quarta-feira, 17 de abril de 2024

#1964+60 - Aracaju perde Milton Coelho. Uma das mais importantes referências da luta contra a ditadura militar em Sergipe.

Foto: Comissão da Verdade de Sergipe 

Blog Primeira Mão

Adeus a Milton Coelho  –  Ex-militante da luta contra a ditadura em Sergipe, morre em UTI hospitalar

17/04/2024 /  Por Eugênio Nascimento

Milton Coelho era petroleiro aposentado, militou no PCB e atuou no PT, partido pelo qual disputou eleição

Depois de uma semana internado na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) do Hospital Primavera, morreu na madrugada desta quarta-feira o ex-militante de esquerda, Milton Coelho. Ele foi internado com pneumonia. O seu velório acontecerá no Osaf, em Aracaju.

Milton Coelho esteve na luta contra a ditadura militar instalada no país em 1964 e era um árduo defensor da democracia. Foi  militante do Partido Comunista Brasileira(PCB) e do Partido dos Trabalhadores (PT), na condição de quadro filiado. 

A sua participação na luta pela redemocratização do Brasil lhe motivou a prisão em 1976, durante a Operação Cajueiro, adotada pelo governo federal militar em perseguição àqueles que pregavam a volta do estado de direito ao Brasil.

Nas dependências do 28º Batalhão de Caçadores (unidade militar do Exército Brasileiro no Estado de Sergipe), em Aracaju, foi torturado e, como consequência das torturas sofridas ficou cego.

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INFORME ARACAJU - TÍTULO DE CIDADÂNIA - MILTON COELHO CARVALHO - 29/03/2023

Milton Coelho se constituiu como referência no campo politico e de integridade moral, como pessoa generosa e humanista que era. Gostava de interagir bastante com as pessoas, em especial através do rádio , este que foi uma das suas mais importantes companhias, inclusive nos  momentos de insônia.

Considerava o trabalho educativo com arte e com a imprensa junto à juventude como fundamental para a construção da necessária consciência democrática e cidadã. Tinha especial predileção pelo teatro.

E mesmo cego,  devido as torturas sofridas na operação cajueiro em 1976, procurava intervir nos acontecimentos politicos e sociais  da cidade.

Tinha uma preocupação acentuada com a formação dos militantes e da população em geral, e para isso se dedicava no compartilhamento de material jornalistico e de livros em PDF, assim como indicação de vídeos, livros, jornais alternativos e etc. Era um eximio datilográfo e usava máquina e depois o teclado do computador com grande destreza.  Era entusiasta do jornal "Mundo Jovem" produzido e distribuído sob os auspicios da PUC-RS.

Se destacava pela fé inabalável nas transformações progressistas da História pela ação dos homens e mulheres irmanados nos ideais socialistas e sem preconceito com visão religiosa, partidária e de outra natureza.

Como Jesus Cristo propugnou no Evangelho "O importante é vida em abundância para todos os homens e mulheres". 

 Gracias a La Vida por pessoas como  Milton Coelho ter existido e  que continuará  a existir na memória de quem não desiste de sonhar e de lutar por um mundo de justiça, de beleza e de paz.

"Fé na vida, fé no homem, fé no que virá

Nós podemos tudo, nós podemos mais

Vamos lá fazer o que será."

Zezito de Oliveira - Educador e Produtor Cultural




O último vídeo da série "Revolução Russa, 100", dirigido por Mika Lins, traz o tenor Jean William. Neste vídeo, ele canta o hino "A Internacional Socialista" acompanhado pelo músico Filipe Santos. Composta por Eugène Pottier e Pierre de Geyter, a canção foi traduzida para diversas línguas.




Foto: Comissão da Verdade de Sergipe 



Soy Loco Por Ti América - Caetano, Gil e Capinam.






Torturas deixaram cego militante do PCB durante a ditadura em Sergipe. Veja a lista de 29 pessoas, muitas sequestradas e torturadas na Operação Cajueiro



Leia AQUI



NOTINHA ou NÃO VERÁS PAÍS NENHUM
Desde a morte de Agonalto Pacheco (abril de 2007) aqui em Aracaju que acendeu em mim uma reflexão sobre os destinos da memória neste Brasil e, em particular, o destino dos e das combatentes contra a ditadura pós-64. No ano que lembramos os 60 anos do golpe de 1964 e da ditadura que se seguiu, aumentou ainda mais a minha descrença de que as esquerdas ainda tenham algum compromisso com a memória revolucionária deste país. Um ou outro militante ainda tem, a bem da verdade. Mas um ou outro não é "instituição", não é partido, sindicato, movimento social, movimento popular... Enquanto esquerda/comunista, estamos mal e muito mal de memória.
Quando Agonalto Pacheco morreu tivemos uma nota na Infonet de uma jovem pesquisadora, um breve depoimento do governador Marcelo Deda e mais umas poucas palavras perdidas no tempo como lágrimas na chuva. E mais nada. Agonalto já vinha num infeliz processo de invizibilização fatal. A lembrança voltou um pouco com o filme "Hércules 56" do carioca Silvio Da-Rim. Numa nota publicada na infonet, lemos: 
"Morreu amargurado com a vida pública, segundo revelam seus filhos. Mas manteve a simplicidade e a dignidade até o fim..." (Infonet, 05 de setembro, 2017).
São nestas crueldades simbólicas como o esquecimento e o abandono dos seus, que as esquerdas morrem... 
Soube agora do falecimento de Milton Coelho. Preso na ditadura, resistente à prisão, barbaramente torturado e com a sequela da cegueira que conviveu com ele até a morte ontem. Quem lembra? quem sabe?
Em tempo: "Não verás país nenhum" é um romance apocalíptico do fim dos tempos, é o maior sucesso de Ignácio de Loyola Brandão publicado em 1981.
Em 17 de abril de 2024. Sem mais.
Romero Venâncio (UFS)


2 comentários:

Anônimo disse...

Conheci em uma formação da pastoral da juventude em meados dos anos 2000! Sempre militante na luta por formação de novos agentes políticos e culturais, o presidente da ação cultural Zezito de Oliveira foi quem nos presenteou com essa lenda, Milton Presente! Sempre.

Anônimo disse...

Descanso eterno daí-lhe Senhor. E a Luz perpétua o esplendor.