domingo, 8 de março de 2026

Por que os casos de feminicídio aumentaram no Brasil? Coincidência ou não, aumentou depois do governo do Bozo

 





NÓS, CRISTÃOS E CRISTÃS CATÓLICOS NÃO ACEITAMOS MAIS VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES


À

Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Aos

Cardeais,arcebispos, bispos e presbíteros da Igreja Católica no Brasil

Paz e bem!

Nós, católicos e católicas, cristãos e cristãs de outras denominações religiosas e homens e mulheres de boa vontade, comprometidos com o Evangelho de Jesus Cristo e com a tradição social da Igreja, reunidos no Núcleo Nacional Teologia da Libertação – Política e Religião, dirigimo-nos respeitosamente à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, aos Bispos de todas as Dioceses do Brasil, aos Padres e Religiosos com função sacerdotal,para compartilhar uma preocupação profunda que atravessa a consciência cristã de nosso tempo.

Nos últimos anos, temos acompanhado a escalada inadmissível de violência contra as mulheres, praticadas por seus companheiros, maridos e homens de seu convívio próximo, ao ponto em que tornou-se impossível ignorar o aumento alarmante de casos de violência contra mulheres em nosso país.

Notícias diárias de assédio, agressões, estupros, humilhações públicas e feminicídios ocupam os noticiários e as redes sociais. Mulheres de todas as idades e condições sociais seguem sendo vítimas de uma cultura de violência marcada pelo machismo estrutural que ainda organiza muitas relações sociais no Brasil.

Sabemos que essa realidade não é nova. Contudo, sua persistência e brutalidade exigem de nós, cristãos e cristãs, uma resposta pastoral clara e comprometida.

O Evangelho nos apresenta Jesus de Nazaré como alguém que rompeu barreiras culturais e religiosas de seu tempo ao reconhecer a dignidade das mulheres.

Ele dialogou com a samaritana, defendeu a mulher ameaçada de apedrejamento, acolheu Maria de Betânia entre os discípulos e confiou às mulheres o anúncio de sua ressurreição.

Em Cristo, toda forma de violência, humilhação ou dominação perde legitimidade.

Por isso, acreditamos que o silêncio diante dessa realidade não é compatível com o testemunho cristão.

Com espírito fraterno e eclesial, propomos que a Igreja no Brasil intensifique sua presença profética diante dessa tragédia social que fere a vida de tantas famílias. Em particular, sugerimos:

* Que a CNBB promova uma campanha nacional da Igreja contra a violência e o feminicídio, mobilizando dioceses, paróquias, comunidades e pastorais sociais.

* Que o tema da violência contra as mulheres seja abordado nas homilias e reflexões pastorais, especialmente em momentos litúrgicos oportunos, ajudando as comunidades a reconhecerem essa realidade e a se posicionarem à luz do Evangelho.

* Que as pastorais sociais, comissões de justiça e paz e organismos da Igreja ampliem ações de formação e conscientização, promovendo uma cultura de respeito, igualdade e proteção à dignidade das mulheres.

* Que as comunidades cristãs sejam espaços seguros de acolhida, onde vítimas de violência possam encontrar escuta, orientação e solidariedade.

Acreditamos que a Igreja no Brasil possui uma longa tradição de compromisso com a vida, com os pobres e com os direitos humanos. As Campanhas da Fraternidade, a ação das pastorais sociais e o testemunho de tantos bispos, padres, religiosas e leigos demonstram que nossa fé sempre buscou traduzir-se em compromisso concreto com a dignidade humana.

Diante da gravidade do momento que vivemos, julgamos que uma palavra pastoral clara da Igreja pode ajudar a mobilizar consciências, educar corações e salvar vidas.

Que nossas comunidades sejam cada vez mais espaços onde o Evangelho seja vivido como caminho de libertação, justiça e cuidado com os mais vulneráveis.

Confiamos esta reflexão e este apelo à atenção pastoral dos bispos do Brasil, na esperança de que juntos possamos fortalecer uma cultura de respeito, paz e dignidade para todas as mulheres

Que Maria, mulher de fé e coragem, acompanhe este caminho da Igreja e nos inspire a defender a vida ameaçada.

Fraternalmente,

Núcleo Nacional da Teologia da Libertação – Política e Religião


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