quarta-feira, 13 de junho de 2018

Três símbolos potentes. Papa Francisco, o Terço e Lula. Juntos, explodem como uma bomba ou fogo de artificio semiótica.


 Por Zezito de Oliveira

"Quem se informou sobre o assunto no inicio da manhã do dia 12/06,  soube  uma noticia, da metade da manhã até o final da tarde já tinha acesso a outra versão. 

No meio da noite já havia o meio desmentido e por volta das 22h a versão final voltava a primeira narrativa. No meio da tarde quem nos fez refletir melhor e aguardar com mais tranquilidade uma conclusão desse  "imbroglio" noticioso , foi o jornalista Mauro Lopes e um programa na TV 247.

Mas quem ficou com a versão oficial repercutida por grandes veículos, referendada por agências "suspeitas" de checagem de fake news, ficou nervoso e preocupado de um lado, e do outro satisfeito e lambendo os beiços com a descoberta de uma "treta" do advogado Grabois, representante do Papa Francisco junto com os blogs progressistas e o PT."


O aviso da visita de  Juan Grabois a Lula no dia 11/06 (terça-feira),  enviado do Papa Francisco, circulou na semana passada.  No dia e horário anunciado,  a frustração da visita não ser liberada, embora com aviso prévio e a consequente reação indignada  em declarações a mídia independente que faz a cobertura da vigília Lula Livre.

 

Durante o dia 11/06 (terça-feira),  a circulação nas redes sociais da bonita foto de um Rosário, presente do Papa à Lula, entrevistas com o representante do Papa, muitos vivas ao gesto do Papa e de Juan Grabois, evidentemente,  por parte de quem está  ao lado da justiça e da democracia no Brasil, consequentemente a favor da libertação de Lula, porque já está provado que o processo que condenou Lula é fraudulento, inclusive deixou  marcas e digitais comprovando isso.

É este,  o segundo gol em sequência,   de quem joga no time da justiça e da democracia. O primeiro na semana passada foi o depoimento do ex-advogado da Odebrecht, Tacla Duran, que comprova quem  e como usou de má fé dentro da operação Lava a Jato.

Mas já no final da noite da terça-feira, algumas vozes mais distantes, sugerindo que o papa não teria feito o gesto de enviar representante e nem presenteado Lula com um  Terço, mas essa versão era muito fraca, de uma certa maneira, quase imperceptível, apenas sussurros de quem espalhava ou levantava suspeitas.

 

Mas, no meio da manhã de quarta-feira(12/06), a versão contrária a primeira narrativa exposta até aqui explode, “O PT teria espalhado uma fake news”, o Papa não enviou representante nenhum e apenas abençoou um Terço, que poderia ser presenteado a qualquer pessoa, sem distinção.

As reações de alguns católicos de esquerda foram de decepção e desalento. E agora? Da minha parte, preferi aguardar mais informações. Quem deu a pista que negar o gesto do Papa, é parte de uma guerra interna dentro do Vaticano foi o jornalista Mauro Lopes, o jornalista brasileiro mais especializado e acreditado em assuntos relacionados a igreja católica.

Em textos e vídeos do portal 247, Mauro lembrava que isso aconteceu anteriormente com o caso do telefone do Papa à familiares de Mariele, quando foram levantadas dúvidas quanto a veracidade do telefonema do Papa, e que só foram retiradas, quando Francisco mesmo confirmou. 

Por outro lado, pensei, quão ousado e leviano poderia ser o advogado Juan Grabois, visitar Lula utilizando o nome do Papa e  sem o seu consentimento? Não me pareceu convincente, sobretudo por ter lido antes do "imbroglio" noticioso um resumo biográfico dele e sobre as suas relações de amizade e de cooperação desde os tempos do  então cardeal Bergoglio. 

Mas no meio da noite do dia 12/06, uma retificação da nota veiculada anteriormente pelo site de noticias do Vaticano, o qual levou a um clima de desconfiança com relação a Juan Grabois,  ao PT e aos blogs progressistas que divulgaram a primeira informação, a qual foi divulgado exaustivamente por veículos apoiadores do golpe e da fraude processual contra Lula, ao contrário da primeira noticia referente a visita do representante do Papa a Lula.

Uma lição que o Papa ensina a esquerda  que governa  cidades, estados e países, não se pode confiar e deixar levar pelos serviços oficiais das estruturas do poder , seja  ele eclesiástico ou estatal. Sem negar a existência desses, faz-se necessário buscar se aliar, fortalecer e criar estruturas mais leves , mais ágeis e mais comprometidas com a emancipação humana. 

Outra lição que esse episódio reforça, é preciso fortalecer cada vez mais opções alternativas de comunicação, corrigindo um erro dos sindicatos e das centrais sindicais, em especial a CUT, que "marcaram bobeira" ou "dormiram de touca"(1), ao não  investir na criação ou fortalecimento de  um ou mais orgãos nacionais de imprensa alternativa e independente, a exceção do sindicato dos metalúrgicos do ABC e alguns sindicatos paulistas que criaram na década de 1990 uma produtora de vídeo a TVT, que atualmente é um um canal de televisão.
 
  Carta de Juan Grabois a Lula que acaba de ser publicada no perfil do consultor do papa Francisco:
Querido Lula:

Ontem eu saí do Brasil muito angustiado. Como sabes, impediram-me de te visitar de forma injustificada, arbitrária e mal-educada. Depois, visitei os meus irmãos e irmãs provadores, carrinheiros, camponeses, favelados, professores, servidores públicos, operários e integrantes de diversas pastorais.

Pude sentir a dor do seu povo, partilhar a sua impotência perante a injustiça, a sua revolta perante a perseguição do seu máximo dirigente. Notei também a enorme deterioração institucional, social e política que o Brasil sofre por causa da ambição de poucos que concentram o poder e impedem que as diferenças se apaziguamento nos quadros da democracia.

O drink mais amargo, porém, me esperava no aeroporto de Curitiba. Foi aí que soube que estavas a ser atacado nos meios de comunicação social e redes sociais. Dizem que mentiu sobre o Rosário enviado pelo Papa Francisco. Acontece sobre tu, preso e incomunicável, também mentem! Com espanto vi que os seus inquisidores indicavam que a fonte da sua calúnia era o próprio Vaticano.

Maior foi a minha surpresa quando confirmei que numa página da internet chamada Vatican News tinham publicado um texto em português agressivo, cheio de imprecisões e erros de redação. A comunicação desta página não pode ser considerada oficial, mas, com efeito, trata-se de um local dependente do secretariado de comunicação do Vaticano.

Enquanto Lia, não podia sair do meu espanto. Evidentemente, um editor desse site, sabe Deus com que intenção ou a pedir de quem, quis causar um tumulto e conseguiu. Quando pude reclamar com os superiores, a nota foi removida do site e substituída por uma adequada

(https://www.vaticannews.va/.../precisacao-sobre-caso...),

mas o dano já estava feito. Infelizmente, os meios que espalharam até o paroxismo a suposta desmentida alegria não visualizaram a nova nota com a informação correta. Vivemos, afinal, na era da pós verdade.

Nunca revelei o conteúdo de um encontro com o Papa Francisco porque sou leal, o respeito e admiro muito. Além disso, sei que o seu apoio aos movimentos sociais e aos pobres lhe traz mais do que uma dor de cabeça. Como sabe, ele também sofre o ataque sistemático dos fariseus e herodianos dos nossos tempos.

No entanto, tendo em conta as circunstâncias, sinto-me na obrigação de te contar como foram as coisas. Em meados de maio estive no Vaticano para visitar o Francisco, que me honra com uma amizade que não mereço, ama a pátria grande e - como ele mesmo indicou - está preocupado com a situação atual.

Como sabe, é muito claro e frontal, não precisa de porta-Vozes e eu nunca quis ser. Sofro muito quando a mídia me coloca nesse lugar. Eu apenas tento ajudar no diálogo com os movimentos sociais, algo que tenho feito desde que nos conhecemos em Buenos Aires, há mais de dez anos, lutando por uma sociedade sem escravos nem excluídos.

Neste momento, colaboro com o dicastério para a promoção do desenvolvimento humano integral que preside o cardeal Peter Turkson com quem organizamos os três encontros mundiais de movimentos populares e outras atividades para promover o acesso à terra, o teto e o trabalho como direitos essenciais.

Por esses dias de maio, meus amigos dos movimentos populares do Brasil me ofereceram a possibilidade de te visitar. Fiquei muito satisfeito porque admiro o que fizeste como presidente pelos mais pobres e tenho a certeza de que és alvo de uma perseguição política, tal como Nelson Mandela e tantos outros dirigentes políticos na história recente.

Aproveitei, então, aquela visita ao Vaticano para conversar com o papa sobre a situação e pedir-lhe um rosário abençoado para te levar a ti. Assim foi. É incrível que um gesto tão simples de solidariedade e proximidade do papa, um objeto que serve para rezar, gere tantos problemas, mas não é a primeira vez e Vatican News é responsável por ter permitido que se publique essa nota tão inapropriada e caracterizada por falta de profissionalismo. 


O seu responsável pediu-me perdão e perdoo-lhe, porque todos podemos cometer erros. Mas também sei que houve danos graves.


Também quero esclarecer que, quando me negaram ver-te, pedi aos teus colaboradores que te levassem o Rosário, exporta expressamente que vinha da parte do papa com a sua bênção. Por esse motivo, o que eles afirmaram na sua conta do facebook - erroneamente denunciada de fakenews e ameaçada com a censura - é simplesmente o que eu lhes disse: A verdade. 


Entrego esta carta aos seus colaboradores com a autorização expressa de que a postem se lhes serve para amenizar o dano causado, embora temendo por aqueles que odeiam esse operário que tirou da fome quarenta milhões de excluídos e colocou de pé a América Latina em frente aos seus colaboradores.

Os poderes globais não vão dizer a verdade.


Te peço perdão pelo que aconteceu e te deixo um abraço fraterno, Latino-Americano e solidário.


Rezo pela tua liberdade, o teu povo e a nossa pátria grande;

João grabois






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