sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Sete punhaladas de frevo


Foto: https://oglobo.globo.com/brasil/o-dia-do-frevo-em-olinda-15291375

SENHORA DAS DORES São sete. Sete luas no minguante, sete dobres compassados, sete irmandades contritas, sete lanternas acesas. Sete vísceras sangrando, sete andores florescidos, sete tochas reluzindo, sete hastes. Sete farpas. Sete cravos pontiagudos. Sete espinhos venenosos, Sete chagas, sete horrores: são sete punhais de prata ferindo o peito das Dores. O primeiro, é o meu desprezo pela dor do desvalido; o segundo, o meu orgulho, que me cega aos meus defeitos; o terceiro, o preconceito com que trato os mais humildes; o quarto, minha soberba em ver tudo ao meu feitio; o quinto, esta vaidade que dissimulo com jeito; o sexto, minha cegueira, minha impossibilidade de ver o mundo ao avesso do retrato que eu desenho; o sétimo, mais doloroso, é exigir das pessoas que sejam meu próprio espelho… Perdoa, Senhora, as chagas que, existindo, lhe causo. Mas como existir perdão se nem sequer me arrependo? Se nem estanquei o sangue que das chagas cai ao chão? Que pode aspirar aquele que lhe cravou sete facas, se ainda oculta mais sete no cavo de sua mão? 

Um dia, passeando pela Gazeta de São João del Rei/MG encontrei este poema-oração maravilhoso. Frustrado fiquei porque não consegui descobrir o nome do autor. Sete é um número reconhecidamente misterioso: em Portugal há milhares de devotos da Virgem dos Sete Punhais; existe o Mistério dos Sete Punhais que é fonte de estudo de uma ordem secreta que se assemelha à maçonaria; no candomblé existe o Exu Sete Punhais assim como a Pomba Gira Sete Punhais; quando menino, eu me assustava com as histórias da Mulher das Sete Saias contadas por meu avô, aquela que tinha sete maridos e sete navalhas afiadas para cortá-los; e para ficar por aqui, as Sete Agonias de Jesus Cristo têm especial relevância para toda cristandade assim como as Sete Frases que proferiu pregado na cruz. 

Estamos na semana pré-carnavalesca. Então é preciso orar e refletir para depois cair na folia. Eu desejo abordar esse místico número de forma mais leve: sete punhaladas de frevo. Por que punhaladas? Porque compositores de frevo são poetas que gostam e entendem muito de gente, de modo que frases musicais podem ferir apenas pelo dom de iludir que certos frevos-canções trazem, os quais se transformam em verdadeiras punhaladas (sem sangramento) nos corações daqueles que não se arrependeram de amar ao longo da estrada da vida.  

O frevo liberta, faz a gente pular de tão feliz e ainda nos acena com aquela pequeníssima esperança de encontrar no meio do povo folião aquele amor do passado que o coração carrega em silêncio, mas ainda não se perdeu na poeira do tempo. Carnaval não é festa para casais ou grupos de amigos. É para quem quer se perder ou se achar. Não importa a idade do folião, o frevo embala a alma cativa de quem espera encontrar alguém especial na multidão. A quarta-feira de cinzas foi feita para os pecadores arrependidos, se bem que Chico Buarque tem um frevo cuja letra diz: "não existe pecado do lado debaixo do Equador". Então tá.

Pensando nisso, selecionei sete punhaladas de frevo que nem são cantados por essas ruas ingratas do Recife e Olinda que é por onde transito durante o carnaval. Mas esses frevos selecionados são muito, muito queridos por mim, uns mais lentos, outros mais apressados, uns com arranjos tradicionais e outros mais distantes disso. O que importa mesmo é que todos são frevos feitos para dançar e amar (deitado ou em pé). Então lá vai frevo, meu bem, e ele é todinho para você!

A 1ª punhalada-frevo, SEDUÇÃO, foi gravada pela saudosa Beth Carvalho em 1983, de autoria de Luiz Bandeira, que teve a 1ª gravação em 1959. O registro sonoro de Beth tem arranjos maravilhosos e bem pernambucanos e ela cantando frevo é o máximo! 

A 2ª punhalada-frevo, PRO QUE DER E VIER, foi dada por Joanna, também em 1983, quando pediu a Sivuca para gravar o frevo de sua autoria e Paulinho Tapajós, gravado pelo paraibano naquele mesmo ano, que não só autorizou a nova gravação como repetiu nela os belos arranjos do LP original. 

A 3ª punhalada-frevo foi desferida por Elba Ramalho, em A MULHER DO DIA, de 1979, que narra a emoção do compositor Carlos Fernando, em Olinda, o qual tendo dormido embriagado, despertou ao som dos clarins da troça de mesmo nome, ainda vestido de Nero, num sábado de carnaval, tendo ficando apaixonado pela boneca gigante que se casou em 1990 com o Homem da Meia-Noite e ambos ainda hoje puxam animados foliões ao som de orquestras de frevo.    

A 4ª punhalada-frevo foi aplicada de forma quase imperceptível pelo cearense Ednardo, autor de MAIS UM FREVINHO DANADO, de 1974, que é um dos mais esquecidos pelos cantantes do ritmo, no que se constitui uma tremenda injustiça com o antigo membro do grupo “pessoal do Ceará” que desembarcou no Rio de Janeiro no início dos anos 70 para brilhar como se fosse uma estrela. 

A 5ª punhalada-frevo tem a autoria assassina de Caetano Veloso até no título, DEIXA SANGRAR, gravado originalmente por Gal Costa e regravado de maneira insuperável por Roberta Sá em 2012. É um frevo espetacular que maltrata e recompensa ao mesmo tempo quem o ouve! 

A 6ª punhalada-frevo foi lançada em 1981 por Nara Leão, BLOCO DO PRAZER, de Moraes Moreira e Fausto Nilo, que em ritmo de marcha lenta avisa para quem quiser ouvir: “não quero oito nem oitenta, eu quero o bloco do prazer”. A gravação de Nara é impecável e ainda teve o auxílio luxuoso da sanfona de Oswaldinho do Acordeon. 

A 7ª e última punhalada-frevo tinha que ser do meu cantor de frevo preferido: Caetano Veloso. Aqui ele traz NOITES OLINDENSES, do saudoso Carlos Fernando, compositor e produtor desse gênero que, de 1979 a 1993, revolucionou o frevo-canção de Pernambuco. Faleceu em 2013, não sem antes sentir o amargo sabor do esquecimento em vida. 


POR ABILIO NETO
Pernambucano, 70 anos, é memorialista e pesquisador musical, além de  pequeno colecionador de discos. Seu arquivo contém algumas obras que se tornaram preciosas na música brasileira diante do mau gosto popular nessas duas primeiras décadas do século XXI. São frevos, sambas, maracatus, forrós, xotes, polcas, toadas, marchinhas, merengues e choros. Tem mais de 400 artigos escritos sobre música que foram publicados em sites da internet, ‘terreno’ que se notabiliza pela impermanência. Seus artigos provam que a História também se conta através da música.

O carnaval e nossos políticos eternamente mascarados




Por Narcizo Machado
E ele vem chegando, o Carnaval. Ah Carnaval, como o povo te espera! Uma sequência de dias de festa, alegria, descanso e confraternização, é a festa da ejaculação do amor. Naturalmente inspira a liberdade, para quem, gosta é a lavagem que a alma precisa para o ano ter continuidade. No Brasil, tradicionalmente nos acostumamos a dizer e de fato isso acontece: o ano só começa após o Carnaval.
Abre alas que ele vai passar, trazendo com ele um algo a mais. “Carnaval é a alegria popular. Uma das raras alegrias que ainda sobra para minha gente querida”, disse Dom Helder Câmara, quando era arcebispo de Recife no período do regime militar.  Quando o tambor bate, o povo logo grita: daqui não saio daqui ninguém me tira. É também a época da diversidade, onde se respeita o direito de quem de dia quer ser Maria e de noite ser João.
Mas me parece que o Carnaval, além disso tudo, é também momento de protestos. Protestos contra uma dura realidade vivida. Há letras de músicas, como esta de Carlinhos Brown, que trazem até reflexão sobre a política internacional e a vivência da violência nas ruas. “50 talibans no bando, e Zé na Romaria, o mundo vai se transformando, perfume de Maria, e com trabalho e contrabando nas ruas da Bahia, a gente é solução se amando, tá quente a guerra fria. Jesus desde menino, é palestino”. Esse verso traz muita discussão política e uma disputa histórica de poder.
A máscara é um adereço tradicional usado para homenagens, para protestos, para expressar sentimentos e a criatividade de nosso povo. Passado o Carnaval, a sociedade volta a focar no cotidiano da vida e abandona esse adereço da folia. Parte da classe política, não, fica eternamente usando máscaras. Na frente do povo uma coisa, por trás outra, em eleição um discurso, na gestão outra prática.
E está chegando o período em que estes mascarados ganharão as ruas para ir de casa em casa, dialogar com quem, de camarote, homologará quatro anos para mais atuações em defesa de objetivos pessoais. É tão cultural o uso da “falsidade”, que o próprio eleitor reclama quando ela não acontece. O povo gosta do cara que bate nas costas, que abraça, que dá beijos e sorri largamente, como também gosta dos que se fazem de durões para expressar seriedade. O período eleitoral se tornou uma disputa entre personagens.
No carnaval, o fim da folia é na quarta-feira de Cinzas. Na política, para parte dos nossos representantes, a quarta de Cinzas parece nunca chegar.
Foto: Divulgação de fábrica de máscaras no Rio de Janeiro (O Globo)


Hoje coluna hoje segue sem notas, o clima de carnaval chegou. No domingo de Carnaval, 23, não teremos publicação, voltando no primeiro domingo de março. Bom Carnaval, com responsabilidade e alegrias!!!

domingo, 16 de fevereiro de 2020

A cena pulsa. Conversas sobre polticas e acão cultural no bairro Bugio em Aracaju


Zezito de Oliveira

Ontem , 15/02, na sede do Grupo Teatral Boca de Cena, foi um dia histórico  em termos do debate sobre politicas e ação cultural  em Aracaju.

Acredito que,  pela primeira estiveram reunidos os melhores representantes do pensamento conservador e tradicional em termos de concepção sobre arte e politica cultural, juntamente com  o seu inverso, os  representantes do pensamento progressista em sua vertente mais insurgente, como materializada na proposta do grupo teatral Boca de Cena que realiza trabalho artístico ancorado em pesquisas e influências estéticas bem contemporâneas , convidado para turnês nacionais, mas   fortemente conectado com o local. 

Não apenas em termos de cultura popular sergipana, mas também conectados com uma comunidade da periferia  formada por trabalhadores de baixa renda. Local onde está localizada a sede do grupo. A propósito, o local até parece sede de uma igreja evangélica.

Quem passou no dia de ontem pelo local, sem estar acostumado, pode ter lembrado de algo parecido, principal mente pelas pessoas sentadas em cadeiras de plásticos assistindo a um grupo de pessoas falando na frente, utilizando caixas de som , com  painéis pintado ao fundo, falas intercaladas com canções, poesias e tambores.

Das falas da professora Alexandra Dumas,  me lembro do quanto podemos encontrar fontes de sentido e estratégias na  visão de mundo e práticas cotidianas das populações tradicionais, em se tratando do enfrentamento aos podres poderes que insistem em nos explorar,  amedrontar, sufocar.

Dessa maneira,  de forma insistente, mediados pela  cultura,   como fazem essas populações,  precisamos buscar  estarmos mais tempo juntos, uns com os outros, assim também como recuperar a lógica da gratuidade,  esquecida nestes  últimos tempos. 

Nessa hora me lembrei da canção Podres Poderes, quando Caetano Veloso afirma

“Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres

E adolescentes fazem o carnaval.””

“Será que apenas os hermetismos pascoais
Os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais

Nos salvam, nos salvarão dessas trevas

E nada mais?”


Da fala do professor Romero Venâncio , me recordo da ênfase que ele deu acerca do  pensamento de Celso Furtado, um dos primeiros e principais defensores da concepção de  cultura como base do desenvolvimento de uma nação.
E isso explica muita coisa coisa acerca de quem está no comando atual da nação, que trabalha paradoxalmente contra o desenvolvimento do Brasil e do seu povo. Ou o NADA que se faz no campo das poltiicas e ação  cultural , ou o TUDO que é feito para destruir o pouco das politicas e ação cultural  inspiradas no pensamento de Celso Furtado.
Durante a permanência pela primeira vez naquele local, me veio a lembrança,   uma constatação positiva e um desafio
A lembrança se refere a outro momento histórico de discussão sobre politicas e ação cultural, realizado na sede da TAMPA no Bairro América como preparação aparticipação dos agentes culturais  sergipanos que foram a Bahia em 2018,  participar do Fórum  Social Mundial. Este momento também contou com a contribuição do Professor Romero Venâncio.
A constatação positiva é o fato de estar-se aprendendo e discutindo politicas e ação cultural, em um local na  periferia, região onde precisamos disputar  com o pensamento conservador quase fascista,  o futuro de uma  nação que sofre uma tentativa de marcha a ré inimaginável pouco tempo atrás, e em termos completamente anacrônicos.
Os desafios: Como criar uma rede apoio e proteção para iniciativas culturais como as desenvolvidas pela TAMPA no Bairro América e pelo Boca de Cena no Bugio. Uma rede de apoio que possa contar com um fundo solidário com arrecadação financeira junto a pessoas, empresas e instituições nos moldes do que está fazendo os jornalistas dos canais e sites progressistas na internet.
O segundo desafio é prosseguir realizando debates, estudos e pesquisas sobre politicas e ação cultural.
Penso que a cena cultural em Sergipe estaria bem melhor,  caso a formação na  universidade e nos cursos livres buscassem uma maior  politização, aqui mais conceitual e prática em termos amplos e plural, mesmo para quem se considere anarquista.
Mas sem dúvida, a conjuntura atual também favorece a compreensão dessa necessidade e ainda há tempo, talvez precisemos correr um pouco.
Portanto, mais Augusto Boal, Bertold Brecht, Hermilo Borba Filho, Paschoal Carlos Magno,  Vianinha e o CPC da UNE  e semelhantes. É isso que grita o tempo atual.  Foi invisivelmente com estes que me senti acompanhado na tarde de ontem. Além de todos e todas que foram citados/convidados,    pelos  professores Aglaé, Severo D'acelino, Alexandra Dumas, em especial as mulheres do samba de pareia da  Mussuca, incluindo Celso Furtado, citado por Romero Venâncio conforme foi dito

Comentários a respeito da reportagem "O Ensino Integral que a propaganda esconde."


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Como a reportagem em tela gerou alguns comentários interessantes, vou respondê-lo em  bloco, inclusive retomando explicações que já foi dada como resposta a cada um deles. 

1 – A nossa  preocupação com educação integral vem de longa data, primeiramente com  muito mais  ações diretas  e algumas poucas leituras. Agora, buscando mais leitura e menos ações diretas. Dessa maneira, faço a práxis tão necessária para conseguir Insistir, como bem disse a professora do curso de teatro da UFBA, em apresentação realizada ontem, 15/06, na sede do Grupo Teatral Boca de Cena, localizada no bairro Jardim Centenário, próximo ao bairro Bugio. Ao mesmo tempo  faço a práxis necessária para Re-existir, conforme vivenciei no Fórum Social Mundial realizada nos campus da UFBA em Salvador e na sede da reitoria. 

2 – Essa preocupação  com Educação Integral, está expressa no próprio texto de apresentação da Ação Cultural, organização cultural da qual fui um dos fundadores no ano de 2004, e principalmente em dois artigos acadêmicos que passamos a produzir desde 2018. Os quais se encontram disponíveis no blog, com previsão da disponibilização de um terceiro em março próximo. 

Os dois artigos. Aqui e Aqui.

AÇÃO CULTURAL "Somos uma organização/coletivo sergipano de agentes culturais, fomentando a educação integral e a economia colaborativa através de atividades que produzem geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"

3- A minha principal motivação para entrevistar os jovens secundaristas, se deu em razão da disposição de lutas que muitos estão demonstrando desde as jornadas de junho de 2013, passando pelo movimento de ocupações de escola e pela intensa participação em coletivos de cultura, comunicação, identitários e de empreendedorismo social.  Muitas vezes tudo isso junto e misturado.

E toda essa participação impulsiona a presença dos jovens ativistas ou militantes em movimentos de outras categorias, em especial de quem está mais próximo da maioria deles, os professores. 

Quando começamos a entrevista,  as perguntas que fizemos foram voltadas para buscar as razões que incentivaram a presença dos jovens estudantes na vigília e na ocupação dos professores. 

E aqui, não precisamos repetir o que eles disseram, basta conferir a primeira parte da entrevista, todavia, no decorrer da conversa foram aparecendo problemas com o ensino integral, modalidade existente nas escolas onde eles estudam e que não foram surpresas para mim, já que conheço uma escola com muita aproximação da realidade da escola onde eles estudam, não por acaso, no interior, longe dos holofotes da mídia, distantes da sede da secretaria e com possibilidade de controle mais efetivo das mentes e dos corações dos estudantes.

Em dois comentários encontramos “estranhamento” ligados a ausência do almoço. Sobre isso, fica claro no depoimento que foi o principal problema superado. Mas  prossegue as dificuldades  quanto a questões estruturantes, tanto em termos de instalações/espaços físicos, como no campo pedagógico/metodológico, aqui principalmente na questão ligada a “socioemocional”.

E mesmo com relação a questão da alimentação, temos informação de uma aluna que pediu para sair de outra escola de ensino integral ,em razão de não aguentar mais comer broa de milho e beber suco no almoço. Talvez no colégio em que isso aconteceu, oxalá o  problema  também esteja superado. Até porque, mesmo no lanche ninguém merece, mas isso aconteceu e acontece em muitas escolas. Broa de milho e suco de caixa, durante vários meses.

Outros dois comentários lamentaram o autoritarismo e despreparo da direção.  Aqui cabe uma observação, conforme o depoimento dos estudantes na reportagem em tela, e ouvido com colegas professores que ministram aula na modalidade ensino integral, isso é um componente principal ou inerente do tipo de proposta pedagógica/metodológica que foi “comprada” no pacote de financiamento oferecido pelo governo Temer.

Embora, gestores autoritários e manipuladores podem piorar a situação.

Agora, sem dúvida o pior, é como modelos verticais e  autoritários de imposição pode colaborar como uma espécie de antessala para escolas militares ou militarizadas, o qual sabemos no limite o que significam em termos de introdução e consolidação do fascismo. Do fascismo nosso de cada dia, o que estrutura aos poucos,  uma espécie de estado teocrático, extremamente autoritário e neoliberal. 

E há saídas para isso? Não só há, como já houve.

Os links disponibilizados na postagem foram realizados para mostrar essa perspectiva. Ensino de qualidade integral, considerando os aspectos realmente democráticos em matéria de gestão, qualidade em termos de infra-estrutura, pedagogias participativas e  dinâmicas,  e com diálogo com o mundo, vasto mundo. 

Particularmente, dentre os vários,  recomendamos atenção ao que se refere aos Ginásios Vocacionais  e “Não é preciso ser impositivo: quando se confia nas escolas, elas respondem”.

E diga-se de passagem, mas uma informação significativa. Uma das professoras que comentou a reportagem da nossa lavra, é uma professora da UFS que estudou em um colégio do sistema vocacional. 

Quanto a opinião sobre exageros e sensacionalismo, o que podemos afirmar é a veracidade dos depoimentos, feito em forma de roda de conversa. Com um toque de liberdade criativa em um outro caso, da parte deste "repórter" e "editor" que escreve,  como na conclusão em termos da “mosca na sopa”, aqui trazendo citação  implícita de uma canção  do grande Raul Seixas.  

Mas nada que contrarie o espirito e o sentido das falas, muito pelo contrário.

E continuem participando com perguntas, questionamento, complementações...

Sobre o conceito de práxis.....



fonte:   Aqui.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Eu e você sempre. - O melhor samba de Jorge Aragão com nova roupagem.

Abílio Neto



Tenho um CD de Jorge Aragão, o segundo dele gravado ao vivo, lançado pela Indie Records, em 2000, que traz EU E VOCÊ SEMPRE, de Jorge Aragão e Flávio Cardoso. Para mim, um dos melhores sambas do século XX porque, como se sabe, 2000 é o último ano daquele século passado. 

Então veio 2017, quando no pequeno Teatro Arraial, em Recife, aconteceu um musical de João Falcão. Sim, aquele mesmo que trabalha para a Globo, que é cria daqui, da vila da Usina Tiúma, em São Lourenço da Mata. O nome do musical foi DORINHA, MEU AMOR, com um repertório que falava de amor. Por que Dorinha? Por causa também da cantora ISADORA MELO, que aos 27 anos era apresentada ao público recifense como mais uma grande artista desta terra fértil. 

Designer profissional, Isadora tinha surgido no musical O BAILE DO MENINO DEUS, de Ronaldo Brito, que é apresentado no Recife antigo todo fim de ano. Isso em 2013. Lá ela conheceu o bandolinista, arranjador e maestro RAFAEL MARQUES com quem ainda é casada. Digo isso em função da moda “casa e separa”, mas acho que eles AINDA dão liga. 

Quando Jorge Aragão lançou essa música, Isadora tinha 10 anos, eis que nascida em 1990. Eu não vi o musical Dorinha, mas há uma lembrança dele no YouTube, de 2018, quando Isadora e o marido Rafael passaram pela Rádio Universitária e o pessoal de lá pediu para que os dois lembrassem de alguma canção daquele musical que o tempo deixou para trás. 

O samba, despido da sua vestimenta natural e usando uma nova roupagem, saiu do estágio de pedrada certeira para tiro fatal. Pelo menos é assim que sinto essa nova interpretação. Gente, a voz de Isadora é de uma doçura sem par. Comprove! 



Pernambucano, 70 anos, é memorialista e pesquisador musical, além de  pequeno colecionador de discos. Seu arquivo contém algumas obras que se tornaram preciosas na música brasileira diante do mau gosto popular nessas duas primeiras décadas do século XXI. São frevos, sambas, maracatus, forrós, xotes, polcas, toadas, marchinhas, merengues e choros. Tem mais de 400 artigos escritos sobre música que foram publicados em sites da internet, ‘terreno’ que se notabiliza pela impermanência. Seus artigos provam que a História também se conta através da música.


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Música e sociedade, música e política, música e afeto, amizade, alegria e prazer. Uma delícia quando lemos o texto de uma pessoa que sabe fazer essa combinação. É o que faz Abilio Neto, o qual conhecemos nos anos do Overmundo, entre 2006 e 2011, primeiro portal nacional de internet dedicado a difusão  da  cultura independente, das periferias, dos sertões,   dos que mesmo produzindo com qualidade e compromisso, não conseguiam espaços para fazer divulgação nos cadernos culturais dos grandes jornais.
Ler o texto do Abilio Neto é como conversar ao cair da tarde em um alpendre de varanda das casas coloniais, cercados pela brisa suave que sopra das árvores, grandes e pequenas que cercam o redor da casa. Ou então,  é como conversar em uma barraca de praia, sentindo o vento que vem do mar soprando em nossas caras, bebendo uma boa caipirinha, intercalando com água de coco.

Abilio Neto é colaborador eventual do blog da Ação Cultural. Começou no mês de dezembro de 2019. 

Leia mais de Abilio Neto AQUI


Zezito de Oliveira

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

São Paulo recebe Semana de Arte contra a Barbárie pela liberdade cultural

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Diversos artistas participam de maratona cultural que ocorre a partir desta terça (11) e segue até o dia 18, com apresentações no Teatro Municipal e na Avenida Paulista 

  11:16  
 
DIVULGAÇÃO
"Nós vamos com alegria conversar com a população. É nossa função ser esse retrato da nossa sociedade rica", destaca idealizadora da Semana de Arte contra a Barbárie
São Paulo – Em defesa da liberdade de expressão, centenas de artistas participam a partir desta terça-feira (11) da Semana de Arte contra a Barbárie. Um evento gratuito, organizado pelo Movimento Artigo Quinto (MA5º) que até o dia 18 de fevereiro apresenta manifestações teatrais e de dança, artes plásticas, cinema e literatura nas escadarias do Teatro Municipal, no centro da cidade de São Paulo, em protesto contra o desmonte da cultura, à censura e suas tentativas com a ascensão de governos autoritários.
A maratona artística, que movimentará a cidade pelos próximos oitos dias, ocorrerá diariamente das 12h até as 15h, com a participação de diversas personalidades como Denise Fraga, Clarisse Abujamra, Fabiana Cozza, o bloco afro Ilú Obá de Min, Chico César, Marisa Orth, Zeca Baleiro e coletivos como a companhia de circo-teatro Rocokóz. A Avenida Paulista também será palco do evento no domingo (16), quando o dia será dedicado à poesia.
Em 1922, a mesma escadaria que será ocupada pelos artistas também foi palco da Semana de Arte Moderna, que durante os mesmos dias impulsionaram uma renovação na arte brasileira com artistas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Mário de Andrade, entre outros. Dessa vez, a nova semana de arte resgata esse histórico para se opor ao autoritarismo que tem sido a marca de governos como o de Jair Bolsonaro (sem partido), João Doria (PSDB), Marcelo Crivella (Republicanos), ou ainda Marco Rocha (PSL), o caso mais recente do governador que mandou recolher livros históricos em Rondônia, mas depois recuou.
“É tão perigoso um governo sentir espaço para fazer isso. A tentativa de censura é tão grave quanto a censura, porque significa que a sociedade está com espaço aberto para fascismo”, avalia a diretora teatral Regina Galdino, uma das idealizadoras da Semana de Arte contra a Barbárie e integrante do MA5º, movimento criado em 2019, em Belo Horizonte, e que se espalhou pelo Brasil em defesa do quinto artigo da Constituição, que institucionaliza a liberdade de expressão.
À jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, Regina explica que a Semana de Arte já era pensada antes mesmo da polêmica do ex-secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, que fez uma citação nazista em vídeo. Mas, de acordo com ela, desde o ano passado, quando o evento começou a ser idealizado, o intuito também é de marcar oposição ao plano nacional divulgado por Alvim como “de maior importância que a Semana de Arte Moderna de 22”.
“Todo mundo está engasgado vendo esse desmonte da cultura, os casos e as tentativas de censura. Vamos na frente do Teatro Municipal conseguir falar com as pessoas, que estão passando na hora do almoço, para falar desses casos. Então nós vamos com alegria conversar com a população. É nossa função ser esse retrato da nossa sociedade rica”, destaca a diretora teatral.
OUÇA

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Seminário Educação Popular e Planejamento em 18/02, no auditório da Adufs.




Vamos planejar para quando o carnaval passar.

Quem pensa, pesquisa, faz, ou pretende fazer  trabalho de educação popular,  sinta-se convidado  para participar da etapa de planejamento  para as próximas ações de continuidade do Seminário  Educação Popular e Memória. 

Será no dia 18 de fevereiro, terça-feira, a partir das  18h30 no auditório da Adufs, localizado no Campus  UFS São Cristóvão.  

O objetivo é dar continuidade a articulação iniciada com a realização das  quatro etapas de exposição e debates que aconteceram na sede da CUT, nos meses de novembro/dezembro de 2019, sob a coordenação do Professor Romero Venâncio.

Neste sentido,  o coletivo organizador formado por representação da ADUFS, CEBI-SE, AÇÃO CULTURAL, ABJD, CENTRO DE ESTUDOS ARABES E ISLÂMICOS DA UFS
 e COLETIVO TRAPICHE, espera a construção de um plano de ação voltado para o fortalecimento de atividades desenvolvida  no campo das iniciativas educativas e culturais,  baseadas na concepção  e nos referenciais filosóficos e metodológicos da Educação Popular, assim como pesquisas e  estudos com base nestas mesmas concepções e referenciais.

A proposta do dia 18 é construir o plano de ação utilizando metodologias que foram conhecidas nas décadas de 1980/1990,  através do intercâmbio  Aracaju-Recife, por meio de organizações populares e sindicais.

E quando o carnaval chegar, no final da semana de realização do encontro de planejamento, o Brasil conhecerá  mais uma vez a potente e arrebatadora  união da cultura  com a educação popular.  

 O que só acontece porque existe trabalho cotidiano de mentes e corações devotados a causa da alegria e do bem viver. Trabalho muitas vezes planejado, com pesquisa,   estudo e produção cultural, como no caso das escolas de samba, afoxés, blocos  e etc..

Para saber mais...


Educação Popular: Marxismos e Pentecostalismos. 2ª Semana


EDUCAÇÃO POPULAR: DOS MARXISMOS AO NEO PENTECOSTALISMO.

A QUEM INTERESSAR POSSA....





 V SEMINÁRIO   
INTERNACIONAL 
 Diálogos com PAULO FREIRE 
UFRN | Natal | 20/05 a 22/05/2020    |  
 Angicos |  UFERSA | 23/05/2020: encontro com ex-alunas e alunos de Paulo Freire, de 1963

Pedagogias Insubmissas – Paulo Freire: memória e presença

https://www.facebook.com/DialogosPauloFreire2017/





https://www.facebook.com/events/384514209161482/

ENCONTRO INTERNACIONAL
EDUCAÇÃO POPULAR E CIDADANIA EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS
RIO DE JANEIRO, 22-26/06/2020

 “Quando a educação não é libertadora, o sonho do

 oprimido é ser o opressor” (Paulo Freire)

OBJETIVOS


O objetivo principal do Encontro Internacional Educação Popular e Cidadania – Experiências e Desafios é reunir e propiciar o intercâmbio de experiências, pesquisas e reflexões que tenham por foco a Educação Popular, entendida como caminho de construção de uma sociedade fundada numa cidadania emancipada e emancipatória.

Reconhecendo a multiplicidade, diversidade e riqueza das práticas e da produção intelectual dos pesquisadores, militantes, educadores, movimentos e redes que, no mundo inteiro trabalham com e sobre Educação Popular, este encontro pretende também explorar as possibilidades e lançar as bases de formas regulares e permanentes de cooperação e intercâmbio internacionais.

METODOLOGIA

Fiel à inspiração da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Feire, e do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, o Encontro Internacional de Educação Popular é concebido como um grande espaço-tempo de diálogo, em que diferentes atividades, falas e modos de expressão conversem entre si, se interpelem e interpretem. Textos, vídeos, posters, exposições de vários tipos, apresentações teatrais, performances e quaisquer outras formas de expressão serão admitidas, afirmando igualmente a riqueza da diversidade e da troca intercultural entre iguais.
As várias sessões temáticas, rodas de conversa, mesas e outras reuniões contemplarão, sempre, diálogos cruzados reunindo: militantes de movimentos sociais, educadores populares, pesquisadores e acadêmicos de diferentes países e representativos da multiplicidade de experiências de Educação Popular.
Mais além, vislumbramos um encontro em aberto, em que iniciativas não previstas inicialmente, insurgentes... possam ser experimentadas.
A tradução simultânea deverá contemplar o maior número possível de línguas, de modo que cada participante possa, na medida do possível, expressar-se em sua língua natal.

CONTRIBUIÇÕES E ÁREAS TEMÁTICAS

Os interessados em participar poderão submeter:
- Artigos,
- Vídeos
- Posters,
- Exposições,
- Oficinas,
- Performances,
- Apresentações artísticas.
Também serão aceitas propostas de mesas, rodas de conversa ou outras atividades insurgentes a serem organizadas pelos proponentes.
Os trabalhos e propostas de sessões deverão contemplar uma ou mais das seguintes áreas temáticas:
1) Pedagogia do Oprimido e Teatro do Oprimido - Atualidade do pensamento e prática de Paulo Freire e Augusto Boal
2) Experiências de educação popular
3) Educação popular, justiça ambiental e crise climática
4) Educação popular e educação pública
5) Universidade, movimentos sociais e educação popular
6) Educação popular, sexualidade e gênero
7) Educação popular e saúde
8) Educação popular, soberania alimentar, agroecologia e reforma agrária
9) Educação popular e territórios: povos indígenas, populações tradicionais e afetados por grandes projetos
10) Educação popular e artes
11) Educação popular e trabalho
12) Educação popular, xenofobia e racismo
13) Educação popular, cooperativismo e economia solidária
14) Educação popular e lutas urbanas
15) Educação popular, violências e segurança pública
16) Educação popular e juventude
As submissões de trabalhos, sessões, rodas de conversas, performances, apresentações artísticas, posters e quaisquer outras atividades poderão ser apresentadas por escrito ou por vídeo-propostas.
As propostas de atividades artísticas e culturais serão selecionadas, apoiadas e coordenadas por uma Curadoria Artistico-Cultural.

DATAS IMPORTANTES

Prazo para submissão de propostas – 15/02/2020 Resultados da seleção de propostas – 06/03/2020 Encontro – 22-26/06/2020


INSCRIÇÕES
Em breve serão divulgados instruções e formulário para a submissão de propostas e para as inscrições.

INFORMAÇÕES

E-mail: confedpop@ippur.ufrj.br
Facebook: https://www.facebook.com/events/384514209161482/
Instagram: educacao_popular Twitter: @EducacaoPopular

COMISSÃO ORGANIZADORA

Amita Bhide – Tata Institute of Social Sciences, Mumbai, India
Boaventura de Souza Santos - Universidade Popular dos Movimentos Sociais - Universidade de Coimbra, Portugal
Candido Gribowsky (IBASE, Brasil)
Carlos Rodriges Brandão - Universidade Estadual de Campinas, Brasil
Carlos Vainer - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Claudia Mayorga - Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
Daniel Carceglia - Universidad Plurinacional de la Patria Grande, Argentina
Gaudêncio Frigotto - Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Brasil
Lisa Thompson - African Center for Citizenship and Democracy, University of the Western Cape, África do Sul
Marco Aurélio Santana - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Miguel Lacabana - Universidad Nacional de Quilmes, Argentina
Pierre Vuarin – Université Internationale Terre Citoyenne
Oscar Jara – Consejo de Educación Popular para América Latina y Caribe
Roberto Leher - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Sergio Haddad – Ação Educativa, Brasil

COMISSÃO LOCAL

Aercio Oliveira (FASE) - Candido Gribowsky (IBASE) - Carlos Vainer (UFRJ) – Chico Alencar (UFRJ) - Elizabeth Queiroz (UFRJ) - Francisco Rodrigues de Alencar Filho (UFRJ) – Marcos Arruda (PACS) - Paula Maracajá (Coletivo em Silêncio) - Patricia Dorneles (UFRJ) - Percival Tavares da Silva (Fórum Grita Baixada)


PROMOÇÃO
African Center for Citizenship and Democracy, University of the Western Cape, África do Sul
Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO, Santiago, Chile
Consejo de Educación Popular para América Latina y Caribe – CEAAL, San Jose, Costa Rica
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE, Rio de Janeiro, Brasil Sergio Haddad, Ação Educativa, São Paulo, Brasil
Tata Institute of Social Sciences - TISS, Mumbai, India
Universidad Nacional de Quilmes, Quilmes, Argentina
Universidad Plurinacional de la Patria Grande, Buenos Aires, Argentina
Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Campinas, Brasil
Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, Brasil
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Belo Horizonte, Brasil
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil
Universidade Popular dos Movimentos Sociais – UMPS, Universidade de Coimbra, Portugal
Université Internationale Terre Citoyenne - UITC, Paris, France