sábado, 24 de outubro de 2026

São muitas as lições aprendidas e ensinadas nestas três semanas do segundo turno das eleições 2026. Por Zezito de Oliveira, Romero Venâncio e Fernando Morais

"Entre o estrondo do Riocentro em 1981 e o silêncio de uma UTI em 2021, a força do amor aprendeu a vencer a morte — e, nestas três semanas de segundo turno, fez-se multidão nas ruas de Aracaju e do Brasil, numa tarde de sexta-feira primaveril em que a cidade se vestiu de vermelho. Da oração partilhada na comunidade Bom Pastor ao áudio informal que Janones fez chegar a milhões como voz de amigo, do minimalismo e da proximidade que dão densidade à ação ampla à juventude que Fernando Morais nunca vira tantas vezes junta, o que se teceu foi um senso de comunidade contra a solidão e contra o medo. E se a estratégia se resume em duas palavras, a esperança se resume em uma: que a alegria reine no país, e os meninos e o povo no poder — não no tamanho que desejamos, mas no tamanho que a luta permitir. Independentemente do resultado das urnas, o que ganhamos já está nas calçadas: a certeza de que não educamos mal nossos filhos e netos. "

1 - "A força do amor vence a morte, faz viver.” Este é o verso de uma das canções mais bonitas de Zé Vicente, artista e educador popular conhecido por quem participa da Pastoral da Juventude, das CEBs, das Pastorais Sociais e dos movimentos sociais.

Na minha vida, as forças da morte representadas pela família Bolsonaro estiveram  presentes: em 1981, no atentado a bomba no Riocentro, contra artistas e jovens que celebravam o ressurgimento do movimento sindical no ABC; e em 2021, quando passei três meses internado em um hospital com COVID-19, metade desse tempo na UTI.

E nestes dias  vejo essa potência das forças do amor representada por milhares de brasileiros nas ruas, e isso só me faz viver com mais esperança e acreditar que Luiz Inácio Lula da Silva será presidente do Brasil pela quarta vez.

2 - “O que pode fazer o homem comum neste presente instante?” —, sintetizei a estratégia “Cultura com Lula” em duas palavras: minimalismo e proximidade, pois até o dia 25 é disso que dispomos, e depois o horizonte se amplia: a micropolítica que defendo desde a campanha do primeiro e intensificada neste segundo turno — sem desconectar das grandes mobilizações de rua e das redes — precisará se articular ainda mais à macropolítica, porque minimalismo e proximidade não são recuo, mas a base concreta que dá densidade à ação ampla; enquanto escrevo, ouço o professor Romero Venâncio — uma ponte entre espiritualidade libertadora, pensamento crítico e prática política.

Brasil: ruas, redes e o destino nas urnas com Romero Venancio (UFS) | Vote 13 #BORALULA | #ANTIFA


3 - No momento orante da comunidade Bom Pastor, em Aracaju, em favor da eleição do presidente que representa a democracia, a justiça e a beleza no Brasil, nesta quarta-feira, 21/10, na primeira fala, seguindo o roteiro do Ofício Divino das Comunidades, nos momentos iniciais — Recordação da Vida —, em que partilhamos os fatos marcantes do dia ou da semana — as lutas, as alegrias, as notícias da comunidade e a realidade social —, colocando-as diante de Deus, iniciei minha fala na roda com a citação de um verso da canção Coração Civil, de Milton Nascimento e Fernando Brant: “Quero que a alegria reine em meu país / e os meninos e o povo no poder eu quero ver”; ao final, incluí nas preces a alegria como desejo/súplica de vitória para o candidato capaz de favorecer condições e oportunidades para isso, e agora, em Aracaju, na caminhada gigante realizada nesta tarde de 23/10, ficou claro como é necessário elegermos Luiz Inácio Lula da Silva para que a alegria reine em meu estado e em meu país — se não no tamanho que desejamos, ao menos em parte, até porque há o Congresso, a imprensa corporativa, o assédio do imperialismo e a Faria Lima 

Aracaju vermelha, numa tarde de sexta-feira primaveril.

4 -  Uma das coisas mais interessantes da iniciativa Exército de Lula, capitaneada por Janones, é a formação de um senso de comunidade a partir de um objetivo comum: reeleger o presidente Lula.

Esse senso de comunidade é muito importante para pessoas que vivem mais sozinhas — idosos, pessoas que moram só e quem não faz mais parte ou nunca fez parte de organizações e movimentos sociais.

"Fascismo se espalhando e eu ainda insistindo em ser um cantor
pessoas sendo mortas e eu ainda aqui com medo
de ser alguém aquém de quem eu sou
"

É uma questão incrível: um dos conceitos mais importantes que consegui formular desde a primeira campanha do primeiro turno, em conversas com companheiros da militância cultural, é o de minimalismo e proximidade. Nesse sentido, a proximidadade, mesmo de forma virtual possibilitada pelo  canal criado por Janones, com áudios gravados e disponibilizados por ele regularmente, fez milhões de pessoas ouvirem como se tivessem recebido um áudio de alguém conhecido, por causa do jeito informal do general em  se manifestar.

Como exemplo, recebi de um amigo: Engaje seus/as idosos/as, Bota as velhotinhas no exército de Lula Elas vão adorar Janones.

5 - Fernando Morais no facebook

Breves e modestos pitacos de um octogenário que faz política desde o ATO 5, em 1968: primeiro, a massiva presença da juventude nos atos públicos que se multiplicaram pelo país nesse final de campanha pró-Lula. Rodei o Brasil do Piaui ao Rio grande do Sul, passando por Teresina, Recife, Salvador, Goiânia, Brasília, Curitiba, Florianópolis e POA e nunca tinha visto nada parecido. Segundo, mas que poderia ser primeiro: a monumental quantidade de gente na rua. Não vi nada igual, seja como jornalista, seja como militante político, em nenhuma manifestação. Nem nas diretas já. Isso mesmo, nem no ato da Candelária nem no do Anhangabaú. Por último, mas não por menos importante: quem mobilizou e colocou essas massas colossais nas ruas não foi o governo nem a CUT, o MST, as Comunidades Eclesiais de Base nem o MTST. Isso tudo contra a avalanche da mídia conservadora, contra as elites, contra a ação descarada de potências estrangeiras. A internet pode ter ajudado, mas ninguém mobiliza gente inconsciente. Começo a alimentar a esperança de que não tenhamos educado mal nossos filhos e netos. Independentemente do resultado da eleição, acho que ganhamos.



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