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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Playlist - São Romero da América "nosso amado dom da justiça, dom da paz, dom da libertação"......
terça-feira, 24 de março de 2026
São Romero da América mártir: há 45 anos, o ódio da extrema direita silenciava Dom Romero, mas sua voz se fez esperança que não cala.
24 de março de 1980 não é apenas memória, é ferida aberta na história e semente plantada no coração do povo. Nesta data, o ódio da extrema direita salvadorenha assassinou um santo, Dom Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, um arcebispo que enxertou-se entre os pobres, defendeu sua causa e sofreu a mesma sorte deles: a perseguição e o martírio. Óscar Romero tombou como tantos anônimos que, com a coragem de quem fez da fé um compromisso, elevou sua voz em favor dos injustiçados. Tentaram calar sua voz e acabaram multiplicando seu eco. Ele não sangrou em vão. Porque toda vez que a injustiça levanta a arma, toda vez que um justo cai, levanta-se um povo. Romero não foi vencido: tornou-se esperança. Que o sangue derramado no altar nos lembre: a fé que não incomoda os poderosos talvez ainda não tenha aprendido a amar os pequenos. Mártir Óscar Romero, rogai por nós. RFinco
Romero, mártir da caminhada nas frestas da Cristandade
Por Marcelo Barros
"Nesse ano, a celebração da memória do martírio de Oscar Romero ocorre na semana anterior às celebrações pascais. Tanto a memória da Páscoa de Jesus, como a de Romero não pode limitar-se a ofícios litúrgicos e pregações bonitas. Precisamos revestir-nos da mesma profecia de Jesus e de Romero para defender os povos crucificados de nossos dias e colocar-nos como testemunhas da ressurreição, junto às vítimas das guerras e tragédias que o Capitalismo provoca no mundo inteiro"
Link para o artigo: https://ihu.unisinos.br/categorias/663688-vozes-de-emaus-romero-martir-da-caminhada-nas-frestas-da-cristandade-artigo-de-marcelo-barros
Na primavera de 1979, o arcebispo de El Salvador, Oscar Arnulfo Romero, viajou para o Vaticano. Pediu, implorou uma audiência com o Papa João Paulo II, mas em vão.
Finalmente, colocando-se na fila dos fiéis que esperavam a bênção ao final da audiência geral, Romero surpreendeu Sua Santidade para roubar alguns minutos.
Ele tentou entregar-lhe um relatório volumoso, fotos, depoimentos, mas o Papa não aceitou. "Não tenho tempo para ler tanta coisa", respondeu.
Romero balbuciou que milhares de salvadorenhos haviam sido torturados e mortos pelo poder militar. Que ontem não mais, o exército havia baleado 25 diante dos portões da catedral.
O Santo Padre o parou: "Não exagere, senhor arcebispo!" E então exigiu, mandou, ordenou: "Vocês devem se entender com o governo. Um bom cristão não cria problemas para a autoridade. A Igreja quer paz e harmonia!"
Dez meses depois, o arcebispo Romero foi fulminado em El Salvador. As balas o levantaram no meio da missa, quando ele estava levantando a hóstia.
segunda-feira, 24 de março de 2025
São Romero da América Latina & 45 anos do martírio de Óscar Romero e uma Igreja em libertação & Mensagem libertadora de Dom Oscar Romero, mártir e santo
Publicado em março-abril de 2025 - ano 66 - número 362 - pp. 26-33 - Revista Vida Pastoral.
São Romero da América Latina
Por Emerson Sbardelotti*
O artigo pretende apresentar, reapresentar e homenagear São Romero da América, na comemoração de 45 anos de seu martírio, em San Salvador, capital de El Salvador, em 24 de março de 1980; a força espiritual de sua palavra em defesa da vida, em nome da esperança, da justiça e da libertação.1. MEMÓRIA E COMPROMISSO
“Por que se mata? Mata-se porque atrapalha. Pra mim, são verdadeiros mártires no sentido popular. Naturalmente, não estou entrando no sentido canônico, no qual ser mártir supõe um processo de autoridade suprema da Igreja, que o proclama mártir perante a Igreja universal. Respeito essa lei e nunca direi que os nossos padres assassinados foram martirizados, ainda não canonizados. Mas eles são mártires no sentido popular. São homens que pregaram precisamente esta encarnação da pobreza” (Romero, in Gonzalo, 2022, p. 28).
No dia 24 de março de 2025, comemoram-se 45 anos do martírio de São Romero da América, pastor e mártir nosso! Dom Oscar Arnulfo Romero y Galdámez foi o quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, capital de El Salvador. Nasceu em Ciudad Barrios, distrito de San Miguel, em 15 de agosto de 1917, numa família pobre. Em 1930 entrou no seminário de San Miguel. Seus superiores mandaram-no a Roma, para estudar e doutorar-se na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi ordenado padre em 4 de abril de 1942. Em 25 de abril de 1970, foi nomeado bispo auxiliar de San Salvador e, em 15 de outubro de 1974, bispo de Santiago de Maria. Em 3 de fevereiro de 1977, foi nomeado arcebispo de San Salvador. Escolhido como arcebispo por seu aparente conservadorismo, uma vez nomeado, aderiu aos ideais da não violência, posição que o levou a ser comparado a Mahatma Gandhi e a Martin Luther King.
Com a morte do amigo e padre jesuíta Rutilio Grande, em 12 de março de 1977, D. Oscar Romero passou a denunciar, em suas homilias dominicais, as numerosas violações aos direitos humanos em El Salvador e manifestou publicamente sua solidariedade com as vítimas da violência política, no contexto da guerra civil no país. Defendia a opção pelos pobres. Dom Romero afirmou que foi o exemplo do padre Rutilio Grande e sua morte que o convenceram a ficar firmemente ao lado dos pobres, dos esquecidos, dos perseguidos e dos injustiçados salvadorenhos. Depois da morte do amigo, ele passou a acusar frontalmente os capitalistas, os governantes, os militares e os ricos, responsabilizando-os por todos os males ocorridos no país.
No dia 24 de março de 1980, às 18 horas, o arcebispo de San Salvador celebrava missa na capela do Hospitalito,[1] hospital de religiosas que cuidavam de doentes com câncer. No momento da consagração, o tiro desfechado por um atirador de elite, escondido atrás da porta traseira da capela, atingiu o coração do pastor e matou-o imediatamente. Selou, assim, seu testemunho com sangue, como Jesus e todos os mártires cristãos. Entretanto, sua morte não pode ser desconectada de sua vida: foi o selo coerente desta. Calava-se assim a voz que defendia os pobres no regime cruel e sangrento que dominava El Salvador. E D. Romero passaria a estar vivo, a partir de então, no coração de seu povo, ao qual profetizou que ressuscitaria, se o matassem.
Em 23 de maio de 2015, foi declarado beato. O primeiro papa latino-americano reconheceu Romero como “mártir da Igreja”, pois havia sido assassinado por “ódio à fé”. Em 14 de outubro de 2018, foi canonizado. Sobre São Romero, disse o papa Francisco:
São Oscar Romero soube encarnar, com perfeição, a imagem do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Por isso, agora e, sobretudo, desde a sua canonização, vocês podem encontrar nele “exemplo e estímulo” no ministério que lhes foi confiado: exemplo de predileção, para os mais necessitados da misericórdia de Deus; estímulo para testemunhar o amor de Cristo e a solicitude pela Igreja. Que o santo bispo Romero os ajude a ser, para todos, sinais da unidade na pluralidade, que caracteriza o santo povo de Deus.
São Oscar Romero concebia o sacerdote entre dois grandes abismos: o da infinita misericórdia de Deus e o da infinita miséria dos homens. Queridos irmãos, esforcem-se, sem cessar, para realizar este infinito anseio de Deus de perdoar os homens, que se arrependem de suas misérias, e abrir os corações de seus irmãos à ternura do amor de Deus, também mediante a denúncia profética dos males do mundo.
Ele repetia, com vigor, que todo católico deve ser mártir, porque mártir significa dar testemunho da mensagem de Deus aos homens. Deus quer estar presente em nossas vidas e nos convida a anunciar a sua mensagem de liberdade para toda a humanidade. Somente nele podemos ser livres do pecado, do mal, do ódio em nossos corações; livres para amar e acolher o Senhor e nossos irmãos e irmãs. Esta verdadeira liberdade, aqui na terra, passa pela preocupação com o homem concreto, para despertar em cada coração a esperança da salvação.
São Oscar Romero dizia que, sem Deus e sem o ministério da Igreja, isso não é possível. Certa vez, referiu-se à crisma como o “sacramento dos mártires”: sem a força do Espírito Santo, os primeiros cristãos não teriam resistido às provações da perseguição, não teriam morrido por Cristo.
A memória de São Oscar Romero é uma oportunidade excepcional para enviar uma mensagem de paz e reconciliação a todos os povos da América Latina (Papa […], 2018).
Para o povo de El Salvador e de toda a América Latina e Caribe, ele já era e é, há muito tempo, o nosso santo, pastor e mártir.
2. MÁRTIR DA ESPERANÇA, DA JUSTIÇA E DA LIBERTAÇÃO
“Cristo está dizendo para cada um de nós: se você quer que a sua vida e a sua missão sejam produtivas como a minha, faça como eu. Converta-se em uma semente que se deixa ser enterrada. Deixe que o matem. Não tenha medo. Aqueles que evitam o sofrimento permanecerão sozinhos. Ninguém é mais solitário do que a pessoa egoísta. Mas se você der a sua vida por amor aos outros, como eu dou a minha por todos, você obterá uma grande colheita. Você sentirá uma profunda satisfação. Não tema a morte ou ameaças” (Romero, in Wright, 2011, p. 86).
Nosso mártir primeiro é Jesus de Nazaré, e com sangue de mártir não se pode brincar. Mártir é palavra forte, inquieta e inquietante. A palavra grega mártys significa “testemunha”. O/A mártir é a testemunha da fé, que seguiu, por toda sua vida, os passos de Jesus de Nazaré, até as últimas consequências.
Romero sabia que seu comportamento alimentava a esperança de uma vida mais livre, mais humana, e agia assim levado por sua missão de cristão e bispo; sabia que isso poderia conduzi-lo à morte. Pelas virtudes de sua vida, podemos defini-lo como mártir da esperança (Vitali, 2015, p. 10).
Esperança é todo sentimento que leva o ser humano a olhar para o futuro, para o incerto, sabendo que colheu bons frutos do passado, aprendeu com os erros e experimenta, no presente, o amparo nos desafios cotidianos desta vida.
Romero percebia que suas atitudes eram de um profeta comprometido com o cotidiano e a dignidade do povo, com a justiça feita ao povo:
Com a linguagem da justiça, estamos outra vez ante um tema central na Bíblia. Nela, o termo justiça remete à justiça social, ao reconhecimento dos direitos das pessoas, com um acento na condição dos mais pobres.
A linguagem profética tem em conta o dia a dia das injustiças, prosternações, maus-tratos, mortes, lucros, sofrimentos, alegrias que se dão na história. É uma linguagem que denuncia o que vai contra a mensagem do Reino e que anuncia sua presença na história. A respeito disso, e por experiência, Romero rechaçava: “Uma palavra muito espiritualista, sem compromisso com a história, que pode soar em qualquer parte do mundo porque não é de nenhuma parte, não cria problemas, nem conflitos” (Homilia, 10 dez. 1977). Espiritualista, não espiritual. Era consciente de que sua palavra clara, precisa e próxima à situação que atravessava seu povo lhe atrairia dificuldades e hostilidade, mas não pronunciá-la seria trair o Evangelho.
[…] A linguagem da gratuidade dá horizonte à justiça, coloca-a no marco do amor gratuito de Deus, do Deus amor. Deus não é amor porque ama, mas, sim, ama porque é amor. Não é justo porque faz justiça, mas, sim, faz justiça porque é justo. Por sua vez, a linguagem da justiça dá concreção histórica à da gratuidade e contemplativa e contribui para inseri-la na história de pessoas e povos (Gutierrez, in Bingemer, 2012, p. 49-50).
Justiça é uma virtude moral que inspira o respeito e o cumprimento dos direitos e deveres do ser humano, representando uma maneira de amenizar e erradicar os efeitos das desigualdades sociais na sociedade em que se vive.
Romero entendia que a libertação é fruto da união de todo o povo de Deus. Entendia que a libertação engloba toda a natureza:
A libertação que a Igreja espera é uma libertação cósmica. A Igreja sente, em si mesma, que é toda a natureza que está gemendo sob o jugo do pecado. Que belos cafezais, que belos riachos, que lindas plantações de algodão, que fazendas, que terras que Deus nos tem dado! Que natureza bela! Entretanto, quando a vemos gemer sob a opressão, sob a iniquidade, sob a injustiça, sob a agressão, isso faz a Igreja sofrer e a faz esperar uma libertação. Libertação que não seja só o bem-estar material, mas que seja o poder de um Deus que livrará das mãos pecadoras dos seres humanos uma natureza que, com a humanidade redimida, vá cantar a felicidade no Deus libertador (Romero, in Richard, 2005, p. 15-16).
Libertação é a ação de pôr-se em liberdade ou de conceder a liberdade a alguém. Implica o ser humano desenvolver uma ação segundo a sua própria vontade. A liberdade está relacionada com outras virtudes, como a justiça, a fraternidade e a igualdade.
Romero era uma pessoa simples, aberta, perspicaz, de grande sensibilidade para com as crianças, de gestos proféticos e compromisso. Soube acolher as pessoas com amor e atenção, conseguiu manter viva a esperança fiel do povo salvadorenho, soube sentir o cheiro das ovelhas. Em sintonia com o Evangelho, fez da sua Igreja local uma Igreja em saída, como pede o papa Francisco (Xavier; Sbardelotti, 2022, p. 180).
3. FORA DOS POBRES NÃO HÁ SALVAÇÃO!
A situação de nosso país é muito difícil, mas a figura de Cristo transfigurado, em plena Quaresma, está nos mostrando o caminho a seguir. O caminho da transformação de nosso povo não está longe. É o caminho que a Palavra de Deus nos aponta hoje: o caminho da cruz, do sacrifício, do sangue e da dor, mas com o olhar cheio de esperança na glória de Cristo, que é o Filho eleito pelo Pai para salvar o mundo. Ouçamos a voz de Cristo! Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso (Romero, in Souza; Boff; Casaldáliga, 1980, p. 179).
Jon Sobrino nos diz que a fórmula extra pauperes nulla salus (“fora dos pobres não há salvação”) é uma novidade, um escândalo e, certamente, algo contracultural. Trata-se de sacudida para levar absolutamente a sério a prostração de nosso mundo e o que há de salvação debaixo da história, que tantas vezes se ignora, não se compreende e se despreza (Sobrino, 2008, p. 14).
O teólogo espanhol relembra uma frase dita a ele por Romero: “Gloria Dei vivens pauper” (“A glória de Deus é o pobre que vive”). É a partir dos pobres que se reformula o mistério de Deus. Os pobres deste mundo são o lugar teológico (locus theologicus) do encontro com o Deus da vida, com o Deus libertador. Desse lugar teológico provém a salvação:
O camponês entendeu bem a opção de Monsenhor Romero pelos pobres: “Ele nos defendeu como pobres”. Monsenhor defendeu os pobres e oprimidos do país. Ele não optou apenas por eles. Esta defesa significou promover a organização popular e a assistência jurídica para defender os camponeses e as vítimas daqueles que os oprimiram e reprimiram. […] E certamente, semana após semana, ele defendeu os pobres e as vítimas com a verdade que proclamava publicamente nas suas homilias. Fica claro, então, que Monsenhor defendeu os oprimidos.
Mas você também precisa entender o que significa defender. Defender significa enfrentar e, quando necessário, lutar contra aqueles que atacam, empobrecem, perseguem, oprimem e reprimem. Para defender os pobres, Monsenhor confrontou aqueles que mentem e assassinam, sejam pessoas, instituições ou estruturas – e aceitou o preço a pagar. E a sua defesa foi primária, que foi muito além do que se convencionou entender por “defender um caso” com o objetivo, ainda, de “ganhar um caso”, como frequentemente aparece nos programas de televisão. Ganhar um caso nunca foi a perspectiva do Monsenhor, obviamente. Trabalhou e lutou para que a realidade maltratada, a justiça e a verdade vencessem. Mais a fundo, trabalhou e lutou para que algum dia os habituais não perdessem.
Monsenhor foi um defensor dos pobres com tudo o que era e tinha (Sobrino, in Xavier; Sbardelotti, 2022, p. 36).
Romero concebia e fazia questão de orientar, em sua atuação pastoral e profética, uma volta ao mundo dos pobres, um mundo real e concreto, assumindo quatro pontos importantes: 1) encarnação no mundo dos pobres; 2) anúncio da Boa-nova aos pobres; 3) compromisso com a defesa dos pobres; 4) Igreja perseguida por servir os pobres.
Encarnação no mundo dos pobres. A aproximação com o mundo dos pobres, entendida como encarnação e conversão para fora da Igreja.
O anúncio da Boa-nova aos pobres. O encontro com os pobres revelou a verdade central do Evangelho: “Felizes os pobres no Espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). À luz da Palavra de Deus, a esperança e a ação segundo os valores do Reino.
Compromisso com a defesa dos pobres. A Igreja deve pôr-se sempre ao lado dos pobres e assumir, sem dúvida, a sua defesa.
Igreja perseguida por servir os pobres. A perseguição faz a Igreja testemunhar com maior garra a opção feita por Jesus de Nazaré em defesa dos pobres. A perseguição e ataques sempre estão e estarão ligados à defesa dos pobres.
Em sintonia com o pensamento de Romero e pedindo sua ajuda na caminhada, com alegria e esperança, cantemos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BINGEMER, M. C. (org.). Dom Oscar Romero: mártir da libertação. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Aparecida: Santuário, 2012.
GONZALO, L. A. São Romero dos direitos humanos: lições éticas, desafio educacional. São Paulo: Paulus, 2022.
IRMANDADE DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA. Celebrações martiriais: tríduo e celebração da festa de São Romero da América, pastor e mártir nosso! Goiânia: América, 2015.
NOVA Bíblia Pastoral. São Paulo: Paulus, 2018.
PAPA: São Oscar Romero, exemplo e estímulo para os povos da América Latina. Vatican News, Vaticano, 15 out. 2018. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-10/papa-francisco-canonizacao-monsenhor-romero.html. Acesso em: 3 out. 2024.
RICHARD, P. A força espiritual da palavra de Dom Romero. São Paulo: Paulinas, 2005.
SOBRINO, J. Fora dos pobres não há salvação: pequenos ensaios utópico-proféticos. São Paulo: Paulinas, 2008.
SOUZA, L. A. G. de. BOFF, L.; CASALDÁLIGA, P. (org.). D. Oscar Romero, bispo e mártir: homilias. Petrópolis: Vozes, 1980.
VITALI, A. Oscar Romero: mártir da esperança. São Paulo: Paulinas, 2015.
WRIGHT, S. Oscar Romero e a comunhão dos santos. São Paulo: Paulus, 2011.
XAVIER, D. J.; SBARDELOTTI, E. (org.). San Romero de América: martirio, esperanza, liberación. Montevideo: Ameríndia, 2022.
[1] Nome carinhoso como era conhecido o Hospital da Divina Providência pelo povo salvadorenho.
Emerson Sbardelotti*
*é doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Agente de pastoral leigo da paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Cobilândia, Vila Velha, arquidiocese de Vitória-ES. Membro do Grupo de Pesquisa Literatura, Religião e Teologia (Lerte). Membro da equipe de formação do Cebi-ES. Membro da equipe de formação do CNLB Regional Leste 3. E-mail: sbardelottiemerson@gmail.com
Comemoramos 45 anos do martírio de São Óscar Arnulfo Romero 🌟
📅 Data: Segunda-feira, 24 de março de 2025
⏰ Horário:
16h (Brasília)
14h (Colômbia)
15h (Manaus)
13h (El Salvador)
19h (Reino Unido)
Junte-se ao conversatório:
“Defendendo os direitos humanos e a Igreja Latino-americana: São Óscar Romero e seu legado”
Uma iniciativa do @Celam e @CAFOD, com o apoio de organizações como @CaritasLAC, @INSPyRE, @Remam e @RadioProgreso.
📌 Temas destacados:
O legado de São Romero na defesa dos direitos humanos.
A campanha continental “A vida pende de um fio”, visibilizando líderes assassinados por defender a casa comum.
Ao canonizar Dom Óscar Romero, o Papa Francisco indicou para toda a Igreja o exemplo e o testemunho deste mártir latino-americano, brutalmente assassinado há 45 anos, em 24-03-1980. A despeito das estruturas clericais que tendem sempre a controlar e a “domesticar” tantas figuras radicais no seguimento de Jesus, São Romero não pode se tornar apenas mais uma festa litúrgica no calendário romano.
O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Eis o artigo. AQUI
Santo Oscar Romero no blog da cultura (textos, imagens e canções)
MENSAGEM LIBERTADORA DE DOM OSCAR ROMERO, mártir e santo. Por Frei Gilvander Luís Moreira[1]
Dia 24 de março de 2025 celebramos 45 anos de martírio de dom Oscar Romero, arcebispo da arquidiocese de San Salvador, capital de El Salvador. Nomeado bispo por ser considerado conservador, passou por um processo de profunda conversão e assumiu a causa dos pobres. Sentiu profundamente o assassinato do padre Rutílio Grande, seu secretário, e de milhares de lideranças camponesas, de Comunidades Eclesiais de Base, que se levantavam contra a ditadura militar imposta sobre El Salvador.
Eis, abaixo, 17 anúncios e denúncias que ecoaram a partir da boca de Romero nas suas homilias. Através da Rádio a mensagem de Romero encontrou acolhida nos corações de tanta gente que segue vivendo se inspirando no ensinamento e testemunho libertador de Romero.
sexta-feira, 24 de março de 2023
São Romero da América e El Salvador em textos, livros, filmes e canções
O martírio prolongado e atual de Monsenhor Romero
Marcelo Barros
A versão oficial relata o martírio de Monsenhor Oscar Romero como ocorrido na tarde de 24 de março de 1980, quando este celebrava a Missa no hospitalito. De fato, naquela tarde, o seu sangue foi unido ao memorial da entrega pascal de Jesus.
É verdade que aquela bala roubou a vida de um profeta. A morte matada é sempre violenta e, fisiologicamente, sem volta. No entanto, de acordo com os laudos médicos, Romero morreu, quase instantaneamente e sem sofrimento prolongado. O que Romero sofreu como martírio mais forte não foi a bala que o matou. Foi a imensa dor, vivida no dia a dia dos seus três anos de ministério como arcebispo de San Salvador, desde que, progressivamente, se inseriu na realidade do seu povo e passou a assumir a defesa dos pobres e tomar a defesa das pessoas ameaçadas pela ditadura militar e pelos lavradores e indígenas simplesmente vítimas de extermínio. Ao entrar nessa inserção e tomar posição nessa luta pacífica em favor dos excluídos, dentro de pouco tempo, Romero viu muitas pessoas que, antes, eram amigas se afastarem e progressivamente o hostilizarem. Percebeu claramente que não contava mais nem com a amizade de quase nenhum dos seus irmãos, bispos de El Salvador. Principalmente, o Vaticano que o tinha colocado como arcebispo para representar os interesses eclesiásticos no país, passava a tê-lo como alguém estranho e considerado de esquerda.
Para qualquer pessoa sensível, isso teria representado um grande sofrimento. No entanto, para Monsenhor Romero foi inesperado e, de certo modo, incompreensível. Ele era um homem de profundo amor à Igreja institucional. Por formação, nunca podia imaginar que o fato de assumir com coragem a defesa dos mais frágeis e acreditar profundamente nas comunidades eclesiais de base e na Igreja dos pobres o fizesse ser visto como alguém a ser evitado pelos próprios irmãos no episcopado e até por Roma.
Esse foi o verdadeiro martírio de Romero; martírio, prolongado e oculto. Ele se sentia perseguido e podia apontar os militares que o ameaçavam. No entanto, não podia divulgar os maus entendidos, desfeitas e comentários malvados que sofria do episcopado e dos próprios católicos ricos da arquidiocese que o consideravam comunista. Isso o fazia perder noites de sono. Mesmo participar de encontros do episcopado era ocasião de desencontros e sofrimentos. Uma vez, em 1979, um amigo leigo o transportou ao local onde Monsenhor Romero ficou hospedado para participar de um encontro com os outros bispos do país. Dois dias depois foi buscá-lo e o encontrou com febre e dor estomacal. Estava consciente de ser resultado da tensão sofrida naquela reunião que deveria ser de diálogo entre irmãos, mesmo que pensassem de modo diferente.
Sua consolação era quando estava cercado pelas pessoas mais pobres e podia ver florescer as comunidades da Igreja inserida. Esse era o único socorro para as pessoas perseguidas pela ditadura e pela elite que se apossava das terras indígenas. A bala que matou Romero não tinha como objetivo a pessoa individual do bispo. O alvo era a Igreja dos pobres a qual Romero dava toda força. Era esta que precisava ser neutralizada.
Mataram Romero para acabar com a Igreja dos pobres. A boa notícia disso tudo é que, embora com toda a dor que o martírio de Romero provocou, a repressão que matou milhares de pessoas não conseguiu acabar com a minoria profética da Igreja pobre e dos pobres.
Depois de quase 40 anos, o papa Francisco forçou que o Vaticano levasse adiante o processo de canonização de Romero. Poucos anos antes, na Praça da Catedral em San Salvador, o cardeal romano que presidiu a cerimônia de beatificação afirmou que a Igreja reconhecia Romero como santo porque ele tinha profunda devoção ao Santíssimo Sacramento, era devoto de Nossa Senhora e amava o papa. Na direção contrária a essa folclorização da figura do santo, o papa Francisco valorizou o martírio de Romero como martírio e pelo fato dele ter dado a vida por seu povo.
Em termos sociais e políticos, para El Salvador, a canonização de Romero ajudou a causa da democratização do país. No entanto, ao se centrar nas virtudes pessoais de Romero, o processo de canonização não expressou claramente nenhum reconhecimento direto à causa pela qual Romero deu a vida. Não trouxe nenhuma valorização à inserção da Igreja no mundo dos pobres que foi o que verdadeiramente santificou Romero.
Hoje, o que Romero nos pede é acreditarmos de novo no projeto da Igreja inserida nas bases e renovarmos o anúncio do anjo a Maria no sentido da revelação de que a Palavra Divina se faz carne na vida e nas causas dos povos crucificados no mundo atual. Para que o martírio de Monsenhor Romero seja valorizado, é preciso que testemunhemos o que, no Nordeste brasileiro, cantava o poeta popular e Dom Helder Camara espalhou:
“Eu acredito que o mundo será melhor, quando o menor que padece acreditar no menor”.
PS: Uma sugestão de leitura sobre Romero é o livro editado pela Amerindia, com a participação de várias teólogas e teólogos da América Latina e Caribe, e, também da Europa, em memória das causas de Romero:
DONIZETE XAVIER Y EMERSON SBARDELOTTI - organizadores: San Romero de América. Montevideo: Amerindia, 2022.
Pode ser baixado gratuitamente no site:
https://amerindiaenlared.org/contenido/21490/san-romero-de-america-martirio-esperanza-liberacion-/
https://www.youtube.com/watch?v=CSPdJ76PIEQ
HOJE, 24 de março - Sexta
live sobre Dom Oscar Romero. Assassinado em El Salvador por paramilitares de direita e apoiados pelo serviço secreto dos EUA em 1980.
as 18h. no Instagram romerojunior4503
Romero (Portugues)
https://www.youtube.com/watch?v=QpVBTjVcjfU&t=614s
https://www.youtube.com/watch?v=uMjQLxNoQG4
CultMovie: Salvador - O Martírio de um Povo
PROFECIA (Reginaldo Veloso)
https://www.youtube.com/watch?v=OznlrJdlEzk
Oscar Romero, o Pastor de El Salvador (Documental)
Esperar contra Toda Esperança
Óscar Romero: testemunho contra o autoritarismo. Artigo de Gabriel Vilard
“Uma religião de missa dominical, mas de semanas injustas não agrada ao Deus da Vida. Uma religião de muita reza, mas de hipocrisias no coração não é cristã. Uma Igreja que instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, porém que não ouve os clamores das injustiças não é a verdadeira igreja de nosso Divino Redentor.” (04/12/1977).
Dom Oscar Romero. Discípulo de Jesus em El Salvador. Mártir & Santo.
“É ridículo dizer que a Igreja se tornou marxista. Porém há um “ateísmo” mais próximo e mais perigoso para nossa igreja: o ateísmo do capitalismo, quando os bens materiais se tornam ídolos e substituem Deus.” (15/09/1978)
Dom Oscar Romero. Discípulo de Jesus em El Salvador










