Apoio à Carta dos Bispos do Diálogo pelo Reino, "NÃO DEIXEMOS CAIR A PROFECIA" - (para adesões de Organizações, Coletivos, Conselhos, Pastorais e Movimentos)
NÃO DEIXEMOS CAIR A PROFECIA
“Enviou-nos para evangelizar os pobres” (Lc 4,18)
Nós Bispos, do Diálogo pelo Reino, iluminados pela Palavra de Deus, atentos aos desafios da realidade atual e em comunhão com as recentes orientações do Magistério da Igreja, vimos a público manifestar o que segue:
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, para o sexênio de 2026 a 2032, aprovadas pelos bispos, na 62ª Assembleia Geral da CNBB, reafirmaram categoricamente que a missão da Igreja é evangelizar – ela existe para isso! – sabendo que evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo.
Nada se deve antepor a essa missão (n. 62).
A evangelização parte do encontro pessoal com Cristo, passa pela vida de comunidade e amplia, necessariamente, o seu horizonte para a ação sociotransformadora da sociedade e da Casa Comum (n. 65).
O magistério recente, do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, nos convida a ser uma Igreja sinodal, a caminhar juntos no caminho do Reino, inaugurado por aquele que seguimos, Jesus Cristo. O seu Reino é de justiça e paz, de fraternidade e inclusão, de perdão e vida nova, de misericórdia e salvação. Por isso, ser cristão é assumir as opções evangélicas em cada época de nossa história. Na presente época, defender os mais pobres e sofredores e cuidar da criação é missão central da espiritualidade para aqueles que vivem em Cristo, especialmente para nós, bispos.
Considerando
o contexto da grave crise social e ecológica, iluminados pela Palavra de Deus e pela Doutrina Social da Igreja, somos convocados a refletir, a agir e educar a sociedade para a defesa de uma civilização do bem viver. Alegramo-nos por tantas lideranças e Comunidades Eclesiais que anunciam o Evangelho da vida e denunciam estruturas opressoras, causadoras de feridas na terra e no coração da humanidade. Alegramo-nos também pelas inúmeras pastorais sociais, juntamente com vários movimentos populares pelo exemplo dado no enfrentamento da mineração predatória, do agronegócio sem critério, de situações diversas no mundo do trabalho, das violências contra:
as mulheres, os povos originários, os afrodescendentes, a população LGBTQIAPN+, entre outros.
O Papa Leão XIV, na Carta Encíclica Magnifica Humanitas, diz que em “cada época paira o risco de se construir um mundo desumano e mais injusto” (n.1). Segundo ele, “nos últimos anos, tornou-se cada vez mais evidente o quão rápida e profundamente a digitalização, a inteligência artificial (IA) e a robótica estão transformando o nosso mundo” (n.4). Ele pede que “evitemos a ‘síndrome de Babel’: a idolatria do lucro, que sacrifica os fracos; a uniformidade que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital – dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa” (n.10).
Essa realidade, descrita pelo Papa, encontra eco no coração de pessoas com mentalidades fechadas num conservadorismo autoritário que, lamentavelmente, através das redes e alguns dos meios de comunicação de inspiração católica, incluindo alguns membros dos ministérios ordenados, religiosos e leigos, promovem devocionismos, discursos superficiais e violentos contra pessoas que testemunham a fé no meio dos pobres, na defesa da democracia e das pautas ambientais. Elas são indiferentes e rejeitam as orientações do magistério da Igreja, alimentando bolhas alienadas e alienantes no ambiente socioeclesial, se alimentam do ódio e alimentam o ódio contra aqueles e aquelas que têm uma vivência de Igreja comprometida com a transformação social e com o cuidado da criação, elas revelam uma agressividade que fere as pessoas, rompe a comunhão e enfraquece o profetismo eclesial.
Por isso, não são raros os ataques dirigidos a irmãos do episcopado, mas também a presbíteros, a diáconos, religiosas e religiosos, consagrados e a tantos outros cristãos leigos e leigas. Tentam desqualificar, silenciar, intimidar e mesmo calar a voz profética da Igreja.
Na mesma encíclica, o Papa Leão XIV nos orienta acerca dos princípios da Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum, a Destinação Universal dos Bens, a Subsidiariedade, a Solidariedade e a Justiça Social (nº 65-81).
A Doutrina Social da Igreja tem seu fundamento na dignidade da pessoa humana, entendida como reflexo de cada ser criado à imagem e semelhança de Deus. Ela é ancorada na Revelação Divina (Sagradas Escrituras) e na grande Tradição da Igreja orientando o agir cristão diante dos problemas da sociedade.
Em sintonia com a Mensagem ao Povo Brasileiro (1), aprovada e publicada durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, em 24 de abril de 2026, afirmamos:
Em tempo de eleições, tais situações tendem a aumentar. Sendo assim, renovamos nosso
pacto pela vida, pela democracia, pela soberania e pela defesa da casa comum. O tempo atual exige de todos nós cristãos e da sociedade brasileira, muita coragem para gestar um projeto de país que não pactue com a grave injustiça social que sempre nos
acompanhou.
Em tempo de eleições, reafirmamos que não temos partido, mas que estamos do lado dos pobres, de quem os respeita e defende; de quem defende a democracia e a soberania do país; de quem é contra qualquer postura fascista; de quem é contra a manipulação política da Religião; de quem é contra
a avalanche de mentiras e disseminação do ódio pelas avenidas digitais, Por isso incentivamos cada cidadão a fazer uma escolha consciente e lúcida de candidatas e candidatos comprometidos com as causas populares, com o bem comum e com a proteção de nossa Casa Comum. O Evangelho de Jesus Cristo não nos permite ter outra posição.
Que Maria, profetiza da libertação, continue entoando o seu Magnificat e nos ensine também a cantá-lo, não apenas com os lábios, mas com escolhas, atitudes e compromissos que façam florescer a justiça, a fraternidade e a esperança.
21 de agosto de 2026
Bispos do Diálogo pelo Reino
Organizações que apoiam a Carta dos Bispos do Diálogo pelo Reino, "Não deixemos cair a Profecia", 21/8/26
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
CJP-DF – Comissão Justiça e Paz de Brasília
CJP – Comissão Justiça e Paz de São Paulo
MNFP - Movimento Nacional Fé e Política
Vida e Juventude – Centro Popular de Formação da
Juventude
Observatório Eclesial Brasil
CEFEP – Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Camara
Coletivo Padres da Caminhada
Grito dos Excluídos Continental, Lajeado/RS
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
CIMI - Conselho Indigenista Missionário, Brasília-DF
Comissão Pastoral da Terra – CPT, Goiânia - GO
CJP - Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Santarém-PA
Conselho Nacional de Cristãos Leigos e Leigas Leste 2, Minas Gerais
Grupo de Esquerda Liberdade e Trabalho – GELT, Belo Horizonte/MG
Caritas da Arquidiocese de Pelotas/RS
Pastoral Afro-brasileira Regional SUL1, SP
Serviço Pastoral dos Migrantes,Toledo/MG
Coletivo Reunir - Rede Unidade e Resistência, Porto Alegre
Serviço de Assistência Social N.S. da Conceição de João Monlevade MG
Escola de Política e Cidadania ZO Butantã, São Paulo/SP
CEBs, CNLB, Pastorais Sociais, Galileia MG
Inspetoria Madre Mazzarello, Belo Horizonte / MG
CEBS e MAM – Movimento de Atingidos pela Mineração de MG
Comissão Justiça e Paz do Regional Sul 1 da CNBBB , São Paulo - SP
Paróquia São Francisco de Assis, Rio de Janeiro-RJ
CNLB - Regional norte 2 (Pará e Amapá)
CNLB Regional Oeste 1, Campo Grande MS
Movimento Internacional das Mulheres Cristãs Leigas e Religiosas, Curitiba/PR
Rede La Salle de Educação, Porto Alegre RS
CNLB Conselho Nacional do Laicato do Brasil Sul2, Paraná
Pastoral Luterana de Vitória, Espírito Santo, Brasil
Movimento Laudato Si, João Pessoa PB
CORES - Coletivo Resistência de MG, Belo Horizonte/MG
Coletivo Constância D Angola, Nova Venécia - Espírito Santo
Pastoral da Sobriedade da Diocese de Ponta Grossa/PR
Caritas Diocesana de Caratinga, Minas Gerais
Càritas Diocesana de Guarulhos/SP
Movimento das Equipes Docentes do Brasil, Teresina - Piauí
Vidas pelo Reino, Campo Grande MS
CJPIC - Comissão de Justiça e
Paz e Integridade da Criação, Rio de Janeiro
Conselho Nacional dos Leigos do Brasil, São Mateus ES
Pastoral da Criança no Rio de Janeiro
Esteio da Caridade, Lábrea-AM
Pastoral Fé e Política da Diocese de Campo Limpo, São Paulo
CNLB Arquidiocese do Rio de Janeiro
Movimento Fé e Política, Balsas/MA
Frades Franciscanos Conventuais de Brasília - DF
Conselho Nacional do Laicato do Brasil/ Diocese de Porto Nacional-TO
Pastoral da Saude no Distrito Federal
CEBs de Minas Gerais
CNLB Cruz das Almas - Bahia
Servidores na Luta, Campo Mourão - Paraná
Juventude da Teologia da Libertação, Paulista, Pernambuco
Membro do Mosteiro de São Bento, Garanhus PE
Fraternidade Secular Charles de Foucauld, São Paulo - SP
Escola de Fé e Política de Caetité/Bahia
CEBI, Poço Verde/SE
Teologia da Libertação, São Bernardo do Campo/SP
Pastoral da Catequese, Araçatuba/São Paulo
Associação de Moradores Jardim Casa Branca e Adjacências, São Paulo
Rede Fé e Política Rio de Janeiro (MNFP), Rio de Janeiro
Resistência Diaconal, Rio de Janeiro/RJ
Pastoral Carcerária do ES - Regional Leste 3 - CNBB Vitória - ES
SISPMC – Sind. Servid. Municipais de Colatina e Governador
Lindenberg, ES
Movimento de Mulheres Negras de Colatina e Região Zacimba Gaba ES
Associação Leigos Missionários Combonianos, Contagem/MG
Pastoral da Ecologia Integral Arquidiocese de Cuiaba, Mato Grosso
Articulação da Pastoral da Ecologia Integral no Brasil, Londrina PR
Coletivo Teologias da Libertação , Brasília, DF
Comitê Luz da Estrela, Belo Horizonte - MG
Articulação da Pastoral da Ecologia Integral do Brasil, Rio de Janeiro
Associação Fé e Luz, São Paulo,
SP
Missionárias do Coração Eucarístico de Jesus, Ananindeua-Pará
Apostolado da Oração, Brumadinho MG
Associação de admiradores - APROME BV, Belo Horizonte MG
CJP da Arquidiocese de Olinda e Recife PE
Nenhum comentário:
Postar um comentário