informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
Momento sensacional compartilhado por
cerca de 25 pessoas neste último sábado, 23/01, em Aracaju.
A apresentação que realizei tomou por base alguns subsidios, os quais
deixo disponiveis por aqui, para quem esteve presente e para quem quem não
esteve. A expectativa é que mais
encontros como esse sejam realizados, e por ser um ano de eleições municipais,
um bom tema pode ser a cidade que temos, a cidade que estamos construindo, com
nossas micro ações e nossa lutas e a
cidade que queremos.
Para discutir o assunto é de bom tom, realizar primeiro sem colocar
em pauta candidatos ou siglas, mas
realizar com pessoas ligadas a
movimentos, organizações, coletivos e etc., discutindo propostas e
alternativas Posteriormente, podem ser
chamados candidatos e partidos para tomarem conhecimento das propostas e se posicionarem. Também é legal
buscar a participação de pessoas não ligadas organicamente a movimentos,
organizações e coletivos, sempre que possivel.
Certa feita, conversando com um amigo educador/artista,
que reside na cidade de Olinda, em Pernambuco, sobre o modo de a esquerda
governar, ele externou para mim algumas preocupações referentes ao modelo de
gestão de muitas administrações progressistas que ele conheceu e que se moldam
facilmente à cultura política das oligarquias locais e realizam, mesmo que de
forma mais eficiente, uma gestão cuja prioridade são apenas as grandes obras,
os programas assistenciais e os shows com grandes artistas ligados à cultura de
massa, o que acaba lembrando uma canção do Cazuza: “Um museu de grandes novidades” ou parafraseando Belchior: “Minha dor é perceber que apesar de tudoque fizemos, ainda somos os mesmos, “pensamos” e administramos a coisa públicacomo os velhos coronéis.”
E o meu amigo fez o questionamento porque, ocorrendo o
término do mandato (sem reeleição), uma outra administração ligada a partidos
conservadores, com inteligência e perspicácia pode fazer a mesma coisa:
realizar grandes obras, investir em programas sociais e prosseguir na
organização dos mega shows e, conseqüentemente, passar para a população a idéia
de que não haverá necessidade de se votar na esquerda novamente.
Se na época não consegui imaginar isso como uma
possibilidade real, decorridos alguns anos dessa conversa, reconheço que essa
opinião é pertinente e esse texto foi escrito para ajudar na reflexão sobre o
assunto, na linha de que tudo que é sólido se desmancha no ar e de que o que é
novidade facilmente torna-se comum, e por isso todo indivíduo ou organização
que deseja ser sempre considerada e reconhecida deve continuadamente buscar se
aprimorar naquilo para que foi criada e facilitar as coisas para que novas
descobertas e novas invenções possam ter lugar.
E isso só acontece num ambiente de autonomia e que
favoreça condições e oportunidades para a construção e reconstrução subjetiva
dos indivíduos .
Nesse sentido, considero duas questões primordiais. Em
primeiro lugar, atenção especial para a mudança de valores e práticas de relacionamento
político pautado nos antigos procedimentos da elite dominante, como o
clientelismo, o paternalismo, o autoritarismo etc...
Em segundo lugar, atenção especial àquilo que aponta para
a criação de sujeitos mais solidários, mais livres, mais ousados, àquilo que
cria e dá sentido à realização plena das pessoas (refiro- me aqui à produção
artístico/ cultural).
No primeiro caso se faz necessário (re)construir,
fortalecer ou criar estruturas formais e informais de participação “real” da
população nas decisões sobre os rumos do governo, como os conselhos, as
conferências, as câmaras setoriais, os fóruns e as redes, além do incentivo e
apoio à organização da sociedade civil através das ongs, e cooperativas. Assim,
se viabilizaria um ambiente favorável à gestação de novas idéias e recursos
para resolver ou atenuar velhos problemas, o que também pode garantir a criação
de um antídoto para evitar o retrocesso de condução antidemocrática das
decisões, a partir da eleição de partidos ligados às velhas elites dirigentes,
após suceder-se um governo de esquerda.
No segundo caso, democratizar o acesso aos meios de
produção artística e dos meios de produção e difusão da informação, com
orçamento decente e gestores comprometidos, preparados e que saibam ouvir os
interessados no assunto, o que resultará em diretrizes e ações que garantirão à
maioria da população a possibilidade de se expressar de maneira que não fiquem
apenas se comportando como meros consumidores de um bocado de lixo que é
comercializado como produto cultural e cujos conteúdos -- carregados de
intolerância (inclusive religiosa), vulgarização do sexo, preconceitos vários,
individualismo exacerbado, banalização da violência, etc., -- vão na direção
contrária de tudo aquilo que defendemos, formando o “caldo” da cultura que
conduz ao retorno e sustentação da nova/ velha direita.
E isso é tudo que muita gente que ousa lutar e acreditar
em outro país menos deseja, mas que será inevitável, caso opiniões como a nossa
não sejam levadas em consideração a tempo.
P.S.: Segundo o pensador italiano Norberto Bobbio a
esquerda orienta-se por um sentimento igualitário e a direita aceita a
desigualdade como natural. Embora no Brasil seja praticamente impossível
perceber a diferença através dos discursos e propaganda em época de campanha
eleitoral.
Quanto as questões que apresento no texto acima percebo
que o modelo de gestão do Ministério da Cultura aponta para o que escrevi
acima. Apesar da necessidade de aumento do orçamento e da capacitação técnica e
redução da burocracia para o acesso dos pequenos empreendedores culturais do
interior e das periferias aos editais. Em Recife, em visitas a comunidades
periféricas e em conversas com artistas e arte-educadores populares e também
com o Secretário de Cultura, João Roberto Peixe, que nos concedeu audiência de
quase duas horas no ano de 2004, pude perceber que muito daquilo que
queremos/sonhamos já é realidade. Na oportunidade, o secretário me entregou
cópias do relatório de gestão 2000/2004 e da I Conferência Municipal de Cultura
do Recife, da qual tive a honra de participar.
José de Oliveira Santos - “Zezito” Professor de história
e artivista
Um rápido diário de bordo de 2015, para quem acha que não
foi um ano bom
Por Márlon Reis -
2 de janeiro de 2016
- O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais
as doações de empresas a candidatos, pondo fim à aceitação oficial do abuso do
poder econômico, que agora pode ser combatido, estimulando a candidatura de
maior número líderes autênticos;
- Ainda o Supremo Tribunal Federal proibiu as doações
ocultas, permitindo que o eleitor saiba quem de fato está bancando a campanha
de cada candidato;
- O Congresso Nacional, pressionado pela sociedade,
sepultou a proposta abjeta denominada "Distritão";
- O Senado Federal rejeitou a proposta de manutenção das
doações empresariais;
- Foi limitado a seis o número de partidos que podem ter
os tempos de propaganda no rádio e na televisão somados nas coligações em
cargos majoritários, enfraquecendo as chamadas "legendas de aluguel";
- o TSE manteve o entendimento de que prefeitos
ordenadores de despesa ficam inelegíveis já após a rejeição das contas pelos
tribunais de contas, afastando a necessidade de pronunciamento das Câmaras de
Vereadores;
- Doações a candidatos terão que ser declaradas
oficialmente na internet em até 72 horas após o recebimento, propiciando um
grau de transparência às contas de campanha sem precedentes na nossa história;
- Centenas de organizações sociais e milhares de
voluntários se mobilizaram para impedir a aprovação de uma "Reforma
Política às avessas" pelo Congresso Nacional... e tiveram êxito;
- MCCE, OAB, CNBB e diversas outras organizações sociais
anunciaram para 2016 a realização de uma Campanha Nacional contra o Caixa 2.
Então, você ainda acha que 2015 foi um péssimo ano?
Crise política torna paulistanos mais descrentes nas instituições públicas, aponta pesquisa
A insatisfação com o sistema
político e econômico foi um dos aspectos que mais chamou atenção na
pesquisa de Bem-Estar no Município pesquisa realizada pela Rede Nossa
São Paulo em parceria com o Ibope, divulgada, nesta terça-feira
(19).Apesar de áreas como educação e saúde terem sido mais bem avaliadas
neste ano, itens relacionados à segurança e a transparência tiveram uma
piora significativa em relação ao ano anterior. Reportagem de Anelize
Moreir. AQUI
Vencer em São Paulo, para renascer no Brasil
A
candidatura de Haddad não disputa apenas a prefeitura de São Paulo, mas
um espaço de renascimento da agenda progressista no Brasil. E a direita
sabe disso.
O
economista e professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, deu nesta
sexta-feira (8) seu segundo e último dia de assessoria aos cursistas do
29° Curso de Verão, no Teatro da Universidade Católica (TUCA). Ele falou
sobre a importância do conhecimento hoje na sociedade e em se saber o
que acontece na economia.
“O eixo
econômico geral deste século é o conhecimento. Se eu dou o meu relógio
para alguém, eu o perco. É o que chamamos de bem rival na economia, ou
eu ou outra o pessoa o tem”, disse. “Mas se eu compartilho uma ideia,
nós dois a temos”.
Para o
economista, é importante questionar as informações da mídia. “Devemos
assistir o Jornal Nacional e pensar: ‘que porcaria é essa?”, disse sobre
risadas dos cursistas. “Não deve ser uma empresa que acha que devemos
pensar o que querem, é uma cooperação de jornalistas”.
Social
Dowbor
voltou no último encontro a criticar os juros dos bancos – sobre os
quais passou um vídeo crítico humorístico do programa “Zorra Total” -, a
falta de preocupação com a pobreza no mundo e o mau uso das riquezas,
acumuladas em grandes fortunas. “Sai muito mais caro resolver as
consequências da miséria do que acabar com ela. Uma mãe não tem comida
para dar para o seu filho”, lamentou.
O
assessor falou sobre a importância de atuação conjunta dos setores
público e privado. “Não é que somos contra a economia de mercado ou a
favor da pública. Normalmente isto nos divide: quem é de direita quer
privatizar; quem é de esquerda, estatizar. A economia de mercado é boa
para produzir, mas não para a saúde, educação”. Dowbor falou também
sobre como o Canadá oferece saúde pública de graça e, com menos custos
com o tratamento de doenças, investe menos do que os Estados Unidos,
onde o sistema de saúde pública tem difícil acesso.
O
professor terminou o encontro agradecendo a todos antes de ser
aplaudido de pé e receber o livro “Pacto das Catacumbas” de presente do
autor da obra e coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à
Evangelização e Educação Popular (CESEEP), padre José Oscar Beozzo.
“Quero parabenizar as pessoas que organizaram este curso. O grande eixo
(para a mudança) é esse. Nunca vi democracia de graça.”
O
presidente do CESEEP, padre Benedito Ferraro, ainda falou sobre a
importância da educação. “Escutando esta palestra, penso que temos de
retomar o método (do educador) Paulo Freire, a pedagogia do oprimido,
para pensar o mundo de baixo para cima”.
Para o
teólogo, devemos seguir as recentes declarações do Papa Francisco e
buscar uma economia para os pobres, a paz no mundo e cuidar do nosso
planeta, a “Casa Comum”.
3º dia (08/01/2016) – Assessoria do prof. Ladislau Dowbor (2ª parte) “O sistema financeiro atual trava o
desenvolvimento econômico do país”.
Alguns
defendem que ‘tudo é política, embora a política não seja tudo’. Do
mesmo modo, pode-se afirmar que ‘tudo ou quase tudo é economia, embora a
economia não seja tudo’. Porém, a política e a economia estão
intimamente relacionadas e não são, ou não deveriam ser, um jogo de
“vale tudo”. Em ambas, a ética, a justiça e o bem estar coletivo devem
prevalecer. Esse foi o mote que orientou a reflexão do economista e
professor da PUC/SP Ladislau Dowbor nesta sexta feira (8) no 29º Curso
de Verão, numa promoção do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e
Educação Popular (CESEEP). O curso acontece na PUC de São Paulo com o
tema “Economia promotora dos direitos humanos e ambientais”.
Conforme
Dowbor, a economia é uma dimensão fundamental da vida sobre a qual todos
precisam aprender. “Economia é o conjunto das atividades que podem
levar à melhoria da qualidade de vida. O grande desafio é utilizar os
recursos econômicos para resolver os dramas sociais e ambientais”,
advertiu. O professor também chamou atenção para a questão da
urbanização. “Hoje cerca de 85% da população brasileira vive nas
cidades. Esse fenômeno pode multiplicar problemas sociais e ambientais,
mas, por outro lado, abre inúmeras possibilidades de convivência”,
disse.
O
economista enfatizou a importância de utilizar o conhecimento para
promover a democracia, o espírito público e o bem comum. “Se eu
distribuo meu relógio, fico sem ele; mas se compartilho uma ideia, ela
se multiplica. Assim, o conhecimento pode gerar novas formas
colaborativas e organizativas”. Incentivou os cursistas a se engajarem
em projetos alternativos. Para contribuir nesse sentido citou o
documento “Projeto Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local”,
que contém 89 sugestões concretas e viáveis para dinamizar a economia
local. O documento está disponível no site: http://www.polis.org.br/uploads/1509/1509.pdf.
O enfoque
dado pelo professor está em sintonia com a perspectiva dos Fóruns
Sociais Mundiais, cuja primeira edição aconteceu em 2001 na cidade de
Porto Alegre/RS, tendo como slogan “Um outro mundo é possível”. Em sua
15ª edição, o Fórum Social Mundial volta ao Rio Grande do Sul. O evento
que articula experiências e propostas altermundistas será realizado de
19 a 23 de janeiro de 2016, em Porto Alegre, com o tema “Paz,
democracia, direitos dos povos e do planeta”. Inscrições podem ser
feitas pelo site: www.forumsocialportoalegre.org.br.
2º dia (07/01/2016) – Assessoria do prof. Ladislau Dowbor
“O sistema financeiro atual trava o desenvolvimento econômico do país”.
1º dia (06/01/2016) – Celebração de Abertura do 29º Curso de Verão (2016)
Por um 2016 com maior compreensão da importância da cultura e da
comunicação, para o crescimento do desenvolvimento humano, social,
econômico e cultural do Brasil e consequentemente com uma maior
quantidade de investimentos a altura desse maior nivel de compreensão.
Por Zezito de Oliveira- Educador e Produtor Cultural ligado a iniciativas de base comunitária.
Há poucos dias precisei assistir/ouvir um destes programas de
sensacionalismo policial, por conta de estar trabalhando em uma escola,
onde tinha pessoas na secretaria que estava com a televisão ligada na Tv
Record e percebi uma das principais razões, quiçá a principal razão,
para o crescimento e a proporção que estão tomando as manifestações de
intolerância e ódio, as quais no limite abrem caminho para o
nazi-fascismo redivivo
Na minha opinião
pela ordem: Cultura, comunicação e educação, são estratégicas e precisam
ser encaradas como prioridade na sequência elencada acima, porque as
estruturas mentais e organizacionais dentro do universo escolar, são mais dificeis de
serem transformadas, em direção as mudanças que tanto almejamos, no curto
espaço de tempo e na profundidade necessária, caso estes esforços incidam apenas no campo da gestão e das metodologias pedagógicas "stricto sensu" em outras palavras, circunscritas ao universo restrito do pensamento e das práticas acadêmicas e escolares.
Portanto, a educação como ambiente de formação e socialização, tendo a escola como o principal lugar de enfrentamento desse tipo de situação de barbárie a que a ordem mundial capitalista quer nos levar. Porém, sem
mudar o sistema educacional, não adiantará muita coisa. E para mudar o
sistema educacional que é um sistema cultural, a forma mais inteligente
de fazer isso é através da cultura e da comunicação ou através da ação cultural, como bem colocava o mestre Paulo Freire, assim também como da
arte educação e da educomunicação. Uma pena termos tantos intelectuais
progressistas ocupando cargos de relevância no sistema educacional da
união, dos estados e dos municipios e pouco ser realizado na direção
proposta acima.
Vale citar como uma das poucas e saudáveis exceções,
os nomes do historiador Célio Turino, do ex-ministro da cultura
Gilberto Gil e do atual Juca Ferreira , cujas palavras e atitudes
enquanto intelectuais e gestores, demonstraram e demonstram estar em
bastante sintonia com o que defendemos acima. Um exemplo são os
programas Cultura Viva e Mais Cultura nas Escolas.
No caso deste
último lamentavelmente enfrentando problemas de repasse de recursos
financeiros por parte do MEC, com atraso de mais de um ano para
liberação da segunda parcela de miseros R$10.000,00. Quanto ao Cultura
Viva também enfrentou nos últimos anos, uma marcha a ré, por causa da
brutal redução dos recursos disponibilizados e da compreensão da
importância do mesmo, na perspectiva defendida acima. P.S.: O movimento Ocupe Escola, iniciado pelos estudantes de São Paulo apontam ou sinalizam "as mudanças que tanto almejamos".
Frei Betto também escreveu um dos melhores textos em português sobre a escola e reclamada pelas novas gerações e por muitos que deixaram um legado de construção e de lutas em favor de uma outra escola, outra educação. Como é o caso de Anisio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.