“Não me submeto à pressão de construtoras nem de órgãos ambientais”. Gisele Bleggi, procuradora no MPF/SE, enfrenta o descaso com o meio ambiente em Aracaju.
Faz pouco mais de um ano que o Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) conta com mais uma procuradora da República que busca enfrentar os graves problemas ambientais em Aracaju e no estado. Trata-se da catarinense Gisele Bleggi que também é mestra em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça.
Antes de Sergipe, Bleggi passou pelo Amazonas e por Rondônia. Ela atua em processos que envolvem o meio ambiente e grandes empreendimentos, urbanismo, patrimônio histórico e cultural, direitos indígenas, comunidades tradicionais e minorias.
Gisele Bleggi recebeu a Mangue Jornalismo para uma entrevista logo depois de reforçar o pedido de suspensão de licenças ambientais de empreendimentos na Zona de Expansão em Aracaju.
Em recente inspeção do MPF/SE e do MP/SE, foram nitidamente identificadas edificações em área de preservação permanente, como destruição de manguezais e às margens de rios na Zona de Expansão. A Mangue já fez reportagem sobre isso. Leia “Ninguém comprou o rio”.
Além disso, entre as preocupações da procuradora está uma obra que a Prefeitura de Aracaju está realizando na região do Mosqueiro, onde se registra forte supressão de manguezais. A Mangue Jornalismo também já fez reportagem sobre a questão. Leia: Prefeitura de Aracaju aterra mangue e ameaça o Rio Vaza-Barris.
A procuradora se assustou com o grande volume de licenças ambientais emitidas pela Prefeitura de Aracaju e pelo Governo do Estado para edificações na Zona de Expansão. Ela disse que algumas licenças serão revistas.
leia reportagem completa em:
Tatuagens, piercings e dreads no cabelo: quem é a procuradora federal atacada na internet pelo visual
Em entrevista a Marie Claire, Gisele Bleggi revela que é a terceira vez que recebe comentários misóginos sobre a sua aparência enquanto exerce a profissão.
A procuradora da República titular do 5° Ofício Ambiental do MPF (Ministério Público Federal), Gisele Bleggi, foi alvo de críticas machistas após um vídeo institucional viralizar nas redes sociais. O motivo: sua aparência física, que se destaca pelas tatuagens, pelos piercings e pelo cabelo com dreads. Esta não é a primeira vez. Ela já recebeu ondas de ofensas direcionadas ao visual em duas ocasiões anteriores, ambas relacionadas ao exercício de sua profissão.
A primeira – e mais violenta – ocorreu em 2022, enquanto mediava conflitos nas rodovias bloqueadas em Rondônia. A segunda aconteceu após participar de uma reunião com a prefeita de Aracaju, no início do ano passado.
No evento mais recente, diversas manifestações nas redes sociais tiveram caráter misógino e sexista, questionando ou desqualificando sua atuação por ser mulher. O conteúdo original foi publicado pelo prefeito de Propriá (SE), José Luciano Nascimento Lima, no dia 6 de março. Ele falava sobre um encontro com a procuradora para “fortalecer as práticas de gestão ambiental”. O post teve os comentários desativados após repercussão.
“Eram pessoas do Brasil inteiro falando, muitas nem sabem quem eu sou nem o que faço”, comenta a procuradora. “Existe um ordenamento jurídico que garante a liberdade de expressão. Mas, se você diz o que não deve, há penalidades — e elas são altas. Contra a mulher, podem ser duplicadas; nas redes sociais, até triplicadas. Já não se trata de uma injúria simples. Além disso, há responsabilização tanto na esfera penal quanto na civil”, define ela.
Dentre várias maneiras de apoiar o trabalho da procuradora Giseli Bleggi, uma delas é votar em candidatos comprometidos com a pauta ambiental. Em São Paulo um nome simbolo é Marina Silva. E em Sergipe? E em outros estados?

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário