terça-feira, 30 de abril de 2013

Sobre a reabertura do Cine Vitória que será administrado pela Casa Curta-SE






Um bom debate sobre gestão pública compartilhada através de parceria público estatal e público sociedade civil, participação cidadã e transparência pública.

Depois de enviar quatro e-mails (05/fev, 03/mar, 11/mar e 26/mar) para a ASCOM da Secretaria de Cultura de Sergipe (Secult/SE) solicitando esclarecimento sobre a não reabertura do Cinema Vitória que estava marcado para o mês de dezembro de 2012 e publicar no facebook essa dificuldade de obter resposta é que Secult/SE respondeu fazendo um breve resumo do processo de reabertura do Cine Vitória:
“- Todos os equipamentos foram comprados e empenhados. Houve um atraso na licitação por se tratar de equipamento importado e cotado em dólar, o que gera oscilação de preço e falta de fornecedores. Mas já foi tudo licitado e empenhado.
- Por se tratar de equipamentos importados, os fornecedores pediram prorrogação do prazo de entrega, e outros equipamentos precisaram ser substituídos por similares por já estarem com tecnologia defasada.
- Precisamos, também, regularizar e atualizar o contrato com a Rua do Turista, já que antes o contrato era com a Codise. Essa pendência já foi resolvida.
No mais, estamos monitorando a montagem do equipamento e das poltronas para que, em breve, a Casa Curta-SE assuma a gestão daquele espaço de audiovisual, sob supervisão da Secult.”
No dia 28 de março, respondi o e-mail com alguns questionamentos e mais de um mês depois ainda não obtive nenhuma resposta da Secult/SE. Hoje mandei um novo e-mail solicitando explicações pela não resposta. Eis o e-mail:
“Eu fico muito chateado porque precisei ter que mandar 4 e-mails e depois do último e-mail tornar público no facebook essa dificuldade para receber essas informações.
Tenho muita ciência da importância para Sergipe da reabertura do Cine Vitória, mas gostaria de saber como está sendo o processo para que a Casa Curta-SE assuma a gestão do espaço. Quero saber o fundamento legal para que isso ocorra. Como foi feito esse processo? Por que a Secult precisa passar para a Casa Curta-SE a gestão do Cine Vitória? Por que não a própria Secult gerir aquele espaço? Pelo país temos alguns exemplos de cinemas administrados por Secretarias de Estado da Cultura: o Cinema São Luiz em Recife é gerido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, a Sala Walter da Silveira em Salvador é gerida pela Secretaria de Cultura da Bahia, o Cine Brasília é gerido pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal, o Cine Cultura em Goiânia é gerido pela Secretaria de Cultura de Goiás. Por que aqui precisamos repassar o nosso único cinema público para uma ONG gerir?”
Espero que agora que estou novamente tornando público a dificuldade de obter uma resposta por parte da Secult eu possa ter meus questionamentos respondidos.

Fábio Rogério  Sei que é muito chato ter que publicar essas coisas no facebook, mas como já levei puxão de orelha de gestor da Secult que ao invés de fazer questionamentos pelo facebook que eu deveria procurar os canais oficiais e assim começei a fazer, mas diante do silêncio da Secult, volto a utilizar o facebook para expor a dificuldade de resposta da Secult.

Fábio Rogério De acordo com o Artigo 33 da Lei Complementar nº 33 de 26 de dezembro de 1996 que é o Código de Organização e de Procedimento da Administração Pública do Estado de Sergipe da Atribuição de Prestação de Serviços a Terceiros, o “O Estado poderá atribuir a prestação de serviços públicos: I - a particulares, sob o regime de concessão ou de permissão, nos termos previstos em lei, sempre, porém, através de licitação;”

Fábio Rogério O que eu lembro é que eles justificam passar a gestão do Cine Vitória para a Casa Curta-SE pq a própria Secult/SE não tem pernas para administrar as próprias unidades que já são quase 10 (não lembro o número) e que foi a própria Casa Curta-SE que procurou a Secult para propor a gestão do Cine Vitória que entraria como parte de um projeto que foi enviado/aprovado pelo Minc.

Fábio Rogério Faço um questionamento de ordem juridica que é saber qual o embasamento legal para que possa ocorrer essa transferência de gestão do Cine Vitória do Estado de Sergipe para a Casa Curta-SE e outro é de ordem política no sentindo da própria Secult/SE se ausentar/omitir da gestão do Cine Vitória.


Maíra Ezequiel  Isso aí que o Fábio falou. Faz MUITO tempo que esse lance rola (de tentar revitalizar o cine vitória) e quem arregaçou as mangas pra começar esse trabalho foi a Casa CurtaSE. Disso eu me lembro. E não foi pouco trabalho. E a outra justificativa foi essa mesma que o Fábio falou. Não ter material humano pra dar conta de mais um equipamento, e ainda um tão específico. Vejam, não to defendendo que isso seja, justo ou democrático... não to defendendo nada nem ninguém. Acho válida a discussão. Só pontuei que isso já foi abordado publicamente várias vezes. E as vezes a sensação que dá é que, agora que o negócio vai decolar todo mundo quer ser o pai da criança. Ninguém imagina o vai e vem e o trabalho que isso deu. Mas, de novo, é legítimo o questionamento de vocês. Só não é verdade dizer que isso nunca foi respondido.


Para entender melhor o debate: 

30/08/2012 - 09:57
fonte: Portal Infonet
Cine Vitória será reaberto em dezembro
Sala Avenida Brasil será um espaço de formação
(Foto: Ascom Secult)
A capital sergipana ganhará, ainda neste ano, mais um espaço de entretenimento para a população. Trata-se da reabertura do Espaço Cine Vitória, localizado na Rua do Turista (antiga Rua 24 Horas), onde funcionará o projeto 'Sala Avenida Brasil'. O antigo cinema, que fica no centro comercial de Aracaju, será estruturado com 130 lugares e equipamento moderno de projeção digital. A expectativa do Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), e da Casa Curta-SE, parceira neste projeto, é que esse espaço dedicado ao audiovisual seja reaberto em dezembro.
Ao todo, serão investidos R$ 272.573,17 na aquisição de equipamentos e na instalação dos mesmos. Desse total, R$ 218.058,54 foi fruto de convênio firmado com o Ministério da Cultura (MinC) e R$ 54.514,63 são provenientes do Governo de Sergipe. O processo de licitação para a compra dos equipamentos já está em andamento e a previsão é que o espaço comece a funcionar até o final deste ano.
Além de contar com recursos do MinC, a Secult firmou parceria com as secretarias do Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) e do Estado do Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (Sedetec) para viabilização desse grande projeto que beneficiará a cena cultural sergipana e a população como um todo.
Sala 'Avenida Brasil'
O espaço recebe esse nome por se tratar de um projeto do Pontão de Cultura Digital Avenida Brasil, desenvolvido pela Casa Curta-SE, com apoio do Ministério da Cultura. O Pontão desenvolve suas atividades desde 2010 e tem como principal objetivo fortalecer a cultura digital, através da capacitação de jovens e da disseminação de produções audiovisuais.
"Escolhemos esse nome, pois Avenida Brasil é uma via que existe em quase todas as capitais brasileiras e, para nós, é como se ela fosse um meio virtual e imaginário de circulação e de troca de toda a produção digital que circula no país", afirma a coordenadora do Pontão, Rosângela Rocha.
Segundo ela, o projeto aprovado pelo MinC em 2010 já previa a viabilização de um espaço para projeções. “Contamos com total apoio da Secult, que abraçou a idéia e propôs que fizéssemos nossa sala de projeção no Cine Vitória”, explica. O espaço está desativado e, com a reforma da Antiga Rua 24 Horas, hoje Rua do Turista, precisava de uma ação para reinseri-lo na vida cultural da capital.
“Essa será mais uma ação de democratização do acesso à cultura no nosso Estado, com a exibição de filmes produzidos em âmbito nacional e internacional a preços populares. No projeto, que será desenvolvido pelo Pontão Avenida Brasil, as produções audiovisuais sergipanas também serão contempladas, fortalecendo ainda mais essa área em ascensão no Estado de Sergipe, através dos jovens produtores”, destaca a secretária do Estado da Cultura, Eloísa Galdino.
Proposta
A Sala Avenida Brasil será um espaço de formação, difusão e distribuição de conteúdo digital. Serão ofertadas oficinas para estudantes da rede pública de ensino, contribuindo para a formação de novos produtos audiovisuais no Estado. Além disso, o antigo espaço do Cine Vitória voltará a fazer parte do circuito de exibição de filmes na capital, surgindo como mais uma opção de lazer para os sergipanos.
Rosângela Rocha destaca que a sala não focará apenas na exibição de produções do circuito alternativo ou filmes de arte. “Através de parcerias com distribuidoras comerciais nós queremos levar para o espaço filmes mais corriqueiros, que possam agradar a todos os gostos. A proposta não é restringir. Nós queremos expandir o acesso”, destaca.
Comerciários, funcionários públicos, estudantes e toda a população que freqüenta o centro comercial estão no foco do projeto. Como forma de democratizar o acesso, os ingressos para as exibições serão vendidos a preços populares. Ao todo, a Sala Avenida Brasil contará com 130 lugares, o que segundo Rosângela, coloca o espaço num patamar de sala de médio porte, alcançando um público considerável com as exibições que ocorrerão sempre nos turnos da tarde e noite.
O secretário adjunto Marcelo Rangel, que tem batalhado ao lado da secretária Eloísa Galdino para reabrir o espaço, comenta que com a reativação do Cine Vitória, Sergipe se alinha à política nacional de criação de salas de pequeno e médio porte. “O surgimento de salas digitais dessa dimensão é uma tendência em todo o país e tem sido uma política do próprio Ministério da Cultura. Vale destacar ainda a parceria que está sendo feita com a sociedade civil com o intuito de inclusão e formação de platéia”, destaca.
Para a idealizadora do projeto, a reabertura do espaço do Cine Vitória tem uma importância muito grande. “Não só para aqueles que freqüentam o centro comercial, mas para todos os cidadãos, ter de volta um cinema de rua que há muito tempo está desativado será um honra muito grande, além de possibilitar o acesso democrático será mais uma opção para os amantes da sétima arte”, ressalta Rosângela.
Fonte: Ascom Secult

Leia também: 

Cinema Vitória 

Fonte: Portfólio de Lygia  Prudente

O Cinema Vitória ficava no último trecho da Rua Itabaianinha, em Aracaju/ Sergipe, onde hoje é o prédio das Lojas Americanas. Dos cinemas do centro foi o primeiro a fechar. Pertencia à Ação Solidária dos Trabalhadores, Instituição ligada à Igreja Católica. Ela tinha mais dois cinemas no Bairro Siqueira Campos. O Vitória era um dos maiores da cidade, numa época em que era comum os cinemas possuírem mais de mil lugares. As cadeiras desconfortáveis, eram todas de madeira, sem estofamento algum e que faziam parte da anarquia dos jovens freqüentadores, que ao baixarem os leves assentos para sentarem-se, faziam com muita força, provocando o “bate-volta”, para causar grande barulho. Isto provocava a expulsão do anarquista do cinema, quando flagrado por policiais, cujas presenças às sessões, nesta época, era comum. O teto da sala de espera do Vitória era todo ilustrado com pinturas das logomarcas das companhias cinematográficas, como a Universal, Metro, Colúmbia, Paramount e outras. Na sala de exibição haviam seis grandes ventiladores, muito barulhentos, com hélices parecidas com as de avião. Uma vez aconteceu da hélice de um deles topar na grade de proteção, assustando a todos.
Dois filmes fizeram grande sucesso junto à família sergipana, no finzinho da década de 50: o clássico espanhol “Marcelino Pão e Vinho” (1955), com Pablito Calvo e a triologia SISSI, com a bela Romy Schnaider - Sissi (1955), Sissi, A Imperatriz (1956) e Sissi e seu Destino (1957). Épicos que foram sucessos de bilheteria em sua grande tela cinemascope: Spartacus (1960) com Kirk Douglas e Exodus (1960), com Paul Newman, com uma trilha sonora marcante. O Vitória exibia muitos faroestes, mas, dois clássicos do gênero ficaram na memória de todos, até pelas suas trilhas sonoras: Sete Homens e um Destino (1960), com Yul Braynner, e Três Homens em Conflito (1966), com Clint Eastwood. Logo depois que foi extinta a censura no Brasil, o Vitória passou a ter a qualificação dada pelo Órgão Censor de “Cinema Especial” e passou a exibir filmes que continham cenas de sexo explícito, como o Império dos Sentidos (1976), que gerou grande curiosidade e polêmica, ficando mais de um mês em exibição, fato inédito em Aracaju. Vinha gente de todo o interior do estado para assisti-lo. Outro, foi “Calígula” (1979), com Malcolm McDowell.

Grande êxito de público, também, foi o filme nacional “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), com Sônia Braga.
Uma das companhias exclusivas do Cinema Vitória era a Condor Filmes, cuja vinheta de apresentação provocava uma anarquia entre os jovens e alguns adultos, que começavam em coro a fazer: xô, xô, xô, como se estivessem espantando o condor, que estava na imagem da tela, pousado, e logo alçaria vôo, desmanchando-se graficamente, transformando-se ao mesmo tempo na palavra apresenta, quando já se podia ver na tela os dizeres: Condor Filmes Apresenta. Na sessão da tarde, sabia-se do seu início, quando o funcionário começava a fechar as portas – e olha que era uma quantidade enorme de portas – as luzes da sala acendiam-se e logo sem seguida, ele subia a escadinha do lado direito do pequeno palco, para abrir, manualmente, a cortina. Neste momento um comercial da loja de discos “A Sugestiva”, era ouvido no auto-falante da tela. A sessão ia ter início. Já se podia ver a vinheta do cine jornal da Atlântida e, logo em seguida, a da Universal, ambas exclusivas do Cinema Vitória.

Armando Maynard

Sala Avenida Brasil / Cine Vitória, Secult Sergipe e Aliança Francesa - Aju apresentam

Festival Varilux de Cinema Francês SE 2013

Fonte: Guia Cuca
Categoria: Cinema
Onde: Aracaju, SE
Quando: 10/05/2013 - 16/05/2013

Sobre o Evento

O Festival  Varilux ocorre anualmente para o encontro entre o cinema francês e o público brasileiro, contando com a presença de importantes atores e cineastas franceses em debates, sempre com um tema atual. O evento exibe produções cinematográficas francesas dos mais variados gêneros, com filmes autorais, comerciais, infantis e documentários.
Mais de 30 cidades recebem o evento, onde os amantes do cinema francês podem apreciar a sétima arte sob a visão dos filmes da França. O festival é considerado o primeiro com tamanha abrangência no Brasil.
Em 2013 o festival chega à 4ª edição, trazendo curtas, animações, filmes inéditos e clássicos às telas de projeção. A cidade de Aracaju recebe o evento.


O Guia Cuca é um portal onde você encontra lazer, entretenimento e conhecimento. Seja bem vindo ao Guia Cuca - Cultura e Curiosidades! A gente compartilha, você curte! Curta nossa página no facebook e também o vídeo de apresentação do site!

Programação do Evento

Filmes
A Datilógrafa
Aconteceu em Saint-Tropez
Adeus, minha rainha
Além do Arco Íris
Amigos sinceros
Anos Incríveis
Camille Claudel 1915
Feito gente grande
Ferrugem e osso
O homem que ri
O menino da floresta
Os sabores do palácio
Pedalando com Molière
Prenda-me
Uma dama em Paris
  
PROGRAMAÇÃO COMPLETA em breve!

domingo, 28 de abril de 2013

Padre Beto, 48 anos, é excomungado em ato inédito na história da Diocese de Bauru

concordando e assinando embaixo

Compartilhando meu pensamento com vocês.
Mônica Valentim (via facebook)

Tem uma coisa que eu gostaria de deixar extremamente clara: eu não concordo com tudo que o PadreBeto Bauru pensa. Assim como ele, sou questionadora. Seja em nossas conversas pessoais, seja através de mensagens privadas, sempre manifestei tanto o meu apoio quanto as minhas discordâncias com total transparência. O que está em jogo aqui vai muito além: é a defesa do direito de expressão. Não estou contra a Igreja Católica Apostólica Romana. Muito pelo contrário. Reafirmo meu respeito pelos padres, pelos bispos, pela CNBB e pelo papa Francisco. Estou contra uma decisão arbitrária que pessoalmente considero exagerada e manipulada por uma ala reacionária que não representa a Igreja como um todo.
Zezito de Oliveira - Educador e Produtor Cultural

Fonte: JCNET  aqui

Marcus Liborio e Luiz Beltramin
O padre Roberto Francisco Daniel, 48 anos, conhecido como padre Beto, foi excomungado pela Igreja Católica, segundo comunicado publicado no site da Diocese de Bauru nesta segunda-feira (29).
Segundo o texto, as opiniões expressas pelo padre em redes sociais sobre a postura conservadora da igreja e temas como a bissexualidade, amor entre pessoas do mesmo sexo e a fidelidade conjugal traíram o compromisso com a igreja, a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal.
Ainda de acordo com o comunicado, os atos de “liberdade de expressão” proferidos pelo sacerdote provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial.
Em Roma
A Diocese de Bauru, por meio do bispo dom Caetano Ferrari, decidiu excomungar o padre Beto em um ato inédito de sua jurisdição - em toda a história. A partir desta decisão, ele não pode mais celebrar ato de culto divino (sacramentos e sacramentais), nem mesmo receber a eucaristia.
O chamado "juiz" da igreja iniciará os procedimentos para desligar o padre e enviar a Roma o relatório penal para sua “demissão de estado clerical”.
‘Não muda a minha vida’
Instantes após divulgada a decisão da igreja, Padre Beto (que ainda pode ser chamado assim até a chegada de carta oficial do Vaticano ratificando a excomunhão) mostrou-se tranquilo ao JC.
“Não muda nada na minha vida. Eu já havia pedido o meu desligamento. Ainda bem que não tem fogueira”, ironizou, por telefone. Ele tinha 14 anos de sacerdócio.
Beto não se diz surpreso com o veredicto. “Era um tribunal montado. Eu apenas queria entregar uma carta (de resposta ao pedido de dom Cateano sobre retratação e consequente solicitação de afastamento das atividades ministeriais). Não diria surpresa. Eu esperava de tudo da igreja”, diz.
Você sabia?
Religiosos excomungados não podem mais cumprir atividades litúrgicas ou pastorais. E também são barrados de participar da chamada "vida sagrada" da igreja - como tomar hóstia.

Aceituno Jr. 
Padre Beto durante coletiva no sábado em que anunciou que se afastaria da igreja: a polêmica continua
Leia na íntegra o comunicado da Diocese de Bauru
É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.
O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.
A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.
Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto .
Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.
Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.
Leia também
- Padre Beto fala em religião 'de dentro para fora' durante missa


A Missa de Despedida da Igreja de Santo Antônio. Momentos de muita emoção e tristeza. Um encontro que levou pessoas de diferentes credos. Uma multidão de admiradores de Padre Beto, que por 14 anos, dedicou sua vida à Igreja Católica, e que escolheu deixá-la, por achar que deveria ter o direito de refletir sobre assuntos morais, e sim, discordar de posturas oficiais do Vaticano. Contudo, depois das imposições do Bispo, preferiu sair de cabeça erguida, pela porta da frente da Igreja. Optou por deixá-la, ao invés de dizer-se arrependido na frente de câmeras de TV, por ter dito coisas que acha serem verdadeiras.
 AQUI
  • Sobre Padre Beto(comentários  no Facebook) 
    1 - O Padre Beto foi ordenado quando Dom Aloysio Leal Penna SJ era bispo. Embora ele o tenha incentivado muito a entrar para a Companhia de Jesus, o Beto preferiu ser diocesano. Dom Aloysio, que era uma pessoa maravilhosa, gostava muito dele. 
     O Padre Beto é oriundo da Pastoral da Juventude. Sempre foi muito ativo na Igreja. O que mais me dói é que ele nunca "precisou" ser padre. É um professor respeitado, paga suas contas, dispensou o "salário" de padre. Mas sempre amou o sacerdócio e dizia que não saberia ser feliz sem exercer o sacerdócio. 
    Meu pai tem 83 anos e é ex-seminarista. Cada vez que a gente ia à missa, ele repetia: "há pessoas que são padres por profissão; outros, por vocação". Ele achava maravilhoso o entusiasmo com que ele subia no altar. Era realmente contagiante."
     2 - "Fico pensando: tantos "padres" pedófilos e "bispos", não foram excomungados e continuam celebrando sacramentos com o risco das pessoas desavisadas caírem nas garras criminosas desses canalhas."
    3 - "Hoje andei lendo algumas notícias desse padre e vendo os seus vídeos. Também li a posição da diocese e a sua excomunhão. Bom, já era de se esperar que ele iria ser excomungado né? Eu nem fico muito espantado não.Muitas coisas que ele disse são interessantes para justamente gerar maiores reflexões nossas como a estrutura feudal da ICAR e a inclusão de pessoas que são excluídas da sociedade. Em resumo, acredito que hoje não há espaço ou um espaço ultra reduzido para quem pensa diferente."

    Leia tambem: Mais Padre Beto e Menos Padre Marcelo.  AQUI
28/04/2013 - 15h41

Fonte: Folha de São Paulo
CRISTINA CAMARGO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BAURU
Centenas de fiéis de Bauru (SP) lotaram a igreja na manhã deste domingo (28) para assistir à missa de despedida do padre que se afastou de suas funções após declarações de apoio aos homossexuais.
Padre que defende homossexualidade pede afastamento da Igreja
 
Conhecido por contestar os princípios morais conservadores da Igreja Católica, Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, havia recebido um prazo do bispo diocesano, Dom Caetano Ferrari, 70, para se retratar e "confessar o erro" cometido em declarações divulgadas na internet.
Em um vídeo publicado no site Youtube, o padre admitiu a possibilidade de existir amor entre pessoas do mesmo sexo, inclusive por parte de bissexuais que mantêm casamentos heterossexuais. Ele também questionou dogmas da Igreja.
Ontem, dois dias antes do prazo estabelecido pelo bispo para a retratação, padre Beto anunciou que iria se afastar de suas funções religiosas e convocou a missa de despedida para hoje.
Na missa, o padre falou sobre amor e coerência e afirmou que para "Jesus Cristo não existia preconceito".
"Jesus amava os seres humanos independentemente da condição social, da raça e da sexualidade", disse o religioso.
A missa de despedida lotou a Igreja Santo Antônio, no Jardim Bela Vista, bairro tradicional de Bauru.
Em torno de mil pessoas ocuparam os bancos e ficaram em pé nas laterais.
O padre foi aplaudido de pé no final da missa e aclamado quando percorreu o corredor de saída da igreja pela última vez. Muitos fiéis choraram e, em seguida, formaram fila para cumprimentá-lo na porta.
Um dos mais emocionados era o pai de santo umbandista Ricardo Barreira, que assistiu à celebração vestido de branco e chorou muito.
"Não sou católico, mas o padre Beto sempre me representou. Agora mais ainda", disse. O umbandista recebeu o apoio do padre quando disputou a eleição para vereador.
Beto vai entregar seu pedido de "desligamento do exercício dos ministérios sacerdotais" nesta segunda-feira para o bispo. Ele garantiu não ter planos para o futuro, mas disse que poderá se reunir com seus seguidores para sessões de orações.
Procurado pela reportagem, o bispo preferiu esperar o recebimento do pedido para comentar a decisão.

Luly Zonta/Agência Bom Dia
Mais de mil pessoas lotaram a igreja Santo Antônio, em Bauru, no domingo de manhã para de despedir das missas celebradas pelo Padre Beto que anunciou sua saída da igreja no sábado. Pedro Motta deixa um churro de adeus. Crédito: Luly Zonta/Agência BOM DIA
Mais de mil pessoas lotaram igreja em Bauru no domingo de manhã para de despedir das missas celebradas pelo Padre Beto
ESTILO
Padre Beto sempre chamou a atenção dos católicos da cidade pelo estilo diferente dos religiosos tradicionais.
Usa roupas com estampas "roqueiras" e com a imagem do guerrilheiro comunista Che Guevara. Usa piercing, anéis e frequenta choperias. Nas missas, no entanto, usava as vestimentas tradicionais e seguiu todos os rituais católicos.
Seus sermões atraiam os fiéis em razão dos questionamentos sociais, políticos e morais.
As últimas declarações polêmicas do padre provocaram protestos de católicos tradicionais da comunidade de Bauru.
Por outro lado, a reprimenda do bispo, que considerava padre Beto um "filho amado, mas rebelde" gerou manifestações de apoio e provocou comoção entre os admiradores.
Ao explicar sua decisão de se afastar da igreja, disse que se trata de "um momento que faz parte de sua caminhada".
"Pensei em pedir perdão. Mas tudo que falei é bem pensado. Posso estar errado, mas o dia em que admitir será porque conclui isso mesmo. Senão seria hipocrisia", afirmou.
Disse ainda que é importante "dormir bem porque foi coerente" e que assim as pessoas vão percebê-lo "como homem de Deus".
Integrante do grupo de liturgia da Igreja Santo Antônio, Michele Dias fez uma homenagem na despedida.
Disse que se "curou" de uma síndrome do pânico após palestra em que Beto falou sobre a importância de enfrentar os medos.
A missa reuniu católicos de todas as gerações. O casal formado por Giovani e Luzia Dermengi, de 77 e 70 anos, respectivamente, mora em outra região da cidade, mas tinha o hábito de frequentar as missas do padre Beto.
"Ele foi um renovador e a igreja precisa disso", afirmou Luzia.
O arquiteto Fábio Said, 30, virou amigo do religioso e diz que ele levou muitos jovens para a igreja, por falar diretamente com seus fiéis e dar conselhos que às vezes até irritavam, mas depois eram compreendidos.
"E agora? A fé continua, mas é difícil", disse sobre a despedida.
Aos 6 anos, Pedro Motta Popoff não frequenta a missa todos os finais de semana. Neste domingo foi acompanhar a mãe, Carla Motta, que declarou estar na igreja por um ato de cidadania e apoio ao padre.
Pedro ficou na fila da despedida e deu de presente a Beto um churro comprado na porta da igreja. Depois disso, Beto cumprimentou os demais fiéis com o presente do menino nas mãos.

 A Igreja Católica e Sua Realidade - Parte II- clique aqui

Publicado em 14/04/2013

Neste segundo vídeo da série, Pe. Beto nos leva à uma reflexão da igreja, de seus fieis e membros em relação aos acontecimentos e atitutes sociais e políticas.


28/04/13 02:15 - Geral

Padre Beto fala em religião "de dentro para fora" em penúltima missa e cita afastamento

João Pedro Feza


  Fonte: JCNET  aqui
Em sua penúltima missa na manhã deste domingo, na Paróquia de Santo Antônio lotada, padre Beto, 48 anos, defendeu a religião como algo "que se faz de dentro para fora". "É a vontade de se unir a Deus conforme lembrou Cristo em sua última ceia".
Ele afirmou, ainda, que "viver a religião é algo muito prático" porque "o que conta são os atos, não as palavras".
Beto anunciou neste sábado, pela imprensa, que formalizará amanhã seu pedido de afastamento da igreja após receber do bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari, a ordem para que se retratasse de recentes declarações que, no entendimento da diocese, chocam-se com dogmas da instituição - como reconhecimento da possibilidade de amor verdadeiro entre pessoas do mesmo sexo.
Beto, que foi aplaudido durante a celebração, também deveria retirar seus conteúdos de mídias sociais, o que não aceita.
Na prática, padre Beto deixa seus ministérios sacerdotais e, em alusão às suas próprias posições, insistiu: "Quem ama, não deve satisfações a ninguém."
Ele, que afirma continuar padre ("sempre padre"), ainda tem missa marcada para este domingo, às 19h, na Paróquia de São Benedito. Casamentos agendados com o sacerdote serão remanejados para outros padres. "Decidi sair para manter a cabeça erguida e dormir em paz".
Posição da Diocese
Extraoficialmente, segundo o JC apurou, o bispo dom Caetano foi pego de surpresa com a decisão de afastamento do padre Beto - que classifica de "filho rebelde".
O bispo soube de sua decisão por meio da imprensa - e deve se pronunciar oficialmente nesta segunda-feira.

 A palavra do Pe. Beto.
fonte: facebook  aqui

 A partir do momento em que a Diocese de Bauru tornou pública a determinação de me retratar, declaro a todos através desta mensagem a minha decisão:

Não irei retirar nenhum material postado por minha autoria nas redes sociais, no meu site ou em qualquer espaço da internet. Tudo que procuro realizar e todas as minhas declarações são bem refletidas e possuem simplesmente a intenção de evangelizar e fazer com que as pessoas se aproximem mais da vivência do AMOR pregado pelo Cristo nos Evangelhos. A Igreja precisa ser um espaço dialogal para que as pessoas possam transcender de fato e se tornarem verdadeiros filhos de Deus em nosso universo contemporâneo.


Se refletir e’ um pecado, eu sempre fui e sempre serei um Pecador!

Diante da determinação feita por vossa Excelência Reverendíssima Dom Caetano Ferrari de me retratar confessando humildemente que errei, pensei muito bem, refleti sobre minha existência, sobre o significado de ser um sacerdote no mundo atual e cheguei à seguinte atitude:


A partir da data de 29 de abril de 2013 me desligo do exercício dos ministérios sacerdotais na Igreja Católica Apostólica Romana e portanto na Diocese de Bauru.


Para minha pessoa se torna impossível viver o Evangelho em uma Instituição, na qual, no momento, a liberdade de reflexão e liberdade de expressão não são respeitas.


Mesmo com esta minha decisão, não deixo de ser padre (já que uma vez sacerdote sempre serei sacerdote). Vou continuar minha vida procurando através de minhas reflexões contribuir para a construção de uma sociedade mais humana e dialogal.

Espero de coração sincero que a Igreja volte a ser, como foi nas décadas de 60 à 80, uma Igreja, na qual todos os seus membros tenham o direito de se expressar e refletir livremente criando verdadeira comunhão na fé em Cristo. Espero também que a Igreja se abra ao desenvolvimento da ciência e às novas realidades que vivemos em nossa sociedade contemporânea para que ela (a Igreja) não cometa injustiças e não seja um obstáculo para a felicidade do ser humano.


Quero agradecer a todos os amigos e amigas que rezaram por mim, por todos que demonstraram sua solidariedade, enfim, todos que acompanharam os meus passos até agora. Desejo também dizer que continuaremos juntos na amizade e na vontade de transformação.
Um grande abraço a todos e que Deus os abençoe,
Padre Beto

Entrevista Dom Caetano Ferrari sobre pe Beto

 Publicado em 25/04/2013
Entrevista com Dom Caetano Ferrari a Nilessa Tait, da TV Tem, sobre o padre Beto, concedida na Cúria Diocesana no dia 25 de abril de 2013. Filmado pela Assessoria de Imprensa da Diocese de Bauru.
AQUI 
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segunda-feira, 7 de maio de 2012


Como prosseguir o cristianismo libertador no século XXI?

Não é fácil uma pessoa criativa, inquieta e sedenta de justiça viver em comunidade ou participar de coletivos. Quando me refiro a comunidade, tenho em mente desde a mais primária, a família, até aquelas ou aqueles coletivos dos quais participamos por nossa livre escolha.

O desafio para este tipo de pessoa é desenvolver, de forma individual, as potencialidades de um modo de pensar e viver de forma inquieta, criativa e indignada, sem se isolar da maioria que pensa e age de outra maneira.
        
De um ponto de vista mais amplo, há um outro desafio para grupos e instituições que têm por objetivo a construção de uma sociedade fundamentada nos ideais e práticas cristãs: Como conciliar a necessidade de uma ação coletiva e, ao mesmo tempo, resguardar o direito do indivíduo pensar e viver diferentemente?

Mas, qual a razão desta pergunta? Porque  mesmo com tensões, e até desconfortos, um grupo coletivo ou instituição, caso saiba lidar com a “diferença”, cresce e se fortalece. Ao contrário, quando busca tolher ou até perseguir aqueles que pensam e agem “contra a corrente”, estes grupos ou instituições diminuem ou se enfraquecem.

Quando me refiro à diminuição ou enfraquecimento  não penso em quantidade, mas nos aspectos qualitativos, ou seja, a criatividade, o respeito ao diferente, a inteligência critica, a solidariedade desinteressada, as relações sinceras e etc..

Em outras palavras, quando o indivíduo ou o grupo se fecha para a convivência com pessoas inquietas, criativas e indignadas se distancia da humanização que, mesmo parecendo um paradoxo, nos aproxima da divindade ou da vida em plenitude, como disse e quer Jesus Cristo, nosso irmão maior.

Faço esta reflexão por perceber um declínio do extraordinário crescimento humano e espiritual que muitos cristãos experimentaram durante a segunda metade do século XX, em que pese o grande número de fiéis que frequentam igrejas atualmente.

Já agora, no limiar do século XXI,  entristece-me o fato de que cristãos tão pouco inquietos, criativo e indignados, ou “pobres de espírito”, tenham preconceito e  persigam velada, ou diretamente,  muitos cristãos inquietos, criativos e indignados .

Isto trará consequências funestas e lamentáveis a médio e  longo prazo,  repetindo um fenômeno característico do período pós revolução francesa durante o qual ser cristão, salvo honrosas exceções, era sinônimo de pessoa ou grupo ignorante, intolerante , incoerente, insensato, mórbido, pouco inteligente e criativo .

P.S.: 
1 - O paradoxo maior é perceber nos evangelhos, após uma leitura mais atenta e contextualizada, que Jesus Cristo foi uma pessoa inquieta, criativa e sedenta de justiça e que a sua perseguição e morte  deu-se exatamente por este motivo. Claro que esta opinião tem como base uma leitura mais atenta e contextualizada dos evangelhos. Quem fizer a leitura com menos atenção ao contexto cultural, social e político da época haverá de discordar.

2 - Quem quiser aprofundar os argumentos apresentados acima, sugiro a leitura dos livros do padre, teólogo e educador  José Coblin e os de autoria de   Marcelo Barros, monge, biblista, teólogo,  ensaista, romancista, escritor e educador popular, como também os livros de Leonardo Boff e Frei Betto. Lamentavelmente Pe. Coblin faleceu em 2011.

3 - Pessoas inquietas, criativas e indignadas necessariamente não significa serem mal resolvidas, secas ou ásperas, chatas, impertinentes e etc.. Podem e devem ser inquietas, criativas e indignadas, mas,  sem perder a ternura.

4 - As pessoas inquietas, criativas e indignadas em geral são visionárias e sofrem bastante, sendo perseguidas, violentadas e pagam muitas vezes com a própria vida por causa disso.  Muito tempo depois, são transformadas em muitos casos, em santos e/ou  heróis e absorvidas muitas vezes pelos próprios sistemas responsáveis pela violência e morte perpetradas contra elas.

Zezito de Oliveira - Educador e Produtor Cultural 

Leia também: O que Martini queria dizer ao Papa. AQUI

Acrescentado em 29/04/2013

Libert-ação: ação que liberta a liberdade cativa

29/04/2013
Leonardo Boff
Liberdade é mais que uma faculdade do ser humano. a de poder escolher ou o livre arbítrio. A liberdade pertence à essência do ser humano. Mesmo sem poder escolher, o escravo não deixa de ser, em sua essência, um ser livre. Pode resistir, negar e até se rebelar e aceitar ser morto. Essa liberdade ninguém lhe pode tirar.
Entre muitas definições, penso que esta é, para mim, a mais correta: liberdade é capacidade de  auto-determinação.

Todos nascem dentro de um conjunto de determinações: de etnia, de classe social, num mundo já construído e sempre por construir. É a nossa determinação. Ninguém é livre de alguma dependência. Ela pode ser uma opressão como o trabalho escravo ou o baixo salário. Ao lutar contra, exerce  um tipo de liberdade: liberdade de, desta situação. É a luta por sua in-dependência e  autonomia.   Ele se auto-determina: assume a determinação mas para superá-la e ser livre de, livre dela.
Mas existe ainda um outro sentido de liberdade como  auto-determinação: é aquela força interior e própria (auto) que lhe permite ser livre para, para construir sua própria vida, para ajudar a transformar as condições de trabalho e para criar outro tipo de sociedade onde seja menos difícil ser livre de e para. Aqui se mostra a singularidade do ser humano, construtor de si mesmo, para além das determinações que o cercam. A liberdade é uma libert-ação, vale dizer, uma ação autônoma que cria a liberdade que estava cativa ou ausente.
Estes dois tipos de liberdade ganham uma expressão pessoal, social e global.
Em nível pessoal a liberdade é o dom mais precioso que temos depois da vida: poder se expressar, ir e vir, construir sua visão das coisas, organizar a vida como gosta, o trabalho e a família e eleger seus representantes políticos. A opressão maior  é ser privado desta liberdade.
Em nível social ela mostra bem as duas faces: liberdade como independência  e como autonomia. Os países da América Latina e do Caribe ficaram independentes dos colonizadores. Mas isso não significou ainda autonomia  e libertação. Ficaram dependentes das elites nacionais que mantiveram as relações de dominação. Com a resistência, protestação e organização dos oprimidos, gestou-se um processo de libertação que, vitorioso, deu autonomia às classes populares, uma liberdade para  organizarem outro tipo de política que beneficiasse os que sempre foram excluídos. Isso ocorreu na América Latina a partir do fim das ditaduras militares que representavam os interesses das elites nacionais articuladas com as internacionais. Está em curso um processo de libert-ação para, que não se concluiu ainda mas que fez avançar a democracia nascida de baixo, republicana e de cunho popular.
Hoje precisamos também de uma dupla libertação: da globalização econômico-financeira que explora mundialmente a natureza e os países periféricos, dominada por um grupo de grandes corporações, mais fortes que a maioria dos Estados. E uma libertação para uma governança global desta globalização que enfrente os problemas globais como o aquecimento, a escassez de água e a fome de milhões e milhões. Ou haverá uma governança colegiada global ou há o risco de uma bifurcação na humanidade, entre os que comem e os que não comem ou padecem grandes necessidades.
Por fim,  hoje se impõe urgentemente um tipo especial de liberadade de e de liberdade para. Vivemos a era geológica do antropoceno. Isto significa: o grande risco para todos  não é um meteoro rasante, mas a atividade irresponsável e ecoassassina por parte dos seres humanos (ántropos). O sistema de produção imperante capitalista, está devastando a Terra e criou as condições de destruir toda a nossa civilização. Ou mudamos ou vamos ao encontro de um abismo. Precisamos de uma liberdade deste sistema ecocida e biocida que tudo põe em risco para acumular e consumir mais e mais.
Precisamos também de uma liberdade para: para ensairmos alternativas que garantam a produção do necessário e do decente pra nós e para toda a comunidade de vida. Isso está sendo buscado e ensaiado pelo bien vivir das culturas andinas, pela ecoagricultura, pela agricultura familiar orgânica, pelo índice de felicidade da sociedade e outras formas que respeitam os ciclos da vida. Queremos  uma biocivilização.
Como cristãos precisamos também libertar a fé cristã de visões fundamentalistas, de estruturas eclesiásticas autoritárias e machistas para chegarmos a uma liberdade para as mulheres serem sacerdotes, para os leigos poderem decidir junto com o clero os destinos de sua comunidade, para os que tem outra opção sexual. Precisamos de uma Igreja que, junto com outros caminhos espirituais, ajude a educar a humanidade para o respeito dos limites da Terra e para a veneração da Mãe Terra que tudo nos dá.
Esperamos que o Papa Francisco honre a herança de São Francisco de Asssis que viveu uma grande liberdade das tradições e para novas formas de relação para com a natureza e com os pobres.
A luta pela liberdade nunca termina, porque ela nunca é dada mas conquistada por um processo de libert-ação sem fim.