A Ação Cultural convida agentes culturais comunitários, artistas, educadores, lideranças de movimentos sociais, estudantes, técnicos e gestores públicos a participarem do Seminário Introdutório de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social.
O seminário tem como objetivo promover um espaço de reflexão e diálogo sobre Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, visando potencializar iniciativas culturais com viés emancipador, solidário e participativo.
Informações sobre o evento:
Carga horária: 12 horas - 1 encontro de 8 horas, dividido em dois turnos - sábado . 2 - encontro online de 4 horas
Formato: Roda de conversa
Vagas: 20 participantes
Local: Casa da Doméstica/Sindoméstica/SE - R. Propriá, 376 - Centro, Aracaju - SE (Próximo ao Quartel Central do Corpo de Bombeiros)
Data: 17 de Outubro (sábado) 8 `às 12 h - 14 às 18h - O dia do encontro on-line será e horário será combinado com os presentes neste dia
Facilitadores/Mediadores - Zezito de Oliveira, Romero Venâncio e Tácita Mykaelly
Zezito de Oliveira, é um historiador, professor, escritor e produtor cultural nascido em São Cristóvão, Sergipe. Com uma trajetória profundamente ligada aos movimentos sociais e à descentralização da arte, ele é uma das principais referências em iniciativas culturais de base comunitária na região metropolitana de Aracaju.
Romero Junior Venâncio Silva, mais conhecido como Romero Venâncio, é um influente filósofo, teólogo, professor universitário e intelectual brasileiro. Docente de longa data na Universidade Federal de Sergipe (UFS), ele se destaca nacionalmente como pesquisador das interseções entre religião, política, estética e movimentos sociais.
Tácita Mykaelly Nascimento Leal é uma pesquisadora, gestora cultural e bióloga brasileira. Natural de Sergipe, sua atuação profissional transita de forma interdisciplinar entre a ciência, a produção e a gestão de políticas públicas de cultura.
INFORMAÇÃO IMPORTANTE:
O evento fornecerá almoço e auxílio-passagem (ônibus ou taxi-lotação) nesse segundo caso para quem necessitar de apoio nesse sentido.
O Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, a ser realizado no dia 17 de outubro (sábado) na sede da Casa da Doméstica/Sindoméstica(SE), nasce da trajetória da Ação Cultural e da necessidade de refletir sobre os desafios atuais da cultura como instrumento de formação, organização comunitária, democratização de oportunidades e participação cidadã.
Desde sua criação, a Ação Cultural vem desenvolvendo experiências que aproximam cultura, educação popular e atuação comunitária, especialmente junto às periferias e a segmentos historicamente excluídos do acesso aos bens e serviços culturais. Projetos, oficinas, cineclubes, ações audiovisuais, atividades de teatro, mostras culturais, processos formativos e iniciativas de articulação em rede constituem um percurso no qual a cultura é compreendida não apenas como produção artística ou entretenimento, mas também como espaço de aprendizagem, expressão, construção de vínculos, afirmação de direitos e transformação social.
Essa perspectiva permanece presente na atuação recente da organização, especialmente por meio da retomada do Ponto de Cultura da Ação Cultural, das ações do Cineclube Realidade, das atividades de formação e da participação nas redes de Pontos e Pontões de Cultura. Essas experiências revelam a importância de criar espaços permanentes para que artistas, educadores, agentes culturais, jovens, lideranças comunitárias e demais sujeitos envolvidos com a cultura possam compartilhar conhecimentos, avaliar suas práticas e construir coletivamente novos caminhos.
A realização do seminário também responde a um desafio colocado pelo atual momento das políticas culturais brasileiras. A ampliação dos mecanismos de financiamento e a implementação de políticas como a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e a Lei Paulo Gustavo representam importantes conquistas. Entretanto, o fortalecimento das políticas culturais não depende somente da existência de recursos públicos. É necessário ampliar a capacidade de participação da sociedade na formulação, acompanhamento, avaliação e controle social dessas políticas.
Nesse contexto, educação popular, ação cultural e participação social não podem ser tratadas como dimensões separadas. A educação popular contribui para que os sujeitos compreendam criticamente a realidade e reconheçam sua capacidade de intervenção; a ação cultural cria espaços concretos de expressão, criação, convivência e produção de conhecimento; e a participação social possibilita que esses sujeitos ocupem os espaços de decisão e contribuam para a construção das políticas públicas.
O seminário pretende, portanto, constituir-se como um espaço de diálogo e formação a partir das experiências concretas desenvolvidas nos territórios. Mais do que discutir conceitos de maneira abstrata, a proposta é colocar em circulação conhecimentos produzidos por quem atua diretamente nas comunidades, nas escolas, nos espaços culturais, nos coletivos e nas redes de participação social.
A iniciativa parte também da compreensão de que uma política cultural democrática não se constrói apenas de cima para baixo. Ela precisa reconhecer os saberes existentes nos territórios, estimular o protagonismo dos sujeitos e criar condições para que artistas, agentes culturais, educadores, jovens e comunidades deixem de ser apenas beneficiários das políticas públicas e se tornem também participantes de sua construção.
Nesse sentido, o seminário pretende contribuir para a formação de agentes culturais e educadores populares, fortalecer redes de colaboração e estimular uma cultura de participação que ultrapasse os momentos de realização de projetos e editais. Pretende, ainda, refletir sobre como as experiências acumuladas pela Ação Cultural e por outras organizações, coletivos e movimentos podem contribuir para uma atuação cultural mais integrada às demandas sociais e às lutas pela democratização dos direitos.
Realizar este encontro significa, portanto, abrir um espaço para olhar criticamente para a caminhada realizada, reconhecer aprendizados, identificar limites e construir novas possibilidades. Significa compreender que uma oficina, um cineclube, uma apresentação artística, uma mostra cultural ou uma reunião comunitária podem ser, quando articulados a processos de formação e participação, espaços de exercício da cidadania.
O Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social pretende ser, assim, mais do que um encontro de reflexão. Quer constituir-se como um espaço de troca de experiências, produção coletiva de conhecimento, fortalecimento de redes e renovação do compromisso com uma cultura democrática, participativa e socialmente transformadora.
Porque, para a Ação Cultural, democratizar a cultura não significa apenas ampliar o acesso aos bens culturais. Significa também ampliar a possibilidade de cada pessoa e cada comunidade criar, participar, decidir e transformar a realidade em que vive.
Para Aprofundar:
Se ação cultural cria condições para que as pessoas inventem seus próprios fins, se a educação popular procura formar sujeitos capazes de ler e transformar a realidade, e se a participação social permite que esses sujeitos intervenham nas decisões públicas, então não estamos falando de três coisas diferentes, mas de três dimensões de um mesmo processo de construção da cidadania cultural.

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