Por Sérgio Alarcon.
Respeito profundamente Breno Altman e escrevo este texto como uma resposta respeitosa a ele.Breno tem criticado setores da esquerda que defendem Alexandre de Moraes, alertando para os riscos de que essa defesa acabe legitimando excessos judiciais capazes, a longo prazo, de criar armadilhas e fortalecer a narrativa autoritária da direita.
De minha parte, não me considero ingênuo - talvez aí resida justamente a minha ingenuidade. Quando Temer indicou Moraes ao STF, não tive dúvidas: mais um inimigo no poder. Critiquei-o duramente. Com o tempo, porém, ficou claro que coragem para desobedecer pretensos patrões ele tem. E certos princípios - o oposto do Vampiro. À época, não havia espaço para vacilação. Ocorre que, às vezes, é preciso ter coragem até para errar ao invés de se deixar paralisar.
Você há de concordar que Moraes talvez não seja exatamente um inimigo hoje; talvez, no máximo, um adversário futuro - e adversários, diferentemente de inimigos, podem, em certas conjunturas, compor conosco em nome de algo maior. Alckmin e Simone Tebet estão aí para não me deixar mentir.
Uma verdade incômoda que devemos sempre repetir - e vou aqui repetir - é que guerras não se vencem com vacilações. Passei anos pelejando contra lavajatistas, olavistas e bozistas - como, felizmente, um número considerável de brasileiros. Creio já ter compreendido um pouco da maneira de agir desses canalhas. Merval, Malu Gaspar e congêneres deixei de ler e ouvir no momento em que ficou claro que não passam de instrumentos daqueles que não toleram a verdade quando ela incomoda. Se seus nomes me aparecem hoje, é porque seus patrões estão tramando contra o Brasil e os brasileiros. Não há como vacilar quanto ao lado a tomar - por princípio e em princípio.
Há muito tempo li um filósofo chamado Jacques Rancière. Em O Ódio à Democracia acho que ele ajuda a entender em parte esse nosso cenário. Rancière mostra que o verdadeiro ódio à democracia não se dirige necessariamente à sua forma institucional, mas à possibilidade de que a igualdade irrompa de baixo e desestabilize aqueles que se julgam naturalmente autorizados a mandar - os “competentes”, os especialistas, os ricos, os togados. Em outras palavras, aquilo que chamamos de “elite”. Essa chave ajuda a compreender a irracionalidade do ódio a Lula e o antipetismo estrutural. Meio óbvio… concordo.
E, à primeira vista, ela parece menos óbvia para entender o bozismo, que expressa um ódio à democracia vindo dos “de baixo”. Mas não vem dos trabalhadores - e sim do lumpesinato, da escória, dos jagunços da Casa Grande. Ainda assim, essa contradição é apenas aparente. Bozismo e lavajatismo são duas faces do mesmo ódio à democracia. O primeiro, mais tosco e arrivista, aceita - ao menos temporariamente - sua associação aos velhos donos do poder, dos quais foi serviçal, e busca impor-se pela força bruta e pela ameaça golpista franca contra a ordem institucional. É o lado da moeda do oito ou oitenta. Acabou com centenas de presidiários, incluindo o líder. O segundo tenta restaurar a hierarquia oligárquica por meio da simulação de uma “justiça técnica”, do punitivismo midiático e da elevação sistemática de fofocas à condição de prova judicial. O lawfare. Conseguiram fazer muitos acreditarem que a deposição de Dilma não foi golpe - caso do Ouriques - pois não promoveram uma ruptura da ordem institucional. Nunca foram devidamente punidos provavelmente por isso também.
A normalização de acusações sem provas por jornalistas - ou por grandes empresas de jornalismo - faz parte do lawfare, e deveria ser seriamente problematizada pela sociedade. O problema não é a publicação da fofoca em si, mas tratá-la imediatamente como evidência, elevá-la à categoria de verdade judicial e, a partir daí, construir narrativas punitivistas completas, funcionando em rede. À época do lawfare contra Lula, Globo, Estadão e Folha frequentemente estampavam manchetes praticamente idênticas, enviesadas na mesma direção. O que fazem hoje com Moraes parece a repetição do método testado com sucesso pelo lavajatismo e que, ao final, serviu de laboratório para o avanço do bozismo nas redes sociais e que valeu a eleição de 2018. Com Moro como Ministro do atual presidiário - farinha do mesmo saco.
O lavajatismo, aliás, não é uma abstração imoral. É uma máfia política ativa e perigosa, que segue operando mesmo com seu principal expoente, Moro, hoje cercado por investigações no STF e na Polícia Federal. Buscas autorizadas recentemente na própria 13ª Vara de Curitiba revelaram provas documentais de grampos ilegais contra autoridades com foro privilegiado. Aqui não se trata de “ouvi dizer”. Estranhamente, isso não se tornou escândalo para Merval ou Malu. Tampouco recebeu do Jornal Nacional a atenção devida. E, no entanto, não estamos falando de fofocas atribuídas a “seis fontes” anônimas e inalcançáveis. São fatos - fatos que ajudam, inclusive, a explicar parte dos ataques a Moraes. Claro que podemos acreditar agora em “coincidências”… mas aí a guerra está perdida.
Por isso, Breno, defender a democracia, nesse contexto, não é sacralizar juízes nem romantizar o STF como salvador da pátria. O próprio Rancière nos alerta para a longa duração dos Estados de direito oligárquicos disfarçados, nos quais o poder se concentra sob o pretexto da “competência” técnica, despolitizando a igualdade real. Foi exatamente esse o discurso jornalístico que criou o Moro-herói da Globo e presidenciável da Faria Lima. Hoje sabemos que essa suposta “competência técnica” não passava de uma farsa - uma narrativa construída -, como evidenciam tanto o “recorta-e-cola” da juíza lavajatista Gabriela Hardt quanto as irregularidades processuais comprovadas na Lava Jato, reveladas pela Vaza Jato e pelas anulações no STF. Não temos ilusões a respeito.
Em suma, Breno: não defendo Moraes. Defendo a democracia. E os ataques a Moraes, vindos de quem vêm, têm o nariz, os olhos, as rugas e a boca torta dos inimigos históricos da democracia como princípio. Não podemos vacilar: em uma democracia conflituosa, sob ataque golpista aberto, todas as estratégias devem se voltar para alianças capazes da contenção da catástrofe maior - o retorno da ditadura declarada. Trata-se de antes de uma trégua tática na luta pela igualdade, não de uma legitimação eterna.
Os que hoje acusam o STF de promover uma “ditadura do Judiciário” realizam exatamente a inversão perversa descrita por Rancière: gritam “fim da democracia” justamente quando se pune quem tentou destruí-la em 8 de janeiro e depois. O verdadeiro ódio à democracia é o deles, não o de quem resiste.
2026 pode ser decisivo: derrotar, num só movimento, o lavajatismo - com Moro, seus asseclas e seus jornalistas cúmplices respondendo judicialmente pelas irregularidades comprovadas - e o bozismo, não apenas por meio de prisões, mas também com a limpeza do Congresso dessa organização criminosa.
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MALU GASPAR | O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master. Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro. Os relatos sobre as conversas foram feitos à equipe do blog de Malu Gaspar, no site do #JornalOGlobo, por seis fontes diferentes nas últimas três semanas. Uma delas ouviu do próprio ministro sobre o encontro com Galípolo, e as outras cinco souberam dos contatos por integrantes do BC. 22 de dezembro
Ministro Alexandre de Moraes divulga nota sobre reunião com o presidente do Banco Central.
Íntegra:
“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnistiky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Bradesco e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.” 23 de dezembro
Ministro divulgou as datas dos encontros que manteve com o presidente do BC
Atualização em 26 de dezembro de 2025
OS ENSINAMENTOS DE VLADIMIR!
Por Sergio Alarcon
Caros,
Gostaria de lembrar aos companheiros e camaradas algo que ensinou um sujeito vitorioso chamado Vladimir. Não aquele do Corinthians - que me fez chorar quando marcou aquele gol sofrido contra a Ponte Preta, garantindo ao time do meu pai um título depois de 23 anos. Não. Falo de outro Vladimir. Um tal de Lênin.
Em O Estado e a Revolução e em A Doença Infantil do Esquerdismo no Comunismo, Lênin nos ensina que, em conjunturas de ofensiva reacionária aberta, a destruição precipitada de instituições democráticas - ainda que contraditórias, limitadas e cheias de vícios - tende a beneficiar não aqueles que lutam por mais igualdade, mas justamente os que sempre trabalharam contra ela.
Não se trata de morrer de amores pelo STF e sua origem aristocrática, muito menos de nutrir paixões pelo Xandão - que, aliás, já foi lavajatista (e deixou de ser), como quase todos ou todos do Supremo, exceto aquele que foi, dizem (mais de seis fontes me confirmaram), assassinado. Trata-se de defender a soberania popular contra mais uma articulação entre dois espectros - bozismo e lavajatismo - igualmente antidemocráticos, autoritários, entreguistas, antipovo e anti-Brasil. Só isso.
O ataque dos jornalões a Moraes não tem motivação ética alguma. Nenhuma. Tampouco é jornalismo, no sentido sério do termo: não há intenção de apurar, fiscalizar ou esclarecer. Nada disso. A única intenção é o escândalo.
O objetivo? Talvez o lavajatista impenitente Alessandro Vieira, com toda aquela sua educação e brandura (que engana muita gente da esquerda), tenha dado a chave: abrir uma CPI contra o Supremo em ano eleitoral. Colocar ministros contra a parede. Atrapalhar as investigações da PF contra as facções que financiam a extrema-direita e o neoliberalismo (outras seis fontes diferentes me informaram). Salvar Moro (esse nem preciso de fonte…).
Quanto à jornalista que tinha Moro como herói e agora afirma não querer mais heróis, vale dois lembretes elementares. Em primeiro lugar, assim como um ministro não está acima da lei, jornalistas também não estão acima da responsabilidade. Lamentavelmente, a porta-voz das “seis fontes” não fez jornalismo: fez fofoca. A que fazia jornalismo era a Daniela Lima. Podem espalhar. Cada dia, isso fica mais claro. Em segundo lugar, ela é apenas a linha de frente, a fuzileira, a peã escalada por uma empresa inimiga do Brasil e dos brasileiros. Seus heróis e anti-heróis são exatamente os mesmos do patrão que lhe paga. Está ali para atirar e receber tiros, matar ou morrer conforme interesses teleguiados. Recebe bem (lamentavelmente) por isso. Nós não.
Ninguém nos paga para defender nossas próprias vidas dessa gente. E nem precisaria. Porque é disso que se trata: das nossas vidas.
Ou vocês realmente acham que conseguiríamos viver - ou ao menos viver bem - numa ditadura neopentecostal, neoliberal e fascista? Muitos dos mais de 700 mil mortos, assassinados pelo negacionismo bozista, também deram de ombros quando alertávamos e lutávamos entre 2015 e 2018: com Dilma sendo golpeada, com Lula atacado e preso, e a mesma moralina operando a pleno vapor, orquestrada, com sonoplastia e tudo, pelo Jornal Nacional.
Deu no que deu.
A pergunta é simples - e incômoda: querem repetir o erro?
Abaixo, com orgulho, a mensagem de meu professor, Leonardo Boff.


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