quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Honestino: estudante símbolo da luta contra a ditadura dá nome a ponte, museu e diretório da UnB; cinebiografia estreia nesta quinta. Em Aracaju no Cinema do Centro.


 

Por Akihito Sato, g1 DF

 


Estreia nesta quinta-feira em cinemas de todo o país a cinebiografia "Honestino", com o ator Bruno Gagliasso no papel-título.


O longa dirigido por Aurélio Michiles conta a história do estudante Honestino Monteiro Guimarães, que desapareceu aos 26 anos em 1973, nos anos de chumbo da ditadura militar – e se tornou um símbolo da luta estudantil contra o regime.


Passado mais de meio século, Honestino teve seu desaparecimento reconhecido como crime político, recebeu diplomas póstumos (veja detalhes abaixo) e recebeu homenagens em diversos espaços públicos de Brasília.


Natural de Itaberaí (GO), Honestino se mudou para a nova capital do país no ano na inauguração, em 1960, com a família. Estudou no Centro de Ensino Médio Elefante Branco da Asa Sul e, por breves anos, na Universidade de Brasília (UnB).



Luta estudantil

Desde o ensino médio, Honestino era engajado nos movimentos estudantis. Estudou no Colégio Elefante Branco – apeliidado pelos militares como "elefante vermelho" à época, pelo histórico de resistência. O grêmio estudantil da escola, hoje, leva o nome de Honestino.


Em 1964, transferiu-se para o Centro Integrado de Ensino Médio (CIEM), onde concluiu o ensino básico. Na época, entrou para a organização clandestina Ação Popular (AP).


Pouco depois, aos 18 anos, passou em primeiro lugar para cursar geologia na UnB. Entre os estudos e a luta política, foi preso quatro vezes em ações grevistas e manifestações. Tornou-se, ainda, presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub).


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Em 1968, foi preso na mais violenta invasão à UnB, em 1968 – episódio que ficou conhecido como a "invasão à Feub".


No mesmo ano, foi desligado da universidade. Com a edição do Ato Institucional nº 5, que suspendia a garantia de habeas corpus nos casos de crimes políticos, passou a viver clandestinamente em São Paulo e, depois, no Rio de Janeiro. 


Homenagens na UnB


Em 1997, a UnB rebatizou o Teatro de Arena construído em 1974, que passou a se chamar Teatro de Arena Honestino Guimarães.

Uma placa reconhecendo a história de luta do estudante foi instalada próximo ao Restaurante Universitário do campus Plano Piloto.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, principal instância de deliberação dos alunos, também é nomeado DCE Honestino Guimarães.

Em 2024, a UnB anulou a decisão que desligou Honestino e realizou cerimônia de outorga post mortem (pós-morte), concedendo o título de geólogo.



Anos na clandestinidade

No Rio de Janeiro, foi eleito em 1971 presidente da União Nacional do Estudantes (UNE). Mesmo vivendo na clandestinidade, Honestino manteve atividades na UNE e na Ação Popular Marxista-Leninista.


Após cinco anos disfarçado, foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar).


O desaparecimento foi registrado em 10 de outubro de 1973 – data que, hoje, consta no atestado de óbito do estudante.


O corpo de Honestino Guimarães nunca foi encontrado. A morte foi reconhecida em 1996, quando a declaração de óbito foi emitida na esteira da Lei dos Desaparecidos Políticos (1995).


Em 2014, Honestino recebeu a anistia política post mortem.



Símbolo de Brasília

As homenagens a Honestino ultrapassam os registros históricos e os marcos e placas na Universidade de Brasília.


O Museu Nacional de Brasília, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado no Eixo Monumental de Brasília em 2006, também leva o nome de Honestino Guimarães.


Em 2015, o nome do estudante se tornou o centro de uma polêmica: a Câmara Legislativa do DF aprovou a troca do nome da ponte General Costa e Silva – segundo presidente da ditadura militar – pelo nome de Honestino.


A lei foi contestada por moradores e derrubada pela Justiça do DF. O argumento: o tema não tinha passado por audiência pública.


Em 2021, a Câmara do DF aprovou uma nova lei com o mesmo espírito e realizando a audiência pública. Então governador, Ibaneis Rocha (MDB) vetou a troca do nome.


O tema só foi pacificado em dezembro 2022, quando a Câmara do DF derrubou o veto de Ibaneis e promulgou a lei. Desde então, a ponte se chama Honestino Guimarães de modo definitivo.








Ir ao cinema para assistir a um filme como Honestino é um ato que vai muito além do entretenimento. É uma decisão de se engajar ativamente com a história, a memória e a cultura do seu país.

Aqui estão alguns motivos que tornam essa experiência tão importante:

🌊 Uma imersão que não se compara: A tela grande e o som ambiente do cinema criam uma experiência imersiva que nenhuma outra tela consegue replicar. O filme resgata a história de Honestino usando cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos. Ver isso no cinema permite que você seja envolvido por essa narrativa, sentindo a emoção e a complexidade de uma história que o autoritarismo tentou reduzir a meros números.

📖 Um encontro fundamental com a história: Ir ao cinema é uma declaração de que a história de Honestino Guimarães, e o período da ditadura militar, não podem ser esquecidos. O filme chega em um momento em que o cinema brasileiro revisita esse passado para compreender o presente. Como diz o diretor, o propósito é "não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo", injetando "novamente autoestima, um novo acreditar, a esperança de que existe ainda um Brasil possível".

🗣️ Uma experiência coletiva de memória: Ver um filme como este é um ato de resistência e memória compartilhada. O ator Bruno Gagliasso destaca que a história de Honestino "está dentro de todo mundo que luta por justiça, igualdade e democracia". Assistir a ele numa sala de cinema, com outras pessoas, reforça o caráter coletivo dessa memória e a importância de não deixar que histórias como a dele sejam apagadas.

🎬 Apoio ao cinema e à cultura brasileira: A produção é um longa-metragem nacional com um formato híbrido, misturando documentário e ficção. Ao comprar um ingresso, você está apoiando diretamente a cadeia do cinema brasileiro, incentivando que mais histórias nacionais sejam contadas e cheguem às telas. O ator e o produtor do filme reforçam que o Brasil ainda precisa produzir muito mais sobre esse período, em comparação com outros países.

Ir ao cinema ver Honestino é, portanto, uma oportunidade de vivenciar uma história de luta e resistência de forma única, fortalecendo a memória coletiva e o nosso cinema.

Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (A Legião Dos Esquecidos) (Ao Vivo)




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