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Odair José em São Cristóvão- Fonte: Prefeitura de São Cristóvã0
Do melhor que posso extrair da experiência de ter ido a São Cristóvão para assistir Odair José neste final de semana de 01 a 03 de agosto de 2025, a primeira constatação é que Odair envelhece muito bem.
E o envelhecer muito bem a que me refiro , além do vigor artistico, físico e mental, do alto dos seus setenta e sete anos, lembro a postura firme e decidida a favor da democracia, contra a desigualdade, a favor do respeito a liberdade de escolha, conforme demonstrou Odair em diversos momentos de sua carreira,
A citar como fatores que fez com que a noite de 01 de agosto de 2025 em São Cristóvão fosse parcialmente uma das mais lindas na cidade nestes últimos anos, a chuva , relativamente intensa e o problema no gerador que interrompeu o show por quase uma hora , justamente quando Odair José abria cantando "A Noite Mais Linda do Mundo", todavia, pouco mais de uma centena de pessoas resistiram e vibraram juntos com o artista nascido em Goiás, quando o som e as luzes do palco foram religadas.
Também não podemos deixar de lembrar o primoroso show de abertura realizado por Leni Hall, cantora sergipana, residente em Aracaju há 27 anos, mas nascida no Pará, considerada uma das melhores vozes das noites "calientes" aracajuanas. Assim também como o show da cantora Tatah Santana, que animou o público com um repertório repleto de músicas mais atuais. Misturando ritmos como arrocha e forró, Tatah conquistou especialmente o público jovem, encerrando a seresta com muita energia e emoção.
Como Odair José é um profissional de excelência, ele se colocou à disposição para voltar e completar essa noite linda, e que deixou todos os presentes com um gostinho de quero mais, o que irá depender da iniciativa da Prefeitura de São Cristóvão que pode fazer isso acontecer no próximo Festival de Arte de São Cristóvão (FASC).
E como várias pessoas tomaram um banho de chuva, para ficar mais perto do palco, algumas menos, porque estavam de guarda chuva, e outras mais, não tive como não lembrar de Vanessa da Mata, "E tomar um banho de chuva". Aqui também uma boa sugestão para o próximo FASC.
Por último, “Gracias a La Vida”, aqui lembrando a chilena Violeta Parra, pela prioridade que dão ao desenvolvimento cultural da cidade de São Cristóvão, o ex-prefeito Marcos Santana e o atual Júlio Nascimento, mesmo que a cidade baixa e bairros como Rosa Elze , Conjunto Eduardo Gomes, entre outros precisem de mais atenção e cuidado com relação a isso, até pela carência de espaços e de atividades culturais, o que gera campo propicio para tornar a violência em suas diversas formas um tipo de espetáculo.
“Gracias a La Vida” pelos meus antepassados que nasceram e viveram em São Cristóvão como minha avó Sara, meu avô Norberto, minha mãe Maria Marlene e meu pai José de Deus, este que mesmo nascido na cidade sergipana de Ilha das Flores e migrado para São Cristóvão, Rio de Janeiro e Aracaju, considerava São Cristóvão a cidade do coração e para onde várias vezes se deslocava para ficar na casa da família, construída por ele, a fim de passar um, dois, três, quatro dias, o que foi mais frequente durante os seus últimos vinte dos oitenta anos de vida.
”Gracias a La Vida” também pelos meus tios, tias, primos e primas que se foram e pelos que estão presentes, como meu primo-irmão George de Oliveira, "Seu Geo", que vive metade do tempo em Aracaju e metade em São Cristóvão, nesse caso para ficar mais tempo com a mãe, a tia Dozinha, como carinhosamente é conhecida Maria das Dores.
Zezito, Seu Geo e Irene - Foto na Casa Verde com o palco do show ao fundo, em azul.
“Gracias a La Vida” por Irene Smith, companheira e cúmplice de tantas escolhas que fazemos juntos, incluindo esta programação de final de semana. A ‘namorada que sonhei’ como na icônica canção romântica dos anos 1970 composta e interpretada por Nilton César, bastante popular nessa década como Odair José.
“Gracias a La Vida” por Álvaro e Aída, sócios proprietários da estalagem (pousada) Vila Barroca, localizada na Praça São Francisco, onde ficamos hospedados durante dois dias em um ambiente aconchegante , com pessoas também assim, e com uma sensibilidade cultural e criativa que dá gosto.
“Gracias a La Vida” pelo carinho e atenção que recebi quando cheguei a Casa Verde, do meu primo George, frequentador assíduo do local e de outras pessoas presentes, como as belas, afetuosas e inteligentes Lu Silva, realizadora de audiovisual e Danila Silva, assessora do deputado João Daniel (PT), este também visitando a Casa Verde após a solenidade de reabertura do Museu Histórico que também aconteceu naquela noite.
A Casa Verde merecerá reportagem a parte no blog da Cultura, muito boa a conversa que tivemos com Ariadne , uma das empreendedoras que tem hambugueria no local e responsável também pela administração geral do negócio criativo.
Outros empreendimentos ligados a economia criativa também valeu a pena conhecer, como o restaurante Zé de Fulô onde almoçamos no dia de sábado e o pizzaria e restaurante Ivorá, onde jantamos na noite de sexta-feira.
“Gracias a La Vida” por um intelectual multifacetado como Luiz Eduardo Oliva, atualmente chefe do escritório do IPHAN em Sergipe, um verdadeiro gentleman, um bom papo, bem humorado, sem “frescuras” e um excelente memorialista e escritor .
“Gracias a La Vida” por Gaspeu, Tiago Fragata e Clóvis Barbosa, além de outros (as) pessoas ligadas ao campo da criação, da gestão e da reflexão sobre arte e cultura, residentes em São Cristóvão ou não, também presentes ao local.
E para finalizar os dois dias de felicidade em São Cristóvão, um delicioso almoço no restaurante “Pôr do Sol”, cercado de tudo que eu, Irene e George gostamos, boa comida e boa bebida, boa música ao vivo com o cantautor Fernando Crateús, em ambiente aconchegante, ventilado e iluminado fortemente pela natureza, até porque localizado as margens do Rio Paramopama, e próximo ao centro histórico da cidade mãe de Sergipe, que conta com potencial incrível para gerar mais momentos felizes para seus moradores e visitantes, isso por meio da sua história, da sua cultura e das suas belezas naturais, desde que bem cuidadas e inseridas com três propósitos fundamentais na governança local e global nessa primeira quadra do século XXI, sustentabilidade, participação social e inclusão.
Zezito de OliveiraMuito feliz por poder assistir um show do Odair José em Sergipe e na cidade onde
nasci... São Cristóvão.
A presença de um novo perfil de clero brasileiro revela uma tendência clericalista visível a olho nu que ganha seu lugar cada vez mais comum e, por conseguinte, mais legítimo nas mídias católicas e nas comunidades eclesiais. Não deixa de ser desconcertante o perfil predominante dos ministros ordenados, em especial do presbítero, nas últimas décadas, em perspectiva oposta a uma Igreja sinodal. Grande parte dos denominados "padres novos" normalmente: tomam distância do Vaticano II e do magistério do Papa Francisco; gostam de se autodenominar "sacerdotes" e de exercer seu ministério em torno ao culto e à administração dos sacramentos; devotam especial esmero ao uso de paramentos e outros utensílios da liturgia pré-conciliar; dizem-se zelosos da doutrina e defensores da tradição; vestem-se com trajes clericais, demarcando o espaço "sagrado" em relação ao dito ambiente "mundano"; não hesitam em demonstrar sua superioridade e sua distância em relação aos leigos e leigas (estes considerados de segunda categoria); são pouco sensíveis às questões sociais, preferindo o centro às periferias; estão atrelados a uma Igreja autorreferencial e pouco missionária; fazem pontes com ideologias conservadoras...
Nesta entrevista, ele fala sobre solidão digital, impotência política, desilusão com a esquerda e a urgência de encontrar alegria em meio à agonia.
"O filósofo italiano perdeu a esperança. “Temos de criar as condições para a alegria e a solidariedade durante a agonia”.
Conhecido por “Bifo” desde jovem, o italiano Franco Berardi é uma referência do pensamento de esquerda das últimas décadas. Em maio de 1968 participou na revolta dos estudantes da Universidade de Bolonha. Faria parte do grupo extraparlamentar Potere Operaio, ao lado de figuras como Antonio Negri. Nesses anos de agitação rebelde fundou a revista A/traverso e esteve na rádio pirata Alice. Nos seus livros, Berardi sai das baias do marxismo mais ortodoxo, chamando, por exemplo, ensinamentos e conceitos da psicanálise para a sua crítica às sociedades capitalistas pós-industriais.
O seu último livro, Disertate (2023), identifica na “onda” de depressão entre os jovens um sintoma de um mundo de trabalho em excesso e em crise climática. Perante o caos e a dor, a resposta desses jovens é a “deserção”, a desistência, como se a alegria só pudesse ser encontrada nas “ruínas”, defende “Bifo”.

Sim, Franco Berardi, hoje com 75 anos, perdeu a esperança. Quisemos falar com ele tendo a recente edição portuguesa de Futurabilidade — A Era da Impotência e o Horizonte de Possibilidade pela VS. como pretexto. Nesse livro, editado originalmente em 2017, o filósofo já fazia um diagnóstico sombrio da vida enformada pelo capitalismo, mas ainda acreditava que seria possível abrir uma rota de fuga. Como? “Criando uma consciência comum e uma plataforma técnica comum para os trabalhadores cognitivos do mundo”. Foram eles, os trabalhadores intelectuais (os artistas, os engenheiros, os cientistas), que montaram a engrenagem, cabia-lhes agora “reprogramar” a grande máquina do mundo para benefício coletivo.
Quase dez anos depois de escrever essas linhas, a esperança de Franco Berardi, que conversou com o Ípsilon por videochamada a partir da sua casa em Bolonha (uma entrevista terminada por e-mail), esfumou-se.
A entrevista é de Pedro Rios, publicada por Público, 31-07-2025.
"Tenho trabalhado particularmente com jovens, estudantes, militantes, pessoas que falam comigo por razões psicanalíticas, e o que descubro é que, para eles, a solidão é o seu futuro. Não há nada que permita imaginar solidariedade no futuro. É por isso que digo que a experiência humana acabou.Agora, a verdadeira novidade é que a nova geração está consciente do fato de que o genocídio é a regra do mundo em que vivemos hoje " Franco Berardi
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
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