sábado, 2 de março de 2013

Revista Caros Amigos lança especial Dilemas da Juventude


A Caros Amigos lança a edição especial temática Dilemas da Juventude, que aborda com realismo, abrangência e sagacidade vários temas debatidos pelos jovens, pais e a sociedade – sobre questões pertinentes à juventude.

Toda geração tem marcas próprias na juventude. Embora o conceito de juventude seja bem recente, inclusive com definição de faixa etária pela ONU, de 15 a 24 anos de idade, todos convivem e enfrentam dilemas nessa fase de transição para a vida adulta.

Desigualdades

Muitos dos dilemas vividos por mais 51 milhões de jovens brasileiros são gerados não apenas pelos sentimentos e desafios típicos da idade, mas pelas brutais desigualdades econômicas e sociais que ainda assolam o país.

O genocídio dos jovens negros e pobres, moradores das periferias urbanas, é um fato real e concreto, que está aí a exigir políticas públicas específicas juntamente com amplo processo de reeducação da sociedade. Até quando essa juventude será alvo de preconceito, criminalização e repressão – por parte de agentes do Estado?

Direitos

Parece claro que outra parte dos dilemas tem a ver com as possibilidades e condições em que os jovens podem exercer o direito de acesso à cidade, à educação, à cultura e ao lazer. As restrições e controles não apenas alimentam conflitos e frustrações, mas, sobretudo impedem que milhões de jovens possam sonhar e acreditar no futuro.

Mais:

Receba essa edição e as 5 outras de 2013 por R$ 49,00

Uma marca negativa do mundo atual está diretamente relacionada com os valores da ideologia neoliberal impregnada na juventude, como demonstra uma pesquisa em que 40,3% dos jovens entrevistados - contra apenas 4,8% - acreditam que o “esforço pessoal” é mais importante do que a “participação em organizações sociais” para a melhoria da vida.

Dilemas

Esta edição especial temática da Caros Amigos procura mostrar os principais dilemas dos jovens nos vários ambientes e situações, na relação com a família, no estudo, no trabalho, na militância política e social, diante das drogas e da violência; trata também das políticas públicas e de possíveis alternativas para enfrentamento dos problemas existentes.

O material jornalístico registra e debate questões nem sempre abordadas pela família, escola e meios de comunicação. Mostra que a juventude continua sendo caracterizada pela busca de outros modelos comportamentais e pelos mais variados processos de transformação política, social e cultural.

É preciso conhecê-los – se quisermos construir um futuro melhor.

Hamilton Octavio de Souza

Editor-Chefe
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O Sebrae irá realizar em Aracaju mais uma edição da Feira do Empreendedor.


Amigos,
Em outubro mais adiante o Sebrae irá realizar em Aracaju mais uma edição da Feira do Empreendedor. Essa não é uma feira de vendas em varejo e sim de realização de negócios, ou seja, só vai quem "tem negócio".

Serão atraídas a participar como expositoras empresas e instituições de diversos segmentos que podem trazer para cá oportunidades de negócios (franquias, indústrias que querem se expandir, fabricantes, inventores, etc). O público visitante do evento será pois, empreendedores e empresas que têm interesse em abrir ou ampliar um negócio, ser representante de uma marca, etc.

O fato é que na Feira do Empreendedor teremos um estande de Economia Criativa e precisamos prospectar as tais empresas top de linha para convidá-las a participar como expositoras, trazendo para Sergipe coisas que o mercado cultural necessita.

A questão para vocês me ajudarem a responder é:
quais são as necessidades do nosso mercado cultural em termos de produtos, serviços e oportunidades de negócios (música, artes visuais, audiovisual, digital, etc)?
quais são os produtos e/ou empresas que nossos produtores culturais gostariam de ter por aqui?
Conto com vocês nessa empreitada investigativa.
Obrigada!
Abraço!
 
escreva para mercia.menezes@se.sebrae.com.br
  Recebido de Betania
 

Falta de estrutura nos Conselhos Tutelares prejudica atendimento


O Conselho Tutelar é um o órgão autônomo e não jurisdicional, criado em 1990 pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com o objetivo de zelar pelo cumprimento dos direitos garantidos a meninos e meninas de todo o Brasil. Porém, o órgão tem recebido críticas sobre o desempenho do seu papel. Um denunciante, que não quis se identificar, relatou que procurou um conselho tutelar da capital há seis meses para denunciar um caso de violência contra uma criança de nove anos de idade, mas até o momento nada foi averiguado. “Já faz um tempão que fui ao conselho de Aracaju para fazer uma denúncia, mas nada foi feito e a situação continua acontecendo”, conta. De acordo com o vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Danival Falcão, toda suspeita notificada no órgão tem que ser investigada. Porém, a quantidade de Conselhos de Sergipe ainda é insuficiente, o que provoca deficiência nos atendimentos. Mesmo assim ele explica que a negligência por parte do Conselho Tutelar também é considerada crime e alguém deverá ser responsabilizado. De acordo com João Pereira Gomes, conselheiro tutelar há cinco anos, a maior dificuldade de atuação dos conselheiros é a falta de políticas públicas voltadas para a população infanto-juvenil e também a precariedade da estrutura dos Conselhos. “Realmente não temos muitos subsídios para trabalhar. Até a infraestrutura dos órgãos não é adequada para receber as pessoas que querem fazer denúncia”.

Conselhos Tutelares – São órgãos vinculados ao poder executivo municipal, cujos profissionais devem ser eleitos diretamente pela comunidade. Pode se candidatar qualquer pessoa maior de 21 anos, desde que residente na cidade onde concorre a eleição. O candidato à conselheiro tutelar deve comprovar idoneidade moral e deve ter no mínimo dois anos de atuação na área da infância e adolescência.

(Jornal Correio de Sergipe, p. Geral A4 – 17e 18/02)

Eleições e Corrupção - Como combater os ladrões de corações e mentes..


O que esperar de uma geração que cresce assistindo somente a Xuxa, Gugu Liberato, Faustão, Sílvio Santos, Malhação, Super Pop, Pânico, Brig Brother e etc?(1). A esse propósito, quando ouço algumas pessoas defender o investimento em esporte e cultura como estratégia para “afastar crianças e adolescentes das drogas”, penso com meus botões se já não é hora de ampliarmos o conceito sobre “droga”. Ou temos alguma dúvida sobre o efeito de anestesiamento, alienação, e dano ao desenvolvimento mental, emocional ,ético e estético que uma série de programas da televisão aberta causa àqueles que têm nestes veículos a sua fonte mais importante de informação e de entretenimento?


A solução, a médio e longo prazo, é mais investimento em escola de tempo integral, criativa, com qualidade (incluindo salários de “qualidade” para os trabalhadores da educação), mais Pontos de Cultura e democratização do acesso ao rádio e a TV para organizações da sociedade civil de caráter educativo e cultural. Se há espaço nesses veículos para os partidos políticos, por que não haver também para outras formas de organização da sociedade civil ?

Ou por que não liberar outras concessões para canais de rádios e de televisão identificados com as causas dos direitos humanos, do desenvolvimento sustentável, da diversidade cultural, da economia solidária, da educação criativa, a exemplo do que foi feito com o TVT

(1) A despeito do que falei sobre alguns programas de grande audiência na televisão aberta, não trata-se de censura, antes também assistia e gostava do Chacrinha e hoje em alguns momentos dou uma zapeada e paro por alguns minutos principalmente em Pânico, Super Pop e CQC. Como também afirmou o ministro Juca Ferreira em entrevista a Caros Amigos, edição 157, de abril de 2010. “A humanidade tem vinculos com esse tipo de produção(referindo-se ao programa brig brother) É um voyeurismo. A banalidade exerce um fascinio enorme sobre as pessoas”; “Mas eu sou a favor da liberdade de escolha por parte da população. Quem quiser ver Brig Brother que veja. (...) Ás vezes eu assisto coisas absolutamente banais, mas assisto me distanciando como a maioria das pessoas faz.” (grifo nosso).

E como afirmei, para contribuir com esse distanciamento, escola de tempo integral e criativa, acesso a criação e a diversidade cultural e democratização da comunicação é uma combinação formidável.
Zezito de Oliveira
Educador e Produtor Cultural


E para relaxar.... 

Wanderley Andrade - Ladrão de Coração

 AQUI

Leia tanbém.

Renan: retrato do eleitor brasileiro


José Lisboa Moreira de Oliveira
Filósofo. Doutor em teologia. Ex-assessor do Setor Vocações e Ministérios/CNBB. Ex-Presidente do Inst. de Past. Vocacional. É gestor e professor do Centro de Reflexão sobre Ética e Antropologia da Religião (CREAR) da Universidade Católica de Brasília
Adital

Sou um dos signatários da petição que circulou na internet pedindo aos senadores que não elegessem Renan Calheiros como presidente do Senado brasileiro. Apesar das mais de 250 mil assinaturas, a maioria absoluta dos senadores fez vista grossa e não atendeu ao pedido de um bom grupo de brasileiros honestos.
Mas quem tem boa memória não se surpreendeu. Afinal de contas não é a primeira vez que isso acontece. É tradição do Senado brasileiro, eleger gente suspeita para a sua presidência. Se alguém ainda tem dúvida basta fazer uma pesquisa e verificar quem ocupou a cadeira de presidente daquela casa, começando pelo antecessor de Calheiros. E se isso acontece é porque a maioria absoluta dos senadores faz parte da mesma trupe e não tem interesse de eleger para cargo tão importante pessoas que se pautariam pela ética e pela transparência. A maioria é, no dizer do adágio popular, "farinha do mesmo saco”.
Porém, nesta hora, ao invés de ficarmos revoltados ou desperdiçando palavras inúteis, fazendo discursos demagógicos, precisamos fazer um sério exame de consciência. Certa vez li um texto do Dalai Lama no qual ele dizia que os grandes males da humanidade existem porque falamos demais e refletimos muito pouco. Ele chegava a afirmar que em situações como essas é preciso silenciar para percebermos a nossa responsabilidade e, a partir disso, começarmos a agir de maneira diferente.
Quem é Calheiros?
O retrato fiel da maioria absoluta dos eleitores brasileiros. Afinal de contas os que o elegeram não chegaram ao Senado através de um golpe ou por eleição indireta. Não estamos mais na época dos "senadores biônicos”. Foram eleitos por milhões de brasileiros. Logo, por dedução lógica, foram eleitos por brasileiros e por brasileiras que, pelo voto direto, os levaram ao Senado. E, também por dedução lógica, precisamos ter a sinceridade e a humildade de reconhecer que ainda votamos de forma irresponsável, sem fazer um discernimento sério e criterioso. Votamos porque o sujeito fala bem. Votamos porque o cara tem dinheiro. Votamos porque ele é "bonitão” e ela é "lindona”. Mas votamos também porque ele é o candidato daquele político mais próximo de nós, que um dia nos fez um favor: pagou uma cachaça, financiou uma dentadura ou uma receita de remédio.
Portanto, nada de lamentos e de atitudes bobas de escândalo. Nós, brasileiros e nós brasileiras, de um modo geral, ainda somos corruptos. Ainda temos a mentalidade do "jeitinho”. Aquele jeitinho que começa "furando a fila” dos que aguardam o ônibus, ou a abertura do banco, e vai se propagando até a venda do próprio voto. Dias atrás eu estava com minha esposa na fila de um restaurante. Aguardávamos a abertura do mesmo para o almoço. Ao se abrirem as portas do restaurante quase fomos atropelados, pois aqueles que estavam atrás se precipitaram sobre nós para almoçarem por primeiro. E é bom lembrar que não era um restaurante popular e que não havia nenhum risco da comida se acabar. Gestos antiéticos como estes são muito comuns no nosso dia a dia. Toda vez que podemos enganamos e nos desviamos da boa conduta, sempre com a intenção de levar vantagem em tudo.
Somos um povo de memória curta, um povo que se deixa levar facilmente pela propaganda, pela mentira e pela conversa fiada dos farsantes. Em 1989 Collor de Mello, apoiado pela grande mídia, especialmente pela Rede Globo, foi eleito com a falsa imagem de "caçador de Marajás”. Na ocasião a maioria dos brasileiros recusou-se a ver quem ele era e por quem era apoiado. O resultado desastroso nunca foi esquecido por quem tem boa memória, especialmente pelos que faliram e sofreram danos horríveis a partir do confisco do nosso dinheiro, por ele realizado no dia seguinte após a posse presidencial. Confisco esse tão rentável que permitiu que a sua ex-ministra da Fazenda se mudasse na época para os Estados Unidos, onde vive confortavelmente até hoje.
No momento a cena se repete. Brasileiros continuam se empolgando e deixando-se enganar. Não aprendemos a lição. No segundo semestre do ano passado muita gente ficou entusiasmada com a condenação dos protagonistas do "mensalão” do PT, por parte da Justiça brasileira. Não foram capazes de perceber que se trata de um ato politiqueiro, com a finalidade explícita de desviar a atenção do povo brasileiro dos verdadeiros bandidos. E para comprovar isso bastaria dar uma olhada nos outros julgamentos da Justiça ou, melhor ainda, nos processos que se arrastam há anos. Bastaria conhecer os crimes nunca julgados e nunca punidos. Seria interessante nos perguntarmos por que o Procurador Geral da República não fez nada até agora para denunciar a famosa "privataria tucana”, cujos documentos são públicos e notórios e envolve criminosamente políticos brasileiros numa operação de desvio de quantias vultosas dos cofres públicos brasileiros. Bastaria lembrar o mensalão do PSDB e os escravocratas fazendeiros assassinos de Unaí (MG), bem pertinho de Brasília, mandantes do assassinato dos fiscais do Ministério do Trabalho, até hoje impunes. E poderíamos aqui multiplicar os exemplos.
Não estou aqui defendendo o PT e nem afirmando que não houve mensalão, embora pairem dúvidas sérias sobre o assunto. O que estou afirmando é que existem sérias evidências – pelo menos para as pessoas inteligentes – de que este julgamento é politiqueiro e parcial. Os políticos do PT não estariam sendo usados como bodes expiatórios, com a finalidade explícita de nos desviar de crimes muito mais sérios? Por que mensalões cometidos antes por outros políticos e partidos, com os quais o PT aprendeu a lição, permanecem impunes até hoje? A Justiça deve explicação à população brasileira, se não quiser continuar com a sua imagem arranhada. Ela deve saber que uma boa parte dos brasileiros já não engole mais a propaganda da grande mídia. Como acreditar numa Justiça, exaltada no momento do julgamento do mensalão do PT, se esta exaltação vem de uma mídia que sempre esteve do lado da elite e da oligarquia brasileiras, únicas responsáveis pela miséria do povo e pela corrupção em nosso país?
É hora, pois, de acordar e de cada um de nós assumir sua parte de responsabilidade nesta história. É hora de, com muita coragem e determinação, reconhecer aquela tendência à corrupção e à desonestidade que se aninha dentro de cada um e de cada uma de nós. É hora de conversão, de reviravolta, de "mudança de hábitos”. É hora de parar de reclamar e de agir com mais transparência, mais seriedade e mais ética.
Por fim, cabe lembrar, não para nos desculpar, que este não é um problema só nosso e nem só de hoje. Há exatos 80 anos Hitler, um dos maiores facínoras da humanidade, chegou ao poder pelo voto direto. Na Itália, Berlusconi, talvez o maior político corrupto daquele país em todos os tempos, chegou ao poder pelo voto popular. E o que pensar de Putin na Rússia e de tantos outros políticos em tantos outros países? Isso só vem confirmar a urgência de uma ética mundial, como incansavelmente vem defendendo Hans Küng e outros cientistas e estudiosos.

Leia também:

Há almoço grátis   AQUI

Acervo da Funarte está disponível na internet

O público pode reviver o teatro de revista. Os musicais da década de 50 do século passado são algumas das raridades disponibilizadas na internet pela Fundação Nacional de Artes. O acervo, que guarda parte da memória da cultura brasileira, passa por um processo de digitalização.

Assista reportagem, AQUI
 Acesse o acervo, AQUI

Brasil, um país de memória

Desde o início dos anos 2000, a Funarte (Fundação Nacional de Artes) vem adaptando seu acervo para se tornar acessível a um número cada vez maior de brasileiros. Desta forma, a instituição tem organizado itens variados que compõem sua vasta coleção - fotos, arquivos sonoros, textos, documentos - para serem digitalizados ao público, na internet. Constituem esses acervos uma parte considerável da memória das artes cênicas, da música e das plásticas do Brasil.


sexta-feira, 1 de março de 2013

Leonardo Boff mostra ceticismo sobre futuro da Igreja Católica

Alana Gandra - Agência Brasil 28.02.2013 - 20h25 | Atualizado em 28.02.2013 - 20h45

Leonardo Boff (Foto: Site oficial de Leonardo Boff)
Rio de Janeiro - O futuro da Igreja Católica ainda é uma incógnita para o teólogo Leonardo Boff. Hoje (28), no último dia de pontificado do papa Bento XVI, de 85 anos, Boff mostrou ceticismo ao falar à Agência Brasil sobre o tema.”Eu creio que a crise é tão grande e atingiu o coração da Igreja [Católica], porque é a parte moral, da transparência, da credibilidade, da confiança que os fiéis dedicam à igreja. Isso foi atingido e, em parte, destruído”.
Para Boff, o futuro papa terá a tarefa “imensa” de resgatar uma imagem da Igreja Católica que tenha uma “altura moral, que ela represente valores que vêm da grande tradição de Jesus”. Ele acredita que o novo papa deverá vir de fora da Europa. “Porque os europeus todos estão envolvidos na mesma lógica do poder, dos negócios, das intrigas”. Para o teólogo, o novo papa poderá vir da África ou da América Latina.
“Tem que ser um papa corajoso, que enfrente a Cúria romana, que tem mais de mil anos de estruturação, e descentraliza eventualmente a Igreja Católica”. O teólogo disse que os instrumentos teólogicos-jurídicos não existem. “Os papas sempre os esvaziaram. Basta a ele [novo papa] aplicá-los. Salvaria a igreja. Isto é, dando valor de decisão às conferências nacionais, aos sínodos dos bispos que ocorrem a cada dois ou três anos em Roma, e o papa como referência de unidade, mas peregrinando pelas igrejas”.
Boff defendeu os nomes do cardeal de Gana, Peter Turkson, ou do cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa (Honduras), para o novo papado. Na Europa, embora avalie como pouco provável que se eleja um papa oriundo daquele continente, indicou que um nome forte seria o do cardeal de Viena, na Áustria, Christoph Schönborn, “que é muito corajoso, aberto”. Para Boff, Schonborn é alguém que pode estar preparado para enfrentar crises graves na Igreja Católica.
O teólogo acha que a escolha de um cardeal brasileiro seria uma grande surpresa. “Porque nós não temos cardeais proféticos, de renome internacional, como tínhamos antes com dom Paulo Evaristo [Arns], com dom Aluísio [Lorscheider]. Temos cardeais criados pelos dois papas João Paulo II e Bento XVI, que são moderados e conservadores. Não seriam as figuras capazes de enfrentar uma grande crise da igreja”.
Mesmo depois de ter sido julgado e condenado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, em 1974, com quem trabalhou anteriormente, Leonardo Boff disse que não guarda nenhum ressentimento ou mágoa. “Curiosamente eu não guardo nada. Até me esqueço disso, e considero coisa do século passado. Lamento que ele, enquanto presidente desse Santo Ofício e continua agora como papa, condenou mais de 100 teólogos, os melhores dos países”. Os teólogos, como Boff, foram proibidos de dar aulas, de fazer conferências, de publicar livros.
Na avaliação de Boff, Joseph Ratzinger foi um papa que tem um rosto afável, é elegante, mas de uma dureza germânica. Eu diria “bismarquiana” (aludindo a Otto von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século 19 que, para formar a unidade alemã, desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força). Ele não esquece nada, cobra tudo e não perdoa nada”, disse. “Isso é o pior que pode haver na figura de um religioso”, completou.
Para o teólogo, há meios de se reverter a perda de fiéis que a Igreja Católica vem sofrendo ao longo dos últimos anos. Isso vai depender, contudo, da imagem que a igreja projetar. “Se for a imagem de um papa pastor, que ama o povo, que serve com humildade e simplicidade como João XXIII, que é chamado o papa bom, todo mundo adere e se recupera a Igreja Católica como um lar espiritual. Hoje ela não é um lar espiritual. Ela é um pesadelo que afugenta as melhores cabeças, leigas, de homens e mulheres”.
Em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil, Leonardo Boff analisou que a renúncia de Bento XVI é um sinal que o tipo de igreja, “toda centralizada na figura do papa, é impossível de ser levada avante”. Essa, segundo ele, é uma carga pesada, colocada nas costas de uma única pessoa. O teólogo acrescentou que o papa foi sincero quando disse não ter mais vigor para dirigir a Igreja Católica mergulhada em uma crise profunda. “Então, humildemente e sinceramente, renunciou”.
O fato de Bento XVI permanecer morando no Vaticano e ostentando o título de papa Emérito é, segundo Boff, uma situação extremamente arriscado. “Porque no Vaticano só deve ter uma cabeça e não duas. E há o risco, se vier um papa mais aberto e fizer reformas, que haja grupos de cristãos mais conservadores, e há muitos no mundo hoje, que continuam obedecendo ao papa Bento XVI e não ao outro. Então seria um cisma [separação] na igreja. Oxalá isso não aconteça”.
Para Leonardo Boff, a Igreja Católica não terá outro caminho senão o de enfrentar as denúncias de corrupção e pedofilia. “Ela não tem alternativa. Ou faz isso ou se desmoraliza totalmente”. Ele crê que um papa corajoso terá o bom-senso de conduzir a igreja rumo à modernização. “Porque não se pode mais impedir a camisinha, deixar que a aids na África siga devastando nações. Não pode. Tem que usar bom-senso, colocando a vida no centro [das decisões]”. O teólogo entende que os pobres que vivem humilhados em todo o mundo e a terra devastada deverão fazer parte do novo discurso da igreja, onde ela pode se regenerar.
A escolha do novo papa será um processo difícil no conclave dos cardeais, previsto para os próximos 15 dias, disse Boff. Ele explicou que as cerca de 300 páginas do relatório que aborda os abusos cometidos por membros da Igreja Católica, desde desvio de dinheiro a abusos sexuais, vão produzir um impacto nos cardeais. “E eu temo que muitos deles não sentem coragem de enfrentar uma crise dessas e queiram alguém mais novo, mais corajoso, fora do circuito romano”. Alguém que possa voltar a transformar a igreja em um “lar espiritual”.
 
Edição: Aécio Amado
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0

Sociedade está saturada, analisa sociólogo francês Michel Maffesoli

Um livro para ajudar a comprender e superar a nossa "crise" de cada dia e uma canção para relaxar e refletir.

da Livraria da Folha
Divulgação
Mundo precisa se livrar de velhas fórmulas, analisa intelectual
Mundo precisa se livrar de velhas fórmulas, analisa intelectual
A sociedade atual está saturada, o que significa que está em processo de desestruturação e de reestruturação. Ao mesmo tempo, todo o pensamento sobre o social e o cultural está saturado, até mesmo no sentido vulgar da palavra, com velhas fórmulas e ideias feitas.
Essa avaliação é feita pelo sociólogo francês Michel Maffesoli no livro "Saturação". Ele é considerado um dos fundadores da sociologia do cotidiano e conhecido por suas análises sobre a pós-modernidade, o imaginário e, sobretudo, pela popularização do conceito de tribo urbana.
Na obra, o intelectual descreve como o novo formato da sociedade moderna está possibilitando às pessoas um outro relacionamento com a vida e o mundo, considerado mais estimulante e mais apato a fazer da existência uma obra de arte.


O autor denuncia os conformismos do pensamento sociológico, das fórmulas politicamente corretas que repetem como papagaios opiniões velhas de 200 anos ou mais, observa o escritor Teixeira Coelho em texto de apresentação do livro.
Leia um trecho de "Saturação"
*
Não é necessário ser fanático por essas novas tecnologias interativas para compreender a importância daquilo que se combinou chamar, justamente, de "sites comunitários". Myspace e Facebook permitem aos internautas tecer vínculos, trocar ideias e sentimentos, paixões, emoções e fantasias. Da mesma forma, o YouTube favorece a circulação da música e de outras criações artísticas. E, bem recentemente, o Lively tenta "agrupar a vida on-line" de seus usuários.
A expressão-chave que se declina a mais não poder é a de "vida comunitária". E é nisso que se vê que o medo do comunitarismo é bem o fantasma de outra época e está totalmente defasado em relação ao mundo real daqueles que formam a sociedade já, hoje, e com certeza amanhã.
De fato, graças à Internet, instala-se uma nova ordem de comunicação. Que favorece os encontros, o fenômeno dos flashmobs são testemunhas disso; em que, em relação a coisas fúteis, sérias ou políticas, mobilizações formam-se e se desfazem no espaço urbano e virtual. O mesmo acontece com o "streetbooming", que permite que, nas grandes megalópoles contemporâneas, nessas selvas de concreto que favorecem o isolamento, ao se conectar à Internet as pessoas se encontrem, conversem, conheçam-se, criando assim uma nova maneira de estar junto, fundada na experiência comum da criatividade.
Tais redes sociais on-line, bem como os fenômenos de encontros que elas induzem, deveriam chamar nossa atenção para uma socialidade específica onde o prazer lúdico substitui a mera funcionalidade. Aliás, é interessante notar que cada vez mais se utiliza o termo "iniciados" para caracterizar os protagonistas desses sites de encontros.
Iniciação a novas formas de generosidade, solidariedades com letra minúscula que não têm mais nada que ver com o Estado providencial e sua visão dominante. Se, como indica Hélène Strohl, "O Estado social não funciona mais" (Albin Michel, 2008), é porque é na base, no quadro comunitário e graças às técnicas interativas, que se difunde a solidariedade sob todas as formas. Curioso retorno a uma ordem simbólica que se pensava superada.
*
"Saturação"
Autor: Michel Maffesoli
Editora: Iluminuras
Páginas: 180
Quanto: R$ 29,75 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha


Cartomante de Ivan Lins. Interpretação - Elis Regina 
 Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço

Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.


AQUI 

Leia também: A erosão das fontes de sentido.
 AQUI