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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Lula reconhece. Brizola e Darcy Ribeiro tinham tinham/tem toda a razão quando o assunto é educação.

 

“É importante a gente ter humildade para reconhecer que muitos educadores do meu partido nunca aceitaram a ideia do Cieps”, disse o presidente. “Nós agora estamos nos rendendo ao Brizola e ao Darci Ribeiro que ficaram sozinhos defendendo a ideia da escola em tempo integral

O presidente Lula teve um gesto de grandeza e, ao mesmo tempo, de humildade, na última quarta-feira (7), ao aproveitar o anúncio do lançamento do novo Instituto Federal de Educação, que será construído no Complexo do Alemão, no centro do Rio de Janeiro, para pedir desculpas públicas ao ex-governador Leonel Brizola e ao educador Dary Ribeiro, pelo fato de seu partido ter sido contra e combatido as escolas de tempo integral que os dois defendiam e implantaram.

“Eu vou fazer um pedido de desculpas em nome da educação brasileira. Acho que eu tenho autoridade moral para fazer isso. Durante muito tempo esse Rio teve um governador chamado Leonel de Moura Brizola e teve um educador chamado Darci Ribeiro que fizeram os Cieps. E eles acreditavam que através da escola de tempo integral que a gente ia salvar as crianças do Rio de Janeiro. É importante a gente ter humildade para reconhecer que muitos educadores do meu partido nunca aceitaram a ideia do Cieps”, disse Lula.

“A escola de tempo integral era criticada. Porque não sei das quantas, etc e tal, e o Brizola ficava sozinho batendo. Ele e o Darcy Ribeiro”, acrescentou o presidente. Muitos educadores no Brasil criticaram os Cieps. Disseram que não era possível, que não era necessário e nós agora estamos nos rendendo ao Brizola e ao Darci Ribeiro”, prosseguiu Lula diante do prefeito do Rio, Eduardo Paes e de políticos do estado.

Educação: o Manifesto dos Pioneiros, 90 anos depois

Em 1932, documento marcou a defesa do ensino universal e laico. Construído por educadores como Anísio Teixeira, movimento enfrentou desigualdade entre a escola do povo e a da elite. Sua memória opõe-se ao contrassenso do “Novo Ensino Médio”

https://outraspalavras.net/outrasmidias/educacao-o-manifesto-dos-pioneiros-90-anos-depois/



Lula pede desculpas para Leonel Brizola e Darcy Ribeiro





Marinho a Brizola: “construir escolas, está bem… Mas não precisa disso tudo, faça umas escolinhas

Luiz Augusto Erthal

Não poderia publicar uma matéria sobre os Cieps sem dar um depoimento pessoal, por mais que me doam algumas das lembranças hoje sopesadas na distância desses 30 anos. Tive o privilégio de ver esse programa nascer e acompanhar cada passo da sua implantação. Talvez seja o jornalista que mais colocou os pés dentro dessas escolas, em muitas delas quando ainda se encontravam na fundação.

Estive no Palácio Guanabara, como jornalista e assessor de imprensa, nos dois governos Brizola (1983-1987 e 1991-1995). Cheguei em 1984 para participar de um projeto jornalístico, cujo objetivo era criar um caderno noticioso dentro do Diário Oficial do Estado, o D.O. Notícias, como ficou conhecido, uma estratégia para tentar enfrentar o cerco da mídia contra o governo. Fui designado pelo editor, Fernando Brito, mais tarde assessor-chefe de imprensa do governador, para cobrir as áreas de educação e esportes.

Passávamos os dias como combatentes às vésperas de uma grande batalha naqueles primeiros meses. Brizola conquistara o governo fluminense superando grandes obstáculos, desde atentados à sua vida até a fraude da Proconsult, uma tentativa desesperada de impedir sua chegada ao governo fluminense.

Havia uma enorme expectativa em torno dele desde a posse no Palácio Guanabara, que mais pareceu a queda da Bastilha, com o povo ocupando de forma descontrolada aquele símbolo de poder.  Afinal, nos estertores da ditadura, cada naco de poder reconquistado pelo povo era valioso. Vigiado de perto pelos militares, que permaneciam ainda no controle, bombardeado pela mídia conservadora e sufocado economicamente, Brizola tinha pouco espaço de manobra. Até que algo aconteceu.

“Agora esse governo começou!”, lembro bem da exultação do Brito ao voltarmos da apresentação do projeto dos Cieps, com a presença de Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, no Salão Verde do Palácio Guanabara. Uma revolução havia sido colocada em marcha. Estava claro para todos nós.

Brizola não tinha condições políticas de retomar naquele momento, como nunca mais teve, a reforma agrária e as outras reformas de base preconizadas por ele e por Jango em 64. No entanto, cria como ninguém no poder transformador da educação. Órfão de pai, que morreu emboscado ao retornar da última revolução farroupilha, em 1922, ano do seu nascimento, Brizola e seus irmãos foram alfabetizados pela mãe em Carazinho, interior do Rio Grande do Sul. Calçou os primeiros sapatos e usou a primeira escova de dentes aos 12 anos, na casa de um reverendo metodista, cuja família o adotou. Pode, então, estudar até formar-se em engenheiro. Fora salvo pela educação.

Quando governador do Rio Grande do Sul (1958-1962), construiu nada medos do que 6.300 escolas. “Nenhum município sem escola”, era o lema. Mas a realidade do Rio de Janeiro nos anos 80 era bem diferente. Ao retornarem do exílio, após 15 anos, Brizola e Darcy se depararam com a obra macabra da ditadura: o inchaço das grandes cidades, a favelização, a desestruturação familiar e o surgimento do crime organizado, que separavam, como bem sabemos hoje, nossos jovens de seu futuro. Aquelas escolinhas alfabetizadoras e formadoras de mão-de-obra técnica e rural do Rio Grande do Sul não resolveriam o problema do Rio de Janeiro pós-golpe.

A solução: uma escola integral em turno único, ofertando educação, cultura e cidadania; mantendo os jovens durante todo o dia longe das ruas e da sedução do crime organizado; dando alimentação, assistência médica, esportes e muito mais. Tudo isso, porém, tinha um custo e exigiria a ruptura de um velho paradigma da política brasileira – de que os recursos públicos sejam colocados à disposição das nossas elites e não do povo. A inobservância desse princípio levou o presidente Getúlio Vargas ao desespero e suicídio; o presidente João Goulart à morte no exílio e a presidente Dilma, agora, a um completo isolamento político, culpados, todos eles, por fazerem transferência direta dos recursos públicos para o povo e não para as elites.

Logo após o lançamento do programa dos Cieps, Brizola ainda tentou estoicamente obter o apoio do então presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho. Sabia o quanto ele seria capaz de influenciar, para o bem ou para o mal. Apresentou-lhe pessoalmente o projeto e nos relatou depois:

“Ele olhou, olhou, olhou e não disse uma palavra. Em uma segunda oportunidade em que nos encontramos, eu cobrei: ‘Então, doutor Roberto, o que achou do nosso projeto’. Então ele disse: ‘Olha, governador, se o senhor quer construir escolas, está muito bem. Mas não precisa disso tudo. Faça umas escolinhas… Pode até fazê-las bonitinhas, tipo uns chalezinhos…’.” Depois disso não houve mais diálogo entre eles.

Os Cieps começaram a brotar do chão com a arquitetura inconfundível de Oscar Niemeyer. Eu fazia sobrevoos de helicóptero para fotografar as obras e, vistas do alto, indisfarçáveis, pareciam pragas que irrompiam da terra árida dos subúrbios e das cidades da Baixada Fluminense. Era a praga rogada pelo povo esquecido que, enfim, tomava sua forma visível e ameaçadora, pois apontava para uma nova ordem.

“As gerações formadas pelos Cieps farão por este País aquilo que nós não pudemos ou não tivemos a coragem de fazer”, afirmava Brizola. Esta, e só esta, é a razão do ódio e do horror que essas escolas incutem até hoje em nossas elites.

Eles ainda estão aí. Descaracterizados, desconstruídos, desativados, degradados. Mas cada um desses 508 Cieps ainda traz consigo a semente da grande revolução sonhada por Brizola e Darcy. São quinhentas “toras guarda-fogo” feitas de concreto armado, uma imagem dos pampas gaúchos com que Brizola gostava de ilustrar o futuro do nosso povo:

“Às vezes a fogueira do gaúcho parece ter-se apagado à noite, mas existe sempre a tora guarda-fogo, que esconde aquela centelha interior. Pela manhã, basta assoprá-la para a chama ressurgir.”

Tem mais coisas, mas começo pelo depoimento pessoal que dá, no qual eu tenho culpa, porque “matriculei-o” por dois anos nos Cieps, em horário integral. Mas como jornalista, capaz de trazer detalhes, propostas, conquistas e dificuldades do mais ambicioso projeto educacional que este país já viveu. Ia dizer já viu, mas não o posso fazer porque não viu, pois essa revolução educacional, que mobilizou milhares de professores e centenas de milhares de crianças, jovens e adultos, numa área construída maior do que Brasília, na sua inauguração, foi criminosamente boicotada pela mídia.

Uma grande e generosa aventura, que jamais sairá de nossos corações, de nossas vidas e de nossos sonhos, que deixo que ele conte, porque o faz melhor que eu.

O LIVRO DOS CIEPS - POR DARCY RIBEIRO. baixe AQUI 






"A maioria dos manifestantes era composta por homens (62%), brancos (65%) e com ensino superior (67%), segundo levantamento conduzido pelos pesquisadores do grupo, coordenado pelos professores Pablo Ortellado e Márcio Moretto Ribeiro.

Os resultados da pesquisa mostram um cenário distinto do perfil étnico da população em geral. O Censo 2022 do IBGE indica que 45,3% dos brasileiros se autodeclaram pardos, e 10,2% se dizem pretos. Na manifestação da Avenida Paulista, esses grupos representavam 26% e 5% dos presentes, respectivamente.

A renda média dos manifestantes também não reflete a situação econômica da maioria do eleitorado no Brasil. Foram 10% os que disseram ter renda familiar de até dois salários mínimos por mês, contingente equiparável aos 9% que relataram ganhos superiores a 20 salários mínimos mensais. Mais da metade informou recebimentos que os enquadra numa faixa de renda média ou média-alta: 26% disseram ganhar entre três e cinco salários mínimos, e 25% afirmaram receber de cinco a dez salários mínimos por mês.

Só 3% dos manifestantes têm idades entre 16 e 24 anos. Numericamente, os maiores grupos etários que participaram do ato bolsonarista foram os de 55 a 65 anos (25%), de 45 a 54 anos (23%), de 35 a 44 anos (21%), e acima de 65 anos (19%). Considerando a margem de erro estimada em quatro pontos percentuais para mais ou menos, não dá para precisar qual desses segmentos estava em maior número na Paulista. Mas é possível afirmar que os jovens eram franca minoria na multidão.

Cerca de dois terços (66%) dos participantes do ato são moradores da região metropolitana de São Paulo, enquanto 34% disseram viver em outras regiões. Foram organizadas caravanas que chegaram à Paulista vindas de diversos estados, como Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Apesar da identificação do bolsonarismo com o público evangélico — um dos organizadores do ato foi o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo —, os católicos estiveram em maior número na manifestação: eram 43% dos participantes. Os evangélicos foram 29% do público, contra 11% que se declaram espíritas/kardecistas e 10% que disseram não seguir nenhuma religião."


domingo, 9 de novembro de 2025

Como politicas públicas e programas com arte, cultura e esporte podem ser aliadas vigorosas das estratégias de segurança pública em territórios conflagrados ou prevenir para não chegar a esse ponto?

 Fico feliz por essa fala do deputado Glauber Braga que coloca a mesma questão que destaco via blog da cultura, mesmo antes da repercussão da maior chacina policial no Rio de Janeiro. Além de um forte aparato de inteligência policial e financeira como fez o governo federal com a operação carbono oculto, e de integração das polícias estaduais com a polícia federal, como propõe a PEC da Segurança apresentada pelo ministro Lewandowski, , também um forte investimento em ações integradas de educação, cultura e esporte, e o Rio de Janeiro já teve os CIEPs como exemplo. O que falta é pautarmos isso no debate publico, porém sem generalidades e sem negar o papel da polícia, mas desde que não seja sob o comando único de quem só quer tirar proveito da situação de abandono que vivem os pretos e pobres na periferia. Sem contar que temos os exemplos das cidades de Medellin e Bogotá na Colômbia, os CEUs e os Pontos de Cultura. No aguardo de mais veículos de imprensa, parlamentares, pesquisadores acadêmicos, institutos de pesquisa e etc,, colocarem em evidência essa questão da integração das politicas de educação, da cultura e do esporte em articulação com a área da segurança pública.

Zezito de Oliveira - editor do blog da cultura

Glauber Braga Se os CIEPs que o Brizola fez lá atrás tivessem continuado, estaríamos em outra situação.



O deputado federal Glauber Braga (@glauberbraga_oficial) propõe virar o jogo no debate sobre segurança no Rio. Em vez de repetir a lógica da repressão que fracassou por décadas, o deputado defende ouvir quem vive nas favelas e construir alternativas com as próprias comunidades — lembrando o legado de Brizola e dos CIEPs como exemplo de política que poderia ter mudado a história.C
Para ler outras postagens sobre CIEPs, CEUs, Pontos de Cultura , Vocacional, Escolas Parque e etc. Clique AQUI

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

É tempo do Vocacional (SP) CIEPs (RJ), do Proac (PE), dos CEUs (SP), dos Pontos de Cultura (BR), mesmo sob fogo cruzado da guerra midiática contra a verdade. Por Zezito de Oliveira

 Ao final o campo de batalha não começa e nem termina no território fisico onde tombaram os 126 corpos, incluindo os corpos dos policiais, daqueles que não eram criminosos e dos piabinhas do comércio ilegal do tráfico, mesmo que ostentassem figurinos de combatentes e aparato bélico poderoso.


Na verdade, antes e depois da operação de guerra, por muitos chamada de operação policial,  o campo de batalha são as nossas mentes e nossos corações e a luta por isso é árdua, longa e renhida.

É  luta no campo cultural, aqui compreendendo como arte, educação, comunicação e religião. E não acontece somente nos grandes espaços , como nos pequenos, não é uma luta para vencer campanha eleitoral apenas, é luta de todo dia.. E exige dos lutadores que defendem o humanismo radical sabedoria sempre em escala ascendente... Ou avançamos, ou  triunfo da barbárie capitalista neoliberal e neofascista.. E se brincar, nem humanidade sobrará..

Por isso, é tempo de falar do Vocacional (SP), dos  CIEPs (RJ), do  Proac (PE), dos CEUs (SP), dos  Pontos de Cultura (BR). É tempo de falar de como Bogotá e Medellin na Colômbia conseguiram  tornar uma potente politica cultural de base comunitária  aliada da segurança pública..                 

            É tempo de falar do programa "Escolas de Vizinhos", ou "Escolas de Encontros", também conhecido  como "Schollas Ocurrentes" criado em Buenos Aires pelo cardeal Bergholio que transformou-o em programa pontifício quando se tornou Francisco.                      

 Uma boa pauta para veículos de comunicação do campo progressista, inclusive das igrejas, dos parlamentares progressistas discutir e propor nos parlamentos  e principalmente para prefeitos e governadores progressistas.  Contem sempre com o blog da Cultura e com a Ação Cultural para colocar os exemplos citados acima em evidência. Este momento de tanta dor e sofrimento oferece condições favoráveis nesse sentido.

Zezito de Oliveira
educador, agente cultural e editor do blog da cultura

Leia também:

Operação Contenção e Carbono Oculto expõe projetos distintos de país e a escolha está diante de nós

Diferenças não são apenas técnicas, são políticas e ideológicas


ONG na Cidade de Deus exibe faixa no telhado pedindo ‘calma’ durante operações policiais

Com a frase “Calma! Aqui tem sonhos, crianças e famílias”, prédio que abriga organização já foi alvo de disparos de helicóptero em outras ocasiões

Rio de Janeiro paga “o alto preço da ignorância”

 29 de outubro de 2025

Uma “operação” que não ocorreu num momento qualquer: por um lado, um grupo político que só consegue mobilizar a partir do caos e do medo – e vinha perdendo espaço e narrativa – reconquista seus instrumentos clássicos de manipulação. Por outro lado, o governo dos Estados Unidos, em nome de uma suposta “guerra às drogas”, manda embarcações de guerra para a costa América do Sul – atitude saudada e celebrada por ícones da extrema direita brasileira entreguista.

Quando a população das comunidades precisa empilhar em praça pública seus mortos, para que todos sejam contabilizados – ato que simplesmente dobrou o número de mortos de cerca de 60 para mais de 120, é porque o Estado faliu e falhou em sua missão de garantir segurança a todos e todas. O que o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), insiste em chamar de “operação bem-sucedida” é, na realidade, a maior chacina da história do Rio de Janeiro.

Esta não é apenas uma nota de repúdio. É uma nota de lamento profundo. Há 40 anos, antes mesmo da promulgação da Constituição de 1988, o Rio de Janeiro construía os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs). Uma rede de escolas em todos os cantos do estado, com ênfase na periferia e nos morros, que garantia às crianças (em turmas com número adequado de alunos) educação integral, alimentação, assistência médica e odontológica – e, principalmente, profissionais valorizados.

O projeto dos CIEPs foi criticado, desmontado e destruído, sob o argumento de ser muito dispendioso. Mas, seu idealizador, Darcy Ribeiro, dizia que cara, mesmo, era a ignorância.

Quarenta anos depois, a presença do Estado nas periferias apenas em “operações” policiais que custam centenas de vidas nos apresenta o alto preço da ignorância denunciado há algumas décadas por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

Mais que repudiar a ação da última terça-feira, o Sinpro lamenta profundamente a falência da educação no estado do Rio de Janeiro, que foi substituída por um forte aparelho de opressão extremamente violento – a mesma lógica que permeia a ideia da militarização das escolas tão defendida pelo governo Ibaneis Rocha no DF, e por outros representantes da extrema direita Brasil afora.

A ignorância custa caro. À sociedade e ao Estado.

Sindicato dos Professores no DF



Dado revelado na sondagem mostra que situação nas comunidades mais pobres do país, onde o crime organizado impera, é insuportável para os habitantes, que exigem mudanças


P.S.: - Mesmo antes de terminar o artigo acima pensei em fazer um Pós Escrito destacando também a  necessidade de mais investimento em inteligência policial e financeira como fez o governo federal de forma exemplar na operação carbono oculto, na necessidade da adesão de todos os governadores a PEC de Segurança que fortalece o Sistema Único da Segurança Pública, uma politica de segurança pública desenhando pelo Ministério da Justiça sob a batuta do ministro Lewandoski, assim como o uso da força policial quando necessário, ou seja, uma compreensão de segurança pública como um questão sistêmica e intersetorial.
Todavia o avançado da hora e o cansaço não nos deixou fazer isso, e até foi melhor assim porque agora pela manhã me deparo com o editorial do Canal Fórum através do jornalista Renato Rovai que foi muito feliz em sua fala, e que pode ser conferida abaixo.

Só  discordo de Renato Rovai quando ele não evidencia a importância da discussão do que ele chama de discurso sociológico junto e misturado com a necessidade da inteligência , da articulação politica e social e uso da força policial, no caso dessa última, sempre precedida das duas premissas que levantamos aqui..
Do contrário, é como afirma a jovem estudante abaixo, operação lambança:

 LUGAR DE CRIMINOSO É NA CADEIA. A clareza de @simonetebetbr sobre a posição do governo Lula: não queremos chacina, nem sangue nas ruas. Queremos cooperação, inteligência, investigação. A paz não nasce do gatilho, mas da razão e coragem de enfrentar o crime pela raiz: o dinheiro.



TIO REI CORRIGE JORNALISTA AO VIVO E DETONA GOVERNADOR DO RIO, CLAUDIO CASTRO | PLANTÃO NA BAND






Este vídeo https://www.youtube.com/live/zdc-o0-8vOY  é da pesquisadora e professora Jacqueline Muniz, na área de seg. pública, no Tutaméia que participou da escrita dos planos de segurança dos governos Lulistas e que faz críticas ao próprio. 
Ela apresenta um conjunto de aspectos que eu não conhecia e fala sim de suas propostas e análises. Fala aceleradíssima, vale ouvir e desdobrar.
No entanto, há críticas fortes a algumas análises que ela faz, de pessoas que tratam do tema. 
De qualquer forma, penso que um desafio nosso é levantar e apresentar de forma o mais didático possível quais são os vários elementos que constitui esta trama. 
São 2h33m de "entrevista" (ela é uma metralhadora). 
Fala da grande gang, que é o que o Estado está fazendo, contra todas as táticas, estratégias, técnicas e o escambau da área de seg.públ. 
Ela faz um raio-x da inconsistência dos debates e declarações. Aponta o quanto, direita, esquerda e população estamos imersos na ignorância do que significa segurança pública. Caímos na armadilha do debate espetáculo. Vale muito assisti-la e anotar.
O casal, figuras, Tutaméia conseguem perguntar pouco. Mas ela tem muito a apresentar. E apresenta, desenha, esmiuça...
Vale assistir e desdobrar.

UFF se manifesta após Jacqueline Muniz ser ameaçada por criticar massacre no RJ

Universidade Federal Fluminense divulgou uma nota pública sobre o caso envolvendo a docente do Departamento de Segurança Pública da instituição

https://revistaforum.com.br/brasil/2025/11/2/uff-se-manifesta-apos-jacqueline-muniz-ser-ameaada-por-criticar-massacre-no-rj-191138.html

Milícia é crime organizado, 'ensinou' o tráfico e apoia Castro | Poder em Pauta


Para saber sobre o Vocacional
Professor Luigy Marks no "Ao Vivo" sobre Anísio Teixeira, Paulo Freire e Ginásio Vocacional.


Professor Daniel Ferraz no "Ao Vivo" sobre Anísio Teixeira, Paulo Freire e Ginásio Vocacional.




Sobre o Proac
Live Ação Cultural com Reginaldo Veloso

Sobre os CIEPs




Animação Cultural: uma inovação pedagógica na escola pública fluminense dos anos 1980  


Animação Cultural nos CIEPs



“Governador, faça umas escolinhas…”

Roberto Marinho tentou fazer Brizola abortar o projeto desde o início




Sábado, 3 de agosto de 2019

CEUs impactam na redução da evasão escolar e do percentual de homicídios nas regiões atendidas





Sobre Pontos de Cultura

Canção Ponto de Cultura - Leci Brandão




Ponto de Cultura (Ao Vivo) Leci Brandão

Você se apropriou
Da nossa identidade
Você nos expulsou
Do centro da cidade
Você não publicou
aquela entrevista
Você não revelou que sou protagonista

[x2]
Só porque você tem poder
Acha que vai nos convencer
Estamos prontos pra valer
A nossa força é o saber

[x2]
Tem hip-hop na comunidade
Tem grafiteiro com dignidade
O teatro é realidade
Também tem literatura
Dançadeira a sua vaidade
Capoeira toda liberdade
A bandeira da sinceridade
Salve o ponto de cultura

[x2]
Só porque você tem poder
Acha que vai nos convencer
Estamos prontos pra valer
A nossa força é o saber

[x2]
Tem hip-hop na comunidade
Tem grafiteiro com dignidade
O teatro é realidade
Também tem literatura
Dançadeira a sua vaidade
Capoeira toda liberdade
A bandeira da sinceridade
Salve o ponto de cultura

[x4]
Só porque você tem poder
Acha que vai nos convencer
Estamos prontos pra valer
A nossa força é o saber

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Essa história de “racismo reverso” não é a primeira fraquejada do Antônio Risério.

Antônio Risério teve destaque na semana que passou por conta de um  artigo infeliz que publicou na Folha de São Paulo, onde fez afirmação acerca do racismo de negros contra brancos, evidentemente,  destaque para leitores do jornal e principalmente dos sites e canais progressistas no Youtube.

Mas, quando Lula assumiu o governo em 2002, Antonio Risério esteve como um importante assessor no Ministério da Cultura. Naquele momento era o responsável por um programa de implantação das BACs (bases de apoio a cultura) uma boa ideia em teoria,  

Portanto, caso esta  fosse adiante, seria a primeia grande “fraquejada” de Antônio Risério, quiçá com boas intenções. Fraquejada que resultaria em prejuízo a médio e longo prazo para milhões de brasleiros, não apenas financeiro, como politico. Mais abaixo, explico melhor.

Mas quem é Antônio Risério, segundo a Wikipedia, entre outras informações:



“Em 1968, fez política estudantil, mergulhou na contracultura, sendo preso como subversivo pela ditadura militar aos dezesseis anos de idade.

Em 1995, defende tese de mestrado em Sociologia com especialização em Antropologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Elaborou o projeto geral do Cais do Sertão Luiz Gonzaga, no Recife. Trabalhou no Ministério da Cultura juntamente com Roberto Pinho na implantação das Bases de Apoio à Cultura durante a gestão de Gilberto Gil até ele ser exonerado do cargo, por ter sido acusado pelo secretário-executivo do ministério, Juca Ferreira, de irregularidades no contrato firmado com o IBRAC (Instituto Brasil Cultural). Nesta ocasião Antonio Risério e mais dois assessores do ministro Gilberto Gil pediram demissão.

Tem feito roteiros de cinema e televisão e diversos ensaios sobre urbanismo e história da Bahia e do Brasil. Muitas composições suas foram gravadas por importantes artistas da música popular brasileira, sendo considerado um herdeiro da Tropicália.”  

Memórias - Antonio Risério, Poético Político

https://www.youtube.com/watch?v=hV0zq0eYs8A&t=2s

 

Para Ser o Sol (Antônio Risério e Armandinho) - A Cor do Som


Antes de começar a explicar , trago declaração importante de Célio Turino, idealizador do programa Cultura Viva,  em seu perfil pessoal no facebook.

“Pensar que o redator dos discursos programáticos de Gilberto Gil no Ministério da Cultura foi Antônio Risério. Ele saiu do ministério em razão de crise interna ao final de 2003, por conta das BACs (bases de apoio à cultura). 

Quando eu cheguei no MinC em 2004, convidado para assumir a Secretaria de Programas e Projetos Culturais (depois, Cidadania Cultural) formulei o programa Cultura Viva e propuz trocar as BACs pelos Pontos de Cultura, no que Gil compreendeu e apoiou. Interessante acompanhar os caminhos.”

Agora sim, porque as BACs não dariam certo...

Porque as BACs se constituiriam  na construção de  grandes estruturas físicas, isso seria um grande negócio para construtoras e prefeitos e governadores ávidos por projeção politica por meio de obras vistosas e bonitas, mas para um grande número de agentes culturais e educadores...... Continue a leitura para entender o porquê.....

Quando a proposta foi lançada eu me lembrei dos CIACs. 

Mas o que eram os CIACs ou CAICs como depois ficou mais conhecido?  Vamos nos valer do  Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. 

"Os CIACs foram instituídos em 1991 pelo governo Collor como parte do “Projeto Minha Gente”, inspirados no modelo dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), do Rio de Janeiro, implantados na gestão de Leonel Brizola. O objetivo era prover a atenção à criança e ao adolescente, envolvendo a educação fundamental em tempo integral, programas de assistência à saúde, lazer e iniciação ao trabalho, entre outros.

Sofreu as mesmas críticas dos CIEPs, inclusive a do potencial de clientelismo político implícito em um projeto de construir 5 mil escolas em todo o país a um custo de dois milhões de dólares por unidade, sem que o governo federal dispusesse de meios financeiros e humanos para operá-las. Alguns educadores criticaram esse tipo de projeto (CIEPs e CAICs) dizendo que seria mais eficaz gastar-se recursos no modelo de rede escolar já existente, atendendo-se um maior número de crianças.

O fim do governo Collor não significou o fim do projeto dos CIACS. Para não perder os investimentos já realizados, da ordem de um bilhão de dólares, o ministro Murílio Hingel decidiu dar continuidade ao programa em outros termos, inclusive pela alteração de sua sigla, com gastos previstos de 3 bilhões de dólares para o período 1993-1995. A partir de 1992 passaram a se chamar Centros de Atenção Integral à Criança (CAICs)."


Foto tirada por Ronaldo Lima no CAIC do Conjunto Jardim no ano de 2004. Adelmo ex-aluno e dançarino de bandas de forró e o autor deste artigo. Percebe-se no cenário ao fundo e em volta a imagem da decadência.

E quanto ao Cultura Viva, em especial os Pontos de Cultura, a principal ação do programa, porque é melhor que a proposta das BACs? 

Quem acompanhou o processo de nascimento, crescimento e decadência dos CIACs/CAICs, percebe que a maioria dos equipamentos ou estão desvirtuados, reduzidos, limitados ou vieram abaixo. 

Tive contato com um deles, localizado no Conjunto Jardim, região metropolitana de Aracaju. O prédio literalmente veio abaixo e durante semanas a população pobre da área levou para casa, portas, janelas, torneiras, ferragens e etc.. Para saber mais, acesso os links abaixo:

1- Secretário visita escolas no Conjunto Jardim 

https://www.seed.se.gov.br/noticia.asp?cdnoticia=537

2 - Alunos temem desabamento de Caic no Marcos Freire

https://infonet.com.br/noticias/educacao/alunos-temem-desabamento-de-caic-no-marcos-freire/

3- Telhado do Caic do conjunto Jardim cai e mata adolescente

https://a8se.com/noticias/sergipe/telhado-do-caic-do-conjunto-jardim-cai-e-mata-adolescente/

Importante lembrar que isso também acontece com muitos Praças da Juventude ou com os CEUS da arte e da cultura, como ficou conhecido programa semelhante as BACs que retorna com este nome. Embora alguma medidas para evitar o que aconteceu com os CIACs/CAICs no longo prazo foram tomadas desde o nascedouro dos CEUs. Vale uma pesquisa acadêmica sobre como se encontram os CEUs atualmente. 

Para saber mais sobre os CEUs da cultura e do esporte, clique abaixo:

Centros de Artes e Esportes Unificados

https://pt.wikipedia.org/wiki/Centros_de_Artes_e_Esportes_Unificados

E por que os Pontos de Cultura é uma proposta melhor para a reconstrução do Brasil?


Mosaico com atividades de Pontos de Cultura sergipanos

Porque há uma cultura viva que não precisa de grandes estruturas para existir e re-existir.

Porque há uma produção cultural nas cidades e no campo, que não pode depender sempre da boa vontade dos prefeitos, governadores e presidentes de plantão. São organizados em grupos e associações de base comunitária, acostumadas a uma situação de autonomia, mais ou menos, a depender de uma série de fatores internos e externos. Como o programa Cultura Viva investe  na autonomia em termos bem práticos, colabora muito para a criação de uma relação mais madura do estado com a sociedade civil, não pautado mais no paternalismo e no clientelismo, porque a dependência direta em termos financeiros e da autorização para utilização do espaço físico estatal, muitas das vezes esbarra na cobrança de vinculação do grupo ou da associação cultural ao agrupamento politico que esta na prefeitura ou no governo do estado.

Mas nem tudo foram flores nos Pontos de Cultura, e até hoje tem uma série de pendências no campo juridico e politico para serem resolvidas.

E por que isso acontece?

Porque a maiorias dos convênios dos orgãos de governo firmados  com grupos culturais formalizados por meio de associação civil sem fins lucrativos, foram baseados na lei 8.666/2016.

Esta lei regula tanto convênios para a construção de hidrelétricas como para atividades socio-culturais-educativas.

Este convênio tem como base uma série de filigramas contábeis e juridicas, que para serem atendidas precisa de um aparato logistico em termos de burocracia que somente os orgãos de estado e grandes ONGs podem ter...

Contribuição de Jussione Hora Reis ao debate proposto nessa postagem.

Conhece esse vídeo? Cultura é basicamente criatividade.



(primeiro artigo da série educação popular , ação cultural de base comunitária, comunicação alternativa e economia solidária para a reconstrução do Brasil)

Este artigo interativo se aproveita da polêmica de outro artigo do Antônio Risério e visa discutir um tema que precisa entrar na agenda politica, o fomento a cultura da periferia e dos grotões. Pretendemos prosseguir com o mesmo. Você pode colaborar com comentários e perguntas.
As mesmas serão consideradas para efeito de publicação na continuidade do artigo...
O mesmo servirá como base de roteiro para uma live que pretendemos realizar até o meio deste ano...Uma não, várias lives cuja temática será educação popular, ação cultural de base comunitária, comunicação alternativa e economia solidária para a reconstrução do Brasil.