segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Virada de Lula impõe freio ao avanço da extrema direita na América Latina

 A “onda azul” varreu a América Latina. Colômbia, Peru, Chile, El Salvador, Argentina: a direita avançou, e faltava a joia da coroa. Mas o Brasil disse não. Depois de sair atrás no primeiro turno, Lula virou e venceu Flávio Bolsonaro por 51,8% a 48,2%. Viradas assim não caem do céu e podem servir de exemplo a outras democracias que estão tentando se salvar.

O que mudou não foi apenas o voto, mas as ruas e as redes. Jovens, fandoms, movimentos com gente que ama, tolera ou critica Lula se encontraram para barrar o retorno do bolsonarismo. Aprenderam a combinar redes e manifestações, humor e organização, sem depender exclusivamente de partidos. Quando a democracia entrou em jogo, divergências não desapareceram, mas deixaram de ser desculpa para a paralisia.

E a disputa esteve longe de ser limpa. Decisões no TSE ameaçaram o Exército de Lula, tocado por André Janones, no WhatsApp. A Meta admitiu falhas (sic) após denúncias de tratamento claramente desigual. Flávio foi buscar pressão nos Estados Unidos — sim, patriotismo de exportação: pede-se socorro estrangeiro para impor a própria vontade em casa.

A vitória impôs um limite ao trumpismo na maior nação latino-americana. Enquanto a maioria dos governantes de direita da região cumprimentaram Lula, Milei preferiu o silêncio. Há uma diferença entre a direita que reconhece a derrota e a extrema direita que só aceita eleições quando vence.

Mas ninguém encomende o enterro da extrema direita. Ela segue forte, financiada, influente nas redes e nas instituições. Tampouco o voto deu a Lula cheque em branco. Quem saiu às ruas terá de cobrar o governo, fiscalizar concessões e defender os direitos conquistados com luta — nunca presenteados por governantes.

O antídoto contra o autoritarismo não é um salvador da pátria, de vermelho ou amarelo. É uma sociedade que se recusa a ficar sozinha, a calar e a abandonar quem precisa. A eleição acabou. A disputa pelo futuro, não. 

Óleo sobre tela. A derrota. 2026.


 Começou com funk terminou em silêncio!
 O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu uma suntuosa casa no Lago Sul, bairro mais nobre de Brasília, para acompanhar o resultado do segundo turno das eleições. No local, bandeiras verdes, telões e um palco foram instalados com o objetivo de celebrar a ascensão do primogênito de Jair Bolsonaro à Presidência da República
Sob total euforia, aliados do candidato, já chamado de presidente, oscilavam gritos, fogos de artifício e a batida de funk que virou o jingle da campanha do senador. Ao mesmo tempo, apoiadores e integrantes da campanha bradavam: "O Flávio vem aí e o bicho vai pegar"…
 Os apoiadores acompanhavam a transmissão por um canal de televisão em altíssimos decibéis. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) entoava de tempos em tempos gritos de apoio ao senador por meio de um microfone: "Vai pra cima deles, Flávio
 RSSSSSSSSSS
 Pouco a pouco, porém, foi ficando claro que a festa começou antes da hora. Por volta das 20h, Lula retomou a liderança na apuração de votos e às 20h30 já não era mais possível ouvir uma voz vindo de dentro da casa onde estava toda a campanha de Flávio Bolsonaro.
Do lado de fora, ouvia-se apenas o barulho estridente das cigarras, inseto comum nessa época do ano em Brasília. Também não havia mais o fumaceiro do churrasco
Antes mesmo de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar o resultado das eleições, apoiadores e membros da campanha de Flávio começaram a ir embora, em um silêncio absoluto, exceto um homem que tirou a camisa verde e amarela e saiu esbravejando que o "Nordeste é o câncer do Brasil”




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