domingo, 13 de setembro de 2015

Para que serve um deputado?

Uma das melhores canções produzidas pelo rapper Gabriel, O Pensador chama-se  "Estudo Errado". A canção faz uma critica ao padrão tradicional de ensino e sugere temas e alternativas. Um deles é que a escola explique aos  alunos para que serve um deputado. 



Eis uma possibilidade de resposta:
"Vereadores, Deputados e Senadores são representantes do povo nas câmaras (municipais e estaduais) e no Congresso Nacional (senado e câmara federal). Eles servem para elaborar leis, fiscalizar o poder Executivo (aquele que sanciona ou veta as leis, no caso, os prefeitos, os governadores e o presidente). Na teoria serviriam para estabelecer uma ligação entre o povo e o Executivo, aplicando recursos liberados por este em áreas com necessidade de investimentos em suas respectivas regiões. 

Uma nação sem esses representantes não é considerada democrática. Não há como o poder ficar centralizado nas mãos de uma pessoa só: as questões internas de um país (e também as externas, claro) são complexas demais para que apenas uma pessoa tome todas as decisões acertadamente.

O que acontece no Brasil (e daí os questionamentos desiludidos sobre a função destes representantes), por exemplo, é que a população não conhece a atuação deles, suas histórias e suas bandeiras de luta. Na época das eleições, vence sempre o candidato com mais dinheiro para investir no marketing de sua campanha: é ele quem terá o maior número de propagandas espalhadas pela cidade, é o que fará a carreata mais bonita, que comprará os maiores cartazes (e bandeiras, mas não as de luta!!), que poderá contratar vários cabos eleitorais de modo a espalhá-los por diversos bairros. 

Na prática, um candidato com um caixa de campanha tão vultoso assim não está comprometido com os interesses do eleitor, apesar de só vencer com seu voto. Seus investidores vão cobrar uma atuação voltada para seus interesses: por exemplo, um hipermercado que quer se expandir na cidade e precisa de um terreno, assim, ele pode contar com a ajuda do seu candidato para consegui-lo; uma empresa despeja resíduos químicos num córrego, ela pode contar com seu representante para que as leis não a prejudiquem, para que ela não seja multada... e assim por diante. Os exemplos são muitos. 

Um país com um sistema educacional bom pode formar cidadãos críticos. Estes cidadãos críticos, sentindo-se livres, certamente vão fiscalizar seus representantes, vão investigar seu passado, suas atuações em tempos de campanha, vão participar mais da política. Agora, há interesses de representantes, mais ou menos como destes que falei acima, em fazer com que a educação no Brasil continue do jeito que está - cidadãos sem educação são mais facilmente manipuláveis"
Emanuel


Ao retornar recentemente de viagem ao Rio de Janeiro,  quando participei juntamente com o aluno Levidário Pacheco,  da apresentação do curta "Flores do Jardim" no Festival Visões Periféricas, me lembrei de algumas ações que os deputados com base eleitoral no municipio de Nossa Senhora do Socorro ou com base eleitoral no segmento da educação e na cultura, podem realizar para potencializar os resultados positivos da realização e repercussão do filme citado.

Trago as sugestões que pensei e deixo os assessores e deputados a vontade para utilizarem as propostas, afim de que nas próximas eleições a presença dos mesmos junto a população do conjunto Jardim possa fazer mais sentido.

1 - Enviar uma mensagem de congratulação a Escola Júlia Teles e a Universidade Federal Fluminense (UFF) felicitando-os  pelo sucesso da trajetória de Flores do Jardim.


2 - Marcar  uma audiência pública na câmara de vereadores e na assembléia legislativa,  com realizadores de audiovisual e professores que trabalham nas escolas  com essa linguagem. A Audiência Pública pode fazer, entre outros,  um elo de ligação do trabalho que já é realizado no chão da escola, com a proposta contida na lei abaixo, recentemente aprovada: 
 Lei obriga escolas a exibirem filmes nacionais mensalmente -  Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil
As escolas de todo o país são obrigadas a exibir filmes de produção nacional, no mínimo, duas horas por mês. A medida foi publicada hoje (27) no Diário Oficial da União.
Assinada pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro da Educação, José Henrique Paim a lei modifica o texto das diretrizes básicas da educação do país, para incluir a exibição dos filmes nacionais como componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica das escolas.
A Lei 9.394, que estabele as diretrizes e bases da educação do país, já prevê, entre outros pontos que a música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular, assim como o ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais. A lei ainda estabelece como obrigatório, o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

3 - Propor a Secretária de Estado da Educação a criação de um edital de incentivo a iniciativa culturais exitosas nas escolas, com base na transparência e na análise de mérito. Um exemplo que pode servir de espelho é o programa Mais Cultura nas Escolas, parceria MEC e MINC.

Zezito de Oliveira 
 

Cineclube Realidade e a sessão sobre o filme "Entre a Luz e a Sombra". Duas propostas para serem multiplicadas.



Mais uma sessão do Cineclube Realidade, realizada com sucesso. O filme da vez foi “Entre a Luz e a Sombra”, o qual  suscitou algumas reflexões importantes. Dentre as que consigo recordar, compartilho: “ O rap não e só coisa de negro e de pobre,  tem brancos e ricos  que apóiam e gostam”. Essa fala referiu-se ao apoio recebido por dois dos três protagonistas do filme,  Dexter e Afro X, da parte da atriz e professora  Sophia Bisilliate e do juiz Octávio de Barros Filho.



Outra fala,  comparou o enfoque dado ao presidio Carandiru, pelo filme “Entre a Luz e a Sombra”,   onde a dupla Dexter e Afro X  ocupava a cela 509-E, com o enfoque dado ao presidio pelo filme do mesmo nome. Segundo o jovem que se manifestou , o filme em tela, mostrava outros aspectos interessantes sobre a vida na prisão, questões mais intimistas e do cotidiano, sem a   grandiloquência e a violência como aparece no filme “Carandiru”.


Na minha fala,  disse que por uma feliz coincidência os três primeiros filmes programados nas três primeiras sessões,  apresentaram a arte como potência para a superação da situação de opressão, descaso, abandono e violência. No primeiro filme “Uma onda no ar” o destaque foi a arte da comunicação (rádio comunitária), incluindo também o hip-hop e o samba. No segundo filme, “Na Quebrada” o destaque foi um projeto de oficina de audiovisual e o destaque de “Entre a Luz e a Sombra” foi o Rap, secundado pelo  teatro.




Em função dessa  e de outras falas,  foi sugerido  a exibição do filme “Carandiru”  e “Maré, nossa história de amor” , este último pouco conhecido. Conforme  a sinopse publicada no site interfilmes.
 

  “Maré, Nossa História de Amor, conta a história de Analídia e Jonatha, dois jovens moradores da Maré, favela carioca que das palafitas dos anos 60 passou por diversos planos de urbanização chegando hoje a uma população de cerca de 140 mil pessoas. A Maré é dividida hoje entre dois grupos que dominam o tráfico de drogas e que talvez se odeiem mais do que à própria polícia. Quem mora num lado da comunidade não pode ter contato com o outro, sob pena de punição. Analídia é prima do chefe do tráfico de um dos lados e Jonatha é amigo de infância do chefe do outro lado. Ambos estudam num grupo de dança patrocinado por uma ONG, que fica exatamente no meio dos dois grupos e é dirigido pela ex-bailarina Fernanda (Marisa Orth).” 



Já o conhecido Carandiru,  conforme a Wikipédia "é um filme brasileiro de 2003, do gênero drama, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco.

O filme é uma superprodução baseado no livro Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella, onde ele narra suas experiências com a dura realidade dos presídios brasileiros em um trabalho de prevenção à AIDS realizado na Casa de Detenção.

 O filme aborda o cotidiano da extinta "Casa de Detenção", mais conhecida por Carandiru (por se localizar no bairro de mesmo nome na cidade de São Paulo), antes e durante o massacre ocorrido em 2 de outubro de 1992, em que 111 presos foram mortos pela polícia.
 

Portanto, o filme a ser escolhido para a 4ª sessão ficará entre estes dois, “Carandiru” ou “Maré, nossa história de amor”. Os outros dois filmes que sobraram na escolha para esta segunda sessão, 5X Favela e Sonhos Roubados,  ficarão para sessões futuras."


Um momento importante dessa última sessão, foi a fala de Maira Ramos e Maria Jamile (1ª foto)  que disseram sobre como foi a presença das duas, no acampamento 2015 do Levante Popular da Juventude, realizado no período de 4 a 7 de setembro no Centro de Formação do MST, localizado  no povoado Quissamã, próximo ao conjunto Jardim.


Após a exibição do filme foi solicitado a presença de todos  na conferencia municipal livre da juventude, a ser realizada no dia 19/09/2015 na Praça da Cultura (CEU), localizada no conjunto Marcos Freire I. Na oportunidade os grupos ligados ao Coletivo Rap Jardim farão apresentações e o filme “Flores do Jardim” será exibido.


A conferência da juventude é importante para apresentar as  necessidades e desejos as juventudes dos municípios e dos estados. Como na  música “Comida”. Você tem fome de que? Você tem sede de que? 


Durante a projeção,  foi distribuído um questionário sobre o filme para ser respondido ou para servir de subsidio para a produção de uma redação. A atividade não é obrigatória, mas foi sugerida como uma forma de incentivar a prática da escrita. Os questionários devolvidos e/ou as redações, serão publicadas na página do face do Cineclube Realidade e no blog da Ação Cultural. Foi solicitado aos jovens que conversem com os professores de português para colaborarem e que assistissem vídeos aulas no youtube sobre redação e produção de texto.


Nas próximas sessões do Cine-Realidade,  serão novamente emprestados revistas e livros sobre questões atuais. Na primeira sessão,  foram emprestados algumas revistas Caros Amigos, inclusive edições especiais sobre Hip-Hop, Literatura Marginal ou Periférica, Che Guevara e outras com entrevistas com MV-Bill e Paulo Lins.


A presença de público continua na faixa de 10 adolescentes/jovens, porém mesmo sendo um número aquém da meta de 20, a qual chegou próximo de ser atingido na primeira sessão, que reuniu 18 adolescentes/jovens/adultos, consideramos bastante positivo a qualidade de interesse em assistir os filmes  e a participação na roda de conversa que acontece depois da exibição.


Como sempre,  é solicitado a colaboração na divulgação e no convite a outros adolescentes e jovens e isso é realizado, tem  um  que traz a namorada, tem  a outra que convida uma colega e assim uma nova opção é oferecida aos adolescentes/jovens/adultos do conjunto Jardim. Nem só com  bares, televisão, futebol e igreja se faz uma tarde de sábado na periferia.


Os pequenos já reclamam uma sessão só para eles, estamos vendo a possibilidade de colocar uma sessão infantil,  antes do filme para os maiores de 12 anos.


A maioria dos filmes exibidos no Cine-Realidade, estão disponíveis e podem ser acessados no youtube, há quem não pode vir ao cineclube e  assiste  na internet,  porém é sempre bom estar junto com outras pessoas para assistir filmes, beber, comer e conversar.

O Cineclube Realidade é uma  iniciativa do Coletivo Rap Jardim, iniciativa que reúne grupos de Rap do conjunto Jardim, Ação Cultural/Ponto de Cultura Juventude e Cidadania e Escola Estadual Júlia Teles. A próxima sessão está prevista para o dia 03 de Outubro.

Para ampliar o alcance das ações da cineclube, a  Ação Cultural aguarda recursos prometidos pelo  Ministério da Cultura e  Secretaria Estadual de Cultura (SE),  por meio de seleção em dois editais, cultura viva e mais cultura nas escolas.

Também espera que a Secretaria de Estado da Educação (SE),  invista mais recursos em ações culturais nas escolas, como acontece em outras cidades e estados brasileiros.
 
 
Zezito de Oliveira - Educador e Produtor Cultural. Texto e fotos

sábado, 5 de setembro de 2015

Cine-Realidade, ajude a escolher os filmes.



Prezados (as)  Não se esqueçam  de escolher a sequência do filme a ser apresentado no Cine-Realidade do dia 12 de setembro.  O mais votado será exibido primeiro e assim sucessivamente. Leia as matérias que selecionamos sobre cada filme e façam  a escolha de vocês.
Deixem  as sugestões nos comentários .
As matérias sobre os filmes estão  disponibilizadas em vários grupos e páginas no facebook, além do blog da Ação Cultural.

Sonhos Roubados

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Sonhos Roubados
Sonhos Roubados
 Brasil 2010 •  cor •  85 min 
Direção Sandra Werneck
Produção Cineluz
Coprodução Estúdios Mega Labocine
Produção executiva Elisa Tolomelli
Roteiro Paulo Halm Michelle Franz Adriana Falcão Sandra Werneck José Joffily Maurício O. Dias
Elenco Nanda Costa Amanda Diniz Kika Farias Marieta Severo Daniel Dantas Nelson Xavier Ângelo Antônio Lorena da Silva Guilherme Duarte Silvio Guindane Zezeh Barbosa MV Bill
Gênero drama
Música Fábio Mondego Fael Mondego Marco Tommaso
Direção de arte José Joaquim
Direção de fotografia Walter Carvalho
Edição Waldir Xavier (som)
Lançamento 2010
Idioma português
Site oficial Página no IMDb (em inglês)
Sonhos Roubados é um filme brasileiro que conta com a estreia do rapper MV Bill como ator, dirigido por Sandra Werneck e que retrata a vida nas favelas brasileiras sob o ponto de vista feminino. Baseado no livro "As meninas da esquina - diários dos sonhos, dores e aventuras de seis adolescentes do Brasil", da jornalista Eliane Trindade,[1]
Sobre sua personagem, que finge ser mulher de um presidiário (vivido por MV Bill) e lhe faz visitas íntimas na prisão para complementar sua renda, Nanda Costa declarou:
Cquote1.svg Quis contar da forma mais verdadeira possível, sem julgar o comportamento dela. Cquote2.svg
Nanda Costa[2]

Índice

Prêmios

O filme recebeu o prêmio do júri popular no Festival do Rio de 2009 e também o de melhor atriz para Nanda Costa.[1] [2]
Em outubro de 2010, as atrizes Nanda Costa, Amanda Diniz e Kika Farias dividiram o prêmio Biarritz de melhor atriz por seus papeis no filme.[3]

Referências


  • Oliveira, Alysson (22 de abril de 2010). 'Sonhos roubados' dá voz às meninas das comunidades cariocas (em português) Pop & Arte G1. Visitado em 2 de outubro de 2010.

  • Agência Estado (23 de abril de 2010). 'Sonhos Roubados' retrata a adolescência na periferia (em português) Cultura O Estado de S. Paulo. Visitado em 2 de outubro de 2010.

    1. France Press (2 de outubro de 2010). Festival de Biarritz premia brasileiros "5 x Favela" e "Sonhos Roubados" (em português) Ilustrada A Folha de S.Paulo. Visitado em 2 de outubro de 2010.

    Ver também

    Ligações externas