terça-feira, 5 de agosto de 2025

O novo rosto do clero no Brasil

Eliseu Wisniewski 

 A presença de um novo perfil de clero brasileiro revela uma tendência clericalista visível a olho nu que ganha seu lugar cada vez mais comum e, por conseguinte, mais legítimo nas mídias católicas e nas comunidades eclesiais. Não deixa de ser desconcertante o perfil predominante dos ministros ordenados, em especial do presbítero, nas últimas décadas, em perspectiva oposta a uma Igreja sinodal. Grande parte dos denominados "padres novos" normalmente: tomam distância do Vaticano II e do magistério do Papa Francisco; gostam de se autodenominar "sacerdotes" e de exercer seu ministério em torno ao culto e à administração dos sacramentos; devotam especial esmero ao uso de paramentos e outros utensílios da liturgia pré-conciliar; dizem-se zelosos da doutrina e defensores da tradição; vestem-se com trajes clericais, demarcando o espaço "sagrado" em relação ao dito ambiente "mundano"; não hesitam em demonstrar sua superioridade e sua distância em relação aos leigos e leigas (estes considerados de segunda categoria); são pouco sensíveis às questões sociais, preferindo o centro às periferias; estão atrelados a uma Igreja autorreferencial e pouco missionária; fazem pontes com ideologias conservadoras... 



“A experiência humana acabou.” Franco Berardi, filósofo e ícone da contracultura europeia, acredita que o futuro da humanidade está selado.

Nesta entrevista, ele fala sobre solidão digital, impotência política, desilusão com a esquerda e a urgência de encontrar alegria em meio à agonia.

"O filósofo italiano perdeu a esperança. “Temos de criar as condições para a alegria e a solidariedade durante a agonia”.

Conhecido por “Bifo” desde jovem, o italiano Franco Berardi é uma referência do pensamento de esquerda das últimas décadas. Em maio de 1968 participou na revolta dos estudantes da Universidade de Bolonha. Faria parte do grupo extraparlamentar Potere Operaio, ao lado de figuras como Antonio Negri. Nesses anos de agitação rebelde fundou a revista A/traverso e esteve na rádio pirata Alice. Nos seus livros, Berardi sai das baias do marxismo mais ortodoxo, chamando, por exemplo, ensinamentos e conceitos da psicanálise para a sua crítica às sociedades capitalistas pós-industriais.

O seu último livro, Disertate (2023), identifica na “onda” de depressão entre os jovens um sintoma de um mundo de trabalho em excesso e em crise climática. Perante o caos e a dor, a resposta desses jovens é a “deserção”, a desistência, como se a alegria só pudesse ser encontrada nas “ruínas”, defende “Bifo”.

Sim, Franco Berardi, hoje com 75 anos, perdeu a esperança. Quisemos falar com ele tendo a recente edição portuguesa de Futurabilidade — A Era da Impotência e o Horizonte de Possibilidade pela VS. como pretexto. Nesse livro, editado originalmente em 2017, o filósofo já fazia um diagnóstico sombrio da vida enformada pelo capitalismo, mas ainda acreditava que seria possível abrir uma rota de fuga. Como? “Criando uma consciência comum e uma plataforma técnica comum para os trabalhadores cognitivos do mundo”. Foram eles, os trabalhadores intelectuais (os artistas, os engenheiros, os cientistas), que montaram a engrenagem, cabia-lhes agora “reprogramar” a grande máquina do mundo para benefício coletivo.

Quase dez anos depois de escrever essas linhas, a esperança de Franco Berardi, que conversou com o Ípsilon por videochamada a partir da sua casa em Bolonha (uma entrevista terminada por e-mail), esfumou-se.

A entrevista é de Pedro Rios, publicada por Público, 31-07-2025.

A Revista da IHU reproduziu . AQUI

"Tenho trabalhado particularmente com jovens, estudantes, militantes, pessoas que falam comigo por razões psicanalíticas, e o que descubro é que, para eles, a solidão é o seu futuro. Não há nada que permita imaginar solidariedade no futuro. É por isso que digo que a experiência humana acabou.
Agora, a verdadeira novidade é que a nova geração está consciente do fato de que o genocídio é a regra do mundo em que vivemos hoje " Franco Berardi

Não  à toa,  Francisco escreveu a Fratelli Tutti com abordagem voltada a essa questão. Com um olhar voltado para o futuro.

Leia também:

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Onde está Cristo em Gaza? (2) Reflexão para cristãos e não cristãos.

 

"Cristo não está ausente de Gaza. Ele está lá crucificado , entre os feridos, sepultado sob os escombros e presente em cada ato de misericórdia, uma vela na escuridão, cada mão estendida para o sofredor”."

Cardeal Pizzaballa
do mural de Inês Ferreira no facebook

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

A doença do bolsofascismo tem cura?

 

Conversei no dia de hoje 04 de agosto de 2025,  com um colega professor, evangélico progressista, acerca dessa doença do bolsofascismo no seio das igrejas. 
Ele considera ser uma doença incurável para muitos que estão sob uma espécie de possessão do mal. Já outro, um ex- aluno da Renovação Carismática Católica (RCC), mas com traços de progressismo ou de humanismo critico,  me diz a mesma coisa. 
O que respondo? A Educação como prevenção e tratamento, em especial a educação popular. Do mesmo modo, a cultura, em especial a ação cultural de base comunitária. O que fica melhor ainda se combinado a atividade fisica e/ou ao esporte...E se puder, para um tratamento mais integral, atividade de contato/convivio com a natureza., como trilhas, piqueniques, acampamentos e etc...
Essa prescrição que parece inusitada e de certa forma é, por razões que não terei tempo para aprofundar neste espaço, me foi reforçada   pela saudosa professora doutora em antropologia Adriana Dias, especializada em pesquisa investigativa e estudos sobre a criação de células nazistas com jovens brasileiros, aliciados e fortalecidos pedagogicamente, afetivamente  e politicamente através da internet. 
Em certa  ocasião quando Adriana Dias participativa de um programa de entrevistas em um canal progressista no youtube , não lembro o ano, mas foi no tempo de bolsonaro como presidente, perguntei a ela: O que fazer para prevenir a entrada de mais jovens nessas células nazistas? Ela me respondeu: - O trabalho com a história e a cultura local de forma combinada,  poderia ser  um bom começo. Me surpreendeu! 
E tratamento e cura aqui, considerando também questões existenciais, além de aspectos ligados ao  comportamento ou de personalidade, como é o caso da timidez, do egocentrismo, de vaidade excessiva, da vontade de exercer controle e dominação sobre os outros etc... Ou seja, educação popular e ação cultural de base comunitária como eixos fundamentais de uma formação humana integral.
Bem aventurados, os que mesmo sem serem cristãos, são capazes de entender e colocar em prática o que escrevo acima, e eu não falo/escrevo/faço só, em especial os que tem poder de decisão no campo do parlamento, do executivo, do judiciário, nas empresas privadas, na imprensa, nas religiões, nas universidade e nas organizações e movimentos sociais.
Zezito de Oliveira

imagem acima e abaixo adicionadas  09.08.2025

CONHEÇA OS PIORES DOIDINHOS DE BAIRRO DAS MANIFESTAÇÕES PRÓ ANISTIA DO MITO | Galãs Feios
acrescentando em 07/08/2025



Abaixo pesquisa com IA

"Vitamina de cultura" ou "Kulturvitaminer" é um projeto terapêutico inovador originário da Dinamarca, que visa tratar a depressão, ansiedade e estresse através de atividades culturais. O projeto envolve a participação de pacientes em diversas atividades culturais, como visitas a museus, teatros e concertos, com o acompanhamento de guias culturais. 
A iniciativa, que começou em 2016, tem como objetivo proporcionar aos participantes uma experiência cultural enriquecedora, com o intuito de melhorar o bem-estar mental e emocional. A ideia central é que a cultura possa funcionar como uma "vitamina" para a mente, combatendo os efeitos negativos do estresse e da depressão, segundo o projeto. 
O projeto "Kulturvitaminer" foi implementado em quatro cidades dinamarquesas: Aalborg, Silkeborg, Holstebro e Odense. As atividades são realizadas com o acompanhamento de guias culturais profissionais, que auxiliam os participantes a explorar e interpretar as obras e experiências culturais. 
A "vitamina de cultura" é uma abordagem complementar aos tratamentos convencionais para a depressão e ansiedade, e tem como objetivo oferecer uma alternativa para aqueles que buscam novas formas de lidar com suas condições de saúde mental, segundo o projeto. 

"Banho de floresta", ou Shinrin-yoku, é uma prática japonesa que consiste em passar tempo em contato com a natureza, especialmente em áreas florestais, para promover bem-estar físico e mental. A técnica envolve imersão sensorial na floresta, utilizando todos os sentidos para se conectar com o ambiente natural, incluindo sons, aromas e texturas. 
O que é o Banho de Floresta?
O banho de floresta, tradução para o termo japonês Shinrin-yoku, é uma prática terapêutica que se baseia na ideia de que a exposição à natureza pode reduzir o estresse e melhorar a saúde. A prática envolve: 
Imersão na natureza:
Passar tempo em áreas florestais ou parques, caminhando lentamente ou apenas observando o ambiente. 
Engajamento sensorial:
Utilizar todos os sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) para apreciar os elementos da natureza. 
Redução do estresse:
A prática demonstrou diminuir os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, e aumentar a sensação de relaxamento. 
Benefícios do Banho de Floresta:
Estudos têm demonstrado que o banho de floresta pode trazer diversos benefícios para a saúde física e mental, incluindo: 
Redução do estresse e ansiedade:
A prática pode ajudar a diminuir os níveis de cortisol e promover uma sensação de calma e relaxamento. 
Melhora do sistema imunológico:
A exposição aos aromas naturais das árvores, chamados fitocidas, pode aumentar a produção de células de defesa do corpo, como os linfócitos NK. 
Melhora da concentração e atenção:
A imersão na natureza pode ajudar a acalmar a mente e melhorar a capacidade de concentração. 
Bem-estar geral:
A prática pode promover uma sensação de bem-estar físico e mental, aumentando a conexão com a natureza. 
Como fazer um banho de floresta?
Escolha um local: Selecione um local com áreas verdes, como parques ou florestas. 
Prepare-se: Vista roupas confortáveis e calçados adequados para caminhada. 
Conecte-se com a natureza: Caminhe lentamente, observe os detalhes da floresta, sinta o ar, os sons e os cheiros. 
Relaxe e aproveite: Encontre um local tranquilo para sentar e apreciar o ambiente, respirando profundamente e se conectando com a natureza. 

Para aprofundar o que está escrito acima, sugiro os links abaixo...

domingo, 8 de março de 2020

"A gente não precisa somente de comida, a gente precisa de comida, diversão e arte.."Parafraseando Titãs.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

domingo, 3 de agosto de 2025

O cinema americano como arma de guerra cultural.

 

HOLLYWOOD é arma de GUERRA: cinema americano é indústria de romantizar violência



18 filmes proibidos da era de ouro dos quais você nunca ouviu falar


O macartismo foi um movimento político anticomunista nos Estados Unidos durante os anos 1950, caracterizado por uma intensa perseguição a supostos simpatizantes do comunismo, frequentemente baseada em acusações infundadas e métodos questionáveis. O termo deriva do nome do senador republicano Joseph McCarthy, principal figura por trás dessa "caça às bruxas" no contexto da Guerra Fria .

Contexto histórico
O macartismo surgiu no período pós-Segunda Guerra Mundial, quando os EUA e a União Soviética emergiram como superpotências rivais. O medo da expansão comunista levou a uma paranoia generalizada, alimentada por eventos como:

A explosão da primeira bomba atômica soviética (19496.

A vitória comunista na China (1949).

Casos reais de espionagem, como o do casal Rosenberg, executado em 1953 por vazar segredos nucleares .

Características do macartismo
Acusações sem provas: McCarthy alegava ter listas de "comunistas infiltrados" no governo, mas nunca apresentou evidências concretas .

Perseguição a diversos setores: Alvos incluíam funcionários públicos, artistas (como Charles Chaplin), cientistas (como Albert Einstein), professores e sindicalistas     .

Listas negras: Pessoas acusadas eram incluídas em listas que as impediam de trabalhar, especialmente em Hollywood .

Violação de direitos civis: Interrogatórios agressivos, quebra de sigilo e falta de direito à defesa eram comuns .

Papel da mídia: McCarthy usou a televisão para disseminar suas acusações, manipulando a opinião pública .

Declínio e fim
O macartismo perdeu força quando McCarthy começou a acusar membros do Exército e do governo Eisenhower. Em 1954, o jornalista Edward R. Murrow expôs seus métodos abusivos em um programa de TV, e o Senado aprovou uma moção de censura contra McCarthy, que morreu em 1957, isolado e desacreditado .

Legado
O macartismo deixou marcas profundas, como:

A destruição de carreiras e vidas por acusações falsas .

O reforço do anticomunismo durante a Guerra Fria .

Um alerta histórico sobre os perigos de sacrificar liberdades em nome da segurança.

Hoje, o termo "macartismo" é usado para descrever qualquer campanha de acusações infundadas com motivações políticas .
IA deepseek

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Finalmente! O Museu Histórico de Sergipe localizado em São Cristóvão reabre as portas depois de três anos em estado de reforma.

 


🖼️ Nesta sexta-feira, 1º de agosto, a partir das 18h, tem reabertura do Museu Histórico de Sergipe, em São Cristóvão! Após três anos de restauração, o museu volta a receber o público com muito mais história e cultura. ✨ Na programação, tem inauguração da exposição comemorativa dos 15 anos da Praça São Francisco como Patrimônio Cultural da Humanidade, seguida da solenidade oficial de entrega da restauração do museu, com apresentação especial do Quinteto da Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE). 🎶✨ Não perca esse momento histórico! 🥰 #PatrimônioCultural #MuseuHistóricoDeSergipe #SãoCristóvão #Funcap #Secult #GovernoDeSergipe

https://www.instagram.com/p/DMxerWaR7Y8/?igsh=MW52Mmk4Nnk5dzdwdQ%3D%3D

1. Reforma e Restauração do Prédio

O museu está passando por uma restauração física desde 2024, com 70% das obras concluídas até agosto daquele ano. A intervenção, liderada pelo Governo de Sergipe, visa preservar a estrutura neoclássica do prédio (construído em 1900) e modernizar suas instalações, mantendo as características históricas. O investimento foi de aproximadamente R$ 1,4 milhão .

O projeto prioriza a segurança do acervo, após incidentes como roubos de peças em 2014 e 2015 .

2. Readequação do Acervo

Em junho de 2025, a Secretaria de Cultura de Sergipe discutiu a reorganização do acervo, propondo a separação entre peças do período imperial (que permaneceriam no MHS) e republicano (transferidas para o Museu Palácio Olímpio Campos, em Aracaju). A medida busca corrigir sobreposições históricas e melhorar a coerência narrativa .

3. Contexto de Fechamento Temporário

O museu foi fechado temporariamente para as reformas, conforme mencionado no site da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que lista o MHS entre os museus sergipanos atualmente em manutenção .

Durante a gestão de Thiago Fragata (ex-diretor), o museu já enfrentava desafios como falta de segurança e queda no fluxo de turistas após 2012, agravada pela redução de eventos culturais na cidade .

4. Importância Cultural e Social

O MHS é destacado como um espaço vital para educação patrimonial, turismo e ações sociais, como rodas de leitura para estudantes e eventos comunitários (ex: Círculo dos Ogãs, que reuniu terreiros de candomblé) .

Sua localização na Praça São Francisco (Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2010) reforça seu papel na preservação da história colonial brasileira .

Obras de Restauração (2023-2025)

O museu foi fechado ao público entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025 para uma restauração integral do prédio, incluindo recuperação de estruturas físicas, pisos de madeira e modernização das instalações, mantendo suas características históricas .

O governo de Sergipe investiu aproximadamente R$ 1,4 milhão na revitalização, executada pela Cehop e Funcap, com 70% das obras concluídas em agosto de 2024 .

Reabertura em Evento Comemorativo

A solenidade de reinauguração ocorrerá em 1º de agosto de 2025, como parte das celebrações dos 15 anos do título de Patrimônio Mundial da UNESCO concedido à Praça São Francisco, onde o museu está localizado .

Motivação para o Fechamento

Além da necessidade de restauro, o museu enfrentou problemas de segurança, como roubos de peças do acervo em 2014 e 2015, destacados em um artigo de Thiago Fragata, ex-diretor do MHS .

Conteúdo gerado pela IA deepseek

terça-feira, 16 de abril de 2013

"Mistérios sempre há de pintar por aí" - Dos templos budistas às baladas em Ibiza: a incrível jornada do garoto tido como lama reencarnado

Para quem é adepto da filosofia existencialista ou que se sente próximo, vale a pena ouvir ou ler a reportagem abaixo.   ZdO

A citação incluída nessa postagem "Mistérios sempre há de pintar por aí" pode ser conhecida ou lembrada dentro do contexto,  AQUI, após a leitura e/ou audição da reportagem.


PARA QUEM QUISER LER A REPORTAGEM

Aos dois anos de idade, um menino nascido na Espanha se viu sendo colocado em um trono e reverenciado em uma cerimônia na Índia perante milhares de pessoas.

É que Osel Hita Torres foi identificado como sendo a reencarnação de um conhecido mestre espiritual budista, um lama, que havia morrido um ano antes dele nascer.

Em vez de ter uma infância comum, em vez de ir à escola e brincar com outras crianças, Osel foi levado para um monastério onde se viu isolado da família e mergulhado na cultura budista tibetana, visitado e venerado diariamente por fiéis e obrigado a se dedicar diariamente a estudos e práticas religiosas.

Ele viveu assim até os 18 anos, quando tomou a decisão radical de largar tudo, e iniciar uma longa jornada para se conectar com um mundo totalmente novo e estranho e buscar uma identidade e personalidade próprias.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly2pl46e05o