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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Na passagem deste ano de 2025 se não for passar em casa estarei por aí onde estiver amigos e um violão.
Texto de César Benjamim no final de 2022 relembrado no dia de hoje
Ano Novo na Praia de Copacabana, 01/01/1981 — Foto: Anibal Philot/Agência O Globo
Sou de uma época em que passávamos o Ano Novo na praia com amigos e familiares em completa paz. As pessoas levavam violões, flautas, pandeiros e tambores. Formavam seus grupos para cantar e rir até o dia raiar. Havia o pessoal de Iemanjá com seus barcos. Nenhuma violência. As crianças adoravam passar uma noite na praia.
Éramos muita gente, todos os anos, mas permanecíamos pessoas, cada um com seu jeito.
Mas, como podem tantos consumidores serem deixados em paz se há tanta coisa para vender? Grandes empresas e Prefeitura inventaram então que precisavam controlar a festa, mercantilizá-la e adensá-la. Gente é business.
O que era a celebração de cada um tornou-se mais um evento de propaganda e marketing, feito para exercitar o controle sobre multidões sem rosto.
A festa das pessoas tornou-se mais um evento mercantil para consumidores padronizados, excitados e idiotizados.
Vieram os shows. Os cachês. Os patrocínios. A mercantilização dos espaços. Os cordões de isolamento. A ânsia de ter cada vez mais gente apinhada. As galeras. A música da hora. Vieram junto a tensão, a violência e a sujeira.
Saíram a individualidade, o prazer, a paz, a intimidade, a música de cada um.
Os espetáculos dos fogos tornaram-se desproporcionais. Tudo se tornou desproporcional a qualquer medida humana.
Neste ano foram três milhões? Pois no próximo serão quatro! Sucesso se mede assim. Quem garante é a grande máquina de formação e controle de multidões a serviço das mercadorias.
Leio que neste ano o acesso à praia terá detectores de metais. Sorria, você está sendo filmado!
Tchau, pessoal, a gente não se encontra lá!
César de Queiroz Benjamin - é um cientista político, editor e político brasileiro. Durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), participou da luta armada contra o regime, foi perseguido e exilado. Cofundador do Partido dos Trabalhadores (PT), foi também filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), tendo se desligado dos dois partidos. Atualmente, César Benjamin é o editor da Contraponto Editora] e colunista da Folha de S.Paulo.
Sobre a polêmica do palco gospel no Reveillon do Rio de Janeiro
Babalawo Ivanir Dos Santos
Misturar samba com gospel é confundir o debate ou tentar apagá-lo. Gospel é música religiosa. Samba não é.
O samba e as escolas de samba sempre foram guardiões fundamentais das tradições afro-brasileiras. Foram os sambistas, os compositores, as comunidades e as escolas que mantiveram vivas práticas, símbolos e memórias quando o Estado virou as costas. Reconhecer isso é essencial e inegociável.
Mas o debate aqui é outro. Trata-se de música de base religiosa no espaço público. Assim como o gospel é expressão religiosa, as religiões de matriz africana também possuem cantos, ritos e fundamentos que não podem ser reduzidos a entretenimento cultural.
Não se trata de ser contra a existência de um palco gospel. O que está em questão é o tratamento desigual no uso do espaço público. Quando uma religião recebe estrutura, visibilidade e financiamento institucional, enquanto outras são empurradas para a invisibilidade, não há equidade.
Dizer que “quem é de axé vai para o samba” apaga a dimensão espiritual das religiões afro-brasileiras e ignora seus rituais, símbolos e fundamentos. Fé não é gênero musical intercambiável.
Se há espaço para música religiosa cristã, por que não considerar também um espaço para o povo de terreiro, com artistas que expressam o sagrado afro-brasileiro em sua plenitude, como @awuree , @marienedecastro , @mateusaleluia , @ritabenneditto e @tiaocasemiro ?
E por que não ampliar ainda mais esse horizonte, contemplando também manifestações religiosas católicas, judaicas, Hare Krishna, ciganas ou outras tradições espirituais que se expressam de formas diversas?
Diversidade não é discurso. É prática concreta de reconhecimento, representação e equidade.
Estado laico não escolhe crença. Garante igualdade para todas.
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