domingo, 12 de março de 2023

A MÍDIA E A SUA NOVA LAVA JATO - Não há fim à vista para a guerra híbrida no Brasil.

Ângela Carrato - Jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG

Qualquer pessoa razoavelmente informada e intelectualmente honesta sabe que o roubo do pré-sal brasileiro e o desmonte da Petrobras estão no cerne do golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. 

Sabe que essas ações foram a principal razão para que a Operação Lava Jato tentasse, por todas as maneiras, desmoralizar a principal empresa estatal brasileira e a maior da América Latina, e, sobretudo, se valesse de denúncias infundadas de corrupção, para derrubar Dilma, prender Lula e evitar que ele pudesse disputar as eleições de 2018, quando era franco favorito.

Sabe também que esse golpe não foi do tipo tradicional, com tanques nas ruas, como aconteceu no Brasil em 1964 e historicamente ao longo de décadas em países da região.

O golpe que depôs Dilma atende pelo nome de guerra híbrida, uma combinação de ações e guerras não convencionais para substituir governos em diversas partes do mundo. 

Os Estados Unidos não são os únicos, mas seguramente é o país que mais se valeu e continua se valendo deste tipo de expediente, para o qual conta com o apoio de setores da classe dominante dos países alvo e da mídia corporativa.

Na guerra híbrida, o objetivo é fomentar e manejar a opinião pública contra governos progressistas ou considerados adversários com vistas a depô-los para rapinar as riquezas nacionais sem que a participação do Tio Sam e de seus aliados fique evidenciada. 

Como não há crime perfeito, as digitais dos envolvidos acabam aparecendo. 

Se no golpe de 1964 foram necessárias várias décadas para que a atuação da Casa Branca ficasse amplamente comprovada, contra Lula e Dilma foi bem mais rápido. 

Em junho de 2019 vinham a público, através de vazamentos, as conversas entre o então juiz Sérgio Moro e o promotor federal Deltan Dallagnol, ambos da Operação Lava Jato, com setores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). 

Por essas conversas ficava evidente não só o interesse dos Estados Unidos na desmoralização e destruição da Petrobras, como o esforço para prender Lula e mantê-lo fora das eleições de 2018. 

Aos olhos de hoje, o objetivo é claro: se Lula fosse eleito naquele ano, como tudo indicava, o golpe de 2016 chegaria ao fim, pois ele desfaria as atrocidades cometidas por Michel Temer contra o pré-sal e a Petrobras e o governo neofascista de Jair Bolsonaro  nem teria existido.

Se uma das primeiras providências do golpista Temer foi entregar o pré-sal brasileiro para a exploração das multinacionais, isentando-as de impostos, e alterar a lei das estatais, retirando poderes do governo sobre a Petrobras, Bolsonaro aprofundou a destruição da empresa.

Foi sob o comando dele e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que a Petrobras foi obrigada a privatizar, a preço de banana, vários de seus ativos, a exemplo de refinarias, gasodutos e da BR Distribuidora, além de ter adotado uma modalidade para cálculo do preço dos combustíveis que os elevou às alturas. 

Visando exclusivamente os interesses estrangeiros, a Petrobras passou a praticar uma política que a transformou em mera vendedora de petróleo cru e importadora de gasolina. Política profundamente lesiva aos interesses nacionais, uma vez que o Brasil é autossuficiente em petróleo e poderia continuar refinando-o aqui, como já fazia, ao invés de passar a importá-lo em preços dolarizados. 

Em meados do ano passado, por exemplo, o litro de gasolina chegou próximo a R$ 9,00 em várias capitais brasileiras. Esse valor só foi reduzido, por apenas 60 dias, às vésperas da eleição, porque Bolsonaro temia o impacto nas urnas.

Bolsonaro e seus apoiadores internos e externos apostaram tudo na vitória.  Inconformados com a derrota nas urnas, estimularam os atos terroristas de 8 de janeiro. 

Após a nova derrota, tentam, a partir de então, transformar Lula, neste terceiro governo, numa espécie de rainha da Inglaterra, aquela que reinava sem governar.

O caminho escolhido é o de acionar as “bombas” neoliberais deixadas em vários setores da economia,  com a finalidade de travar a retomada do crescimento e do desenvolvimento, jogando o Brasil numa estagnação ou mesmo recessão.

O caso da Petrobras é, sem dúvida, dos mais emblemáticos.

Uma das principais promessas de campanha de Lula foi a redução dos preços dos combustíveis, com o fim da PPI, a paridade de preços internacionais. 

Para o cidadão comum, bastaria Lula mudar a direção da Petrobras e o problema estaria resolvido. Porém, a situação é muito mais complexa e os golpistas e seus aliados já começam a explorá-la contra Lula.

A lei das estatais de 2016 retirou do governo federal os principais instrumentos para gerir a Petrobras, mesmo sendo o seu acionista majoritário. 

O nome indicado por Lula para presidir a empresa, Jean Paul Prates, só assumirá plenamente o cargo no final de abril, quando deverão ser escolhidos os diretores e novos integrantes para os conselhos de administração e fiscal. 

Até lá, a Petrobras continuará sendo comandada por bolsonaristas e da forma que interessa exclusivamente ao chamado “mercado”. 

Na prática os interesses de grandes fundos internacionais de investimentos como o Black Rock são os que continuam mandando e desmandando na empresa.

É isso que explica, por exemplo, o fato de em pleno governo Lula, a estatal manter o pagamento de dividendos astronômicos para seus acionistas e não dispor de orçamento para investimentos, mesmo tendo acabado de anunciar um lucro recorde de R$ 188,5 bilhões em 2022, o maior de sua história.

Os golpistas desvirtuaram de tal maneira o papel da Petrobras como empresa indutora do desenvolvimento, que sua participação no PIB brasileiro nos governos petistas foi de quase 18% e agora caiu para 6%  e continuará caindo, se Lula não conseguir estancar esta sangria e recuperar a empresa para os brasileiros.

Em várias oportunidades, Lula já se posicionou contra este tipo de rapinagem, lembrando que nenhuma empresa séria no mundo destina todo o seu lucro para pagamento de dividendos, sem se preocupar em fazer novos investimentos, sem se preocupar com pesquisa e inovação, especialmente numa área como a de energia, onde a concorrência é brutal.

Durante a cerimônia de lançamento do novo Programa Bolsa Família, Lula voltou ao assunto, renovando não só suas críticas, mas deixando claro que em seu governo a Petrobras retomará o papel para o qual foi criada. Vale dizer: uma empresa pautada pela inovação e pelo desenvolvimento nacional.

Se o Brasil tivesse uma mídia corporativa minimamente comprometida com esses interesses, era para a situação da Petrobras estar sendo mostrada, em detalhes, para a população, bem como os esforços de Lula para recuperá-la.

Como historicamente esta mídia sempre jogou a favor dos interesses internacionais,  agora  ela oscila entre esconder do respeitável público o que se passa ou distorcer a realidade para divulgar apenas o que lhe é conveniente. 

Os telejornais da Globo e da Record, por exemplo, não fazem qualquer referência às críticas de Lula à situação atual da Petrobras, enquanto jornais diários criticam "interferências" do governo na empresa e  abertamente combatem qualquer mudança na politica de distribuição de dividendos.

Pior ainda. A mídia corporativa brasileira faz de tudo para destacar o lucro recorde da empresa como algo extremamente positivo, sem qualquer alusão às condições em que se deu.

As manchetes e notícias de jornais como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo descontextualizam a situação de tal forma, que induzem o leitor a pensar que se a empresa teve lucro recorde, tudo vai às mil maravilhas e o governo Lula não tem nada para mudar ali. 

Não é dito, por exemplo, que esse lucro só foi conseguido a custa da venda de ativos  da empresa e dos preços astronômicos dos combustíveis. 

Os dividendos bilionários que os grandes acionistas receberam se devem aos altíssimos preços pagos pela população pelos combustíveis.

Com esta absurda transferência de renda, meia dúzia de bilionários ficam cada vez mais ricos à custa da pobreza e da miséria de amplos setores da população brasileira.

O festival de canalhices contra a Petrobras teve sequência,  quando da primeira entrevista coletiva do seu novo presidente.

A mídia corporativa estava presente em peso - só do grupo Globo havia cinco repórteres. Todos perguntaram as mesmas coisas: a nova gestão pretende mudar a política de preços? Como fica o pagamento dos dividendos? 

Não se ouviu uma pergunta sequer sobre as propostas do novo dirigente ou sobre os seus planos para a empresa. 

Nada. 

A única coisa que interessava aos repórteres, na realidade aos seus patrões, era saber se os acionistas continuarão recebendo os dividendos tal como vem acontecendo.

Para um toque mais canalha ainda, o jornal o Globo, em editorial, na sexta-feira (3/3) praticamente ameaçou o presidente Lula com o extermínio de sua popularidade, caso insista na defesa da retomada da Petrobras para o povo brasileiro.

Minha surpresa em relação a esse tipo de atitude da mídia corporativa brasileira é zero. 

Desde sempre estes “barões da mídia” estiveram ao lado dos lobbies internacionais e contra o Brasil quando o assunto é petróleo, Petrobras e desenvolvimento nacional. 

Assis Chateaubriand e Roberto Marinho, adversários nos negócios, se uniram nas décadas de 1950 e 1960 no combate à criação da Petrobras e ao seu desenvolvimento. 

Uma das razões do suicídio de Getúlio Vargas foram as pressões que passou a enfrentar, por ter criado a empresa, em outubro de 1953. 

Uma das razões do golpe contra João Goulart, em 1964, foi a lei da remessa de lucros aprovada em seu governo, que inverteu a política econômica dos anos anteriores, que dava tratamento privilegiado aos capitais estrangeiros.

Pelo visto, a mídia corporativa brasileira, Grupo Globo à frente, reassume o papel de porta-voz, que nunca abandonou, dos lobbies internacionais e da “casa grande” e, na cara dura, ameaça Lula.

Vale destacar que no episódio das joias dadas pelo governo saudita à Michelle e a Bolsonaro, a mídia corporativa insiste em tratar como "presentes" o que é  descaradamente propina.

Não existe presente no valor de mais de R$ 16 milhões! E, por qual razão, o governo saudita presentearia a família Bolsonaro com joias tão valiosas? 

Além de não mencionar em momento algum o termo propina, não ocorreu à  mídia corporativa brasileira atentar para uma coincidência basica: os tais presentes aconteceram no exato momento em que Bolsonaro privatizava, por menos da metade do seu valor, a refinaria Landulfo Alves, que pertencia à  Petrobras e foi comprada por um fundo de investimento árabe.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) tem feito esta denúncia e exigido apuração.

Como a mídia corporativa reage? Começa a tirar o caso das joias das manchetes e volta para o que realmente lhe interessa: apontar riscos para uma recessão em 2023, ao mesmo tempo em que ressalta que 2022 foi um ótimo ano para a economia brasileira.

Dispensável dizer que o objetivo é criticar a política econômica de Lula e rasgar elogios para a atuação do ultraneoliberal Paulo Guedes.

Mais uma vez, minha surpresa é zero.

Tudo leva a crer que a mídia brasileira, Globo à  frente, sonha em retomar uma espécie de Operação Lava Jato em nova roupagem, para tentar obrigar o governo a manter a Petrobras como "vaca leiteira" dos oligarcas nacionais e internacionais.

Espero que Lula esteja bem consciente e preparado para o tamanho da guerra que o aguarda.

Espero, igualmente, que a população brasileira, depois de tudo o que sofreu nos últimos seis anos, não caia novamente no canto da sereia da mídia golpista.

 Não há fim à vista para a guerra híbrida no Brasil.

De Xuxa a MC Pipoquinha a televisão emburreceu demais os nossos jovens..

foto: divulgação 

Quem afirmou isso na década de 1980  foi a banda Titãs através da canção "Televisão".  "A televisão me deixou burro, muito burro demais. Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais."

É bem verdade que no caso das crianças depois da canção (1980) houve antes , havia  e haverá mais na frente "Vila Sésamo" (1972), "Sitio do Picapau Amarelo" (1952 primeira versão na Tv Tupi), Castelo Rá tim Bum" (1994) entre poucas, pouquissimas opções na televisão brasileira de entretenimento infantil como aliado da educação e da composição  do repertório cultural fundamental para a construção de cidadãos a altura do enfrentamento e superação dos desafios existenciais, profissionais e politicos no Brasil do século XXI.

Mas não foi isso o que vimos, a eleição de Bolsonaro e do congresso que veio junto com ele em 2018 e em 2022 com Lula, mostra o despreparo parcial ou completo de parcela considerável de brasileiros. despreparo que conta com um grande contributo dos grandes meios de comunicação de massa, mesmo "democratizados" pelo maior acesso e produção proporcionado pelas midias digitais.

O que fazer? A curto e médio prazo reduzir danos e a longo prazo superar por meio de escolas de educação integral, porém com melhores estrutura físicas e sem a parafernália técnico burocrática que temos no modelo implantado nas escolas de Sergipe, assim como por meio de mais cultura nas escolas. As leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc poderão contribuir bastante neste sentido.

Sobre a importância da ação cultural na vida de crianças, adolescentes e jovens, lembro do primeiro grupo de dança apoiado quando assumi a direção da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro América (AMABA), no inicio dos anos de 1990, sendo o mesmo  formado por meninas que faziam o clone ou cover das paquitas, muito  comum naquele tempo.. 

foto - divulgação
Quem estava  a frente eram sempre moças dedicadas ou tias jovens que moravam no bairro América, como em outras comunidades da periferia, depois fui encontrar essa situação no Conjunto Jardim dez anos depois, com a mesma referência televisiva e outras mais atuais daquele tempo.

Não demorou muito tempo e de 1991 em diante,  a AMABA com apoio da cooperação internacional (Cese e Visão Mundial) , conseguiu obter recursos financeiros para contratar professores com condições de trabalhar outros ritmos musicais e outros estilos de dança, assim como comprar aparelho de som, uniforme para ensaios, tecidos para confecção de figurinos e adereços, mão de obra da costureira, além de material de maquiagem

Detalhes acerca disso estarão presentes no segundo volume do Livro AMABA/Projeto Reculturarte

Voltando  a questão da comunicação é bem verdade, com o advento e popularização dos novos meios de produção cultural e comunicacional digital associado ao crescimento da internet, a televisão perdeu a exclusividade da produção e difusão do lixo cultural e informacional, assim como o inverso, como já dissemos, em escala minoritária com os programas de entretenimento preocupado com razões de ordem ética e estética. 

O que coloca enormes  desafios, como também boas oportunidades para famílias, escolas, espaços culturais e/ou comunitários, além de governos democráticos e de perfil humanista. 

Quanto a comunicação, seja via televisão/rádio, seja via plataformas de internet, a saída é começar um processo de discussão na sociedade e no parlamento brasileiro com vistas a regulação, baseado na legislação das melhores  democracias.

As televisões e rádios públicas devem intensificar a produção e divulgação de programação infantil inspiradas nos três programas citados acima, Vila Sésamo", "Sitio do Picapau Amarelo" "Castelo Rá tim Bum" , assim como no Programa Livre apresentado durante vários anos por Serginho Groisman no SBT e Rede Globo, no caso de adolescentes e jovens. Vale neste caso, citar também o programa Câmara Ligada, produzido e apresentado pela Tv Câmara, já com um bom tempo   no ar.

Também não posso esquecer de Confissões de Adolescente, uma das melhores séries para adolescentes e jovens na televisão brasileira, quiçá a melhor.. 

Finalmente o governo federal pode criar cinco canais simultâneos com o sinal digital da TV Brasil, sendo um deles com programação de qualidade voltado exclusivamente para crianças e adolescentes. O sinal digital tornou isto possível.

Zezito de Oliveira

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domingo, 12 de fevereiro de 2023

Aluna de 17 anos nota mil na redação do Enem diz que 'repertório cultural' foi diferencial





A Regulação da mídia está presente nos países mais democráticos do mundo

O que as classes dirigentes precisam entender é que não nos contentamos mais com uma democracia formal, ou de baixa intensidade. O povo brasileiro tem o direito humano a acessar informações plurais, de se fazer ouvir, de colaborar  debate público


Uma treta após a outra e tendo a educação, a cultura e a comunicação como pano de fundo.. 

sábado, 11 de março de 2023

Nota de Repúdio à Programação do Aniversário de Aracaju


Sabemos que é por meio da cultura que identificamos e celebramos o nosso povo. É no encontro promovido pelas linguagens artísticas que conseguimos nos reconhecer como parte do mesmo organismo, como membros de um mesmo local. Mais do que isso, a cultura promove conhecimentos múltiplos é cúmplice na efetivação de ações sociais, movimenta a economia. A nossa cultura sergipana é o nosso legado identitário, social e político e merece ser cultuada todos os dias e em eventos que promovam a nossa sergipanidade, deve ser presença obrigatória e não apenas cumprir uma pequena cota.

É com insatisfação que vemos o anúncio da programação do aniversário da cidade de Aracaju ser composta de forma a desconsiderar as diversas linguagens que existem e mantém viva as manifestações de nossa gente. Uma programação que, assim como as incipientes ações da Funcaju, não dialoga com os fazedores de arte do município e  nos mostra que a cultura não tem sido uma pauta de governo, nem recebe o protagonismo merecido sequer nas raras ocasiões em que se utiliza dela para promover EVENTO.  É revoltante perceber que mesmo nos é-ventos – ações pontuais, que passam como o vento como já está inscrito na palavra, ao contrário de políticas públicas que promovem a manutenção de uma sociedade – a parte que cabe à nossa arte é minimizada.

Repudiamos a programação de aniversário de Aracaju porque não lança um olhar para a nossa produção, nem conclama a sociedade civil a se identificar nas suas diversas linguagens, como o teatro, a dança,  o audiovisual, o circo, as artes visuais,  o artesanato, as manifestações populares, a literatura, entre outros. A  programação de aniversário da nossa cidade deve e merece ser múltipla, valorizando todos os setores, movimentando os fazedores e, também – embora os gestores parecem não saber – movimentam a economia. 

Repudiamos a falta de representatividade da nossa cultura, mesmo nas janelas que nos cabem nessas  programações e que são oferecidas como esmola, sem que sejamos os protagonistas como deveria ser. É o que acontece com o setor musical, que embora presente na programação lançada não faz jus à diversidade e potência da cena local.

Repudiamos a falta de conhecimento da nossa arte e de seus fazedores por parte dos gestores, inclusive daqueles que deveriam dialogar conosco e promover nosso trabalho, garantindo a perpetuação de nossas práticas. Precisamos que a atual gestão da Funcaju cumpra com seu papel, promova políticas públicas efetivas, cuide dos aparelhos de cultura abandonados - ou nos conclame para gestar  junto -, convoque os artistas para a construção coletiva, promova editais para seus é-ventos, escute e trabalhe para as nossas demandas. 

Faltam alguns dias para o aniversário da cidade de Aracaju e ainda é tempo de repensar a programação lançada, ainda é tempo de convidar de fato os artistas para a celebração, ainda há tempo de escutar aqueles que merecem estar presentes na festa. Esperamos que seja a última vez que precisamos demandar energia para repudiar atos que deveriam promover encontros, mobilizar pessoas e difundir nossa cultura. Esperamos que as nossas práticas sejam valorizadas para além dos discursos, que estejamos PRESENTES na atual gestão do município, pois sabemos da nossa importância.

Ainda há tempo!

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sábado, 4 de março de 2023

 

sexta-feira, 10 de março de 2023

Ecos da audiência Paulo Gustavo em Aracaju - A chapa esquentou ainda mais...

“Ele é mentiroso”, diz vereadora Ângela Melo sobre falas de Luciano Correia 

Em entrevista ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, desta sexta-feira, 10, a vereadora professora Ângela Melo (PT) rebateu as declarações do presidente da Funcaju, Luciano Correia, sobre a Audiência Pública que debateu a Lei Paulo Gustavo. Na oportunidade, a parlamentar desmentiu e desafiou o presidente. 

Luciano afirmou nessa quinta-feira, também no Jornal da Fan, que não participou da audiência por não ter sido convidado formalmente e que a discussão foi politizada. O movimento, segundo ele, foi organizado pelas vereadoras Ângela Melo e Sônia Meire. 

“Eu continuo indignada como mulher, porque o presidente da Funcaju está mentindo. Primeiro, porque a audiência pública não foi convocada pelo nosso mandato e nem pelo mandato da professora Sônia Meire. A audiência Pública foi convocada pela Comissão de Educação [da Câmara de Aracaju]. Eu sou secretária da Comissão, e o vereador Joaquim da Janelinha é o presidente”, disse Ângela.

E rebateu: “ele não foi convocado, ele foi convidado (...). Ele não tem direito de mentir, é essa a minha indignação. A audiência foi para discutir a cultura a partir da Lei Paulo Gustavo."

A parlamentar refutou a declaração de Luciano de que foi comunicada que havia um representante inadimplente com a Lei Aldir Blanc. “A audiência foi convocada pela Comissão de Educação e, como eu digo e afirmo: eu gostaria de estar frente a frente, cara a cara, com Luciano Correia para ele afirmar qual foi o dia, hora e local que ele conversou comigo”, desafiou. 

Para Ângela, Luciano foi contraditório. “Ele diz que não foi convidado oficialmente, depois ele diz que faço parte de uma facção. Facção é um termo pejorativo, não sei se ele faz parte de uma facção, acredito que não, mas eu faço parte de um agrupamento político dentro do Partido dos Trabalhadores, que é a militância socialista”.

Por fim, a parlamentar reforçou que está “na esperança que o senhor Luciano Correia, presidente da Funcaju, diga qual foi o dia, a hora e onde ele falou comigo. Porque ele é mentiroso, vá cuidar da cultura de Aracaju, vá dialogar com os artistas da terra, mas não vá promover mentira porque isso não fica bem para um homem público”.  

A vereadora afirmou ainda que falta uma política de cultura mais efetiva em Aracaju. Confira a entrevista completa a seguir: 

https://www.youtube.com/watch?v=bbet8_ClBpc


Acompanhe o desdobramento do caso

Fórum Permanente do Audiovisual de Sergipe (FPA) divulga nota de repúdio à entrevista do presidente da FUNCAJU, Luciano Correia

Ecos da Audiência Pública Lei Paulo Gustavo em Aracaju. A chapa esquentou.



https://www.youtube.com/watch?v=5Q7tii9o-qA



quinta-feira, 9 de março de 2023

Fórum Permanente do Audiovisual de Sergipe (FPA) divulga nota de repúdio à entrevista do presidente da FUNCAJU, Luciano Correia

Na manhã desta quinta-feira (09/03/2023), o presidente da Fundação de Cultura de Aracaju (FUNCAJU), Luciano Correia, em entrevista ao programa Jornal da Fan, demonstrou falta de conhecimento sobre a execução da Lei Paulo Gustavo (LPG) e ignorância sobre as obrigações que o seu cargo exige. Questionado sobre a sua ausência na audiência pública realizada no dia 03/03/2023 na Câmara de Vereadores, que contou com a presença de diversos artistas de diferentes setores, Correia justificou dizendo que a presença de um integrante do Fórum Permanente do Audiovisual de Sergipe (FPA) - a quem ele chama de maneira equivocada de “coordenador” - teria impossibilitado a sua ida ao local, personalizando a sua atuação e reduzindo a importância da função que assume enquanto gestor cultural. 

Dessa maneira, ele parece convenientemente esquecer que o órgão que administra é público e que ele - enquanto presidente da instituição - deve satisfações à população aracajuana.

O presidente se apropria de um caso isolado, relacionado a um integrante do FPA, o acusando de inadimplência na Lei Aldir Blanc, para deslegitimar a luta coletiva dos e das profissionais do audiovisual sergipano. A realidade é que a prestação de contas foi realizada de acordo com o que solicita o edital, mas há uma indisposição por parte da FUNCAJU para o recebimento da documentação. O próprio MPF, durante análise realizada e diante dos documentos apresentados (filme e relatório), já descartou a possibilidade de apropriação inadequada de verba pública.

Destacamos que o FPA não funciona de maneira verticalizada e que não temos “coordenadores”. O FPA é um coletivo organizado e composto por uma pluralidade de profissionais da área. Criado em 2010, o FPA passou a ser organizado oficialmente de maneira horizontal desde 2017, sendo composto por 03 (três) comissões permanentes (planejamento, jurídica e comunicação), que buscam por meio do diagnóstico participativo identificar as dificuldades do setor, traçar propostas de melhorias, propor planejamento e soluções para os problemas enfrentados pelos profissionais, além de acompanhar os investimentos públicos na cadeia produtiva do audiovisual.

O presidente da FUNCAJU disse ainda na entrevista que não seria “refém” de pressões e que os Fóruns são movimentos “informais”, o que ele classifica como “movimentos políticos, e não artísticos". O presidente parece desconhecer o fato de que a própria LPG (que ele inclusive elogiou) é fruto da mobilização POLÍTICA dos agentes culturais a nível nacional e que estigmatizar a política costuma ser uma ação recorrente daqueles contrários à democracia. O artista, bem como todo cidadão, tem todo o direito de se organizar coletivamente para cobrar que a gestão pública cumpra o seu papel.

O 2º parágrafo do artigo 10 da LPG determina que os órgãos estaduais e municipais promovam consultas à comunidade, incluindo  Fóruns Setoriais da Cultura, para construir os editais com o recurso que deve ser executado. Mesmo sem a regulamentação da LPG em âmbito federal, a FUNCAJU já poderia ter começado as oitivas com todos os setores desde 2022. Até esta manhã, não tivemos notícias de que a gestão municipal iria dispor desses espaços de escuta.

Comparecemos na Audiência Pública na Câmara de Vereadores, convocada pela vereadora   Ângela Melo (PT), pois compreendemos que esse espaço é legítimo e que serve como local de fala para que a população exponha seus questionamentos e reivindicações. Assim como representantes do FPA, estiveram presentes outros artistas sergipanos que também utilizaram a ocasião para apresentar as suas demandas. Inclusive, compareceram também vereadores do mesmo agrupamento político da atual gestão municipal como, por exemplo, Breno Garibalde (UB) e Fabiano Oliveira (PP). Apenas o presidente da FUNCAJU parece ter visto na presença de diferentes partidos um problema, chegando a dizer que a vereadora que convocou a audiência faz parte de uma “facção política”, demonstrando completo desrespeito a uma membra do poder legislativo e anunciando o seu próprio analfabetismo político e postura antidemocrática. Como escreveu Bertolt Brecht: “o pior analfabeto, é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos”. 

Na entrevista, Luciano Correia fala ainda sobre o sucesso da execução da Lei Aldir Blanc 1 (LAB), porém, na prática, não vimos o zelo que o presidente demonstrou em sua fala. Diversos problemas foram relatados por artistas de distintos setores, desde a comunicação inicial até o lançamento dos editais, passando pelas entregas das obras e pela prestação de contas.

Na época, o FPA construiu coletivamente uma proposta de edital para o setor que foi ignorada. O Fórum, inclusive, protocolou uma solicitação de reunião na FUNCAJU (1-56.664/2021), que poderia ter sido realizada por meio de videochamada, porém, o pedido foi arquivado sem resposta em 24/11/2021. Estruturas como o Núcleo de Produção Digital (NPD) poderiam, por exemplo, ter estado à disposição para orientar proponentes do audiovisual, mas essa e outras possíveis soluções não foram utilizadas por esta gestão durante a pandemia de Covid-19.

Reduzir a participação legítima e popular de indivíduos na construção de políticas públicas é incompatível com o que se espera de um gestor. Aguardamos a manifestação do prefeito Edvaldo Nogueira sobre este episódio e a reparação pública do senhor Luciano Correia.

Para entender  o contexto leia e assista, abaixo:

Ecos da Audiência Pública Lei Paulo Gustavo em Aracaju - A chapa esquentou.


Ecos da Audiência Pública Lei Paulo Gustavo em Aracaju. A chapa esquentou....

 Em entrevista ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, desta quinta-feira, 09, o presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), Luciano Correia, explicou os motivos de não ter participado de uma audiência pública na Câmara Municipal de Aracaju, que teve o objetivo de discutir a Lei Paulo Gustavo.


Segundo o presidente, não foi formalizado um convite e o debate foi  politizado. “Respeito quem politize suas ações, mas esse movimento partiu de duas vereadoras da oposição [Ângela Melo e Sônia Meire] com os grupos convidados ligados a essas facções políticas, que já querem encaminhar a discussão a partir de seus interesses próprios", disse.

 A entrevista completa pode ser conferida abaixo de duas maneira, mais resumida(somente Audiência da Lei Paulo Gustavo) e  a partir de 2:13:30, mais estendida.




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quarta-feira, 8 de março de 2023

Especial - Mulheres em 2022 no 8 de março


 Galeano, vale a pena conhecer a escrita, a memória e a grande imaginação desse uruguaio que nos deixou não faz muito tempo...


"Em memória de Eva, que levou toda culpa calada.

 Em memória de Agar, serva usada e depois expulsa de casa com seu filho.

Em memória de Lia, que rejeitada por seu marido, só foi valorizada por causa de sua fertilidade.

Em memória de Dina, filha de Lia e Jaco, estuprada por um príncipe da cidade.

Em memória da filha de Jefte, morta por causa de uma promessa de seu pai inconsequente.

Em memória de Maria, que grávida precisou de um anjo para convencer seu noivo de não fugir. 

Em memória da mulher que, se não fosse Jesus, teria sido apedrejada sozinha enquanto seu parceiro se omitia.

Em memória de Maria Madalena, Joana e Maria, tidas como loucas desvairadas pelos discípulos quando afirmaram ter visto o túmulo vazio. 

Em memória delas, que míticas ou reais, viveram silenciadas por uma sociedade patriarcal opressora, em que o machismo e' romantizado e muitas vezes disfarçado em forma de cuidado e proteção. 

Em memória delas e de tantas outras que até hoje vivem silenciadas pelo machismo institucionalizado e legitimado por uma leitura bíblica literal e descontextualizada.

Em memória delas não queremos flores, queremos voz. "

Texto: Carine Sant'Anna

https://www.youtube.com/watch?v=tvsDod0JXjA


quarta-feira, 12 de setembro de 2018