D) Local: Canal “Não é Heresia” no YouTube.

E) Público atingido: 

F) Apoios, parcerias, patrocínio: Ação Cultural, Canal “Não é Heresia”,

 https://acaoculturalse.blogspot.com/2022/12/live-em-13-de-dezembro-as-19h30-balanco.html

 03. Keven Santos - Até onde ação cultural nas escolas e politicas de ações afirmativas podem levar estudantes oriundos das periferias urbanas e rurais?

Keven Santos está no canto direito com um caderno grande ao lado de sua mãe Maria de Fátima, também participante das oficinas de audiovisual do Ponto de Cultura na 2ª fase. Essa foto registra o momento de um exercício de fotografia que juntou duas oficinas do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania, a de fotografia e a de dança moderna..

A) Descrição resumida da atividade:

Keven Santos participou das oficinas de audiovisual do Ponto de Cultura, entrou na universidade pública e fala em um video com bastante desenvoltura sobre a sua entrada por meio do sistema de cotas foi, instituído no Brasil em 2012, através da Lei Nº 12.711. Desde então, foi possível observar uma mudança do cenário das universidades, que se tornaram mais diversas, plurais e inclusivas.

B) Programação: Publicado originalmente na página facebook da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais  e também compartilhado pela página da Fundação Darcy Ribeiro (RJ).

C) Tempo, período, duração: 22/11/2022

D) Local: Publicado originalmente na página facebook da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais  e também compartilhado pela página da Fundação Darcy Ribeiro (RJ).

E) Público atingido: NÃO ESPECIFICADO.

F) Apoios, parcerias, patrocínio:  UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais  e  página da Fundação Darcy Ribeiro (RJ).

 https://acaoculturalse.blogspot.com/2022/12/keven-santos-ate-onde-acao-cultural-na.html