Vazamentos e debate no STF revelam múltiplos vilões na Corte, suspeitas envolvendo André Mendonça, Fux, Kássio e Toffoli no escândalo do Banco Master, e acendem o alerta sobre o controle da informação e o risco de um governo Flávio Bolsonaro.
O que ficou claro nos vazamentos de hoje e no debate no STF é que há mais vilões no STF do que aquilo que foi plantado pela maioria dos jornalistas dos grandes órgãos de imprensa.
A intenção inicial foi pichar Alexandre de Moraes; depois, o ministro que se propôs a isso, André Mendonça, em razão dos vazamentos seletivos e da descoberta de outros a revelia deste, mostrou-se à altura dos vícios do primeiro, embora não das virtudes do grande martelo dos golpistas, papel desempenhado pelo ministro Alexandre de Moraes. E hoje os vazamentos acrescentaram novas suspeitas de desvios éticos envolvendo Daniel Vorcaro e os ministros Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, sem contar o ministro Dias Toffoli, já desgastado.
E agora a disputa, na sociedade e no processo eleitoral, é por saber quem tem o controle dos meios de produção da informação para fazer valer a versão dos fatos, o que vale tanto para os veículos convencionais quanto para os mais contemporâneos.
Para quem não tem acesso aos convencionais, valem os contemporâneos, como a formação de um verdadeiro exército de guerrilheiros digitais. Mas faltou visão à maioria de nossos líderes de esquerda para investir nisso, o que vai além do papel de influencers e de repassadores de conteúdos prontos. Mesmo assim, tomara que isso não signifique derrota eleitoral para um agrupamento formado por pessoas tão corruptas e perversas como os Bolsonaros e aqueles que estão no seu entorno. Seria uma tragédia, ainda mais porque Flávio Bolsonaro nem é o melhor candidato que a extrema direita teria para parecer o que não é— o que significa dizer, uma liderança terrivelmente contrária a maioria do povo e à soberania da nação como foi o governo do pai.
Flávio repete do pai o que há de mais tóxico: a retórica de vitimização, o ataque constante às instituições e ao sistema eleitoral quando se vê ameaçado, o moralismo de fachada, o uso da família como máquina política e o envolvimento em esquemas de corrupção — no caso dele, as investigações sobre a “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio, a ligação com Fabrício Queiroz e as movimentações patrimoniais incompatíveis, assim como o mega esquema de corrupção envolvendo o filme sobre a vida de Bolsonaro pai. Tal como Jair, Flávio transforma investigação em perseguição política e faz da radicalização nas redes seu principal combustível. Sem o carisma bruto do pai, porém, ele expõe de modo mais cru o que o bolsonarismo tem de pior: o nepotismo, a violência verbal, a aliança com o universo miliciano e o uso do poder para proteger os próprios interesses.
P.S.: Essa questão do exército de guerrilheiros digitais, não mero tarefeir0s, que coloquei acima, retoma a mesma questão que escrevi em artigo anterior..
"E como em tempos de guerra cultural, não é a verdade que importa, mas a forma como a realidade é reinterpretada e disseminada é o que acaba imperando.
Aí me lembrei do quanto é necessário o investimento em cultura digital e mídia livre. Dessa maneira, imagine se mais pessoas como este que escreve pudessem contar com mais computadores, antenas e outros apetrechos necessários para a comunicação digital."
Entrevista com Lula (PT) no Jornal da Record
Carmem Lúcia deve desculpas a si mesma por tantos votos desastrosos - https://www.diariodocentrodomundo.com.br/carmen-lucia-deve-desculpas-a-si-mesma-por-tantos-votos-desastrosos/ é isso!
Cesar Benjamin
O trabalho me impediu de ver o que aconteceu hoje no STF. Não tenho lado político-eleitoral nessa questão. Defendo a ética e a lei, com a preservação da instituição.
Na minha contagem pessoal, acho que o placar está 6 para os “bandidos” e 4 para os “mocinhos”. Ninguém precisa concordar comigo.
Dias Toffoli: foi sócio de Daniel Vorcaro na propriedade do Resort Tayayá, usando dois irmãos como laranjas; há fortes indícios de que enviou para o paraíso fiscal das Ilhas Virgens, ilegalmente, cerca de R$ 35 milhões resultantes desse negócio.
Alexandre de Moraes: por intermédio de sua esposa Viviane de Moraes, beneficiou-se de um contrato de cerca de R$ 130 milhões com Daniel Vorcaro. Cerca de R$ 80 milhões foram pagos até hoje em prestações mensais. Atuava como conselheiro informal do banqueiro.
Luiz Fux: recebia, por intermédio do filho, mesada de R$ 500 mil do Banco Master.
Kassio Nunes Marques: também recebia mesada de R$ 500 mil do Banco Master por intermédio do filho. Deixou uma conta de R$ 10 mil para Vorcaro pagar por uma noite com uma garota de programa.
André Mendonça: encontrou Vorcaro em 2025, fora das dependências do STF, quando o Banco Master já era investigado por fraudes. Criou o Iter, instituto que firmou 68 contratos sem licitação com órgãos públicos, obtendo uma receita de R$ 11,5 milhões. Usou a relatoria do caso Master para fazer uma divulgação seletiva de informações, de modo a interferir no processo eleitoral.
Gilmar Mendes: não há acusações contra ele no caso Master, mas é considerado o principal articulador de contatos empresariais e relações espúrias na Corte. No último fim de semana, em plena crise, descocou-se para a Itália para participar da festa de casamento da filha de Marcos Molina, controlador da Marfrig, gigante brasileira do ramo de carnes. É relator da ARE 1605630, que envolve benefícios tributários à mesma Marfrig.
Até onde sei, Edson Facchin, Carmen Lúcia, Fávio Dino e Cristiano Zanin não são acusados de nada. Ricardo Lewandowski, que se vendeu barato (só R$ 250 mil por mês), já saiu do tribunal.
Ou seja, 6 x 4.
Do ponto de vista moral, não há mais quórum no STF. Em qualquer país sério, por muito menos já estariam todos fora da Suprema Corte há muito tempo.
Eu posso ter perdido alguma informação, e novas revelações podem surgir. Mas isso aí está de bom tamanho para avaliarmos o buraco em que nos metemos. Em tese, esses são os nossos grandes juristas.
A BRAVURA DE DINO E O QUE SE ESPERA DE LULA
Em meio à investida da ultradireita, não cabe ao presidente dizer platitudes sobre a “necessidade de investigar a todos”. Seu papel é deixar clara a disputa de projetos, a partir da luta contra a escala 6x1 e pela redução da jornada
Por Antonio Martins
https://outraspalavras.net/crise-brasileira/a-bravura-de-dino-e-o-que-se-espera-de-lula/
A sessão de ontem do STF ficou na memória.
Por Mário Resende (UFS)
A sessão do STF, no dia de ontem, televisionada e divulgada por todas as redes, está na ordem do dia. Vai continuar por algum tempo, para surpresa, tristeza e/ou alegria do povo brasileiro. A sessão formada por: Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Em primeiro lugar, ficou demonstrado que são humanos. Brigam. Têm lado. E trepam. Nunes Marques até aceitou de presente um xibiu de excelência: custou 10 mil reais a ação biológica.
Mas, também, como humanos que são, exerceram a sordidez da forma mais estúpida. Como Fux, Toffoli, Mendonça e Nunes Marques, atolados até o talo com o banqueiro ladrão, cometendo os mesmos pecados, ou ainda mais graves, apontaram o dedo para Moraes? Acreditavam que ficaria por isso mesmo?
Chamou atenção também a falta de pulso e de conhecimento sobre o ordenamento jurídico de Fachin. Nem o bendito regimento da Casa o homem leu. Detalhe: teve tempo para fazê-lo. Tem uma década de Casa. Restaram-lhe, com a devida vênia, as humilhações públicas, ponderadas e contundentes, do Ministro Dino. Fachin, ficou feio. Horrível.
Cármen Lúcia não trouxe nenhuma surpresa. Para quem acompanha o Pleno há muito tempo, é uma tia que fala de gênero, que posa de boa moça, fala de forma ponderada, não altera a voz, mas vota no lado vexaminoso da força. Sempre foi assim. E sempre será.
Por fim, os ministros que pretensamente se lambuzaram no mel de Vorcaro, a saber, Toffoli, Nunes Marques, Mendonça e Moraes, e os que não petiscaram na bandeja do banqueiro, até que se prove o contrário, a saber, Cármen, Dino, Fachin, Zanin e Gilmar Mendes, devem ao Ministro Dino parte da conduta discursiva civilizatória e do desfecho da sessão de ontem. Sem Dino, o que sobraria daquela sessão?
Quem assistiu de cabo a rabo a sessão de ontem ficou com a imagem positiva do Ministro Dino ponderando, conduzindo, discordando e dando uma verdadeira aula jurídica e de conduta prática aos magistrados, sem aumentar a voz, sem usar termos pejorativos. Um Ministro grande como a pátria brasileira.
Com a devida vênia, a presença honrosa e honrada e a sabedoria jurídica e humana de Flávio Dino deixou todos com seus respectivos tamanhos. Ao final, o que restou não foi apenas o placar, mas o retrato nu do Tribunal: vaidades, interesses e fragilidades expostas em rede nacional. E, no meio disso, um único Ministro lembrou ao país o que deveria ser a Suprema Corte: civilidade sem covardia, firmeza sem gritaria e Direito sem balcão.
Da newsletter de @Monica De Bolle, de hoje:
O Brasil em Perigo: Reflexões sobre o STF e as Eleições
Pontos discutidos na Live de 14/9, às vésperas da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal sobre o caso Master. O texto inclui algumas observações adicionais sobre a sessão.
Monica De Bolle
set 16
Ontem passei o dia todo assistindo à espetaculosa sessão plenária do STF e ouvindo os comentaristas da Globonews. A sensação ao desligar a televisão foi parecida com a que bate quando se fica doomscrolling no celular. Fui arrebatada por um sentimento de desânimo vazio, um pesar interno oco, aquela sensação de ter passado o dia nutrindo a cabeça com gororoba ultraprocessada. Ainda não consegui espantar o bode.
Mas vamos lá. Não sou jurista e nada sei sobre os procedimentos do STF, as regras e regimentos, os ritos e pompas. Assisti àquilo que só posso descrever como uma encenação de treta de Twitter, ou do X, como a peçonhenta rede de Musk é conhecida hoje, protagonizada por ministros que, apesar da eloquência e das togas, não pareciam entender a gravidade do momento. A palavra “eleição” apareceu uma só vez, proferida pela Ministra Cármen Lúcia ao final do momentoso espetáculo.
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As discussões e análises que sucederam a sessão foram igualmente destituídas—salvo um ou outro comentário—do senso de perigo que corre o país. Foi um show de torcidas, tanto na sessão do STF quanto entre os especialistas que a comentavam. Narrativas abundaram, até convergirem para algo como “a briga do STF mobiliza a direita”. Francamente, não sou capaz de enxergar a lógica dessa narrativa. Se Flávio Bolsonaro e Lula estão agora empatados em 55% de rejeição, não consigo ver como qualquer dos dois é beneficiado ou prejudicado pelo que assistimos ontem. O que consigo ver com clareza são os perigos que cercam o Brasil. A eles, portanto.
1. As Pesquisas de Opinião
Como me disse ontem uma pessoa sábia, pesquisas de opinião revelam pouco ou quase nada quando puramente enquadradas como opiniões. Por exemplo: perguntar ao eleitor se ele ou ela aprova ou desaprova a conduta de ministros do STF revela, essencialmente, nada. Essa mesma pessoa pode mudar completamente de opinião nos dias, horas ou minutos seguintes à entrevista, em decorrência de novos fatos. Afinal, é impossível exagerar o bombardeio diário de informações que ninguém tem a capacidade de digerir.
Em economia, usamos o termo “preferência revelada”. Trata-se do princípio segundo o qual as preferências de um ator (“agente” no linguajar econômico) são inferidas a partir das escolhas que efetivamente faz, não daquilo que declara preferir. Se, podendo escolher entre A e B, a pessoa diz que escolhe (ou prefere) A, dizemos que ela revelou preferir A a B. Contudo, se perguntarmos a mesma pessoa se ela aprova A, sem mencionar B, e ela diz “sim” ou “não”, inferir da resposta uma preferência por A ou B é um equívoco. Se me perguntarem se prefiro ler um livro instigante no celular ou ler seu resumo gerado pela IA do Google no mesmo celular, direi que prefiro ler o livro inteiro. Mas se me perguntarem se aprovo a leitura de livros no celular, direi que não. Percebem a diferença? Eu prefiro A a B, mas não aprovo A.
Portanto, o que penso das pesquisas é que elas devem ser vistas com certo ceticismo pelos motivos que acabei de expor e não porque acredito que sejam manipuladas. Em ambiente de polarização extrema como o nosso, a imprevisibilidade das opiniões que não são necessariamente preferências fica mais aguçada e a margem de erro real acaba sendo maior do que a margem declarada.
2. O caso Master como crise institucional generalizada
Às vezes fico angustiada com a forma como o Brasil espelha os Estados Unidos. No caso do Banco Master e da figura de Daniel Vorcaro, os paralelos com o caso Epstein são tão óbvios que chegam a ofuscar a visão. Vorcaro, tal qual Epstein nos EUA, tinha entrada com todo mundo, em todos os partidos e em diversas instituições, com braços e tentáculos para todos os lados. Os escândalos que saíram do Banco Master são generalizados, o que torna a situação difícil até de descrever. Trata-se de um emaranhado de relações sociais e transacionais que revela, precisamente, o desprezo brasileiro por conflitos de interesse inequívocos. Esse desprezo está em todas as esferas da vida, da pública à privada. Dito de outro modo, poucos são os que não têm rabo-preso. Como disse a alguém recentemente numa conversa privada, o Brasil é o país dos rabo-presos e dos roda-presas. Às vezes um mesmo indivíduo cumpre os dois papéis simultaneamente.
O caso Master deveria desfazer qualquer noção de que há um lado para torcer nessa história. Não existe. Todos estão envolvidos de alguma forma, como sempre foi o caso dos nossos maiores escândalos. O Congresso Nacional que vai sair das urnas terá muitas figuras envolvidas no escândalo do Master e com ligações diretas a Daniel Vorcaro. Mas, pelo visto, essa pauta é menos importante do que a de atiçar o ânimo dos assinantes com brigas de torcida. Não tenho um ministro do STF ou um político qualquer para chamar de meu, feito bicho de pelúcia. Essa infantilização tosca não traz nada de bom ao quadro horroroso que afunda o país.
3. Dois candidatos sem legitimidade
Acho francamente estarrecedor que haja tanta gente disposta a encarar uma segunda versão do Bolsonarismo. Como estamos assistindo aqui nos Estados Unidos, a versão 2.0 do extremismo tende a ser pior do que a primeira. Quando a primeira versão do extremismo chega ao poder sem modulação institucional — e o Bolsonarismo nunca foi modulado —, a segunda chegada é ainda mais extrema. Foi assim com o Trumpismo. No primeiro mandato as instituições — o Congresso e a Suprema Corte — ainda tinham fôlego para conter os piores impulsos do presidente. Desde que voltou à Casa Branca, Trump tem desfrutado de liberdade total para fazer o que bem entende e todos os seus ímpetos destrutivos estão à mostra. Será que alguém acha que será diferente com o Bolsonarismo?
Vejo na imprensa a narrativa de que o escândalo do STF atinge mais quem está no poder. Ora, Flávio Bolsonaro não é exatamente um outsider. Como senador em um Congresso que manda e desmanda no país por diversos meios, inclusive pelos nefastos mecanismos das emendas parlamentares, ele está no centro do poder. Por esse exato motivo, consegue ter tração eleitoral a despeito de estar sendo investigado em várias frentes e de nada ter a oferecer ao país. Flávio, para além das dancinhas, não fala em público. Lança seus porta-vozes para dizer estultices como “na economia seguiremos a cartilha de Javier Milei”. Pelo visto, o próximo gênero musical a varrer o país sob seu comando será o tango-sertanejo, empreitada mais do que adequada para os compositores agênticos de IA.
Ao mesmo tempo, é uma obviedade que Lula está extremamente desgastado, por muitos motivos, inclusive pela idade. Aos quase 81 anos, a idade pesa e faz uma enorme diferença.
Com taxas de rejeição acima de 50%, a crise de legitimidade já está dada antes das eleições, seja o presidente eleito Lula ou Flávio Bolsonaro. Posso dizer o que rejeito, mas não consigo fazer torcida em uma situação dessa gravidade.
4. Os riscos que ninguém está discutindo e o papel do medo
Para mim, um dos aspectos catastróficos de uma eleição que ponha Flávio Bolsonaro na presidência é o que vai acontecer com o Brasil perante os Estados Unidos. Em 2018, quando Jair Bolsonaro se elegeu, Trump estava no poder, mas o primeiro governo Trump não exerceu sobre os países latino-americanos o tipo de ingerência e pressão que se observa hoje. Não é segredo que a preferência do governo Trump e de seus integrantes, como Marco Rubio, que acaba de fazer seu tour pelos governos de direita da América do Sul, é que Flávio Bolsonaro seja presidente do Brasil.
Isso põe tudo em risco. Tomemos o PIX. Não é mistério que o governo Trump é francamente contrário ao nosso sistema de pagamentos. As empresas de cartão de crédito e as de tecnologia que operam sistemas de pagamento, como Google Pay e Apple Pay, fizeram um lobby imenso junto ao governo Trump. E, para além do lobby, há gente no governo Trump que acredita que o PIX vai contra os interesses não só das empresas, mas também da moeda americana, isto é, que, de alguma forma (obtusa), o PIX enfraquece o poder do dólar. O PIX poderá ser alvejado em um governo Flávio Bolsonaro precisamente porque esse candidato não tem capacidade, ou mesmo vontade, de resistir aos Estados Unidos, como mostram suas visitas a Washington e as fotos embevecidas ao lado de Trump.
Tomemos os recursos naturais. O Brasil tem a possibilidade de desenvolver um setor industrial completo voltado à extração, ao processamento e ao refino de minerais críticos e de terras raras. Se Flávio Bolsonaro se eleger, essa possibilidade provavelmente desaparecerá, pois não é do interesse dos EUA, que querem nossos recursos para si. Está aí o petróleo venezuelano para dar o caminho das pedras. A Amazônia estará sob risco em vários aspectos e, com ela, os acordos que fizemos recentemente no âmbito do Mercosul, principalmente o acordo com a União Europeia. Esse acordo, que levou 25 anos para ser negociado, inclui salvaguardas importantes quanto aos marcos e às leis ambientais do Brasil. Um dos problemas mais recentes da negociação foi precisamente a dúvida levantada pelos europeus sobre como manter um acordo que preza pelos temas climáticos e ambientais com um futuro governo Bolsonaro.
Esse ponto é existencial. A diversificação que os países vêm buscando — o alcance de outras regiões e de outros mercados para encontrar um espaço um pouco mais distante dos Estados Unidos e da China — é hoje uma questão de sobrevivência. Não há como alinhar-se a um ou a outro nessa briga sem sofrer. O melhor é um terceiro caminho, que era o que o Brasil vinha fazendo aos trancos e barrancos, ao finalizar o acordo com a União Europeia e ao negociar, via Mercosul, com Japão, Singapura e Canadá, entre outros. Fico perplexa com a miopia de uma parte da classe empresarial brasileira que apoia uma candidatura bolsonarista a estas alturas, vendo como as coisas se desvelam mundo afora.
Dá para assistir à crise do STF e falar desses riscos ao mesmo tempo. Em torno de Lula, há o entendimento da necessidade de resistir às pressões dos Estados Unidos. Por mais que não se goste de Lula, isso é um fato. Lula resiste aos Estados Unidos e Flávio não.
Atribuem à Winston Churchill o aforismo: “medo é reação, coragem é decisão”. Pois bem. No atual quadro brasileiro, o medo é tanto reação quanto decisão.










