quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Alexandre de Moraes, Globo, Lava a Jato, Bolsonaro e o ódio à democracia.

 Por Sérgio Alarcon. 

Respeito profundamente Breno Altman e escrevo este texto como uma resposta respeitosa a ele. 

Breno tem criticado setores da esquerda que defendem Alexandre de Moraes, alertando para os riscos de que essa defesa acabe legitimando excessos judiciais capazes, a longo prazo, de criar armadilhas e fortalecer a narrativa autoritária da direita.

De minha parte, não me considero ingênuo - talvez aí resida justamente a minha ingenuidade. Quando Temer indicou Moraes ao STF, não tive dúvidas: mais um inimigo no poder. Critiquei-o duramente. Com o tempo, porém, ficou claro que coragem para desobedecer pretensos patrões ele tem. E certos princípios - o oposto do Vampiro. À época, não havia espaço para vacilação. Ocorre que, às vezes, é preciso ter coragem até para errar ao invés de se deixar paralisar.

Você há de concordar que Moraes talvez não seja exatamente um inimigo hoje; talvez, no máximo, um adversário futuro - e adversários, diferentemente de inimigos, podem, em certas conjunturas, compor conosco em nome de algo maior. Alckmin e Simone Tebet estão aí para não me deixar mentir.

Uma verdade incômoda que devemos sempre repetir - e vou aqui repetir - é que guerras não se vencem com vacilações. Passei anos pelejando contra lavajatistas, olavistas e bozistas - como, felizmente, um número considerável de brasileiros. Creio já ter compreendido um pouco da maneira de agir desses canalhas. Merval, Malu Gaspar e congêneres deixei de ler e ouvir no momento em que ficou claro que não passam de instrumentos daqueles que não toleram a verdade quando ela incomoda. Se seus nomes me aparecem hoje, é porque seus patrões estão tramando contra o Brasil e os brasileiros. Não há como vacilar quanto ao lado a tomar - por princípio e em princípio.

Há muito tempo li um filósofo chamado Jacques Rancière. Em O Ódio à Democracia acho que ele ajuda a entender em parte esse nosso cenário. Rancière mostra que o verdadeiro ódio à democracia não se dirige necessariamente à sua forma institucional, mas à possibilidade de que a igualdade irrompa de baixo e desestabilize aqueles que se julgam naturalmente autorizados a mandar - os “competentes”, os especialistas, os ricos, os togados. Em outras palavras, aquilo que chamamos de “elite”. Essa chave ajuda a compreender a irracionalidade do ódio a Lula e o antipetismo estrutural. Meio óbvio… concordo.

E, à primeira vista, ela parece menos óbvia para entender o bozismo, que expressa um ódio à democracia vindo dos “de baixo”. Mas não vem dos trabalhadores - e sim do lumpesinato, da escória, dos jagunços da Casa Grande. Ainda assim, essa contradição é apenas aparente. Bozismo e lavajatismo são duas faces do mesmo ódio à democracia. O primeiro, mais tosco e arrivista, aceita - ao menos temporariamente - sua associação aos velhos donos do poder, dos quais foi serviçal, e busca impor-se pela força bruta e pela ameaça golpista franca contra a ordem institucional. É o lado da moeda do oito ou oitenta. Acabou com centenas de presidiários, incluindo o líder. O segundo tenta restaurar a hierarquia oligárquica por meio da simulação de uma “justiça técnica”, do punitivismo midiático e da elevação sistemática de fofocas à condição de prova judicial. O lawfare. Conseguiram fazer muitos acreditarem que a deposição de Dilma não foi golpe - caso do Ouriques - pois não promoveram uma ruptura da ordem institucional. Nunca foram devidamente punidos provavelmente por isso também.

A normalização de acusações sem provas por jornalistas - ou por grandes empresas de jornalismo - faz parte do lawfare, e deveria ser seriamente problematizada pela sociedade. O problema não é a publicação da fofoca em si, mas tratá-la imediatamente como evidência, elevá-la à categoria de verdade judicial e, a partir daí, construir narrativas punitivistas completas, funcionando em rede. À época do lawfare contra Lula, Globo, Estadão e Folha frequentemente estampavam manchetes praticamente idênticas, enviesadas na mesma direção. O que fazem hoje com Moraes parece a repetição do método testado com sucesso pelo lavajatismo e que, ao final, serviu de laboratório para o avanço do bozismo nas redes sociais e que valeu a eleição de 2018. Com Moro como Ministro do atual presidiário - farinha do mesmo saco.

O lavajatismo, aliás, não é uma abstração imoral. É uma máfia política ativa e perigosa, que segue operando mesmo com seu principal expoente, Moro, hoje cercado por investigações no STF e na Polícia Federal. Buscas autorizadas recentemente na própria 13ª Vara de Curitiba revelaram provas documentais de grampos ilegais contra autoridades com foro privilegiado. Aqui não se trata de “ouvi dizer”. Estranhamente, isso não se tornou escândalo para Merval ou Malu. Tampouco recebeu do Jornal Nacional a atenção devida. E, no entanto, não estamos falando de fofocas atribuídas a “seis fontes” anônimas e inalcançáveis. São fatos - fatos que ajudam, inclusive, a explicar parte dos ataques a Moraes. Claro que podemos acreditar agora em “coincidências”… mas aí a guerra está perdida.

Por isso, Breno, defender a democracia, nesse contexto, não é sacralizar juízes nem romantizar o STF como salvador da pátria. O próprio Rancière nos alerta para a longa duração dos Estados de direito oligárquicos disfarçados, nos quais o poder se concentra sob o pretexto da “competência” técnica, despolitizando a igualdade real. Foi exatamente esse o discurso jornalístico que criou o Moro-herói da Globo e presidenciável da Faria Lima. Hoje sabemos que essa suposta “competência técnica” não passava de uma farsa - uma narrativa construída -, como evidenciam tanto o “recorta-e-cola” da juíza lavajatista Gabriela Hardt quanto as irregularidades processuais comprovadas na Lava Jato, reveladas pela Vaza Jato e pelas anulações no STF. Não temos ilusões a respeito.

Em suma, Breno: não defendo Moraes. Defendo a democracia. E os ataques a Moraes, vindos de quem vêm, têm o nariz, os olhos, as rugas e a boca torta dos inimigos históricos da democracia como princípio. Não podemos vacilar: em uma democracia conflituosa, sob ataque golpista aberto, todas as estratégias devem se voltar para alianças capazes da contenção da catástrofe maior - o retorno da ditadura declarada. Trata-se de antes de uma trégua tática na luta pela igualdade, não de uma legitimação eterna.

Os que hoje acusam o STF de promover uma “ditadura do Judiciário” realizam exatamente a inversão perversa descrita por Rancière: gritam “fim da democracia” justamente quando se pune quem tentou destruí-la em 8 de janeiro e depois. O verdadeiro ódio à democracia é o deles, não o de quem resiste.

2026 pode ser decisivo: derrotar, num só movimento, o lavajatismo - com Moro, seus asseclas e seus jornalistas cúmplices respondendo judicialmente pelas irregularidades comprovadas - e o bozismo, não apenas por meio de prisões, mas também com a limpeza do Congresso dessa organização criminosa.

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MALU GASPAR | O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro. Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog de Malu Gaspar, no site do #JornalOGlobo, por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC.  22 de dezembro

Ministro Alexandre de Moraes divulga nota sobre reunião com o presidente do Banco Central.

Íntegra:

“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Bradesco e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.” 23 de dezembro

Ministro divulgou as datas dos encontros que manteve com o presidente do BC

Atualização em 26 de dezembro de 2025

Cesar Benjamin
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Há pouco tempo, técnicos do Banco Central identificaram uma série de crimes graves na atuação do Banco Master. A instituição operava no esquema de pirâmide financeira, vendendo papéis que não correspondiam a nada, mas pagavam juros muito acima do mercado. Coisa de bilhões. 
Acionada, a Polícia Federal prendeu o banqueiro na escada de embarque de um jatinho particular, no exato momento em que fugia do país. 
Estavam dados todos os elementos para a sua prisão: crime provado e tentativa de obstruir a Justiça. No BC, na PF e na primeira instância da Justiça, os quadros técnicos do Estado brasileiro cumpriram o seu dever.
A bandalha começou quando o caso escalou, com inusitada rapidez, para as instâncias superiores. Uma desembargadora relaxou a prisão do criminoso, que passou a domiciliar, num país em que centenas de milhares de desvalidos permanecem presos indefinidamente, em regime fechado, sem nenhuma acusação.
Com alegações pueris, o ministro Dias Toffoli, do STF, avocou o caso para si, decretou sigilo absoluto e paralisou as investigações. 
Na sequência, soubemos que o Master mantinha um contrato milionário com a esposa do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, e que este último teria tentado influir nos procedimentos técnicos do Banco Central. 
Esta última acusação passou a dominar o debate. Mas, para mim, é a menos importante. 
Acredito que Moraes não tenha pressionado o BC. Seria escatológico. As explicações que deu são razoáveis. Mas os fatos restantes, incontestáveis, são extremamente graves. Mostram a promiscuidade das altas instâncias do Judiciário com o poder econômico. 
As pedras da minha rua sabem que, ao se comprometer a pagar R$ 120 milhões à esposa do ministro, o banco estava pagando o próprio ministro. 
É inaceitável.
Nesse sentido, a jornalista Malu Gaspar prestou um desserviço à Nação, ao apresentar indícios fracos para tentar agravar um problema que já era gravíssimo.
A higidez do STF – e, por extensão, do Poder Judiciário – está em xeque, escancaradamente. Se a degradação da Corte não for estancada, cortando na carne, será um processo sem retorno. 
Não importa que Dias Toffoli seja reconhecidamente despreparado, seja do ponto de vista técnico, seja moral, e que Alexandre de Moraes, ao contrário, tenha desempenhado um papel central na defesa das instituições democráticas. Nenhum dos dois está acima da lei e da ética. 
De ministros da Suprema Corte exige-se a máxima correção. Ou então a Suprema Corte deixa de existir, deixando o país à deriva, sem nenhuma âncora institucional.
Sou pessimista. Justamente por ser o poder mais resguardado de críticas e de investigações, o Judiciário é o mais impune e, provavelmente, o mais corrupto.
Estamos assistindo a uma aula de Brasil. Funcionários públicos de carreira cumpriram o seu dever. Quando entrou a política – a política que temos – ficamos, mais uma vez, com a bunda de fora.
Tudo indica que, com os salamaleques de sempre, a impunidade prevalecerá mais uma vez, pois tudo se resolve com negociações em que todos ganham. É só dar tempo ao tempo.
Brasília seguirá o seu curso normal, cavando ainda mais o nosso buraco.

Xandão virou fetiche da esquerda, diz Gustavo Conde
Comentarista afirma que “a conta chegou” para o STF, critica defesa automática de ministros e aponta o caso Master como estopim de uma crise institucional
26 de dezembro de 2025, 04:36 h
247 – A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos e passou a ser interpretada como um sintoma de desgaste estrutural da Corte. Em uma transmissão especial, o comunicador Gustavo Conde afirmou que o país vive um momento em que “chegou a conta pro Supremo” e criticou duramente o que chamou de defesa automática de ministros por setores progressistas. Para ele, parte da esquerda estaria tratando o ministro Alexandre de Moraes como símbolo intocável — e isso abriria espaço para armadilhas políticas e desgaste institucional.

Na live intitulada “Supremo à deriva: crise no STF escala em todos os níveis; país quer respeito”, Conde disse que o debate público sobre a Corte precisa escapar da polarização simplificada — na qual a direita atacaria o Supremo e a esquerda deveria defendê-lo incondicionalmente. Segundo ele, a discussão central deveria ser: “Que STF nós queremos?”. Na avaliação do comentarista, o Brasil precisa de uma Corte com credibilidade, que respeite critérios éticos rigorosos e que não se deixe atravessar por interesses bilionários, relações promíscuas e vazamentos seletivos.

Em tom crítico, Conde afirmou que setores progressistas teriam transformado Moraes em uma espécie de “fetiche” político, adotando uma postura de torcida que impediria uma avaliação racional do momento vivido pelo STF. Para ele, a esquerda deveria concentrar energia em pautas estratégicas, como a defesa do presidente Lula, e não na blindagem de ministros que, segundo ele, já detêm poder suficiente para se sustentar institucionalmente.

Conde ironizou o que chamou de “xandetismo” e sugeriu que a mobilização em torno de Moraes revela um tipo de comportamento que considera politicamente improdutivo: uma defesa baseada em identidade e vaidade, e não na análise do funcionamento da Justiça e das instituições. Na sua visão, esse movimento acaba enfraquecendo o campo democrático ao permitir que adversários explorem contradições e construam narrativas de conivência com irregularidades.

“O problema é o Toffoli”, diz Conde ao mirar o centro da crise
Embora reconheça o papel do STF no julgamento de Jair Bolsonaro e no enfrentamento de ameaças golpistas, Conde deixou claro que seu foco, no momento, está na atuação do ministro Dias Toffoli. Para ele, Toffoli ocupa o centro do turbilhão porque suas decisões e iniciativas recentes estão acelerando a convulsão interna da Corte, sobretudo no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

O comentarista destacou como episódio emblemático a careação marcada para 30 de dezembro, durante o recesso, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e um diretor do Banco Central. Segundo ele, o fato de a careação ter sido convocada diretamente pelo ministro, sem pedido prévio de investigadores, acendeu alertas em Brasília e provocou reação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Na leitura de Conde, trata-se de um movimento “fora do padrão”, que poderia empurrar o Banco Central para o centro do caso e intensificar ainda mais a crise institucional.

Código de ética, vazamentos e “tempestade num copo d’água”
Outro eixo central da crítica feita na live foi a ausência de um código de conduta mais rigoroso no STF. Conde argumentou que cortes supremas em diferentes países adotam regras claras para limitar conflitos de interesse, relações com agentes econômicos e participação em eventos pagos. Para ele, o problema não é a existência do Supremo, mas o fato de ele funcionar como “11 ilhas” corporativas, sem humildade para reconhecer falhas e sem disposição real para se submeter ao escrutínio público.

O comentarista também condenou o que classificou como cultura de vazamentos seletivos e proximidade excessiva entre ministros e jornalistas, lembrando que integrantes da imprensa frequentemente afirmam conversar com ministros “todos os dias” — algo que, para ele, evidencia uma estrutura disfuncional de bastidores que se tornou parte da normalidade institucional.

Conde citou ainda declarações atribuídas a ministros que avaliam que o STF estaria “apanhando de graça”, interpretando esse tipo de leitura como prova de prepotência e negação da crise, em vez de compromisso com reconstrução de credibilidade.

“Não quero destruir o STF. Quero um Supremo de respeito”
Apesar do tom duro, Conde afirmou que não defende o enfraquecimento do STF como instituição. Pelo contrário: disse desejar um Supremo com ministros respeitáveis e reconhecidos pela sociedade. No entanto, ressaltou que isso exige um processo profundo de revisão institucional e ética — e que a população tem o direito e o dever de cobrar.

Ele também alertou que a crise pode ser instrumentalizada pela direita para empurrar setores progressistas para posições defensivas, explorando vaidades e criando armadilhas discursivas. Em um ano pré-eleitoral, segundo ele, a construção de uma imagem de “esquerda conivente” com irregularidades poderia se tornar um instrumento de desgaste político.

Um Supremo em convulsão e um país em cobrança
A avaliação geral do comentarista é de que o STF vive um momento de convulsão, em que pressões internas e externas se acumulam e podem produzir efeitos imprevisíveis. Para ele, o caso Banco Master acelerou uma crise que já estava “precificada” e que agora exige respostas concretas da Corte à sociedade.

Em sua mensagem final, Conde defendeu que a cobrança pública deve ser feita com serenidade e firmeza, sem submissão a autoridades e sem transformá-las em objetos de idolatria política. Segundo ele, o Brasil precisa de instituições fortes — mas também transparentes, éticas e respeitadas — e esse debate, afirmou, não pode ser adiado.

Leia o artigo acima no 247. AQUI

OS ENSINAMENTOS DE VLADIMIR!

Por Sergio Alarcon

Caros,

Gostaria de lembrar aos companheiros e camaradas algo que ensinou um sujeito vitorioso chamado Vladimir. Não aquele do Corinthians - que me fez chorar quando marcou aquele gol sofrido contra a Ponte Preta, garantindo ao time do meu pai um título depois de 23 anos. Não. Falo de outro Vladimir. Um tal de Lênin.

Em O Estado e a Revolução e em A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo, Lênin nos ensina que, em conjunturas de ofensiva reacionária aberta, a destruição precipitada de instituições democráticas - ainda que contraditórias, limitadas e cheias de vícios - tende a beneficiar não aqueles que lutam por mais igualdade, mas justamente os que sempre trabalharam contra ela.

Não se trata de morrer de amores pelo STF e sua origem aristocrática, muito menos de nutrir paixões pelo Xandão - que, aliás, já foi lavajatista (e deixou de ser), como quase todos ou todos do Supremo, exceto aquele que foi, dizem (mais de seis fontes me confirmaram), assassinado. Trata-se de defender a soberania popular contra mais uma articulação entre dois espectros - bozismo e lavajatismo - igualmente antidemocráticos, autoritários, entreguistas, antipovo e anti-Brasil. Só isso.

O ataque dos jornalões a Moraes não tem motivação ética alguma. Nenhuma. Tampouco é jornalismo, no sentido sério do termo: não há intenção de apurar, fiscalizar ou esclarecer. Nada disso. A única intenção é o escândalo.

O objetivo? Talvez o lavajatista impenitente Alessandro Vieira, com toda aquela sua educação e brandura (que engana muita gente da esquerda), tenha dado a chave: abrir uma CPI contra o Supremo em ano eleitoral. Colocar ministros contra a parede. Atrapalhar as investigações da PF contra as facções que financiam a extrema-direita e o neoliberalismo (outras seis fontes diferentes me informaram). Salvar Moro (esse nem preciso de fonte…).

Quanto à jornalista que tinha Moro como herói e agora afirma não querer mais heróis, vale dois lembretes elementares. Em primeiro lugar, assim como um ministro não está acima da lei, jornalistas também não estão acima da responsabilidade. Lamentavelmente, a porta-voz das “seis fontes” não fez jornalismo: fez fofoca. A que fazia jornalismo era a Daniela Lima. Podem espalhar. Cada dia, isso fica mais claro. Em segundo lugar, ela é apenas a linha de frente, a fuzileira, a peã escalada por uma empresa inimiga do Brasil e dos brasileiros. Seus heróis e anti-heróis são exatamente os mesmos do patrão que lhe paga. Está ali para atirar e receber tiros, matar ou morrer conforme interesses teleguiados. Recebe bem (lamentavelmente) por isso. Nós não.

Ninguém nos paga para defender nossas próprias vidas dessa gente. E nem precisaria. Porque é disso que se trata: das nossas vidas.

Ou vocês realmente acham que conseguiríamos viver - ou ao menos viver bem - numa ditadura neopentecostal, neoliberal e fascista? Muitos dos mais de 700 mil mortos, assassinados pelo negacionismo bozista, também deram de ombros quando alertávamos e lutávamos entre 2015 e 2018: com Dilma sendo golpeada, com Lula atacado e preso, e a mesma moralina operando a pleno vapor, orquestrada, com sonoplastia e tudo, pelo Jornal Nacional.

Deu no que deu.

A pergunta é simples - e incômoda: querem repetir o erro?

Abaixo, com orgulho, a mensagem de meu professor, Leonardo Boff. 


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