quarta-feira, 26 de agosto de 2026

RELATÓRIO 01 - AUDIÊNCIA PÚBLICA - Tema: Balanço da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2024-2026 e o Fortalecimento do Sistema Municipal de Cultura de Aracaju.

Data: 17 de agosto de 2026.  

Local: Plenário da Câmara Municipal de Aracaju. 

Requerente: Vereador Iran Barbosa (PSOL).  


1. APRESENTAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO

  • Abertura: O Vereador Iran Barbosa, presidente da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, abriu a audiência, destacando o papel fiscalizador e propositivo da Câmara. A audiência foi motivada pela necessidade de debater a execução dos recursos da PNAB e fortalecer o Sistema Municipal de Cultura.

  • Objetivo: Ouvir análises, críticas e sugestões da sociedade civil e do poder público para aprimorar as políticas culturais do município, garantindo que a cultura seja reconhecida como um instrumento de identidade e libertação.


2. BALANÇO DA EXECUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL ALDIR BLANC (PNAB)

2.1. Dados e Ciclos da PNAB

  • Ciclo I (2023-2025):

    • Repasse:  

    • Execução: A gestão anterior não utilizou os recursos em 2024. A nova gestão (a partir de 2025) contratou 80% dos recursos, superando a média nacional de 60%.
    • Distribuição: Os recursos foram alocados em editais para Conexões Culturais, Bolsas de Pesquisa, Fomento a Pontos de Cultura, Premiação a Pontos e Pontões de Cultura, e Consultoria/Assessoria.

    • Críticas: Houve denúncias sobre falta de transparência na execução e a ausência de um relatório público consolidado sobre os resultados entregues pelos projetos financiados.

  • Ciclo II (2025-2026):

    • Repasse: Os recursos (R$ 4.580.000,00) chegaram a Aracaju em 29 de dezembro de 2025, atrasados devido à reestruturação do Ministério da Cultura (MinC). O prazo para contratação foi estendido pelo MinC até 14 de dezembro de 2026.

    • Plano de Aplicação: Os valores foram definidos a partir de escutas públicas, com uma distribuição por segmento:

      • Artes Cênicas: R$ 130.000

      • Artes Visuais: R$ 150.000

      • Audiovisual: R$ 150.000 (considerado insuficiente pelos participantes)

      • Música: R$ 400.000

      • Festivais: R$ 250.000

      • Ações Continuadas: R
        1.200.000(12vagasdeR

      • Fomento a Pontos de Cultura: R$ 810.000

      • Reforma do Teatro João Costa: R$ 499.000

    • Status: Os editais do segundo ciclo estavam programados para serem lançados na semana da audiência.

2.2. Avanços e Desafios na Gestão

  • Avanços:

    • Criação da Secretaria Municipal de Cultura (aprovada em maio/2025 e em funcionamento a partir de julho/2025).

    • Realização de escutas públicas para definir a aplicação dos recursos do Ciclo II.

    • Aprovação e sanção da lei que ativa o Conselho Municipal de Cultura e cria o Fundo Municipal de Cultura.

    • Início de um Plano de Formação Artístico-Cultural.

    • Descentralização de eventos como o Forró Caju para os bairros.

  • Desafios:

    • Fragilidade Institucional: A rotatividade de pessoal na Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju) prejudica a continuidade dos processos e a prestação de contas.

    • Falta de Concurso Público: A área cultural é tratada como "cabide de empregos", com indicações políticas em detrimento de servidores técnicos e qualificados.

    • Capacitação da Gestão: A equipe técnica, especialmente da Funcaju, precisa de capacitação específica para lidar com as particularidades de cada linguagem artística.

    • Diálogo entre Secretaria e Fundação: Não houve representante da Funcaju na mesa, o que foi criticado, já que a fundação é a executora dos editais.


3. PRINCIPAIS DEMANDAS E PROPOSTAS DOS SEGMENTOS CULTURAIS

3.1. Qualificação dos Editais e Recursos

  • Setor Audiovisual:


    • Críticas aos editais com categorias "blocadas" (ex: "Novas Obras"), que agrupam projetos de linguagens distintas (livro, filme, peça) com as mesmas regras, o que é inadequado.

  • Música:

    • Cobrança por uma Conferência Municipal de Cultura para discutir políticas permanentes, e não apenas editais sazonais.

    • Defesa de um plano de carreira para músicos, com investimento contínuo, similar ao plano britânico "Turn Up Our Plan for Music", que prevê a manutenção de pequenos espaços, música nas escolas e apoio a profissionais.

    • Críticas à disparidade: artistas locais recebem cachês baixos (R$ 1.500,00) em eventos, enquanto atrações nacionais (ex: Wesley Safadão) recebem milhões, o que não fomenta a cena local.

  • Cultura Popular e de Base:

    • Denúncias de que recursos da PNAB são distribuídos sem critérios claros em alguns municípios do interior, beneficiando "amigos do amigo" sem contrapartida cultural (ex: "Dona Maria da Cocada").

    • Defesa da preservação de manifestações tradicionais (ex: Rezado, Fogueados, Quadrilhas Juninas), com vestimentas típicas (ex: vestido de chita) sendo ameaçadas pela falta de incentivo.

3.2. Participação Social e Controle

  • Conselho Municipal de Cultura:

    • Crítica central: O secretário de Cultura é o presidente do conselho, o que fere a autonomia do órgão fiscalizador.

    • Proposta: Realizar eleições diretas para os conselheiros (e não indicações), garantindo representatividade real dos segmentos.

  • Transparência e Devolutiva:

    • Criação de uma plataforma pública única e acessível para centralizar resultados de editais, relatórios de projetos e prestações de contas, em linguagem cidadã, não apenas técnica.

    • Devolutiva obrigatória das contribuições das escutas públicas, informando o que foi acolhido ou rejeitado, para evitar a sensação de "loop interminável" onde as mesmas demandas se repetem sem resultados.

3.3. Fortalecimento do Sistema Municipal de Cultura

  • CPF da Cultura (Conselho, Plano e Fundo):

    • Urgência na criação do Fundo Municipal de Cultura (já solicitado) para garantir o repasse "fundo a fundo" e a previsibilidade orçamentária.

    • Defesa de um percentual mínimo do orçamento municipal (ex: 1%) para a cultura, transformando-a em política de Estado.

  • Cadastro e Busca Ativa:

    • Implementação de um cadastro permanente de agentes culturais para evitar a perda de dados a cada troca de gestão.

    • Realização de busca ativa para alcançar artistas em situação de vulnerabilidade (ex: analfabetos, idosos), com a criação de "agentes territoriais de cultura".

3.4. Demanda da Companhia de Dança Loucura Arte

  • Reconhecimento e Visibilidade: O grupo, formado majoritariamente por pessoas com deficiência e com reconhecimento nacional/internacional (ex: 3º lugar no Festival de Dança de Joinville; convite para evento em Viena), relatou falta de apoio e divulgação da gestão municipal.

  • Crítica a Pareceristas: Relato de que um projeto foi considerado "trivial", demonstrando falta de preparo dos avaliadores para lidar com a arte inclusiva.

  • Pedido: Equidade de oportunidades e reconhecimento como referência em dança em cadeira de rodas.


4. DESAFIOS ESTRUTURAIS E PROPOSTAS DE LONGO PRAZO

  • Concurso Público: Considerado o principal pilar para a continuidade das políticas públicas. A falta de servidores efetivos gera perda de memória institucional e ineficiência.

  • Setorização dos Editais: Proposta de que todas as categorias (Ações Continuadas, Festivais, etc.) tenham subdivisões por linguagem (ex: ações continuadas para música, teatro, audiovisual) para garantir a representatividade de todos os segmentos.

  • Planejamento e Seguridade:

    • Crítica à sazonalidade da arte: é preciso criar mecanismos de seguridade para os artistas, que não sobrevivem apenas com os editais.

    • Sugestão de criar programas permanentes (ex: Sergipe Filmes e Sergipe Música Viva) com aportes anuais robustos (R
      15milho~eseR


5. ENCAMINHAMENTOS E PROPOSTAS FINAIS

  • Do Vereador Irã Barbosa:

    • Compromisso em levar as propostas para a Comissão de Educação e Cultura.

    • Defesa da realização de audiências públicas anuais sobre a PNAB, para garantir o controle social contínuo.

  • Do Secretário Paulo Corrêa:

    • Compromisso em buscar emendas parlamentares para ações de fomento, não apenas para eventos.

    • Abertura ao diálogo e concordância com a necessidade de qualificação da gestão e de recursos próprios para a cultura.

    • Esclarecimento sobre os atrasos, atribuídos à reestruturação nacional do MinC, e não à inércia local.

  • Da Sociedade Civil:

    • Fortalecimento da luta para que o Conselho seja eleito e que o Fundo de Cultura seja implementado para garantir a previsibilidade orçamentária.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A audiência evidenciou um cenário de transição e esperança, com a criação da Secretaria de Cultura e a execução dos recursos da PNAB, mas também de frustração histórica, com a repetição de problemas como falta de transparência, instabilidade da gestão, e a percepção de que a cultura ainda é tratada como um gasto supérfluo e não como um investimento estratégico.

Houve consenso sobre a necessidade de:

  1. Estruturar o Sistema Municipal de Cultura (CPF) como política de Estado.

  2. Realizar concurso público para profissionalizar a gestão.

  3. Ampliar e setorizar os investimentos, garantindo equidade entre as linguagens.

  4. Criar mecanismos de transparência e devolutiva para fortalecer a participação social.

A fala final do Secretário Paulo Corrêa, citando Raul Seixas ("somos eternos metamorfoses ambulantes"), refletiu a disposição para o diálogo e a construção coletiva, mas a efetividade das propostas dependerá da continuidade do debate e da pressão da sociedade civil.

O relatório acima foi elaborado com a IA deepseek


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