terça-feira, 5 de abril de 2022

Dom Orani Tempesta um cardeal católico ao lado de uma besta fera. ARREPENDEI-VOS (Mt 4,17)

 SOBRE UM ERRO ESTRATÉGICO-TEOLÓGICO E UMA APOSTA. NOTA

Não é segredo para ninguém e menos ainda para quem estuda o catolicismo romano no Brasil que a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro tem sido um real problema na ação pastoral urbana. Desde a década de 70, os Bispos/Cardeais que governam a Igreja no estado, alimentam uma postura conservadora que beira ao anacronismo em termos de prática pastoral e leitura teológica do mundo. Sempre tem as exceções, mas a regra é um distanciamento do mundo dos mais pobres e das imensas periferias que definem o Rio de Janeiro real. Esses prelados que atuam no Rio acreditam piamente que a administração dos sacramentos nas periferias é a forma mais certeira de evangelização. Tendo as missas diariamente e outras práticas sacramentais, o catolicismo tem seu lugar garantido na vida das pessoas. As classes médias católicas têm suas “confrarias conservadoras” propaladas em redes sociais e criando confusões teológicas sempre que possível. Não precisamos prosseguir mais nestes equívocos lamentáveis numa “pastoral urbana”. A prova disto? O rio de Janeiro é hoje o estado mais “pentecostal” do Brasil. Com isto, não queremos aqui fazer apenas uma crítica ao movimento pentecostal (mais complexo do que imaginamos) ou demonstrar alguma superioridade do catolicismo em relação a eles. Não se trata disto. Se trata de identificar uma prática pastoral profundamente equivocada e sem uma estratégia eficiente num mundo urbano, periférico e em constante mutação. O capitalismo numa cidade como o Rio de Janeiro tem peculiaridades e que foram dinamizadas cada vez mais no Século XX. Era preciso ter uma atividade pastoral moderna e antenada com as mudanças nas periferias de uma cidade que cresce desordenadamente e exclui constantemente os mais pobres.

A história das práticas dos cardeais e bispos do Rio de Janeiro desde Dom Sebastião Leme é acreditar e implementar uma política de aproximação com os ricos e os políticos no poder de plantão. Se a Igreja evangeliza os poderosos e mantém bom relação com eles, estaria ela fazendo a política pastoral correta. Evitar a todo custo conflitos e embates passa a ser a missão da Igreja (ver as pesquisas de Riolando Azzi). Nunca defendemos que Igreja deva ter um partido político ou fazer campanha para candidato algum. Essa não pode ser a tarefa da Igreja. Mas jamais deveria se afastar da luta contra a pobreza ou por ações sociais efetivas que beneficiem os mais vulneráveis. Não se constrói uma efetiva pastoral urbana sem uma profunda sensibilidade social coletiva. A atitude dos últimos cardeais do Rio de Janeiro tem demostrado exatamente o contrário: uma insensibilidade social e uma aposta em defesa de temas morais como prática pastoral. A pobreza e seu combate têm bem menos importância do que coisas sem sentido como “ideologia de gênero”. Cada vez mais fraca e desatualizada a formação teológica dos seminaristas em seminários católicos no Rio. Uma formação teológica fechada, afastada do povo, com uma cultura pré-Vaticano II. Com essas práticas, não tem catolicismo sério que resista. Estão à anos luz dos objetivos do Papa Francisco. Sinodalidade e “Igreja em saída” não fazem parte das ações pastorais da Arquidiocese do Rio. Não temos nenhuma possibilidade de diálogo entre a Igreja católica no Rio e a cultura intelectual consolidada na cidade, nas universidades ou nos meios de comunicação. Uma Igreja à deriva se achando no melhor dos mundos possíveis.

Uma aposta. Espero que o Papa Francisco tenha vida longa em seu pontificado para conseguir emplacar um bispo/cardeal antenado com uma pastoral urbana eficiente e justa no Rio de Janeiro quando gente como Dom Orani Tempesta chegar ao fim. Temos até um nome que seria ideal nesta atual conjuntura para ser pastor-bispo na terra de São Sebastião: Dom Vicente Ferreira. O bispo mais inteligente que conhecemos e ligado à vida urbana que vemos na Igreja do Brasil. Atualmente, Dom Vicente é bispo auxiliar na cidade de Belo Horizonte. Acabei de ler suas reflexões no livro: “Brumadinho. 25 é todo dia” publicado pela editora Expressão popular (2020). O livro é o resultado do envolvimento de Dom Vicente com a comunidade, depois da destruição de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2018. Uma espécie de crônica poética que expressa o pensamento, o sentimento, a dor e a revolta daqueles que perderam seus parentes e amigos com o rompimento da barragem de rejeitos pela mineradora Vale. Em alguns momentos, o autor nos faz ouvir as vozes daqueles que foram levados pela lama tóxica, com a reconstrução dos fatos do crime ambiental e social. Os católicos do Rio de Janeiro precisam de um pastor como Dom Vicente.

Romero Venâncio (UFS)



CARTA ABERTA A DOM ORANI TEMPESTA: ARREPENDEI-VOS (Mt 4,17)



Exmo Sr.

Dom Orani Tempesta

Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro 

 Exmo Sr Arcebispo, 

 estivesse eu me dirigindo a um bispo identificado com o povo pobre – tal como nasceu, viveu e morreu aquele que confessam por mestre, Jesus Nazareno –, eu me sentiria mal usando esse tratamento formal, e meu interlocutor certamente também se sentiria constrangido. Esse certamente não parece ser o seu caso; portanto, Excelência, não posso dirigir-me a vós senão por essa formalidade do mundo, que agrada aos que são do mundo.

 Escrevo para fazer o que, provavelmente, muitíssimos fiéis do seu arcebispado e muitos padres sob sua autoridade gostariam de fazer: alertá-lo para o descaminho em que se meteu, fazendo ouvido mouco às palavras do próprio Cristo. Pior que isso: fazendo ouvidos de mercador, porque se tratou mesmo de comércio de um “príncipe da Igreja” com os vendilhões do templo, o seu encontro, neste 4 de abril, com o presidente Bolsonaro e seu filho senador. 

 Não me venha com a desculpa de que Cristo comia com os pecadores, ou com aquela teologia manca e falaciosa, pela qual se afirma condenar o pecado, mas não o pecador. Seu mestre (será mesmo?) alertou, sem meias palavras: Eu os estou enviando como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas (Mt 10, 16). 

 Será possível que, em mais de 50 anos de vida religiosa, jamais meditou sobre essas palavras? Será que um homem da Igreja, com 25 anos de vida episcopal, cai em uma armadilha dessas, sem saber que está se prestando como (falso) inocente útil para os fascistas? 

 Será que alguém que, como sacerdote, acompanha de perto a trajetória da CNBB há mais de quatro décadas, não foi capaz, até hoje, de entender que Bolsonaro, seus filhos e seus maiores apoiadores são nazi-fascistas?

 Desconhece, Vossa Excelência, que esse ex-capitão, com quem se congraçou, assim como seus filhos, é um defensor da tortura? Desconhece que Bolsonaro é um defensor dos atos mais vis praticados pelos militares durante a última Ditadura em nosso país, contra presas e presos políticos? Desconhece que esse homem favorece conscientemente o crime organizado e as milícias, facilitando a venda de armas e munições, praticamente sem controle? Desconhece o que esse sujeito disse e fez com respeito à pandemia do Coronavírus em nosso país? Desconhece os atos e os pronunciamentos anti-democráticos do homem com quem se deixou fotografar? 

 Sinceramente, não consigo acreditar nisso. Na verdade, é mesmo impossível acreditar nisso. Só me resta entender que os Bolsonaros compraram o apoio do Arcebispo do Rio de Janeiro, oferecendo dinheiro arrecadado no Cristo Redentor, ao preço altíssimo de Vossa Excelência trair seu mestre, cuspir no seu Evangelho, e dar aval para que católicos votem mais uma vez naquele que é a negação de tudo o que se pode aprender com Jesus de Nazaré. 

 Hoje, a imagem de Cristo entre dois ladrões já corre nas redes sociais. Mas não é Jesus – simbolizado, ali, por um crucifixo pendurado na parede – quem abençoa os dois criminosos impenitentes e incorrigíveis. Quem os abençoa e lhes presta o serviço de afiançar os crimes, é Vossa Excelência, Dom Orani, que sequer se envergonha de instrumentalizar a imagem do Cristo martirizado para dar apoio ao que de pior já se gestou na política brasileira. 

No facebook de Flavio Bolsonaro a foto está lá, com essa mensagem: “Estivemos hoje com Dom Orani Tempesta ...para reafirmar o compromisso com os valores da família e do respeito à vida!” Que sacrilégio! Vossa Excelência acredita que os Bolsonaros, como Jesus, vieram para que todos tenham vida, e vida em abundância (Jo 10, 10) ?

Dom Orani, o grande pecador, nesse episódio, foi Vossa Excelência, já que os Bolsonaros não crêem em uma palavra sequer dos Evangelhos. E lhe digo mais: eles sabiam que não o estavam enganando; que sua escolha foi consciente, que V. Excia escolheu o erro. Diferente de Jesus, que levado ao alto de um monte pelo demônio, para ser tentado, o repeliu (Mt 4, 8ss), Vossa Excia se colocou, por vontade própria, no alto do Corcovado, aceitou a oferta dos representantes de Satanás, e ajoelhou-se diante deles. 

Alguns religiosos sonham com o martírio, um momento de provação extrema em que provariam ou provarão seu amor incondicional à sua causa e ao seu Deus. O seu momento de martírio, Dom Orani, está sendo ofertado agora; está em suas mãos. Publicamente peça desculpas a Deus e às suas ovelhas, pelo grande pecado cometido hoje, ao prestigiar o anti-Cristo e favorecer seus planos de morte. 

Faça isso, antes que chegue o dia em que seja chamado a renunciar, pelo escândalo causado aos fiéis. São palavras de Jesus: Qualquer que escandalize um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar. (Mt 18, 6).

Atenciosamente

 Wilmar da Rocha D’Angelis

    Indigenista e Linguista

 Nota de repúdio e indignação  

“O mercenário, que não é pastor [...], 

vê o lobo aproximar-se, abandona as ovelhas e foge” (Jo 10, 12) 

Mais uma vez, expressamos nossa indignação com a presença do Sr. Presidente da República em um templo católico: no dia 04 de abril, acompanhado por diversas autoridades, visitou o Santuário do Cristo Redentor na cidade do Rio de Janeiro para acompanhar a assinatura dos termos de um protocolo de intenções e de um acordo de convivência entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. 

Ainda insistindo em ser reconhecido como “católico”, o Sr. Jair Messias Bolsonaro declarou: “Um protocolo de grande simbolismo para nós, católicos de todo o Brasil. Um governo que acredita em Deus e defende a família. A fé que nos elegeu, nos salvou no passado. Sem a fé, como resistiríamos com tantas adversidades, com grande parte da imprensa contra nós”. 

Essa declaração é extremamente vergonhosa! Como tantas vezes, o que ele disse aos pés da estátua do Redentor é um deboche: como ele ainda pode se dizer católico? Ou melhor, como ele ainda pode querer ser reconhecido como cristão? O Sr. Presidente da República despreza o maior dom de Deus: a vida, como mostrou inúmeras vezes durante a pandemia de COVID-19. Ele desrespeita o meio ambiente e os habitantes originários de nossas terras, é racista, misógino e homofóbico e não esconde sua aversão aos pobres, aquelas e aqueles que sempre foram centrais para Jesus, o Redentor. Todos sabemos que não foi a fé que o elegeu, mas a criminosa fábrica de fake news liderada por seus filhos e pelo “Gabinete do Ódio”. 

Não obstante, o que mais nos leva a expressar nossa indignação é a presença de autoridades católicas, especialmente Dom Orani Cardeal Tempesta, na ocasião. No ano de sua eleição, durante a celebração da Missa Crismal, o Papa exortou aos bispos e aos presbíteros: “Sede pastores com o ‘cheiro das ovelhas’”. Não é possível conceber um Bispo com “cheiro das ovelhas” ao lado do lobo. 

Na cidade do Rio de Janeiro, as vítimas do poder abusivo do Estado e das milícias se multiplicam todos os anos. Quantas crianças perdem sua vida por terem sido atingidas por balas perdidas? Quantos moradores de comunidades periféricas vivem constantemente com medo entre as armas dos policiais e dos milicianos? As vítimas da violência sistêmica e dos abusos do poder são as “ovelhas”, cujo cheiro deveria impregnar a vida e a ação de todos os fiéis ordenados, 

a começar pelo Arcebispo Metropolitano. Mas no lugar de estar com as “ovelhas”, o que assistimos estarrecidos, no último dia 04 de abril, foi um Bispo ao lado do lobo. 

Se não bastasse esse fato escandaloso, o Sr. Jair Messias Bolsonaro, em claro aceno eleitoreiro, participará de uma missa, no dia 09 de abril, no Santuário de São Miguel Arcanjo, em Bandeirantes/ PR. Novamente, sua presença em um templo católico causa indignação porque bem sabemos que ele é qualquer coisa menos cristão. Seus atos e seu ódio constantemente dirigidos contra tudo e contra todos estão muito longe da bondade e da misericórdia de Jesus de Nazaré. 

Mas nossa indignação é novamente maior com aqueles que estão à frente do Santuário e deveriam ter “cheiro de ovelhas”. Mas eles se reúnem com o lobo. Lembramo-nos do capítulo 10 do Evangelho segundo João: o lobo aproxima-se, arrebata e dispersa as ovelhas porque aqueles que estão à frente do rebanho não são pastores, mas mercenários (Jo 10, 12-13). Em um ano de eleições, ver mercenários simplesmente abrindo seus templos para que o lobo arrebate as ovelhas é um escândalo! 

O Sr. Jair Messias Bolsonaro escandaliza ao pisar templos católicos, porque de cristão ele não tem nada. Do mesmo modo, escandalizam aqueles que permitem que ele o faça. Fazemos nossas as palavras de Wilmar da Rocha D’Angelis, indigenista e linguista: “Alguns religiosos sonham com o martírio, um momento de provação extrema em que provariam ou provarão seu amor incondicional à sua causa e ao seu Deus. O seu momento de martírio, Dom Orani, está sendo ofertado agora; está em suas mãos. Publicamente peça desculpas a Deus e às suas ovelhas, pelo pecado cometido hoje, ao prestigiar o anti-Cristo e favorecer seus planos de morte. Faça isso, antes que chegue o dia em que seja chamado a renunciar, pelo escândalo causado aos fiéis. São palavra de Jesus: ‘Qualquer que escandalize um destes pequeninos, que creem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar’ (Mt 18,6)”. 

Sim! É hora de pedir perdão pelo acontecido no Rio de Janeiro e evitar que um novo escândalo aconteça no estado do Paraná. 

Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo 

06 de abril de 2022.

(acrescido nessa postagem em 07/04/2022)

Acesse a carta acima e/ou compartilhe com o link abaixo:

https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/617657-padres-repudiam-presenca-do-presidente-bolsonaro-em-santuarios?fbclid=IwAR2_Np5mf4aH0IxAQL6364ZLA_JvX41JBYin7h0Ijc1mxHN9YZxpm5Nk8NI


CENTRO DOM BOSCO: PADRE É AMEAÇADO POR GRUPO DE EXTREMA-DIREITA CATÓLICA NO RIO DE JANEIRO, CARDEAL ORANI CONTINUA DE "BRAÇOS CRUZADOS" 

"Os ataques vêm do Centro Dom Bosco (CDB), grupo católico fundamentalista. O pároco avisou a polícia que o grupo estaria se organizando, por meio do Telegram, para impedir a missa que ele realizará na quinta-feira de Páscoa, no próximo dia 17. 'Depois de dois anos parados, vamos voltar com nossa Semana Santa, seguindo os moldes das semanas santas mineiras. Haverá  procissões e cerimônias litúrgicas diversificadas. Porém, depois da cruzada dos componentes do CDB, temos sempre sofrido ataques. Aliás, eles já estão se organizando pelo Telegram', diz o padre Wanderson. O religioso é conhecido por incoporar elementos do Seder de Pessach, considerada a última ceia celebrada por Jesus na liturgia normal. As mulheres também participam ativamente da missa, que tem, inclusive, o ritual de lava-pés realizado pelo padre em fiéis católicos. Trata-se alusão ao mesmo ato praticado por Jesus na Última Ceia". 

Padre é ameaçado por grupo de extrema-direita católica no Rio

(acrescido nessa postagem em 07/04/2022)

Assista também:

Concílio Vaticano II e a Extrema-Direita Católica - com Prof Romero Venâncio (UFS)




 


Analisando os 9 anos do Papado de Francisco - com Pe Leonardo L. Dall Osto | @Leonardo Dall Osto




 

Mais Católicos que o Papa - com Prof Dr. Fábio Py Murta




 
Dauro Machado: O radicalismo de grupos tradicionalistas católicos no Brasil divide a Igreja, afronta e difama

'Acompanhando os passos da Igreja Católica Apostólica Romana, venho assistindo estarrecido a algumas posições tradicionalistas e radicais de mentes, a meu sentir, patológica e espiritualmente comprometidas'

PorDauro Machado -5 de dezembro de 2021

Acompanhando os passos da Igreja Católica Apostólica Romana, venho assistindo estarrecido a algumas posições tradicionalistas e radicais de mentes, a meu sentir, patológica e espiritualmente comprometidas. O expoente destes que classifico como “impostores” é o Arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, que com seus ataques ao Papa Francisco e com seus delírios tradicionalistas envergonha a dignidade episcopal e a Academia Pontifícia. Viganò foi do corpo diplomático da Santa Sé.

Viganò, no entanto, está em lugar incerto e não sabido e a Santa Sé, o Romano Pontífice, o Código de Direito Canônico e a autoridade estabelecida da Igreja que cuidem dele. O que de fato me causa verdadeira espanto são alguns grupos que se juntam no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, para com seus delírios radicais tradicionalistas começarem a passar dos limites aceitáveis.

Vejamos, por exemplo, o caso da Associação Civil Centro Dom Bosco. Essa instituição não pertence à Igreja Católica. Canonicamente, nunca teve seus estatutos sequer apresentados ou aprovados pelo Bispo local, menos ainda pela Santa Sé. Trata-se, pois, de um grupo de pessoas que usam da liberdade civil de se associarem, como se associam todos aqueles que assim o querem e com o respaldo constitucional.


O problema dessa instituição é o pensamento nada cristão e tampouco caridoso que coloca em prática numa suposta e inexistente “Guerra Santa” contra as legítimas autoridades da Igreja Católica Apostólica Romana, fundada por Cristo e que tem o Papa como cabeça. Uma vez que não tem qualquer reconhecimento diocesano ou pontifício, não pertence canonicamente enquanto instituição, à estrutura da Igreja. Ainda bem.

Alguns de seus integrantes são também simpatizantes de movimentos como a TFP (Tradição, Família e Propriedade) ou de sua nova roupagem, o chamado “Instituto Plínio Corrêa de Oliveira”. Encontra-se também no Centro Dom Bosco monarquistas delirantes, que sonham com títulos nobiliárquicos e com a volta de um Império que não ocorrerá num país que rechaçou a Monarquia num plebiscito – goste-se ou não, somos uma República.

Atualmente esse Centro Dom Bosco? Usa o nome do santo católico italiano, símbolos glamourosos como brasões e espadas para parecerem integrantes institucionalmente da Igreja. E a que serve Não o são. São tradicionalistas, julgam-se salvos e perfeitos e prontos para usar veneno, injúrias, distorções da verdade e “fake news” para difamar a Igreja e seus ungidos. Sonham com o retorno da Missa antiga em latim em todas as paróquias, mesmo sabendo que a maioria do povo não entendia grande parte do que era dito. Deveriam ser adeptos do hinduísmo, já que para eles a Igreja verdadeira deveria ser aquela dividida em castas. Eles, é claro, seriam de casta superior.


Espanta-me, por exemplo, a forma grosseira, agressiva, radical e intolerante ao criticarem decisões do governo episcopal. São desrespeitosos com cardeais e bispos, sucessores dos Apóstolos, a quem canonicamente devem obediência. Quem está debaixo de autoridade – e todos os católicos estão – deve em regra acatar as decisões de seus líderes, ou, no máximo, expor de modo respeitoso, veraz e com espírito de comunhão as razões de suas discordâncias.

Chegam a absurdos de, por exemplo, não se poder nem mais nomear em paz um Bispo Auxiliar para o Rio de Janeiro, sem que tais movimentos tradicionalistas usem de ferramentas digitais não transparentes, executadas de forma descaradamente disfarçada para difamar, criticar, atribuir até mesmo crimes e pecados.

São contrários ao Concílio Vaticano II e favoráveis a uma Igreja afastada dos pobres e da realidade do mundo. Julgam-se, quiçá, da própria linhagem de Jesus ou, ao que parece, superiores. Afirmam que a Igreja atual é falsa, chamam-na de “A Outra”, a “anti-Igreja”, pois em suas ensandecidas teses de manicômio, a Igreja Verdadeira não é a governada por Francisco, mas sim a Pré- Conciliar.

Às vezes me pergunto por que as autoridades eclesiásticas constituídas não tomam medidas canônicas possíveis contra esses reativos. Refletindo bem, cheguei à conclusão  de fato, que o melhor é o desprezo. Não fazem parte canonicamente enquanto instituições, da Igreja, não falam por ela, não têm Estatutos reconhecidos ou aprovados pelas esferas eclesiásticas. Na verdade, são rebeldes, desaglutinadores, plantadores da discórdia e da dúvida principalmente naqueles menos informados que acreditam em sua falsa santidade ou pureza. A Santa Sé e as Dioceses estão praticando o certo, perdoando e ignorando aqueles que são contrários à misericórdia de Cristo, à vocação da Igreja de abertura a todos os homens e mulheres e voltada com atenção especial aos pobres e à caridade.


De minha parte, não tive a paciência esta semana de calar-me mais. Este Centro Dom Bosco, assim como outras correntes tradicionalistas que conspiram contra o Ministério Petrino e a Igreja Católica, são apenas reacionários passadistas. Não estão em comunhão com a barca de Pedro. Tentar dialogar com eles? Para que, se não têm nenhum reconhecimento formal junto à Igreja? Quanto a este e a outros institutos semelhantes, pomposos, preconceituosos, o melhor a fazer é silenciar ante ao barulho visto como circense que às vezes fazem.

Afinal, do que adianta tentar dar palavras aos cães e pérolas aos porcos?

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.






Eduardo Brasileiro
depois da vergonhosa acolhida de um padre no Paraná ao presidente da república, uma posição fundamental de Dom Reginaldo Andrietta, bispo de Jales, da Comissão Episcopal para Ação Sociotransformadora da CNBB.
Acrescentado a essa postagem em 11/04/2022

O presente como resultado das disputas e predominâncias no passado. O futuro começa assim...


Todas as novas quatro pessoas que estiveram presentes no Conversão sobre a Campanha da Fraternidade que realizamos no último final de semana em Aracaju, tiveram contato com modelos pastorais de igreja na juventude. Modelos pastorais com semelhança aos propostos em nosso encontro e de acordo com o que afirma e defende Papa Francisco.

Evidente uma igreja de corpo conservador, como encontramos mais facilmente,  mesmo com cabeça progressista, no caso o  Papa Francisco, não consegue resolver tão facilmente  essa contradição, esse dilema, essa tensão, ou outro termo que queiram utilizar..

E evidente que no passado e em alguns casos no presente, a participação de jovens em CEBs, grupos de jovens antenados com a realidade social e promotores da solidariedade, assim como outras pastorais e movimentos eclesiais com propósitos semelhantes, impactaram/impactam positivamente no convívio maduro, consciente, critico e participativo de milhões de cidadãos adultos.

O inverso também é verdadeiro, milhões de jovens acostumados a um modelo de igreja que os distanciam da sua própria realidade, que valoriza uma fé intimista e individualista, ás vezes com uma pitada de caridade,  pouco poderá fazer nos termos da formação do cidadão comprometido com a trindade de valorização conjunta  “ a pessoa humana, a coletividade, Deus”, nos termos  como é proposto na encíclica Fratelli Tutti.

E assim o futuro fica duvidoso, dá para perceber  pela presente de  hipervalorização da grana, da ostentação, mesmo no seio do clero e de outros futuros profissionais oriundos do meio cristão, assim como muita dor e sofrimento para as maiorias empobrecidas. Para quem quiser refletir com canção, deixo Bete Balanço..

“A novidade da Encíclica é o conceito de Fraternidade como base da Amizade Social. Ele há muito vem usando o conceito de Amizade Social, tanto que em 2015, quando esteve em Cuba, ressaltou uma passagem da visita que fizera a uma área pobre de Buenos Aires, onde o pároco lhe apresentou uns jovens voluntários que construíam casas: o arquiteto era judeu; o engenheiro comunista; os pedreiros católicos praticantes; o pintor muçulmano, o dono das ferramentas ateu, e assim por diante. Em Havana, o Papa afirmou: aqueles jovens eram diferentes, mas trabalhavam juntos pelo bem comum. Isso se chama Amizade Social, ou seja, unir direito com responsabilidade para implantar o bem.

https://diariosm.com.br/colunistas/colunistas-do-impresso/a-fratelli-tutti-e-a-amizade-social-1.2336365

Assim,  é tempo de  viajarmos  ao passado para trazer de lá, a partir do melhor que fizemos ou que fizeram de nós, motivação, inspiração e impulso para construir um mundo melhor para nós e para os que estão chegando ou que virão depois...

Canções podem ajudar? Pode. Livros e filmes podem ajudar? Também.. Organização de encontros/rodas de conversa como esse que realizamos no último final de semana? Muito.

Quatro  belas canções sobre juventude para nos aquecer e animar  ou re...

Evidentemente, as canções que falam da juventude dos tempos atuais são outras, e caso queiram utilizá-las como recurso pedagógico, evidente que devem ser mescladas com essas abaixo...

Mas as canções aqui escolhidas acontecem porque as quatros novas pessoas que citei no inicio tem idade entre quarenta e sessenta anos... Daí porque as escolhas abaixo...

Padre Zezinho, scj - A juventude é uma semente

 https://www.youtube.com/watch?v=0chK6vvpDSQ

PE. ZEZINHO- CIDADÃO DO INFINITO

https://www.youtube.com/watch?v=iorevtsXiAI

Legião Urbana · Há tempos


14 Bis - Linda Juventude

Para onde vai a juventude?

Por J. B. Libanio, sj
 
O artigo apresenta uma leitura das tendências que movem os jovens na pós-modernidade: no campo pessoal; na eduação escolar/acadêmica; nas relações humanas; na cultura; trabalho; religião e política. Compreender melhor essas tendências ajudará os que trabalham com jovens a encontrar lucidez no próprio pensar e agir.

E o futuro pós pandemia? Pensando globalmente como reinventá-lo...




O que podemos aprender com a reforma da cúria realizada pelo Papa Francisco

O Papa Francisco tornou público o documento com propostas de reforma da cúria, o que para alguns pode parecer limitada, mas para a mudança de rota de uma espécie de " transatlântico" milenar, representa avanço importante.

Mas o que gostaria de destacar são dois aspectos do “método”, os quais são caros a mim e a quem lida com educação popular.

O primeiro deles diz respeito a escolha de um grupo de cardeais consultores, obviamente visionários e compromissados com o avanço das mudanças propostas no Concilio Vaticano II, realizado no inicio dos anos de 1960.

O segundo passo, levantamentos dos problemas e necessidades de milhões de católicos  que anseiam por uma igreja mais solidária e mais verdadeira com relação ao anúncio e testemunho do evangelho, o que serviu de base para as discussões e produção do documento.

O terceiro passo foi a certeza de que este documento não poderia ser produzido em tempo recorde, daí o tempo de nove anos para ser finalizado.

Além da continuidade que este processo inicial terá doravante, com o chamado de Francisco para uma igreja sinodal.

E sobre o que isso tem a ver com o método escolhido por nós, em parceria com os companheiros e companheiras das CEBs, do CEBI e da Pastoral da Juventude.

1 – Se somos poucos, mas experientes, não carece de escolhermos um grupo de companheiros e companheiras consultores, pelo menos inicialmente.  Logo, inicialmente todos e todas são consultores, com o tempo poderemos procurar pessoas com experiência prática e/ou acadêmica para dar novas contribuições no papel de assessores eventuais

2 – Não podemos esquecer que precisamos de tempo, daí o título da primeira crônica relatório do Conversão que realizamos neste último domingo. “A barca segue em ritmo lento, mas segue.” 

3 – Algumas e boas propostas para o gesto concreto e para a continuidade do AGIR  solidário e educativo  foram apresentados, porém não esqueçamos do questionário que colocamos a disposição, adaptado do texto base da Campanha da Fraternidade de 1998. O questionário busca começar pelo VER/ESCUTAR a realidade das comunidades. E como afirmei, neste VER/ESCUTAR deveremos nos conhecer melhor também.

Assim, é recomendável seguir os passos propostos pelo método da Ação  Católica assumido pela CNBB, o VER, JULGAR, AGIR . Se acrescentar o escutar ao primeiro verbo e discernir ao segundo, colabora, ajuda bastante.

De uma certa  maneira  o Papa Francisco utiliza este método como bússola do seu pastoreio em termos de administração e magistério.





domingo, 3 de abril de 2022

A BARCA SEGUE O SEU RUMO LENTO, MAS SEGUE...

Hoje, 03 de abril de 2022,  a barca dos navegadores/educadores que seguem a corrente da educação popular e participação cidadã se encontraram na Comunidade Bom Pastor em Aracaju para  ancorar em porto seguro e alegre, bem como para renovar as energias, o ar, o espirito...

Leva no teu bumbá , me leva

Leva que quero ver meu pai

Caminho bordado à fé

Caminho das águas

Me leva que quero ver meu pai

A barca segue seu rumo lenta

Como quem já não quer mais chegar

Como quem se acostumou no canto das águas

Como quem já não quer mais voltar

Os olhos da morena bonita

Aguenta que tô chegando já

Na roda cantar com "ocê"

Ouvir a zabumba

Me leva que quero ver meu pai

Caminho das Águas: Rodrigo Maranhao

 A primeira vista quem olhar as fotos do encontro não verá muita gente, isso para os padrões de encontros de formação realizados pela união  CEBs, CEBI e Pastoral da Juventude, cuja participação máxima  chega ao número de vinte e cinco pessoas.



Mas houve algumas situações que nem sempre podem ser captadas pelas lentes fotográficas, são questões que estão no campo do imaterial, do intangível, do subjetivo, como é o caso das aprendizagens adquiridas com acontecimentos positivos e negativos da própria vida dos atores ou agentes que se reuniram e partilharam um pouco de suas histórias neste final de semana.

São acontecimento alegres e tristes relacionados a vida nas famílias,  comunidades eclesiais, escolas, coletivos e organizações socias de diversos tipos.

Há que ressaltar a presenças de algumas pessoas que nunca participaram de encontros de formação promovidos pela união em destaque, assim como pessoas que participaram do primeiro encontro sobre formação da Campanha da Fraternidade realizado em fevereiro último, e  estas pessoas trouxeram uma bagagem importante e enriqueceram-se  reciprocamente a partir das experiências vividas e compartilhadas por cada um e por cada uma, dos mais velhos aos mais jovens, dos antigos frequentadores aos novos.

Outro aspecto importante foi o encaixe dos diversos momentos por meio das ligas da espiritualidade libertadora,  da educação popular, do clima (nem choveu e nem esquentou muito) e da tecnologia.

Começando por esta última, com o cancelamento de última hora da participação do responsável pela análise de conjuntura, o nosso socorro foi  realizado de forma virtual pelo professor Penildon Silva Filho  da UFBA, o qual esteve presente no lançamento virtual da Campanha da Fraternidade promovida pela Arquidiocese de Salvador. 

Dessa maneira, a noite de sexta-feira depois de um excelente momento orante conectado com  o magistério do Papa Francisco, foi preenchida  pela também excelente análise de conjuntura produzida  pelo Professor Penildon, complementado por observações pertinentes realizado por alguns presentes e pela professora e vereadora Ângela Melo, a qual informou lamentar não poder retornar no sábado e no domingo por motivo de compromisso com demandas de outras comunidade de Aracaju.

E dessa maneira, aconteceu o inverso do que poderia ser um fator de esmorecimento e de enfraquecimento da moral de quem esteve na sexta-feira, a ausência do assessor politico do SINTESE, o qual não pode se fazer presente por razõs urgentes de natureza profissional, considerando o período das eleições do SINTESE que estão na iminência de acontecer. 

E assim,  tivemos o inicio da programação do sábado, como planejado e publicizado, com um trabalho em grupo com um resultado bem satisfatório, em seguida a apresentação de slides sobre as Campanhas da Fraternidade de 1982 e 1998, as quais trataram do tema Educação.

Sobre o porque de trabalhar com estes textos trouxe a lembrança um meme que circula afirmando três coisas que salvariam o Brasil: Memória histórica, interpretação de texto e consciência de classe..

E essa necessidade de memória histórica da Campanha da Fraternidade se deu pelo fato de ter acessado o livreto direcionado a juventude produzido pela CNBB, a despeito de ser um material  bem fundamentado quanto ao  conteúdo, considerei-o denso, ou seja,  com muito texto e com um certo excesso de abstração, além de não ter uma produção gráfica atraente para o público alvo a que é destinado, como foi realizado em anos anteriores.

Daí comprei o texto base, este repete  as mesmas limitações, até porque os subsídios destinados aos diversos públicos são baseados no mesmo. 

E aí fiquei com curiosidade aguçada, o que diz os textos base de 1982 e 1998, sobre educação popular e participação social cidadã no chão da escola? Isso em razão do trabalho de educação popular que realizo,  com sujeitos ligados a  educação formal e não formal, além da preocupação e dedicação ao trabalho de base,  utilizando principalmente a mediação da  ação cultural.

E como quem procura acha, consegui os textos base em sebos via internet e comecei a realizar um trabalho de estudo comparativo, o qual ainda não está concluído, portanto a apresentação que fizemos foi parcial, mas rendeu uma bom debate e alguns insights...

Um dos momentos que guardo deste debate,  foi após a apresentação de um dos slides que trata de metodologia da educação popular ou do trabalho social educativo que consta no texto base de 1998.

183. Educação popular

São numerosas as iniciativas neste campo, brotadas no meio do povo e que lhe garantem organização, promoção, defesa. A CF-98 é importante ocasião para estimular serviços populares, bem concretos, de voluntariado para formação e educação das questões de higiene, saúde, nutrição, prevenção e tratamento de doenças, campanha para vacinação, cuidado com a água e o esgoto, mutirão para hortas comunitárias e construção de moradia, grupos para alfabetização, casa de acolhida para crianças enquanto as mães estão no emprego, cursos vários para melhoria da renda familiar.... Em todas estas iniciativas populares, junto com a ação aconteçam momentos de reflexão sobre a realidade, a cidadania, a importância da vizinhança, a organização para a defesa dos direitos humanos, assim como momentos de oração, confraternização e celebrações.

A discussão gerada a partir do texto acima ,levantou o questionamento sobre como promover trabalho assistencial necessário,  com o também necessário trabalho de formação humana integral, incluindo a educação para participar de movimentos sociais, de conselhos de gestão e controle social e etc...

Como o tempo foi curto, a sugestão é a promoção futura de uma ou várias rodas de conversa  para troca de experiências com quem realiza ou realizou trabalhos de base, afim de colaborar com quem está presente no “olho do furacão” em tempos de retrocesso do Brasil de volta as décadas perdidas de 1980 e 1990.


A proposta é juntar neste debate, as lideranças egressas dos movimentos sindical e estudantil que faz ou pensa em fazer trabalho de base, partindo da critica e combate as politicas neoliberais que investem pesadamente na captura dos recursos da escola pública,  e do projeto para a formação de uma mentalidade  individualista, alienada e consumista da parte dos alunos e alunos da escola pública. Estas lideranças sociais se preocupam em incorporar os pobres em atos políticos e manifestações públicas em defesa da educação, da saúde, da moradia e etc...

De outro lado, temos àqueles que fazem trabalho de base na linha da caridade, do assistencialismo... Estes se preocupam em ajudar  os pobres de forma urgente e imediata.

A outra proposta que penso ser importante é a discussão do “amor pelo poder” em nossas entidades/organização, inclusive no campo eclesial.

Essa proposta surgiu da fala potente de uma companheira que não considera isso  ser profissão, ou seja,  não é possível um dirigente sindical ficar décadas nas direções, apenas mudando de cargos. O que se repete no contexto de muitas CEBs, movimentos religiosos,  pastorais, conselhos paroquiais  e etc...

A sugestão neste caso,  é um encontro de formação para estudar o que propõe Jesus Cristo e como o poder era exercido nas primeiras comunidades cristãs, assim como nos dias atuais, o poder é exercido em nossas entidades e organizações, exercicio do poder carregado de virtudes e vícios 

O que posso dizer para quem não foi, uma ótima oportunidade de trocar saberes e fazeres sobre igreja em saída ao encontro das periferias geográficas e existenciais e igreja no caminho da sinodalidade.

E para quem não é tão  “igrejeiro” foi um bom momento de aprendizagem sobre educação popular e trabalho de base com comunidades e com a juventude..

Por outro lado, uma pergunta realizada neste Conversão.  O que dizem de nós?  inclusive com as nossas presenças e com ou por causa de nossas ausências...

E com isso não quero dizer que devamos estar juntos e misturados o tempo todo, mas com sensibilidade, espero, em meio a tantas demandas de encontros, reuniões, eventos, serviços e etc., ser possível nos encontrarmos em alguns momento fortes ,  onde possamos reciprocamente crescermos e evoluirmos no rumo desejado pelo Papa Francisco. O rumo de uma sociedade pautada pela solidariedade na base,  justiça social no plano macro politico e econômico, assim como cuidado com a terra, nossa casa comum.

O que vale não apenas para liderança de comunidades, movimentos ou pastorais ligadas as igrejas.

E já que começamos com boa música, vamos terminar com outras duas em forma de  convite...

Chimarruts - Do Lado de Cá

MILTON NASCIMENTO - NOS BAILES DA VIDA


sexta-feira, 1 de abril de 2022

AGIR OU DOIS GESTOS CONCRETOS PARA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2022. (CF)


 

1º}  No final da tarde deste  sábado,  estaremos conversando acerca da aplicação de um questionário rápido, local e participativo sobre Educação.

https://acaoculturalse.blogspot.com/2022/01/roteiro-de-diagnostico-rapido-local-e.html

Este questionário pretende ser aplicado junto com lideranças de comunidades,  e tem como objetivo apoiar o trabalho social educativo desenvolvido nestas comunidades com o sentido  democrático, cidadão, participativo, criativo e sustentável.

Mas antes desse momento, gostaríamos de quem for participar do Conversão sobre a Campanha da Fraternidade e que participa ou colabora com experiências desse tipo, a elaboração de pequeno relato escrito com base no roteiro abaixo.

Pode ser experiência que tenha como local de realização, igrejas ou outros tipos de espaços religiosos, escolas, associações, movimentos sociais e etc,,

A proposta é, no caso de termos mais de um relato, realizarmos a escolha participativa de uma destas experiências, com base em critérios pré definidos. A escolha de uma iniciativa, dependerá da apresentação de relatos e disponibilidade de colaboração por parte das pessoas presentes no Conversão sobre a CF.

QUESTIONÁRIO ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO RELATO

1 – Nome da iniciativa

2 – Local em que é realizado e  território de abrangência

3 – Ano de inicio

4 – Lideranças envolvidas, com nomes e local de origem em termos de organização/profissão/instituição.

5 – Quais as parcerias para o apoio a iniciativa

6 – Quantos adolescentes e jovens participam da iniciativa. (número aproximado).

7 – Como acontece a presença de objetivos e ações no campo da arte/cultura, comunicação  e meio ambiente.

 CINE REALIDADE EDUCAÇÃO

2) Durante cerca de dois anos a Ação Cultural (Associação Cultural) realizou no Conjunto Jardim o Cine Realidade, o qual de acordo com Maíra Ramos, secretária da organização "os filmes apresentados tem como contexto, a realidade que os jovens de periferia vivem no dia-a-dia, incluindo aspectos culturais ligados à dança, ao rap, as rádios comunitárias, ao teatro, entre outros elementos que podem mudar a vida da juventude.  O Cine Realidade não vem apenas para mostrar uma coisa óbvia, mas também para gerar um diálogo entre os jovens sobre o valor de um trabalho educativo e cultural dentro dessas periferias, incluindo o Conj. Jardim."

https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/11/o-cineclube-realidade-como-janela-para.html

Uma das últimas ações do Cine Realidade  foi a exibição de uma sequência de filmes sobre educação, inclusive uma produção da própria Ação Cultural sobre a ocupação de uma escola em Aracaju.

Uma perspectiva apresentada naquele momento em conversas e reuniões com o coletivo organizador da iniciativa, foi a possibilidade de realizar a mesma série de exibição em outras escolas e comunidades, o que podemos retomar pós o Conversão sobre a CF, a depender dos apoios para tal.

Questionário para análise de viabilidade da proposta.

Nome:__________________________________________                                                                                      Telefone______________

1-     Você tem interesse em frequentar as sessões, sem obrigatoriedade de ir a todas.

(   ) Sim   (    ) Não

 

2 – Qual o intervalo de tempo razoável e quantas sessões.

 

(  ) semanal  (   ) quinzenal   (  ) mensal

(   ) quinze   (    ) dez  (   ) cinco

 

3 – Quais locais para exibição?

 

4 – Que tipo de colaboração você e/ou seu coletivo/organização pode oferecer para a realização da atividade:

(   ) empréstimos de DVD ou filmes baixados.

(   ) participação como apresentador/debatedor de filme

(   ) empréstimo de equipamentos 

(   ) apoio financeiro para auxilio transporte ou carona solidária. 

(   ) apoio financeiro para compra de lanches.

(   ) apoio para produção de material de divulgação

 TIRA DÚVIDAS sobre a Grande Roda de Conversa sobre Fraternidade e Educação. Um conversão em 01,02 e 03 de abril