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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

ESCOLAS PÚBLICAS! SEM ARTE, CULTURA, COMUNICAÇÃO E ECOLOGIA INTEGRAL NÃO DÁ. (10)


Depois de alguns anos como educador, tanto no seio de associações, seja a extinta AMABA( associação dos moradores do bairro américa e adjacências), seja a Associação Cultural (Ação Cultural), como em diversas escolas públicas, fico cada vez mais convencido da urgência de  necessidade da incorporação dos  conhecimentos teóricos e principalmente práticos, do campo da ARTE , CULTURA, COMUNICAÇÃO E ECOLOGIA INTEGRAL,   por parte de educadores e escolas.

Falo isso, considerando  estarmos diante de uma verdadeira rebelião das novas gerações contra o tipo de escola que temos.

No próximo dia 15 de outubro, o Instituto Paulo Freire estará lançando um ebook coletivo, onde constará um artigo da minha autoria sobre a experiência desenvolvida na AMABA, nos anos de 1980 e 1990. 

O artigo recebeu o titulo de   AMABA/PROJETO RECULTURARTE – O ESQUECIDO CÍRCULO DE CULTURA DA ARACAJU DOS ANOS DE 1980 E 1990.  E,  "apresenta o Projeto Reculturarte (Reeducação, Cultura e Arte), realizado nos anos de 1990 em Aracaju, proposta pioneira e inovadora de arte-educação popular, atual e necessária nestes tempos de fake news, individualismo exacerbado e falta de espaços para a socialização criativa e crítica de crianças, jovens e adultos. Os resultados preliminares da pesquisa iniciada em 2018 mostram avanços no campo da construção de sentido, protagonismo cidadão e preenchimento do tempo livre de forma construtiva.”




acima, grupo de adolescentes acompanhado por este que escreve. Em Salvador (farol da barra). Ano de 1995

Também neste ano de 2019, relatei uma experiência cineclubista em uma escola pública e na qual fui um dos responsáveis. O relato e discussão aconteceu no  II Seminário Interdisciplinar de Cinema, realizado na UFS nos  dias, 14 a 16 de maio de 2019. 

O artigo recebeu como titulo  “O CINECLUBE REALIDADE COMO JANELA PARA VER A PERIFERIA SINGULAR E DIVERSA. 
                                                  
"O presente artigo relata como foi implementado o  cineclube na Escola  Júlia Teles, localizada no Conjunto Jardim, município de Nossa Senhora do Socorro,  por meio de parceria com o Ponto de Cultura Juventude e Cidadania, o qual teve como objetivo proporcionar diálogo entre os jovens ligados às oficinas dos ponto de cultura  e os de outras realidade semelhantes, moradores de outros territórios,  por meio do suporte fílmico. Apresentar o trabalho realizado pelo Cineclube Realidade é colaborar para inspirar novas iniciativas com propósitos semelhantes ou ampliá-las, bem como apontar possibilidades para a experiência democrática e inclusiva do audiovisual; e aqui, no caso específico do cineclube, permitir aos seus participantes uma saída  dos limites  condicionantes do território e das condições econômicas e socioculturais por meio do audiovisual. “


A integra do  primeiro artigo será disponibilizada no próximo dia 15 de Outubro, dia do professor e a integra do segundo será disponibilizada no dia 11 de novembro, dia do meu aniversário. 

Página AMABA/Projeto Reculturarte no facebook. AQUI

Página Cineclube Realidade no facebook. AQUI

Zezito de Oliveira

Anexos:

SEQUENCIA DAS PUBLICAÇÕES SOBRE O LIVRO NO BLOG DA AÇÃO CULTURAL. 
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Amostra grátis do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte (1). A ser lançado em 2019. Cena de um retiro/acampamento Reculturarte.
 https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/01/amostra-gratis-do-livro-sobre.html

sábado, 19 de janeiro de 2019

Uma prévia do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte a ser lançado em 2019. Cena do grupo de dança Reculturarte
  https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/01/uma-previa-do-livro-sobre-amabaprojeto.html
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O Reculturarte vai à Bahia. Um recorte do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte a ser lançado em 2019.(3)  

Cena sobre a viagem a Bahia e texto descritivo analitico sobre a presença da religião na Amaba/Projeto Reculturarte
https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/01/o-reculturarte-vai-bahia.html

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Um aperitivo do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte que está em fase de produção para ser lançado até dezembro de 2019. (4) Cena da capoeira na AMABA/Projeto Reculturarte
https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/02/um-aperitivo-do-livro-sobre.html

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Um pedaço de memória: AMABA/Projeto Reculturarte. O livro completo está em fase de pesquisa para ser lançado este ano. (5)  Cena da Banda afro Meninos do B.A.
https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/02/um-pedaco-de-memoria-amabaprojeto.html
 segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Memória para uso diário. Mais histórias do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte, com previsão de lançamento para o final de 2019.(6) Quadrinhos sobre as origens do Projeto Reculturarte.
http://acaoculturalse.blogspot.com/2019/02/memoria-para-uso-diario-mais-historias.html
  
quarta-feira, 6 de março de 2019

O Carnaval e a Amaba/Projeto Reculturarte. Um pouco do que estará no livro com previsão de lançamento para o ano de 2019.(7) O carnaval da Bahia e a influência na Banda Afro Meninos do B.A.
http://acaoculturalse.blogspot.com/2019/03/o-carnaval-e-amabaprojeto-reculturarte.html

A politização do carnaval e a culturalização da politica e da educação de base.(8)

https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/03/a-politizacao-do-carnaval-e.html














quarta-feira, 2 de outubro de 2019

AMABA/Projeto Reculturarte presente no E-book Paulo Freire em tempos de fake news. Lançamento em 15 de Outubro

Passeata "Não matem nossas crianças." Ruas do centro de Aracaju. Foto 1990.

Caros companheiros e companheiras que direta e indiretamente participaram e/ou contribuíram com a AMABA/Projeto Reculturarte. Dirijo-me  também,  àqueles (as) que,  não tendo participado diretamente, guarda uma  grande afinidade e identificação com essa iniciativa.

No próximo dia 15 de outubro, dia do professor,  será lançado o ebook “Paulo Freire em tempos de fake news” . Esse  livro digital é fruto do trabalho de dezenas de cursistas que participaram do curso de educação a distância (EAD) do Instituto Paulo Freire.

Este que escreve,  faz parte deste rol de professores e alguns outros profissionais de diversas áreas , os quais livremente escolheram tema e objeto de estudo que tivessem  relação com o pensamento de Paulo Freire.

O tema e objeto que escolhi  foi : “AMABA/PROJETO RECULTURARTE – O ESQUECIDO CÍRCULO DE CULTURA DA ARACAJU DOS ANOS DE 1980 E 1990.”

Zezito de Oliveira e Antônio Luiz, integrantes da diretoria da AMABA. Foto possivelmente de 1993.

A produção do  artigo, teve como base,  dois dos trinta depoimentos  coletados no segundo semestre de 2018 e no primeiro de 2019. Além de documentos que foram recolhidos em alguns locais, principalmente UFS, arquivo pessoal, arquivo público de Aracaju,  livros e pesquisas na  internet. 

Com a publicação desse artigo, o Projeto Reculturarte passa a entrar no registro documental universitário, se fazendo conhecido de pesquisadores e estudiosos sobre trabalho de base, educação popular e  iniciativas culturais de base comunitária.

O que preenche um espaço vazio e faz justiça a uma experiência histórica diferente, significativa  e criativa,  na Aracaju dos anos de 1990. No caso da AMABA, encontramos o produto de diversas pesquisas universitárias, porém sobre o Projeto Reculturarte muito pouco foi escrito. O que houve foram apenas citações. 

De outra maneira, também fizemos a ligação no artigo,  do que  foi produzido pela AMABA/Projeto Reculturarte, com o que foi apresentado nas aulas e no fórum de debates do curso da EAD freireana.

Por sinal temas e abordagens muitos ricos, os quais também fizeram ligações do pensamento de Paulo Freire com uma serie de questões necessárias e urgentes destes tempos difíceis. Questões  que envolvem as fake news ou noticias falsas, como também os desafios e potencialidades  da abordagem e lutas ligadas aos direitos humanos, educação, meio ambiente, comunicação como direito humano, entre outros.




Sobre o nosso livro AMABA/Projeto Reculturarte, neste final de 2019, pretendemos realizar o restante das poucas  entrevistas que estão faltando. Conto com a colaboração de quem ainda não foi ouvido, inclusive pessoas que participaram indiretamente e/ou por pouco tempo.


Apresentação do teatro de cordel "Promessa de Politicos" - Foto de 1988. Manoel Soares,  com o microfone,  foi presidente da AMABA nesse periodo.

Vale lembrar que já escrevemos a  metade dos capítulos. A meta é fazermos o lançamento  no final de 2020. Para o financiamento lançaremos uma campanha de financiamento  colaborativa na internet, uma espécie de vaquinha virtual. Esperamos contar com a participação de vocês todos e de mais gente,  com afinidade e interesse em estudos e pesquisas sobre o assunto.

Como estamos fazendo outro curso na EAD Freireana, estaremos produzindo um segundo artigo, focalizando a AMABA/Projeto Reculturarte novamente. Dessa vez trataremos da banda afro mirim Meninos do B.A. Esse artigo, caso aprovado estará publicado em outro E-book, no mês de  janeiro de 2020. Aqui,  estaremos utilizando mais vozes que falaram sobre a experiência inesquecível da banda afro mirim Meninos do B.A.

Lembramos que o padrão de escrita dos capítulos do livro não é o mesmo dos artigos. Inclusive,  no livro,  daremos voz a  todos os entrevistados. O  contrário dos artigos onde temos limites de espaço, e também por precisarmos dialogar frequentemente com autores consagrados, no nosso caso, principalmente Paulo Freire.

Enquanto o livro não sai, fiquem ligados na página face dolivro AMABA/Projeto Reculturarte e no blog da Ação Cultural. Tem sempre textos curtos, fotos e links que tem relação com o tema. Compartilhem a vontade.

Além dos artigos, textos curtos,  e outros materiais na página face e no blog, pretendemos produzir um documentário sobre a AMABA/Projeto Reculturarte. Este,  terá o livro como base e será realizado depois do lançamento do livro. Embora, para a campanha de  colaboração financeira via internet, produziremos  alguns vídeos curtos, com entrevistas e material fotográfico.






quarta-feira, 13 de março de 2019

A politização do carnaval e a culturalização da politica e da educação de base.(8)

LIGANDO OS PONTOS. UM MOMENTO FORTE DO PROJETO RECULTURARTE EM 1990 COM O CARNAVAL 2019.

Bastante curioso como os  dois tempos em que  estou imerso nesse momento, dialogam  de forma intensa. O  ano de 1990, quando escrevo sobre a organização do primeiro encontro de menores do bairro américa e a passeata  de protesto “culturalizada”,  realizada como culminância do referido encontro que aconteceu neste ano, e o tempo propriamente em que estou inserido agora, o ano de 2019  com seu  carnaval, considerado um dos mais politizados.


Da parte dos setores mais tradicionais e conservadores  de direita,  leio critica quanto aos aspectos imorais e violentos do carnaval, resumindo o carnaval a isso, tão somente. 


Como é do conhecimento de quem nos lê, o  exemplo mais eloquente  nesse sentido foi a postagem do vídeo pornográfico realizada pelo presidente Bolsonaro, como resposta a avalanche de criticas que recebeu dos  foliões de norte a sul do país. 


Também quem assistiu a cobertura do  carnaval 2019 realizado pela  TV Record, só viu cenas de violência associadas aos  festejos de Momo.  


Já do lado dos setores mais tradicionais e conservadores de esquerda, leio a reiteração da antiga  critica aos aspectos alienantes e de fuga do carnaval, resumindo o carnaval a isso, tão somente.

Como exemplo, temos a postagem abaixo que recebi no whatzap, compartilhada depois por mim com o adendo que está ao final.


“Já que o Carnaval acabou, vamos acordar pra vida.

"Vamos amigo, lute!
Vamos amigo, ajude!
Senão
A gente acaba perdendo o que já conquistou...
Vamos levante e lute!
Vamos levante e ajude!
Vamos levante e grite!
Vamos levante agora!
Que a vida não parou
A vida não pára aqui
A luta não acabou
E nem acabará
Só quando a liberdade raiar... "

(Edson Gomes) Lutar com arte! O carnaval 2019 deu a pista. Mas não esqueçamos o investimento necessário. ZdO


Também no rol de acontecimentos  próximos da semana do carnaval 2019, incluímos o gesto “carnavalizado” do ator José de Abreu que se autoproclamou presidente do Brasil, mesmo que este não   tenha sido parte da programação para este período, mas que acabou se conectando.  


E esse gesto “carnavalizado” recebeu criticas, à direita, ameaça de processo por parte de Bolsonaro e à esquerda, com comentários do tipo:   “A esquerda é  capaz de lotar um aeroporto pra brincar de “ Zé de Abreu na presidência”, mas não consegue  lotar as ruas  do Rio para protestar contra o Bozo e a Reforma da Previdência. Estamos bem! Bom sábado a todos.”


E o que tem a ver o micro  acontecimento, com alguns pormenores apresentado  abaixo, cuja pesquisa e escrita do texto foi concluída no dia de hoje, 10 de março de 2013, com o macro acontecimento do carnaval de 2019?


O depoimento de Paulo Sergio, na época educador e coordenador administrativo do projeto Reculturarte, nos mostra o quanto  a metodologia utilizada, se assemelha  ao processo pedagógico e cultural da construção de um carnaval de escola de samba ou de bloco afro.

Encontro que marcou o lançamento do projeto Reculturarte em Sergipe e da campanha nacional "Não Matem Nossas Crianças."

“O encontro muito bonito aconteceu no Bairro América,  na Escola Santa Rita de Cássia nos dias 23 , 24 e 25 de novembro de 1990. Depois, abrindo a programação do dia 26, tivemos a  missa que deu o ponta pé da mobilização de rua . Esta foi  celebrada pelo Pe. Didiu e pelo Pe. Gabriel, que eram salesianos,  na Igreja de São José,   o que  foi muito bom. Assim como foi  toda a concentração na Pça. Tobias Barreto, em frente a Secretaria de Segurança que ficava próximo a igreja, depois tivemos a caminhada até o centro da cidade, nos levando a crer que as autoridades de Sergipe iriam tomar posição  em relação as chacinas de crianças, ainda mais com o envolvimento do procurador geral da república,   na época Aristides Junqueira, da Anistia Internacional e da secção sergipana da  OAB, que  entrou de cheio, com o presidente Clóvis Barbosa. Naquela época a OAB era mais envolvida com a questão social. Depois,  continuando uma caminhada muito boa pelas ruas do centro da cidade. Me  recordo da presença de  Ivanir Santos, que era o coordenador do Centro de Apoio às Populações Marginalizadas (CEAP) do Rio de Janeiro  e que  veio a Aracaju lançar a campanha nacional “Não Matem Nossas Crianças”. Sobre o primeiro encontro,  acolhemos pela manhã as crianças e  os pais, a educadora Rosangela Souza  cantou, teve a palestra com Rosana do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Zé da Guia e Zezito de Oliveira fizeram a abertura,  representando o CESEP e a AMABA respectivamente.  Frei Florêncio Pecorari, o pároco da Igreja São Judas Tadeu,  apareceu, deu uma palavrinha.  Teve  uma apresentação do próprio projeto  Reculturarte, por meio de um esquete de teatro e uma apresentação do grupo de dança FAMA, cujo responsável era o professor Henrique. Teve também  gincanas e brincadeiras, e  não poderia faltar o lanche e o  almoço. O almoço me marcou, porque quase todas as crianças do nosso projeto passavam por situações difícieis ,  por necessidade,  e algumas até  fome e o almoço foi bom, porque vimos a alegria e a felicidade dos pais dizerem, poxa em nosso bairro  tem uma entidade que promoveu um encontro esclarecedor, de educação, sobre cultura,  nos oferece um lanche e um  almoço desse. Estamos  num bairro bom. Não existia somente a guerra da maconha, razão,  segundo a policia, da morte de tantos  adolescentes e jovens.  Também existia projetos sociais que precisavam ser vistos pela comunidade, para estimular a comunidade a resistir, para  levantar a auto estima da comunidade e o encontro serviu para isso. Foi  graças ao encontro que  tivemos sucesso com a caminhada no centro. O encontro foi em três dias e no encontro mobilizamos toda comunidade para participar da caminhada. Muitas crianças que estavam na caminhada, eram do projeto Reculturarte, e já estavam participando de atividades como teatro, capoeira, escolinha de esporte e lazer, cooperativa dos guardadores de carros.  O encontro fez  o  lançamento da caminhada acontecer em grande estilo.”

Cena da caminhada de protesto contra o assassinato de crianças e adolescentes por grupos de exterminio em 1990.


Em síntese, preparação de uma caminhada de protesto em alguns dias,  imersos em um local, mesmo que não totalmente, já que as pessoas iam dormir em casa, e contando com estrutura  de apoio e formação pedagógica e cultural. 

E depois isso prossegue  de maneira permanente, não mais episódica ou pontual, isso por conta do apoio financeiro e técnico recebido das  agências  de cooperação Coordenadoria Ecumênica (CESE) e Visão Mundial e que se estenderam até o final da década de 1990. As oficinas culturais e a criação de grupos culturais, assim como o reforço escolar e a escolinha de esportes. Os  retiros/acampamentos como   momentos privilegiados para a formação humana integral.  Os encontros para formação de educadores com base na pedagogia de Paulo Freire. Os encontros com pais e familiares dos educandos. Os  festivais infantis e a festa Kizomba, momento anual de apresentação dos trabalhos produzidos pelos grupos culturais, que lembravam um pouco o clima e a apoteose que significa um desfile de grandes blocos ou escolas de samba.


E isso não lembra o  barracão e a quadra?  Espaços que escolas de samba e alguns blocos carnavalescos dispõem,  com a estrutura mínima necessária para que pessoas possam estudar, debater e criar materiais cênicos e cenográficos, entre outros tipos, para narrar uma história ou para construir uma espécie de ópera popular.


Mas há que querermos sempre mais , como bem disse a colega ativista e pesquisadora  do campo das culturas populares,  Marina Ribeiro, respondendo à  uma questão proposta pelo colega também pesquisador e ativista cultural, Jhonatam Vasconcelos. Disse Marina Ribeiro: “o desfile é emocionante,  mas não sei se os bastidores daquela construção também é. Conheço pouco do carnaval carioca, mas, do pouco que sei, cada vez menos cargos de comando são de pessoas pretas ou de pessoas da comunidade; as rainhas de baterias que muitas vezes têm que ser artistas; carnavalecxs tão distantes do berço do samba; necessidade de se ter muito muito, muito dinheiro para competir com o samba-enredo, etc etc etc. Não sei como estas críticas sociais desfilando na avenida são vividas no dia-a-dia das escolas e, principalmente, da comunidade que a escola ocupa. O quanto realmente se investe na comunidade para que seus/suas moradorxs possam ocupar (voltar a ocupar) espaços de lideranças, criação, de decisão, de poder dentro do núcleo ativo das escola/comunidade. Não sei mesmo sobre o carnaval carioca. Mas o canto de Nelson Sargento pra mim está sendo superior aos emocionantes desfiles: "mudaram toda sua estrutura, te impuseram outra cultura e você não percebeu" (Samba, Agoniza Mas Não Morre, 1978).”


E foi por isso não ter sido feito suficientemente, que a AMABA/Projeto Reculturarte chegou ao fim. Porém,  mais detalhes, tanto sobre isso, como a respeito do encontro e caminhada constarão no livro.


Não fosse assim,  a AMABA/Projeto Reculturarte, como tantas outras iniciativas de base comunitária que não conseguiram sobreviver, poderiam estar dando nesse momento  importantes contribuições para enfrentarmos os monstros e vampiros que querem devorar os nossos direitos e a nossa dignidade.


Mas ficaram as lições e resta-nos aprender. Tanto  a ´partir das que sucumbiram, como das que não sucumbiram. Por isso, vale conhecer, registrar, sistematizar, estudar, recuperar a história e difundir as melhores iniciativas dentre milhares de caráter social, educativo e cultural que colaboraram/colaboram  para os avanços e as conquista obtidas pelo povo brasileiro.


Como diz os palavras iniciais do capitulo 3 do livro bíblico Eclesiastes. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."  Decerto,  nestes tempos da onda conservadora fascista que pensa poder nos afogar, uma outra maneira de utilizar o tempo, para quem quer combate-la é viajar ao passado, tanto distante, como recente, para descobrir as luzes que ajudaram a descortinar os sóis do direito, da justiça,  da esperança, da alegria, do bem viver. E se puder,  transformar isso em uma grande narrativa de resistência e de superação como fizeram as escolas de samba Paraiso do Tuiuti e Mangueira.



domingo, 27 de dezembro de 2020

OS DIAS QUE CORREM TRAZENDO A MEMÓRIA DO TEMPO BOM DOS RETIROS/ACAMPAMENTOS DA AMABA/PROJETO RECULTURARTE.

 Estes dias  que correm, entre o natal e amanhã, dia 28/12/2020,  são dias que nos recordam alguns momentos na AMABA/Projeto Reculturarte, nos dias que antecediam os retiros/acampamentos, lá pelos meados de 1990.

Eram dias de muito “frisson”,  como está sendo aqui em casa, com a preparação que começava  um ou dois meses antes, com a procura de um local de realização, neste caso, sítios, casas antigas, como em Propriá, casas de retiro pertencentes a igreja católica, localizada no interior e cercada de amplo espaço, arvores frutíferas e rios, em muitos  casos.

Já nos dias de hoje , também iremos para uma casa ligada a igreja católica, que acolhe tanto grupos que irão fazer encontros e retiros, como grupos pequenos ou famílias que queiram  passar alguns dias dentro de um antigo/moderno mosteiro, localizado dentro em uma região com  mata e  águas, na fronteira de Alagoas com Pernambuco.

E nesse tempo de pandemia, a segunda opção de grupos ou famílias para relaxar, descansar, rezar, está sendo mais comum e com as normas de proteção e segurança sanitária, inclusive com pequeno numero.

Sobre os retiros da AMABA/ Projeto Reculturarte,  já escrevi a respeito e também temos a fala recente  de dois participantes quando criança/adolescente, Rejane Conceição e José Cosme (Nano),  na gravação abaixo.

Amostra grátis do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte (1). A ser lançado em 2019.


Rejane Conceição no "Ao Vivo" sobre o Projeto Reculturarte (Reeducação, Cultura e Arte)





E em junho de 2021, traremos mais informações sobre os retiros/acampamentos e muito mais, por intermédio do primeiro volume do livro Amaba/Projeto Reculturarte, cujo projeto para a primeira edição foi aprovado para receber apoio financeiro via Lei Aldir Blanc.

Sinopse da Obra   “AMABA/PROJETO RECULTURARTE: O ESQUECIDO CIRCULO DE

CULTURA DA ARACAJU DAS DÉCADAS DE 1980/1990. – VOLUME I

 É um livro que traz a tona, experiência educativa, social e cultural ocorrida entre os anos de 1983 e 2008, no Bairro América, localizado na periferia de Aracaju, tendo como base  o pensamento filosófico e pedagógico  do educador  Paulo Freire. São relatos e análises  com base principalmente em pesquisa  documental e entrevistas, e   coloca em pauta memórias e vivências de moradores vivendo  com sérios problemas de ordem familiar e social, mas que encontraram na AMABA/Projeto Reculturarte condições e oportunidades de superação, reforçando conhecimentos e habilidades que já possuíam, assim como adquirindo novos, no campo da cidadania, educação, comunicação,   convivência,  artes, saúde e  esporte. 

Para uma amostra resumida do que será abordado no livro:

AMABA/PROJETO RECULTURARTE – O ESQUECIDO CÍRCULO DE CULTURA DA ARACAJU DOS ANOS DE 1980 E 1990

hoje...


Ontem..



segunda-feira, 24 de junho de 2019

A AMABA/Projeto Reculturarte como laboratório de participação e de Ação Cultural para a Liberdade. (9)



Acima,  diretoria  e conselho fiscal eleito em novembro de 1989.

A eleição de 1989 na AMABA foi a mais concorrida, a anterior em 1986 também foi bastante disputada, mas esta conseguiu superá-la. A vitória da chapa liderada por Zezito de Oliveira, secundado por Noel Marinho, foi crucial para garantir o projeto Reculturarte. Depois explicaremos as razões com mais detalhes.

O resultado da eleição de 1989, garantiu a derrota do autoritarismo naquele momento e a vitória da inovação cidadã e cultural,   por meio da democratização das estruturas de gestão, notadamente com a divisão do bairro em áreas administrativas, inicialmente para distribuição dos tickets do leite, além do investimento integrado em arte, cultura, educação e esporte, isso como nunca houve em Aracaju por parte de uma associação de moradores, nem antes e nem depois. A despeito do que realizou logo após e concomitante,  o Movimento de Defesa da Prainha e a Associação dos Moradores do Largo da Aparecida, inspirados na AMABA inclusive contando com a a colaboração dessa.

Mas a vitória contra o autoritarismo e o oportunismo é uma luta constante, sujeita a derrotas e recuos. Assim como aconteceu no Brasil recentemente contra um ideal mais democrático e mais generoso de sociedade, aconteceu no processo eleitoral que culminou com a nossa derrota nas eleições de 1996 e consequente saída. Concorreu também para a derrocada do projeto democrático na AMABA, um grande racha ocorrido em 1993, assim como pequenos, que lhe sucederam.

O desafio a vencer é tratarmos isso no livro sem ranço e sem rancor, mas sem negar os fatos. A despeito disso, muita coisa boa aconteceu e, mesmo mostrando o lado sombra, o lado negativo, o que foi bom, o lado luminoso e positivo, aparecerá com mais força e intensidade.

É verdade!! Essa reflexão me vem a lume, nesse momento tão dificil para quem quis e quer um Brasil mais justo, democrático, plural, diverso, ambientalmente sustentável, tolerante e criativo. A AMABA/Projeto Reculturarte também foi parte dessa construção, em meio às contradições e divisões que atravessam o nosso DNA cultural e ideológico, como pessoas e como nação.

Para compreendermos e tentarmos melhor superar isso, mesmo com os retrocessos, recuos e perdas. sempre é bom ler os livros que tratam disso, tanto sob a perspectiva da história geral do Brasil, como das histórias locais, como é o caso do livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte.

Em termos de recomendação para o atual momento, deixamos todos os livros do sociólogo Jessé de Souza e o da historiadora Lilia Schwarcz , o qual trazemos em destaque. O livro AMABA/Projeto Reculturarte será lançado em 2020.

Será também um ano de eleições municipais , sem querer ser ou parecer presunçoso, penso que a leitura do livro fará muito bem para colaborar na elaboração de programas de disputa para as prefeituras, isso por àqueles candidatos chamados progressistas ou de esquerda. Mais especialmente no campo da participação popular,  juventude e  cultura.


Aliás, vale ressaltar que o fato da experiência da AMABA/Projeto Reculturarte poder colaborar com uma outra visão de trabalho educativo e sociocultural com crianças e jovens, com relação aos governos, nos foi lembrada por um dos entrevistados. Por sinal, nem foi um dos garotos mais criticos e politizados na época em que participou da iniciativa. E nem poderia, era um dos mais novos da turma da capoeira e do esporte nos inicios de 1990.

P.S.: E este que escreve também não teve a sua dose de autoritarismo? Claro que sim! Mas não letal, como a de outros que levaram a morte da AMABA/Projeto Reculturarte, assim como a de quem quer provocar a morte do Brasil como nação soberana e como um bom lugar para todos os seus filhos. Querendo nos fazer retroceder ao status colonial e de separação de uma minoria de privilegiados  em meio a uma massa de espoliados, inclusive  sem o usufruto do desenvolvimento gerado pela exploração das riquezas naturais e culturais de nosso território.

ZdO
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Dê uma folheada  no livro citado acima. AQUI


O titulo desse artigo pega emprestado de Paulo Freire um dos seus livros mais conhecidos. Esse "empréstimo" faz todo o sentido, porque a AMABA/Projeto Reculturarte foi um laboratório de prática das ideias de Paulo Freire. Em breve, será publicado um artigo acadêmico de nossa autoria, em um livro digital, sobre a atualidade e a necessidade da aplicação do  pensamento freiriano às nossas diversas realidades educativa e socioculturais. O que foi pouco  realizado, ao contrário das fakenews divulgadas por quem é contra o pensamento de Paulo Freire. Assim fosse a educação e o nosso país estaria melhor.  Basta ver como o pensamento e as práticas de Paulo Freire são consideradas mundo a fora. Para compreender como isso se dá, clique aqui, aqui , aqui e aqui

   Esse artigo pretende apresentar um pouco do que foi  aprendido e  do que foi  reinventado a partir de Paulo Freire na AMABA/Projeto Reculturarte. 

saiba mais sobre o livro citado de Paulo Freire, clicando no titulo abaixo.


 Abaixo,  editorial do informativo da AMABA, fazendo um balanço sintético das mudanças realizadas a partir de 1989.