sexta-feira, 4 de setembro de 2026

PRIMEIRA SESSÃO INFANTIL DO CINECLUBE REALIDADE: ARTE, AFETO E PERTENCIMENTO

Por [seu nome]

No dia 21 de março, uma tarde especial marcou a história do Cineclube Realidade. Aconteceu a primeira sessão infantil do projeto, desde sua fundação em 2015, reunindo crianças e adolescentes em torno da vida de Francisco – uma história que, contada por meio de desenhos, afetos e perguntas, ganhou novos contornos na sala climatizada que acolheu a todos com muito carinho.

Enquanto isso, no mesmo horário, em Poço Redondo, o cortejo dos grupos da cultura popular seguia pelas ruas, celebrando as tradições que resistem e se renovam. Lá estavam Raoni Smith, oficineiro e mediador da oficina de audiovisual com celular da Ação Cultural; Virgínia Lúcia, mestranda do curso de audiovisual da UFS; e Gerson Praxedes, professor do curso de teatro da UFS. Três olhares atentos, três fazeres que se entrelaçam na mesma teia: a cultura como experiência viva, compartilhada e transformadora.

E não foram apenas essas duas frentes. No mesmo instante, em muitos lugares do Brasil, outras iniciativas de ação cultural de base comunitária se somavam a esse esforço coletivo. Faziam coro ao que Tom Zé tão bem cantou: "A felicidade desabar sobre os homens." Porque cultura, quando é feita com o povo e para o povo, tem essa força: a de fazer a alegria brotar onde menos se espera, a de conectar gentes, histórias e territórios.

A SESSÃO: QUANDO AS CRIANÇAS SÃO AS PROTAGONISTAS

Voltando à sala do Cineclube, o cenário era vibrante. A turma estava numerosa: alguns sentados nas cadeiras, a maioria espalhada pelo chão, olhos atentos à tela e ao movimento ao redor. Antes mesmo do filme começar, os meninos e adolescentes já haviam colocado a mão na massa – literalmente. Cada um fez seus desenhos sobre a vida de Francisco. Uns capricharam, outros, mais acanhados, fizeram o que puderam. E houve ainda aqueles que revelaram um talento nato para o traço, deixando todos impressionados.

A dinâmica dos desenhos não foi apenas uma atividade preparatória. Ela foi o coração da experiência. Ao desenhar, cada criança e adolescente se sentiu parte da história, não apenas espectadores. A arte, ali, cumpriu seu papel mais nobre: incluir, expressar, dar voz.

LULIA E A CONDUÇÃO DINÂMICA

Desde o início, Lulia tomou a frente com segurança. Fez a apresentação, deu início ao filme e, depois da exibição, conduziu um bate-papo interativo. As perguntas foram surgindo e as respostas vieram rápidas – na maioria das vezes. Em outras, uma ajudinha aqui e ali foi necessária, mas sempre com leveza.

Lulia optou por uma linguagem acessível, justificando que as crianças não compreenderiam termos técnicos. Quem registra este relato confessa que estranhou um pouco a percepção – afinal, ela e Maira também saberiam falar com os pequenos –, mas reconhece que a condução foi assertiva e eficaz. No final, Lulia perguntou se mais alguém queria falar, mas o tempo e o andamento da atividade não pediam novos acréscimos. Ficou a sensação de que tudo havia sido dito no tempo certo.

O PAPEL DAS CATEQUISTAS E A ORGANIZAÇÃO

As catequistas tiveram participação fundamental, especialmente na manutenção da ordem. Numa sala cheia, com crianças e adolescentes em diferentes níveis de atenção, o apoio delas fez toda a diferença para que a atividade fluísse com tranquilidade.

Outro ponto que merece destaque é a estrutura física: a sala Clara, com ar-condicionado, foi um verdadeiro presente. Em um dia quente, o conforto térmico contribuiu para que todos ficassem à vontade e concentrados.

E como esquecer da pipoca com refrigerante? Sucesso garantido – embora tenha ficado a observação de que muitas crianças não tomam refrigerante. Fica a sugestão, para as próximas sessões, de oferecer também suco ou água de coco, ampliando as opções e o cuidado com todos.

CULTURA EM MOVIMENTO: UM MOSAICO DE AÇÕES

O que torna este relato ainda mais significativo é saber que, na mesma tarde, a cultura pulsava em outras frentes. Em Poço Redondo, o cortejo dos grupos populares seguia em festa, com Raoni, Virgínia e Gerson imersos naquela energia. Cada um, em sua área – o audiovisual, o teatro, a pesquisa acadêmica –, contribuía para fortalecer o tecido cultural da região.

E em todo o Brasil, outras ações comunitárias aconteciam. Não por acaso. É como se houvesse um fio invisível ligando todas essas iniciativas, um fio que Tom Zé traduz em poesia: a felicidade que insiste em desabar sobre os homens, mesmo em tempos difíceis. Cultura é isso: insistência, resistência, celebração.

O QUE FICA

A primeira sessão infantil do Cineclube Realidade deixou marcas. Nas crianças, que viram seus desenhos ganharem sentido dentro de uma história maior. Nos adolescentes, que se sentiram parte ativa do processo. Nos catequistas e organizadores, que testemunharam o poder da arte de aproximar, ensinar e emocionar.

E fica também a certeza de que o caminho é esse: aliar exibição e participação, técnica e afeto, organização e escuta. Aos poucos, o Cineclube Realidade vai construindo sua identidade – não como um projeto que apenas exibe filmes, mas como um espaço onde a cultura se faz coletivamente, com as mãos, com as vozes e com os corações de quem participa.

Que venham muitas outras sessões. E que a felicidade continue desabando.



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