VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

domingo, 18 de agosto de 2013

Célio Turino: Cultura Viva, Ana de Hollanda e novas propostas para a cultura


O ex-secretário de cidadania cultural do MinC fala do Cultura Viva e da ausência de continuidade de uma política de Estado
“A solução dos problemas do Brasil virá da escassez… e dos de baixo” Milton Santos
Por Laís Bellini

Célio Turino ocupou a cadeira da Secretaria de Cidadania Cultural durante grande parte das gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Ministério da Cultura durante o governo Lula e foi o responsável pela criação e execução do Programa Cultura Viva que deu vida a mais de 3000 pontos beneficiados com o investimento público para que mantivessem suas ações culturais nos mais diversos espaços, cidades e contextos. Célio viajou o país todo, conhecendo de perto os projetos que estavam sendo contemplados. Como cita em seu livro “Ponto de Cultura – o Brasil de baixo para cima”, o Programa Cultura Viva “tem o caráter de uma politica pública construtivista, fenomenológica. É simples, envolve observação da vida; e é na simplicidade que busca a construção da consciência.”
O que há em comum entre todos os projetos contemplados é o centro multimídia, espaço criado em suas sedes possibilitando o acesso à internet e a compilação de conteúdo multimídia, espalhando o que há de experiência cultural ali para todo o mundo. Além disso, o que vem adiante é o criativo, a tradição, o local. “Com a tecnologia da informação (…) o conhecimento (é) concentrado nos códigos fechados, no software proprietário. A essência da cultura digital na rede dos Pontos de Cultura é instigar os Pontos (e as pessoas) a exercitarem novas formas de trabalho, colaboração e generosidade, por isso o software livre.”
A aplicação do conceito de gestão compartilhada e transformadora para os Pontos de Cultura tem por objetivo estabelecer novos parâmetros de gestão e democracia entre Estado e sociedade. “Ao invés de entender a cultura como produto, ela é reconhecida como processo.” Este novo conceito se expressou com o edital de 2004, para seleção dos primeiros Pontos de Cultura. “Invertemos a forma de abordagem dos grupos sociais e o Ministério da Cultura disse quanto podia oferecer e os proponentes definiam, a partir de seu ponto de vista e de suas necessidades, como aplicariam os recursos.”
Os pontos são organizações culturais da sociedade que ganham força e reconhecimento   institucional ao estabelecer uma parceria, um pacto com o Estado. “O ponto de cultura não pode ser para as pessoas, e sim das pessoas. Seu foco não está na carência, na ausência de bens e serviços, e sim na potência, na capacidade de agir de pessoas e grupos. Ponto de Cultura é cultura em processo, desenvolvida com autonomia e protagonismo social.”
Um ponto de questionamento diz respeito ao risco de esses movimentos culturais irem se institucionalizando, perderem a espontaneidade ou até mesmo serem cooptados. Diante desse contexto, Célio Turino afirma em seu livro que “a cultura política e o elemento de emancipação surgem como fundamentais para evitar esse processo de cooptação. Aqui entenda-se cooptação a contaminação do “mundo da vida” (cultura, sociedade, pessoa) pelo “mundo dos sistemas” (Estado, mercado). Em contraponto precisamos encorajar uma ação que desenvolva e fortaleça competências do sujeito (coletivo e individual), o reencontro com as pessoas e a sua capacidade de agir enquanto agentes históricos”.
Para ele, o que sustenta a teoria dos Pontos de Cultura é a soma Autonomia + Protagonismo que resulta em um contexto de rompimento de relações de dependência ou de assistencialismo (comuns na aplicação de políticas governamentais). Soma-se a esse resultado agregar a articulação em rede. “Quanto mais redes houver, mais sustentável será o processo de empoderamento social desencadeado pelo Ponto de Cultura”.
É nesse contexto que Célio Turino deixou seu cargo e viu o governo Lula ser substituído pelo governo Dilma e os progressos do Ministério da Cultura serem, de certa forma, interrompidos. Foi às vésperas da substituição da então Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, para a atual, Marta Suplicy (10/09/2012), que tivemos esta conversa que resume a opinião de quem já sentou nas cadeiras do Ministério, lutou por mudanças e viu seu esforço estagnar com um novo mandato.

Vídeo publicado em 08/10/2012
Entrevista com Célio Turino dada ao Fluxos Culturais: O ex-secretário de cidadania cultural do MinC fala do Cultura Viva e da ausência de continuidade de uma política de Estado

Entrevista e edição: Laís Bellini
Gravação e apoio: Taís Capellini

Nenhum comentário: