sexta-feira, 25 de julho de 2025

Iracema: Uma transa amazônica. O icônico filme censurado na ditadura que reestreia restaurado em 4k nos cinemas após 50 anos .

Considerado um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), o filme coleciona prêmios neste meio século de história, a exemplo dos quatro troféus que ganhou em 1980, no Festival de Brasília. Agora, pouco antes de voltar às salas de cinemas de todo o país, o filme foi destaque nas últimas edições do Festival do Rio e do Festival de Berlim.


Anatomia da devastação

24 de julho de 2025 

Um filme que parece ainda mais vivo e pungente hoje do que quando foi realizado, há meio século. O prodígio, intitulado Iracema: uma transa amazônica (1975), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, volta aos cinemas nesta quinta-feira, em cópia devidamente restaurada.

É uma obra extraordinária sob qualquer ângulo que se olhe. Misto de road movie, drama e documentário, narra duas trajetórias que se cruzam no norte selvagem do país: a do caminhoneiro Tião Brasil Grande (Paulo César Pereio) e a da adolescente pobre Iracema (Edna de Cássia).

Não será exagero dizer que nesse cruzamento de destinos se resume de modo cabal o processo de “espoliação da natureza e das gentes” que, nas palavras de Darcy Ribeiro, caracteriza nossa história. À devastação desenfreada da mata por madeireiros, mineradores e criadores de gado corresponde a degradação humana das populações da região, expressa no trabalho semiescravo, no etnocídio de povos indígenas, nas condições precárias de vida e na prostituição de meninas.

 Documento e ficção

Uma dessas meninas é Iracema, adolescente ribeirinha descendente de indígenas, que vai a Belém participar da festa do Círio de Nazaré e acaba se prostituindo na periferia da cidade. É lá que a encontra casualmente Tião, caminhoneiro gaúcho cínico e oportunista, que combina um discurso ufanista típico da ditadura militar com o desejo explícito de “levar vantagem em tudo”. Transporta madeira, gado, minério – o que for mais lucrativo no momento. As estradas – símbolo do desenvolvimentismo verde-amarelo – são o seu elemento. É um culpado útil, como tantos que hoje alimentam os projetos da extrema direita pelo mundo.

A atualidade atordoante de Iracema reside não apenas em seus temas, mas no modo como articula o macro e o micro, o documentário e a ficção. O dispositivo narrativo básico é relativamente simples: Pereio, ator excepcional, interage com não-atores da região, servindo como elemento provocador – de conversas, de debates, de revelações. Entre uma conversa e outra, em suas viagens pelas estradas que rasgam a mata, vemos a destruição promovida pelas queimadas, tratores e motosserras.

A progressão do relato é descontínua, operando aos saltos. Entre uma cena e outra podem passar-se dias ou anos. Iracema e uma colega prostituta (Conceição Senna, mulher de Orlando Senna e uma das poucas atrizes profissionais do elenco) são levadas por um piloto (o próprio Orlando Senna) à fazenda de um “americano”. Não vemos o que se passa lá, mas apenas a volta das moças num caminhão pau-de-arara.

Num reencontro entre Tião e Iracema, num puteiro de beira de estrada, a garota está sem um dente e muito mais desbocada e despudorada. Intuímos que se passou um bom tempo, mas isso não é informado por outros meios (diálogo, letreiro). O caminhoneiro a chama de Jurema e a trata como um objeto desfrutável e humilhável.

 O avesso do mito

Há uma espécie de eterno retorno a paisagens e situações semelhantes, como que a reafirmar a ideia central de progresso e destruição se alimentando reciprocamente. Devastação humana, estupro da natureza, ou vice-versa. O verdadeiro Bye bye Brasil. Não foi casual, certamente, a escolha do nome: Iracema, anagrama de América, a “virgem dos lábios de mel” da visão romântica de José de Alencar, mito fundador aqui revirado do avesso.

A ditadura militar proibiu durante cinco anos a exibição desse filme no país, inclusive em festivais, alegando que era uma produção estrangeira (tem coprodução da emissora alemã ZDF) que trazia uma visão negativa do país. No Festival de Brasília de 1980, realizado a duras penas devido ao boicote do governo federal, Iracema ganhou os prêmios de melhor filme, atriz (Edna de Cássia), montagem e atriz coadjuvante (Conceição Senna). Os diretores viajaram de São Paulo a Brasília de carro, pois o festival não bancou as passagens aéreas, e Edna nem compareceu, porque não ganhou passagem.

Edna, aliás, não quis seguir carreira de atriz. Formou-se professora e hoje, aos 65 anos, está aposentada. Na época das filmagens, tinha 15 anos e precisou de autorização dos pais e do juizado de menores para atuar. Sua presença na tela é única em mais de um sentido: nenhuma atriz profissional conseguiria expressar o frescor e a contundência de suas falas e gestos. Em seu rosto moreno, é um Brasil profundo, belo e sofrido, que mostra sua cara.

https://ims.com.br/blog-do-cinema/iracema-uma-transa-amazonica-por-jose-geraldo-couto/

Trailler


Iracema, uma transa amazônica

Direção

Jorge Bodanzky, Orlando Senna

Informações

Alemanha, Brasil, França

1975. 90min. 16 anos

Em contraste com a propaganda oficial da ditadura militar, que alardeava um país em expansão com a construção da rodovia Transamazônica, o filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna aponta para os problemas que a estrada traria para a região: desmatamento, queimadas, trabalho escravizado, prostituição infantil. Em uma obra que mistura documentário e ficção, uma pequena equipe de cinema vai à Amazônia rodar um filme com imensa liberdade formal. Um fio de enredo: um caminhoneiro, Tião Brasil Grande, interpretado por Paulo Cesar Pereio, encontra Iracema, e juntos percorrem parte da região amazônica, então zona de segurança nacional sob rígido controle militar, contracenando com moradores e interagindo com outros intérpretes.

“A primeira semente de Iracema germinou num posto de gasolina à margem da rodovia Belém-Brasília, em 1968”, relembra Bodanzky na biografia Jorge Bodanzky – O homem com a câmera, escrita por Carlos Alberto Mattos. “Enquanto esperava que o repórter da revista Realidade apurasse alguma coisa, fiquei dois dias observando a movimentação de caminhoneiros e prostitutas em torno do posto. A estrada ainda era de terra e as ‘Iracemas’ e ‘Tiões’ estavam todos ali”.

“Tínhamos um roteiro-guia, que não era mostrado aos atores. Explicávamos a situação, dizíamos o que não poderia deixar de ser falado, e os deixávamos à vontade diante da câmera. Edna, por exemplo, tinha uma ideia básica da situação de Iracema na cena, mas não sabia exatamente o que Pereio ia dizer ou perguntar. Tinha que reagir à sua maneira. E ela, muito brincalhona e irônica, geralmente se saía bem das provocações. O momento em que Pereio a expulsa do caminhão é exemplar dessas virtudes da improvisação. [...] Ao lidar com não atores, é complicado cortar para fazer contracampos, closes etc., pois isso retira toda a naturalidade. Faço, então, com que a câmera costure a ação, de certa forma me antecedendo à montagem. O hábito fez dessa a minha maneira de dirigir. Eu quero contar a história com a câmera, vou empurrando minhas personagens com a minha câmera. É como se estivesse roteirizando, decupando, filmando e montando ao mesmo tempo”.

Realizado em 1974 para a ZDF, emissora de TV alemã, Iracema, uma transa amazônica retrata uma viagem da inocência à desintegração, da comunidade indígena mais isolada à periferia das grandes cidades. O filme, que ficou proibido pela censura no Brasil durante seis anos, teve uma boa repercussão de público e crítica internacionalmente desde sua estreia, em fevereiro de 1975, na ZDF. Foi premiado em festivais estrangeiros e convidado para a Semana da Crítica, do Festival de Cannes em 2016. Quando liberado no país, em 1980, foi premiado nas categorias Melhor Filme, Montagem, Atriz e Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília.


Os benefícios do Cinema para o bem-estar emocional, segundo a psicologia

O Cinema brasileiro celebra suas origens em 19 de junho, uma data que homenageia o início da história cinematográfica no país, remontando às primeiras gravações em 1898. Essa arte, além de encantar o público, atua como uma poderosa ferramenta cultural. É capaz de informar, entreter e provocar reflexões profundas, tornando-se parte intrínseca da sociedade e cultura nacional. O Cinema não apenas proporciona momentos de lazer, mas também oferece benefícios significativos para a saúde mental e emocional de seus espectadores.

Assistir a um filme em uma sala de Cinema vai além da simples visualização de uma história em uma tela grande com som de alta qualidade. Segundo Ana Cristina Rodrigues de Vasconcellos, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Anhanguera, esse ambiente imersivo permite uma “desconexão digital”, algo cada vez mais raro no mundo atual. Num contexto em que as tecnologias digitais dominam nosso cotidiano, a imersão proporcionada pelo Cinema pode atuar como um refúgio, oferecendo um escape das preocupações diárias e ajudando a reduzir o estresse.

Quais são os benefícios sociais do Cinema?

Ir ao Cinema não é apenas uma atividade recreativa individual; é também uma oportunidade para fortalecer laços sociais. A experiência compartilhada de assistir a um filme pode promover conversas significativas e criar conexões emocionais entre amigos, familiares ou parceiros. Discutir sobre o filme após a sessão pode estimular debates interessantes, enriquecendo as relações interpessoais e promovendo maior empatia e compreensão mútua.

Como a experiência cinematográfica afeta a saúde mental?

A experiência de ir ao Cinema envolve um estímulo sensorial que poucas atividades recreativas conseguem igualar. A combinação de visuais impressionantes, sons envolventes e até mesmo o aroma característico da pipoca contribui para uma vivência que pode melhorar o humor e revitalizar o espectador. Além disso, o ato de se desligar dos dispositivos eletrônicos durante a exibição do filme promove um tempo de qualidade longe das interrupções constantes do mundo digital, proporcionando uma pausa bem-vinda que pode beneficiar a saúde mental.

Por que assistir a filmes sozinho pode ser benéfico?

Embora atividades em grupo sejam socialmente incentivadas, ir ao Cinema sozinho pode ser uma prática de autoconhecimento e autocuidado. Realizar atividades de forma independente oferece autonomia, proporciona tempo para reflexão e incentiva o desenvolvimento pessoal. Esta prática pode garantir uma vivência enriquecedora, contribuindo significativamente para o bem-estar emocional e mental ao promover um espaço de introspecção e autoexploração emocional. Incorporar essa atividade na rotina pode ser transformador para muitas pessoas, especialmente em tempos onde o estímulo social é constante.

Como uma forma de arte e uma ferramenta cultural, o Cinema brasileiro continua a desempenhar um papel vital na sociedade. Celebrar o Dia do Cinema Brasileiro vai além de relembrar a história da cinematografia nacional; é também reconhecer e valorizar os inúmeros benefícios que essa experiência proporciona tanto individualmente quanto coletivamente.

https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/os-beneficios-do-cinema-para-o-bem-estar-emocional-segundo-a-psicologia/

Pesquisa inédita revela desigualdade na distribuição da Lei Rouanet na cidade de São Paulo

 25/07/2025 - 

https://raiz.art.br/2025/07/25/pesquisa-inedita-revela-desigualdade-na-distribuicao-da-lei-rouanet-na-cidade-de-sao-paulo/

Estudo territorializado aponta concentração em áreas centrais e ausência quase total de captação nas periferias.

Sem dúvida, a Lei Rouanet em seus mais de 30 anos de existência tem impulsionado e democratizado os recursos para as produções culturais de todo o país. Atingindo, particularmente nos últimos dois anos, captação recorde para realização simbólica e artística da cultura brasileira.

Mas, ainda necessita de mecanismos que impulsionem ainda mais seus aspectos democratizantes.

Uma pesquisa inédita realizada pelo Observatório Ibira 30 (Bloco do Beco) e pela Universidade Federal do ABC (UFABC), com apoio da Fundação ABH, revela como os recursos da Lei Rouanet foram distribuídos de forma profundamente desigual na cidade de São Paulo entre 2014 e 2023.

Combinando análise territorial detalhada e abordagem quantitativa e qualitativa, o estudo comprova que os distritos mais vulneráveis da capital paulista têm acesso praticamente nulo ao principal mecanismo de fomento cultural do país.

A Lei Rouanet, criada em 1991, consolidou-se como instrumento central de incentivo à cultura no Brasil. No entanto, a análise realizada mostra que, em vez de combater desigualdades, a lógica atual de financiamento contribui para reforçá-las: 88,86% dos recursos captados na cidade ficaram concentrados na região central (Área 1), onde vivem apenas 17,21% da população. Em contraste, a Área 3 — composta por distritos periféricos com maior vulnerabilidade social e onde reside mais da metade da população paulistana — captou apenas 1,38% dos recursos.

Destaques do levantamento

Distribuição territorial da captação

Área 1 (centro expandido, baixa vulnerabilidade): R$ 5,25 bilhões captados (88,86% do total), com captação per capita de R$ 2.660.

Área 3 (periferias paulistanas): R$ 83 milhões (1,38%), com captação per capita de R$ 14,20.

26 distritos — entre eles Jardim Ângela, Itaim Paulista, Iguatemi e Parelheiros — não registraram nenhuma captação de recursos no período analisado.

Distritos com maior captação per capita

Pinheiros: R$ 18.694

Bela Vista: R$ 9.260

Bom Retiro: R$ 7.478

Distritos com captação zero

Jardim Ângela, Capão Redondo, São Mateus, entre outros.

Conclusões do estudo

A cidade de São Paulo sozinha captou, em 2024, mais do que todas as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul juntas.

Quase 1/3 do orçamento nacional da Lei Rouanet ficou concentrado na capital paulista.

A maioria das periferias permanece invisibilizada nos mecanismos de fomento, com baixa taxa de aprovação e conversão de projetos culturais.

A infraestrutura cultural é extremamente desigual e afeta diretamente a capacidade de captação das iniciativas periféricas.

Metodologia

O estudo foi desenvolvido a partir de microdados públicos extraídos da plataforma SALIC (Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura), cruzados com dados da Receita Federal (Redesim) e com recortes territoriais da plataforma GeoSampa. O recorte territorial seguiu os critérios da Lei Municipal de Fomento à Cultura da Periferia (Lei nº 16.496/2016), que segmenta a cidade com base em indicadores de vulnerabilidade social.

Além da análise estatística, foram coletados depoimentos e estudos de caso de iniciativas culturais periféricas para compreender os obstáculos enfrentados por proponentes de baixa renda e com menor acesso a redes de patrocínio.

Recomendações do estudo

Territorializar os dados da Rouanet para garantir transparência geográfica e monitoramento da distribuição dos recursos.

Revisar o modelo de financiamento via captação direta, que favorece regiões com mais acesso à infraestrutura e redes empresariais.

Incluir critérios redistributivos e sociais no processo de avaliação e aprovação de projetos.

Fortalecer políticas públicas de base, como o Programa de Fomento à Cultura da Periferia e o VAI, que adotam lógica distributiva.

Reconhecer a cultura como um direito, e não um privilégio, assegurando que todos os territórios tenham acesso justo aos instrumentos de fomento.

A pesquisa contou com o apoio da Fundação Tide Setubal no evento de lançamento e está disponível para acesso público.

Para acessar os resultados da pesquisa. Clique AQUI

Leia também: 

Pinheiros concentra mais recursos da Lei Rouanet do que metade da cidade de SP inteira, diz pesquisa

No distrito estão sediadas algumas das instituições culturais mais consolidadas da cidade, além de diversos teatros, galerias e produtoras com forte relação com o setor empresarial. Segundo estudo, essa estrutura facilita aprovação e captação de projetos.

Por João de Mari, g1 SP — São Paulo

 




Lançamento da pesquisa “Lei Rouanet e a Periferia”, um estudo inédito que propõe um novo olhar sobre o Orçamento da Cultura e o Investimento Social Privado a partir das quebradas.

🧐 Mas afinal, o que é a Lei Rouanet?
É o principal mecanismo de fomento à cultura no Brasil, que permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do imposto de renda para apoiar projetos culturais. O problema é que esses recursos ainda se concentram nas regiões mais ricas do país. E a nossa pesquisa traz dados e propostas pra mudar esse jogo.

📅 Dia 23 de julho
🕕 Das 18h às 21h30
📍 FGV EAESP – Salão Nobre (Av. 9 de Julho, 2029 – São Paulo/SP)

Cultura é um direito. E o acesso a ela também.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Vereadores de Aracaju aprovam por unanimidade lei que abre espaço para acelerar "Apocalipse nos Trópicos" com participação das escolas municipais.

 Em conversa com a vereadora Sonia Meire (PSOL) no final da assembleia dos professores da rede estadual, realizadas nessa tarde de 24/07 no Clube Cotinguiba, apresentamos  o documentário  realizado pela Ação Cultural Juventude e Cidadania no ano de 2016 "E se todas as escolas fossem um Ponto de Cultura?"

A proposta é suscitar o debate sobre a necessidade do investimento nas escolas para proporcionar escolhas culturais diversificadas e plurais aos alunos, proporcionando dessa maneira um antidoto ou vacina que possa contrabalançar:

A) A influência de grupos religiosos fundamentalistas interessados em criar nas escolas espaços para doutrinação religiosa como proposto no PL 47-2025,   aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Aracaju em 17/07, mesmo contrariando a constituição federal e a LDB .

B) A influência de aliciadores de adolescentes e jovens em redes digitais para atos terroristas ou de pornografia , através do  universo digital conhecido como "darkweb", a qual segundo a IA deepseek significa: A Dark Web (ou "Web Escura") é uma parte da Deep Web que não é indexada por motores de busca tradicionais (como Google) e só pode ser acessada com navegadores específicos, como o Tor (The Onion Router), 

E proporcionar : 

C) Prevenção do aliciamento para o consumo e tráfico de drogas. 

D) Prevenção e tratamento da  indisciplina e  do  bullying 

E) Diminuição do tempo de uso do celular.

F) Prevenção ou tratamento de doenças psíquicas.

G) Melhoria da convivência e de relacionamento interpessoal  decorrente da timidez e de outras limitações no campo comportamental.

A conversa foi bem recebida pela vereadora que já tomou iniciativas com o propósito mostrado no documentário em tela, além de outras com previsão de entrar  na pauta dos debates no legislativo e na sociedade ainda este ano.

Como representante da Ação Cultural Juventude e Cidadania nos colocamos a disposição, junto com os demais  (as)  companheiros (as),  para contribuir na discussão e implementação de iniciativas que visem colocar a questão cultural no centro da agenda politica e pedagógica. 

Câmara de Aracaju aprova intervalo bíblico em escolas com risco de doutrinação da extrema direita evangélica


O Brasil será uma teocracia? Apocalipse nos trópicos | Petra Costa


PROJETO DE LEI Nº 47      /2025

Autoria: Vereador Pastor Diego
Dispõe sobre a garantia da liberdade de reunião religiosa entre alunos durante o intervalo escolar nas instituições de ensino do município de Aracaju.

O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE ARACAJU:
Faço saber que a Câmara Municipal de Aracaju aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica garantido aos alunos das instituições de ensino do município de Aracaju o direito de realizar reuniões religiosas durante os intervalos e períodos extracurriculares, desde que sejam respeitadas as normas de convivência e a ordem pública.
Art. 2º Todo cidadão tem direito à liberdade religiosa, a qual constitui um direito fundamental do indivíduo de manifestar publicamente sua crença, podendo essa manifestação ocorrer de forma individual ou coletiva. É vedado ao poder público proibir tais manifestações.
§ 1º A liberdade religiosa representa a exteriorização da liberdade de crença, consistindo na manifestação pública desse direito.
Art. 3º É vedado aos professores e à administração escolar impedir ou restringir a realização de reuniões religiosas entre os alunos, exceto nos casos em que houver perturbação da ordem ou desrespeito às normas da instituição.
Art. 4º Esta Lei assegura o respeito ao direito fundamental à dignidade da pessoa humana, bem como à liberdade de crença e à liberdade religiosa, conforme previsto no artigo 5º, incisos VI e VIII, da Constituição Federal. O exercício dessas liberdades deve ocorrer de forma plena, garantindo que todos os alunos possam manifestar sua crença religiosa em um ambiente de respeito e harmonia, dentro dos limites legais.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio Graccho Cardoso, Aracaju/SE, .... de ...... de 2025.
__________________________ ____________________
Vereador Pastor Diego 
JUSTIFICATIVA
O presente projeto de lei  tem como objetivo assegurar o direito à liberdade religiosa e fomentar a convivência pacífica entre os alunos, promovendo um ambiente escolar mais inclusivo e respeitoso. A recente mobilização ocorrida em Pernambuco evidencia a necessidade de regulamentação dessa questão, a fim de prevenir conflitos e garantir o respeito às diversas crenças presentes  no ambiente escolar.

Palácio Graccho Cardoso, Aracaju/SE, .... de ...... de 2025.

______________________________________________
Vereador Pastor Diego

Leia também:

 quinta-feira, 10 de julho de 2025

Construindo o Evangelistão no Brasil 
A "Escola sem partido" ganhou uma parada  no Município de Aracaju. A câmara dos vereadores aprovou o "Intervalo bíblico nas escolas". 
Da liberdade religiosa, garantida pela constituição, ao Evangelistão, seguimos a passos largos. 
O Artigo 5, inciso IV, da Constituição, assegura a liberdade de consciência e religiosidade,  além da proteção dos locais considerados sagrados, mas não diz que as escolas devem se transformar em templos, onde se faz proselitismo.
 O problema está na interpretação que os juízes católicos e evangélicos estão dando a essa anomalia, além de autorizar a espalhar os símbolos católicos nas repartições públicas. Parlamentar conservador para aprovar coisa deste tipo não falta 
 Ora, se o Estado é laico, então temos aí uma grande contradição. Por que uma religião tem o monopólio, enquanto as demais, ficam de fora? O Brasil deixa de ser plural, quando o assunto é  religiosidade? 
Quando haverá o momento do candomblé e da umbanda, do budismo e dos espíritas, etc? Por mim, ou todas ou nenhuma religião em espaços públicos. Religião é assunto privado, e a fé, algo tão íntimo que,  como sexo, cada um deve praticar em lugar bem reservado. Fazer escândalo ao orar é a mesma hipocrisia dos fariseus denunciada na bíblia. 
As escolas existem para obtermos conhecimento, muitas vezes negados pelos religiosos, a exemplo das hipóteses de formação do universo e da teoria da evolução das espécies.
Os defensores desta lei municipal, que se espalha pelo país inteiro, apostam no efeito manada. A criança que se negar a participar dos tais "intervalos bíblicos" será hostilizada, até se convencer que os demais naturalizaram a prática e seguirá o rebanho.
A esta altura sabemos dos propósitos de doutrinar crianças, com o proselitismo religioso nas escolas. Preparam os alicerces dogmáticos de futuras hordas fanáticas. É a sanha de alcançar o poder, assim como desejam brutalmente os grupos extremistas islâmicos: uma teocracia de milênios, que, por ora, está sendo levada a efeito.
Antônio Cruz. Cruz, como é mais conhecido, mora e trabalha em Aracaju, é autodidata, desenha e pinta desde criança. Participou de várias exposições coletivas e realizou diversas individuais. Em 1989 passou a trabalhar praticamente só com aço. Algumas das suas obras podem ser encontradas em espaços públicos de Aracaju e muitas integram diversos acervos particulares.

Temos que colar na testa deles que são entreguistas, sabujos. Prof. João Cézar, Gabriel o Pensador, Ivan LIns, Célio Turino.

 


Alerta da ABIN a seguir:
A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) convocou para esta sexta-feira (25), às 11h, um ato público em defesa da soberania nacional e do sistema de Justiça brasileiro. O comunicado é assinado pelo diretor da instituição, Celso Campilongo, e pela vice-diretora, Ana Elisa Bechara. O evento acontecerá no Salão Nobre do Largo São Francisco e reunirá autoridades, juristas, representantes da sociedade civil e defensores dos direitos humanos.
“Como uma instituição vigilante da defesa do Estado de Direito e formadora do pensamento jurídico do Brasil, a Faculdade de Direito da USP convoca esse ato para fortalecer os pilares democráticos do Brasil diante de ameaças à soberania nacional. Nenhum outro país tem autoridade para interferir no sistema de Justiça nacional. Muito menos, constranger decisões tomadas pelo Judiciário, por contrariar interesses de empresas estrangeiras”.
ALERTA ABIN
Tarifaço de trump esconde ação da CIA em conjunto com b@$%#*& para 2ª tentativa de golpe contra Lula .
Agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estão em alerta diante de indícios de que ações recentes do bolsonarismo não são apenas iniciativas isoladas de grupos extremistas nacionais, mas parte de um plano articulado com apoio direto do governo dos Estados Unidos. Segundo Jamil Chade, do Vero Notícias, cresce a convicção dentro da inteligência brasileira de que a estratégia para desestabilizar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com envolvimento da CIA e aval da Casa Branca, sob o comando do presidente
donald trump.

O sinal mais evidente dessa ofensiva seria o chamado “tarifaço” imposto ao Brasil por trump, acompanhado de uma retórica agressiva contra o governo brasileiro e do fechamento de canais diplomáticos. Para analistas, essas medidas seriam apenas a face pública de uma operação mais profunda, com raízes no serviço secreto norte-americano e execução via personagens-chave do bolsonarismo.
“Trata-se de um típico roteiro elaborado pela CIA, alimentando atores nacionais para justificar um interesse estratégico estrangeiro”, afirmou um agente da Abin lotado no exterior.

O bananinha radicaliza sob proteção - Entre os principais sinais de que algo maior está em curso, a Abin destaca o comportamento cada vez mais hostil e desafiador do deputado licenciado e b (PL-SP). Nas últimas semanas, ele intensificou ataques à Polícia Federal, a ministros do Supremo Tribunal Federal e ao próprio Congresso, adotando um discurso de enfrentamento e desinformação sem demonstrar receio de punições.
Segundo integrantes do serviço de inteligência, essa postura indica a percepção de proteção internacional. O paralelo com o movimento trumpista é claro: nos EUA, trump e seus apoiadores se movem sob o discurso da “liberdade contra o sistema”, e agora aplica-se ao Brasil o mesmo enredo, com os bs no papel de mártires de um suposto regime autoritário.

De acordo com os analistas, a narrativa construída segue um roteiro clássico: um ex-presidente supostamente “amado pelo povo” (j b ), “exilados” perseguidos politicamente (como e b, allan dos santos e paulo figueiredo) e “ditadores” que usurpam o poder (nas figuras de Lula e Alexandre de Moraes).

“A palavra-chave é desestabilização”, alertou um experiente agente da inteligência. O objetivo, segundo ele, é fragilizar o governo brasileiro e preparar o terreno para que, em 2026, os EUA tenham um aliado incondicional no poder em Brasília.
Alerta ignorado pelo governo - Ainda em agosto de 2024, antes das eleições norte-americanas, diplomatas brasileiros elaboraram um mapeamento dos nomes influentes em um eventual segundo governo trump. A recomendação era abrir canais com esses interlocutores para conter possíveis choques futuros.

A Abin sugeriu inclusive traçar um perfil psicológico de trump, visando identificar traços de personalidade e vulnerabilidades que pudessem ser exploradas diplomaticamente. Mas essas propostas ficaram paradas em gavetas do Itamaraty e do Palácio do Planalto, sem implementação prática.
Agora, com os primeiros sinais concretos de uma operação em curso, integrantes da diplomacia avaliam que o país poderá enfrentar um longo ciclo de instabilidade. O uso de sanções econômicas, campanhas de desinformação e manipulação de redes sociais serve para construir, aos poucos, a narrativa de ilegitimidade de um governo eleito.

“Falta apenas um juan guaidó brasileiro para se consolidar a existência de uma tentativa de golpe”, disse um diplomata experiente, fazendo referência ao líder opositor venezuelano apoiado pelos EUA. Ver menos
"Deputados Bolsonariatas levantam faixa em apoio à Trump em entrevista coletiva no Congresso Nacional. O que dizer? São traidores da pátria, inimigos do Brasil, como sempre foram. Lamentável alguém votar na extrema-direita!!! Que em 2026 as pessoas lembrem-se disso." Célio Turino





Pera aí, que isso, rapaz?
Que isso, olha só que Zé ruela ali
Aí! Ô, ô, ô, chega aí! (Eu?)
Tu é brasileiro, malandro?
Sou!
Tem certeza? (É, of course!)
Ah, então por que que tá com essa camisa aí, cara?
É porque eu gosto, eu gosto muito dos Estados Unidos!
Eu adoro hotdog, rock'n roll, rap
Ah, tu gosta de rap?
Rap? Oh yeah, yeah!
Que bom! Então escuta esse negócio aqui! Presta atenção, mano!
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Eu fico puto, eu fico louco, eu fico logo mordido
Porque se fosse um americano eu já não ia gostar
Mas o pior é brasileiro quando cisma de usar
Uma jaqueta ou uma camiseta com aquela estampa
Daquela porra de bandeira azul vermelha e branca
Eu não suporto ver aquilo no peito de um brasileiro
Me dá vontade de manchar tudo de vermelho
Vermelho sangue
Do sangue do otário
Que não soube escolher a roupinha certa no armário
E saiu de casa crente que 'tava abafando
Eu vou tentar me segurar, mas eu num tô mais aguentando
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Cores dos States com as estrelas e as listras
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Não somos patriotas nem nacionalistas
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Como o Tio Sam sempre quis
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Amigo, vai nessa que tu tá é fudido
Ué? Você não gosta de americano, não, cara?
Não é isso, pô, por mim não devia nem existir fronteira
Mas já que existe... Então vamo' usar a nossa bandeira!
Então mete bronca!
Ele saiu de casa crente que 'tava abafando
Eu fico puto, eu fico triste, eu fico quase chorando
De pena, de raiva, de tristeza, de vergonha
Quando eu vejo esses babacas, esses panacas, esses pamonhas
Que tem coragem de ir pra rua com um boné ou camiseta
Com as cores da bandeira mais nojenta do planeta
Tem azul com estrelinha, tem branquinho, tem vermelho
O filho da pátria é burro, cego, ou a casa dele não tem espelho?
Eu acho que é burro mesmo, coitado!
Sem rumo, sem governo, totalmente alienado
Bitolado, do tipo que acredita no enlatado
Que passou no Supercine desse sábado passado
Eu tento me controlar, conto até dez, respiro fundo
Ô, filho da pátria, é assim que você pensa que vai chegar no mundo?
Vestindo essa bandeira de outro povo
Vestindo essa roupa escrota de submisso baba-ovo
Que vergonha, que vexame, que tragédia, que fiasco
O enforcado desfilando com a bandeira do carrasco
Condenado, parece que merece a morte
Me enraivece um colonizado usar a bandeira da metrópole
E não espere eles invadirem a Amazônia
Pra saber que não passamos de uma mísera colônia
Em pleno século vinte e um, beirando o ano dois mil
Por essas e outras devemos usar a bandeira do Brasil
E lutar por um país fudido no quadro internacional
Tira a camisa dos Estados Unidos, seu débil mental!
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Cores dos States com as estrelas e a listras
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Não somos patriotas nem nacionalistas
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Como o Tio Sam sempre quis
Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos
Amigo, vai nessa que tu tá é fudido
E aí, tá gostando mané?
Ué, tô meio indeciso!
Pra evita qualquer tipo de mal entendido
Eu chamei um amigo meu americano aqui pra falar sobre isso
I'm an american and I'm proud of my flag
But Gabriel is my friend and I understand what he said
You gotta have personality keep your own nationality
Look at yourself, try to live your reality
And maybe we will all have just one nation some day
But now use your own flag let me be USA
Each one has his own country but life is way above
We ain't talking about hate, it's all about love
E agora entendeu?
Ó, não entendi, não, mas eu achei muito bonito em inglês
Os Estados Unidos é perfeito, é perfeito, eu adoro!
Não seja um imbecil, meu irmão
Amigo, cê tá perdido, enganado, iludido
Já devia ter sabido o que são os Estados Unidos
Um país infeliz, o mais hipócrita da terra
Malucos suicidas e imbecis que adoram guerra
Misturados num lugar cheio de farsa e preconceito
Me diz, por que essa merda de bandeira no seu peito?
O quê que cê quer dizer quando veste uma camisa
Exaltando as belas cores dos opressores que te pisam?
O quê cê quer passar pra pessoa que olhar
Pro seu peito e num entender de que lado você tá?
Mas não precisa responder, cê tá do lado de baixo
Você é uma fêmea no cio e o Tio Sam é o seu macho
Você é o capacho dos norte-americanos
Por isso ainda acho que existe algum engano
Porque eu não me rebaixo a passear vestido
Com a roupa do inimigo: os Estados Unidos
Aí ô Gabriel, Gabriel, até que eu gostei dessa música aí
Mas eu acho que você tá exagerando aí, é ofensa, chamar de inimigo!
Não, ofendendo eu não tô, não, cumpade'
É uma metáfora, é maneira de dizer
Não, tá sim, tá sim! É preconceito seu, hein, olha aí, é preconceito isso!
Ô, cumpade', eu já falei que eu não tenho preconceito nenhum
Se tu não entendeu, então fuck you, cocksucker, motherfucker
Hein?
Strip this fucking T-shirt in your ass, man
Como é que é? Pera aí, pera aí, ô, Gabriel!
Pera aí, quê que ele disse? Quê que ele disse, brother?
Quê que ele disse?
Ele disse pra você tirar essa camisa ridícula, imbecil!


ABIN SUSPEITA QUE AÇÃO DE EDUARDO PODE SER ARMADILHA DA CIA | PLANTÃO

Meu País - Ivan Lins


Aqui é o meu país
Nos seios da minha amada
Nos olhos da perdiz
Na lua na invernada
Nas trilhas, estradas e veias que vão
Do céu ao coração
Aqui é o meu país
De botas, cavalos, estórias
De yaras e sacis
Violas cantando glórias
Vitórias, ponteios e desafios
No peito do Brasil
Me diz, me diz
Como ser feliz em outro lugar
Aqui é o meu país
Dos sonhos sem cabimento
Aqui sou um passarim
Que as penas estão por dentro
Por isso aprendi a cantar,
Voar, voar, voar
Me diz, me diz
Como ser feliz em outro lugar

Hino À Bandeira do Brasil

Salve, lindo pendão da esperança
Salve, símbolo augusto da paz
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra
Da amada terra do Brasil

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul
A verdura sem par destas matas
E o esplendor do Cruzeiro do Sul

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra
Da amada terra do Brasil

Contemplando o teu vulto sagrado
Compreendemos o nosso dever
E o Brasil por seus filhos amado
Poderoso e feliz há de ser

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra
Da amada terra do Brasil

Sobre a imensa nação brasileira
Nos momentos de festa ou de dor
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil
Querido símbolo da terra
Da amada terra do Brasil

Composição: Francisco Braga / Olavo Bilac. 

Sociedade civil se manifesta contra ataques de Trump e pela independência nacional



Os deputados Delegado Caveira (PL-PA) e Sargento Fahur (PSD-PR) seguraram uma bandeira de apoio a Donald Trump, que impôs contra o Brasil um tarifaço que vai gerar desemprego em massa e quebradeira de empresas, em um ato de apoio ao Jair Bolsonaro, nesta terça (22), na Câmara dos Deputados. Até aí, nada de novo, o bolsonarismo armado gosta de dar tiro no próprio pé.
O mais interessante é que colegas dos dois pediram para que guardassem imediatamente a bandeira, que trazia o lema do presidente norte-americano (“Fazer a América Grande De Novo”). Como informou Felipe Pereira, do UOL, um dos que pediram para guardá-la foi Domingos Sávio (PL-MG), ligado ao setor de comércio e serviços.
O que mostra que sabiam que aquilo repercutiria muito mal junto à população, daria mais munição aos críticos da traição bolsonarista com os EUA e ajudaria o Lula a recuperar popularidade.
Para não causar constrangimento, justificaram que Trump não era o foco e que aquele não era o local apropriado.
A base bolsonarista no Congresso mostra, dessa forma, que entende que as sanções impostas pelos Estados Unidos sob justificativa de pressionar o Brasil para interromper o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado podem cair como uma bomba contra eles mesmos. E indica que sabem que isso representa um presente para Lula, que vem explorando a traição do clã Bolsonaro contra os interesses nacionais.   
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os EUA a fim de articular punições ao STF, chegou a afirmar que as sanções impostas por Trump eram resultado de suas ações e disse que o presidente norte-americano estava correto ao adotá-las. Jair Bolsonaro bancou a estada do filho, transferindo a ele R$ 2 milhões.
Diante do medo de se vincularem à bandeira de Trump, fica a pergunta: com o avanço da conspiração do governo dos Estados Unidos junto com o clã Bolsonaro contra as instituições e os interesses brasileiros, quanto tempo levará até o mesmo acontecer com símbolos do próprio Jair? (Leia a íntegra do texto no UOL)

terça-feira, 22 de julho de 2025

Sergipe fazendo a sua parte no absurdo golpe de destruição da legislação de proteção ambiental. Quem são os responsáveis em nosso meio?

 

🌱 Na última sessão do primeiro semestre na Assembleia Legislativa de Sergipe, os deputados votaram em 49 projetos, tudo às pressas, urgente, sem debate público. Um deles foi o Projeto de Lei 200/2025, do governador Fábio Mitidieri (PSD), que facilita a dispensa de licenciamento ambiental em áreas rurais no estado, abrindo caminho para a devastação. 

Mesmo com falta de documentos e debates, o projeto foi aprovado. Dos 24 deputados, só Linda Brasil (PSOL) e Paulo Júnior (PV) votaram contra. “Em um momento de emergência climática global, com secas extremas, enchentes, não podemos abrir mão de mecanismos de proteção ambiental. Pelo contrário, deveríamos fortalecer as leis, não flexibilizá-las”, afirmou a deputada Linda Brasil. 

Ela ainda lembrou que as áreas rurais abrigam ecossistemas sensíveis, territórios tradicionais e recursos hídricos essenciais. “A Caatinga e os manguezais já estão sob pressão, e a liberação de atividades sem avaliação adequada pode acelerar a degradação”. Mas, de nada adiantaram os apelos da deputada. Cristiano Cavalcante (União), disse que o projeto vai “destravar, desburocratizar pequenas obras. Não podemos travar o estado”

A Mangue Jornalismo já publicou mais de uma dezena de reportagens denunciando o permanente ataque institucional ao meio ambiente em Sergipe. A Administração Estadual do Meio Ambiente assegurou que o PL 200/2025 “não representa, em nenhuma hipótese, a flexibilização do licenciamento ambiental na zona rural”.

*📲 Reportagem completa em https://manguejornalismo.org/na-contramao-da-emergencia-climatica-governo-de-sergipe-facilita-dispensa-de-licenciamento-ambiental/

O Congresso que assinou o atestado de devastação

*Emanuel Rocha

Enquanto o país dormia, deputados aprovam projeto que desmonta décadas de proteção ambiental e colocam em risco populações, biomas e a imagem do Brasil no cenário internacional.

Na calada da noite, enquanto o país dormia, a Câmara dos Deputados aprovou, às 3h40 da madrugada desta quinta-feira (17), um dos maiores retrocessos ambientais da história recente do Brasil. O Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental, apelidado por organizações e especialistas como “PL da Devastação”, passou com 267 votos favoráveis e 116 contrários, ignorando veementemente os apelos da sociedade civil, de ambientalistas, de cientistas e de representantes de povos tradicionais. Em meio a discursos inflamados no plenário e uma votação remota feita pelo aplicativo Infoleg, o Congresso selou uma decisão que pode custar caro ao presente e, principalmente, ao futuro do país.

Não se trata apenas de um ajuste burocrático ou técnico. Trata-se de um esvaziamento profundo das regras que protegem o meio ambiente brasileiro. O texto aprovado permite, entre outras aberrações, que grandes empreendimentos se autolicenciem, dispensando estudos prévios de impacto ambiental e livrando-se da obrigação de ouvir comunidades afetadas. Dá um cheque em branco ao setor produtivo e desarma o Estado na função de fiscalizador. A aprovação acontece, ainda por cima, às vésperas da COP30, a conferência global do clima que será realizada em Belém, no coração da Amazónia. Ou seja, enquanto o Brasil tenta se posicionar como líder climático no exterior, dentro de casa avança o desmonte da proteção ambiental.

O projeto também retira poderes de órgãos essenciais como Ibama, ICMBio e Funai, fragilizando ainda mais os direitos de indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Libera o agronegócio de obrigações básicas e flexibiliza o licenciamento de obras urbanas sensíveis como cemitérios, avenidas e aterros sanitários, com possíveis impactos diretos à saúde pública. É uma avalanche de retrocessos aprovada à revelia da maioria da população.

Em Sergipe, quatro deputados votaram a favor do projeto: Delegada Katarina (PSD), Ivaro de Valmir (PL), Nitinho (PSD) e Rodrigo Valadares (União). Três parlamentares estavam ausentes: Gustinho Ribeiro (Republicanos), Thiago de Joaldo (PP) e Yandra Moura (União). Apenas João Daniel (PT) votou contra a proposta, posicionando-se ao lado da preservação ambiental e da responsabilidade política.

É impossível dissociar essa aprovação da ganância e da sede de lucro que movem setores do poder legislativo. A pressa, o horário incomum e a condução do processo mostram que não havia interesse em debate público ou em transparência. Essa é mais uma demonstração de como interesses econômicos conseguem se sobrepor, sem pudor, ao interesse coletivo, colocando em risco a vida da fauna, da flora e, inevitavelmente, a nossa também.

Agora, o texto segue para a sanção presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem até 15 dias para decidir se veta — total ou parcialmente — o projeto. Cabe a ele, que construiu sua imagem no exterior como defensor do meio ambiente, mostrar coerência entre discurso e prática. A sociedade brasileira aguarda com apreensão, e o mundo observa atentamente.

*Emanuel Rocha é historiador, coautor dos livros Bacias Hidrográficas de Sergipe, Unidades de Conservação de Sergipe e Bairro América: A saga de uma comunidade. Também atua como repórter fotográfico e poeta popular.